segunda-feira, 16 de outubro de 2017

Classe Média, iPhone e Tesla

E, nó que somos conscientes financeiramente, podemos dizer que um casal que ganha mais de 20k por mês e não é milionário é uma dupla de imbecis completos. Trabalho com PÓS DOUTORES que são analfabetos financeiros e não sao milionários.

A classe média é um antro de otários.
O comentário acima foi postado no meu último post sobre a cesta básica (observação: não me canso de dizer que o nível das pessoas que comentam por aqui é altíssimo, mesmo com um hater ou outro a grande maioria das pessoas contribui para uma discussão saudável e agregadora, assim como ocorreu no último post. Como membro da classe média brasileira, sou obrigado a concordar com o anônimo.

Vamos ser justos, esse lance de classe média ser burrona e fazer cagada financeira em cima de cagada não é de hoje e não é exclusividade de Brasil, até onde me recordo, sempre foi assim. Lembro-me muito bem que 20 anos atrás, o Corey pré-adolescente estudante de escola particular ouvia histórias horripilantes do tipo:

1- Meu próprio pai estava desempregado (a palavra correta seria desocupado porque o velho nunca teve um emprego, sempre foi empreendedor) e devendo até as cuecas nos cartões de crédito, ao conseguir se desfazer de um terreno (provavelmente perdendo dinheiro na negociação) invés de quitar suas dívidas achou melhor dar entrada num carro zero quilômetro e em outro terreno, ou seja, ganhou mais 2 dívidas. Algum tempo depois estávamos a pé novamente e o tal segundo terreno foi tomado pelo antigo proprietário. Conclusão: o status de andar de carro zero era mais importante que não ter dívidas.

2- O pai de um amigo da escola, conhecido picareta da cidade, tinha uma "empresa" de transporte de cargas (?), cansado de andar de Kombi foi na concessionária Chevrolet mais próxima e comprou uma Silverado top de linha (250k em dinheiro de hoje?) em provavelmente 87426732653263 prestações. Meses depois meu amigo reclamava que o banco malvado-porco-capitalista tomara a tal caminhonete do pai dele. Meu amigo jamais deixou de usar roupas de marcas.

3- Um parente próximo, então com 20 e tantos anos, ganhou uma empresa da mãe. Ali estava seu futuro, a tal empresa está lá até hoje firme e forte porém o rapaz achou melhor vende-la e torrar a grana com maconha, farinha e turbo pro Gol Gti. Esse deu sorte, duas tentativas de suicídio depois, conseguiu se formar numa faculdade que presta e trabalha na área ganhando seus 10k.

Hoje em dia pouca coisa mudou, o que mudou mesmo é o acesso à informações e os ingredientes da receita de fracasso da classe média, indubitavelmente um dos principais alicerces da quebra classe-mediana mundial chama-se iPhone. Amigo leitor proprietário de iPhone, desculpe a sinceridade mas a simples decisão de ter um aparelho desses é sim um elemento que chama atenção para os reais objetivos da sua vida.

Não existe motivos para alguém comprar um aparelho de telefone que custa MIL DÓLARES, MIL DÓLARES, MIL DÓLARES, MIL DÓLARES!!!  Mil dólares é dinheiro pra C-A-R-A-L-H-O nos EUA!!! Mil dólares é absurdamente muito dinheiro no Brasil!!! Se você tem um iPhone, ok, não condeno, cada um compra o que quer, faz o que quer com o seu dinheiro porém pelo amor de Deus, não tente justificar, não existe justificativa racional além do simples "tenho porque quero ter". Essa é a melhor resposta que você pode dar...

Sim, sou radical. Você pode explicar que o tal aparelho tem um processador XYZ que de tão foda é capaz de rodar 6235235734 aplicativos ao mesmo tempo, que tem uma câmera capaz de fazer um vídeo em cinemascope, qualidade de áudio suficiente pra tocar um baile funk no posto de gasolina de Heliópolis. Não adianta, tudo isso não muda o fato de você carregar o valor de um carro dentro do bolso quando existe opções muito competitivas por 1/10 do preço e repito: isso diz muito sobre o cuidado que você tem com seu dinheiro.


Mas se olhando a classe média brasileira e seus iPhones já é um estudo de caso de psicologia humana interessante, tudo fica ainda pior quando você olha a classe média americana.

O americano médio é nada mais nada menos que uma pilha de dividas, o cara já nasce fudido, se endivida mais ainda durante a faculdade (com os college loans) e quando está com seus 30 e poucos anos, ganhando six figures e com dívidas de seven finalmente atinge seu ápice e compra o maior símbolo da torra de dinheiro já inventado pelo homem:
Por apenas USD 75k, na concessionária Tesla mais próxima



Sim, um Tesla é está para o americano como o iPhone está para o brasileiro. É um símbolo de status de classe média que tenta justificar a todo custo o porquê de ter uma porra dessas. Claro que você precisa de um Tesla, ou você vai ficar queimando petróleo e destruindo o mundo? O carro é extremamente econômico, o custo por milha é ínfimo (não importa o quanto você pagou pelo carro) e o Musk vai salvar o planeta dessas empresas antiquadas que vendem carros a gasolina. A Tesla é a empresa mais valiosa do mundo (foda-se que nunca deu lucro, vende um produto só e tem concorrentes por todos os lados), etc, etc, etc.

Se você chegou à esse blog é possível que, assim como eu, você seja capitalista, porém como sempre digo não é porque você é a favor do capitalismo que se afundará nele. Fique do lado capitalista que ganha dinheiro, não do que gasta. Admiro muito Apple e Tesla, são empresas sensacionais quando o assunto é evangelização, diria que são duas das igrejas mais poderosas do mundo. Não seja fiel delas, não seja tonto! Deixe-os ganhar dinheiro com quem é pobre, deixado-os mais pobres. Pare com essa besteira de trocar coisas por modelos mais novos, aceite pequenas imperfeições nas coisas (leia sobre wabi-sabi), troque quando quebrar, compre na medida que você precisa...

A classe média é sim muito besta, é possível e muito possível viver muitíssimo bem abrindo mão desses símbolos de status idiotas que só servem para arrancar dinheiro do seu bolso. Se você quer ser rico, esqueça Teslas e iPhones, foque em ganhar e investir em ativos. Isso que estou falando é muito óbvio porém as vezes o óbvio está na frente de nossos narizes e não enxergamos, faça parte de uma elite, a elite que tem tranquilidade financeira, que pode se dar ao luxo de perder o emprego, de trocar de carreira, de país e mesmo assim não afetar a vida. Esqueça coisas, esqueça essas tranqueiras todas que seus colegas de trabalho, a internet, o Facebook tenta te enfiar a qualquer preço, gaste dinheiro com coisas que prestam: ativos, educação, experiências de vida. Não torre com porcarias caras. Não é fácil ser rico, mas é muito simples não ser pobre.

Voltando ao comentário do anônimo: um casal que ganha 20k pode e deve ser milionário em pouco tempo. Um casal que ganha 20k vive MUITO bem com 7k, investe 13k em 10 anos... Faça suas simulações.

terça-feira, 10 de outubro de 2017

Como uma cesta básica mudou minha vida

Pela primeira vez na vida recebi uma cesta básica. A empresa onde estou trabalhando implementou esse benefício recentemente e acabo de receber a primeira. Confesso que essa foi uma experiência muito interessante e que serviu para abrir ainda mais minha cabeça, veja o porquê.

Durante minha vida toda por alguma razão acreditei que receber cesta básica é assinar o atestado de fracasso. Não me pergunte o porquê disso mas na minha cabeça cesta básica era coisa de gente fodida, de empregado chão de fábrica, dos níveis hierárquicos mais baixos possíveis (como se isso fosse um defeito). Durante meus anos de empresário nunca sequer passou pela minha cabeça dar esse benefícios aos meus funcionários, afinal de contas, eles ganhavam acima da média, muitos tinham carro, pagavam seus apartamentos, enfim, não eram pobres, "claro que se sentiriam ofendidos se eu desse cesta básica", o mais humilhantes dos benefícios! EU TINHA UM PUTA PRECONCEITO INCONSCIENTE SOBRE CESTAS BÁSICAS. Não havia sequer parado pra pensar no assunto!

Quando fui informado que receberia mensalmente uma cesta básica minha cabeça explodiu, num primeiro momento senti algo ruim, como um soco na cara pra me acordar que minha vida virou, não sou mais empresário e que agora sou somente um peão que recebe cesta básica, quase um homeless. Num segundo momento comecei a raciocinar, percebi que meus colegas de trabalho ficaram contentes com a ideia de receber esse benefício, olhei em volta e vi que todos agiam com naturalidade diante tal novidade. "Caralho, como podem estar contentes com isso? Meu Deus, quem recebe cesta básica é fracassado", meu subconsciente falou.... Num terceiro momento a ficha caiu e percebi que não há absolutamente nada de errado em receber uma cesta básica, que na verdade ela não passa de um aumento de salário porém amarrado à "compra" de alimentos, não é nada além disso!

Senti vergonha de mim mesmo, logo eu que sou uma pessoa tão desprovida de preconceitos idiotas (ou pelo menos acreditava ser), que é aberta à novas ideias e experiências de vida, que deliberadamente trocou a segurança e status de empresário por um relógio de ponto e cesta básica... justo eu tendo um ataque involuntário de preconceito contra uma simples caixa de papelão com itens alimentícios dentro! Ridículo! Me sinto envergonhado até de escrever isso por aqui...

Quando escrevi sobre a bolha da classe média muita gente criticou dizendo que estava fazendo apologia à pobreza, que é impossível viver de maneira simples, que é hipocrisia viver abaixo do nível que se pode pagar, etc. Acredito que essas pessoas sofrem do mesmo mal que me levou a ter esses pensamentos negativos sobre cestas básicas, esse mal tem a ver com a maneira pela qual fomos criados, por essa maneira tão esquizofrênica que nossa sociedade vê status. Vivemos numa sociedade apodrecida, somos apodrecidos por nossos pais que quase sempre nos blindam da realidade do mundo. Viver preso à bolha da classe média é ainda mais maléfico que o imaginado...

Esse episódio da cesta básica me fez concluir que estou a anos luz do desenvolvimento mental que desejo ter. Uma coisa tão simples e besta me mostrou que tenho muito, mas muito mesmo o que aprender. Se eu, uma pessoa que já viajou bastante, teve contato com várias culturas e costumes diferentes, que vive no meio de "minorias" (e por isso mesmo não aceita coitadismo gay-preto-nordestino-pobre), que 99% das vezes segue caminhos completamente opostos que meus pares, que é com certeza tido como louco na sociedade ainda sofre de preconceitos e pensamentos idiotas, imagino o que as pessoas enraizadas, que moram na casa onde nasceram, que trabalham na mesma cidade e emprego a vida toda possam pensar...

Falando sobre a cesta básica em si, acabei descobrindo que terei uma economia de alguns reais nas compras mensais e que ao mesmo tempo conseguirei fazer caridade mensalmente com o excesso ou com produtos que não usamos em casa. É só isso! Não houve um Armagedom, não me tornei mais pobre por receber cesta básica... muito pelo contrário, ela me deixou mais rico por ajudar a economizar uns reais todos os meses no supermercado. A mente humana é uma coisa muito louca!

sexta-feira, 29 de setembro de 2017

Projetos digitais suspensos, cursos e promoção

A vida é mesmo muito engraçada, no momento que me preparava para iniciar meus projetos iniciais (vide último post) recebi uma proposta/convite inesperado da empresa onde trabalho.

Recapitulando, entrei na empresa à cerca de 1 mês e meio atrás com contrato temporário, recentemente houve um processo seletivo para uma posição onde a empresa fornece cursos internos para então concorrer a vagas de nível hierárquico maior, participei das provas e pra minha surpresa fui aprovado, iniciarei os cursos na semana que vem e no começo do ano aplicarei para as vagas disponíveis. Confesso que não sei muito onde estou me metendo, é tudo muito novo e não sei como será o desenrolar dessa história. Só sei que pouca gente se interessou por esse processo porque no fim das contas o cargo continua sendo de "peão", porém com mais especialidade e salário pouca coisa maior, acredito que o maior benefício será justamente o aprendizado. Minha efetivação após a fase temporária acabar já é praticamente certa, meus superiores parecem aprovar meu trabalho e sempre falam que a vaga só depende de mim (devo um post explicando isso).

Engraçado como a maioria das pessoas enxerga cursos, palestras e seminários como perda de tempo, como coisas desnecessárias, etc. Tenho que ter "tato" pra lidar com colegas que me já começam a me achar um louco por me enfiar nisso (faço um esforço diário para parecer uma pessoa comum e não alguém que trabalha por opção), afinal os cursos são fora do horário do expediente e não são remunerados (embora sem custo algum para o funcionário). Enquanto isso vejo colegas pagando pra fazer pós graduações inúteis por EAD e se achando os fodões do estudo e que terão um aumento automático de 200% quando terminarem... Engraçado como as pessoas se enganam...

Bom, o tempo que teria para tocar os projetos digitais será investido nesses cursos nos próximos meses, terei aulas 2 ou 3 vezes por semana e com certeza nos outros dias vou querer apenas descansar, então a profissionalização do blog está suspensa por enquanto. Acho essa oportunidade que estou tendo na empresa muito melhor e por isso agarrei.

Os posts continuarão como sempre, sem data marcada, de acordo com minha disponibilidade e vontade de escrever. De qualquer maneira estou tendo uma experiência incrível e muita coisa pode se reverter para conteúdo do blog, aguarde e confira!

sábado, 23 de setembro de 2017

Projetos Digitais e Ajuda

Devagar estou começando com meus "projetos digitais", me sinto um estranho no ninho até em falar isso, tamanha minha falta de afinidade com o assunto. Sou um cara raiz que sempre trabalhou com gente e que nunca deu muita importância para digitalidades, porém como tudo na vida devo evoluir e estou com várias ideias borbulhando a cabeça. Quero pôr em prática todas elas, cada uma no seu tempo e estipulei uma meta pra mim mesmo: quero uma renda de 300 dólares por mês proveniente desses projetos digitais (pensar num prazo pra isso foi um pouco demais e deixei livre). De onde tirei esse número? Sei lá, achei um número bonito (300 por mês, 10 por dia... capisce?).

Vejam os passos que pretendo seguir:

1- Adsense no blog. Devo começar por aqui e já tenho dúvidas, peço aos amiguinhos letrados que me ajudem. Comecei a fazer o cadastro do Adsense e logo na segunda ou terceira página pede login na conta do Adsense. Devo utilizar a própria conta do blog ou outra? Se for outra devo criar uma conta só pra isso, usar minha conta "real" (a conta não-Corey) ou outra?

Observação 1: li pouquíssimo a respeito de monetização, sou um cara que só aprende as coisas na prática, com a mão na massa, posso ler a internet inteira e não vou aprender, por isso decidir aprender fazendo mesmo, apanhando é que se aprende.

Observação 2: quando toquei no assunto monetização pela primeira vez várias pessoas sugeriram que eu criasse um domínio próprio ou ao menos reformasse o blog pra ficar com aparência mais profissional. Acredito que muito da minha cara como blogueiro tem a ver com fato do blog ser tosco e com aparência amadora, não tenho certeza se fazer uma mudança de layout seria uma coisa eficaz nesse momento.

2- Abrir o blog para parcerias. Mesmo não divulgando email de contato sempre tem pessoas que o acham perdido nas postagens e me mandam email, entre eles sempre tem alguma proposta de parceria, divulgação ou coisas do tipo. Sempre ignorei todos esses porém pretendo mudar minha cabeça e abrir espaço para possíveis parcerias relevantes.

3- Criação do canal do YouTube. Sou consumidor de YouTube, não assisto mais TV a tempos, portanto criar um canal nessa mídia é quase obrigatório. Obviamente YouTube traz exposição e teria que criar uma maneira de manter o anonimato, talvez faça algo como nosso amigo Viver de Dividendos, use algum tipo de disfarce de rosto e voz. Esse é sem dúvida o projeto mais complexo porém algo que pode trazer bastante dinamismo para as postagens.

4- Livro. Cada dia tenho mais vontade de escrever um livro, aliás acho que tenho assunto pra mais de um livro, talvez essa possa ser uma boa maneira de gerar renda.

Repito que meu conhecimento sobre esses paranauê de trabalhar na internet é limitadíssimo, peço que indiquem materiais relevantes de estudo, compartilhem dicas, sugestões, etc. Toda ajuda é bem vinda.

sexta-feira, 22 de setembro de 2017

Inquilino saiu, imóvel meia boca, e agora?

Dias atrás recebi a notícia que nenhum senhorio gosta de receber. Meu melhor inquilino comunicou que desocupará o imóvel. Digo que é o melhor inquilino por pagar em dia (adiantado, todos os meses) e porque o contrato dele era o melhor de todos, vamos à explicação.

O imóvel em questão, um pequeno apartamento, chegou às minhas mãos através da venda de uma das lojas, ele foi empurrado como parte do pagamento. Trata-se de um imóvel mal resolvido, provavelmente fruto de algum tipo de experimento com sucesso duvidoso feito pela incorporadora: 35m², planta tosca, inserido num condomínio cujo perfil é mais pro familiar, logo esse tipo de apartamento fica um tanto deslocado no meio dos 2 e 3 dormitórios do empreendimento. Por outro lado acaba sendo um imóvel de nicho já que atrai solteiros e casais com vontade de morar num condomínio-clube num bairro residencial, o que não é tão fácil de encontrar devido às grandes metragens e valores de aluguel e condomínio normalmente cobrados nesse tipo de empreendimento. Devido ao pequeno tamanho ele acaba sendo barato pra se manter.

Meu apartamento é um miquinho.
O apartamento chegou às mãos do antigo proprietário (atual dono de uma das minhas lojas) através de outro negócio, ou seja, fora usado como moeda de troca diversas vezes. Extrapolando o jargão automotivo, esse imóvel é um verdadeiro mico mas o peguei mesmo assim porque as circunstâncias foram favoráveis. O custo total dele, incluindo documentação, foi de 200k, sendo que na época (final de 2015, isso mesmo, nessa época eu já estava negociando as lojas) o preço médio desses apartamentos era de 220k, considerando os outros aspectos da negociação decidi encarar o mico e coloca-lo para alugar ou vender, o que acontecesse primeiro. Logo após tomar posse defini os valores: venda 210k, locação 1k, fiz diversos anúncios na OLX, grupos de Facebook e outras mídias, imediatamente e como de costume, diversos corretores e imobiliárias entraram em contato perguntando se poderiam trabalhar o imóvel, o que permiti. Uma semana depois o apartamento fora alugado por uma imobiliária pelo valor de 1,3k, isso mesmo MIL E TREZENTOS REAIS. Os caras inflacionaram o valor e o inquilino topou, bom demais pra ser verdade... Após a comissão da imobiliária eu ainda fiquei com 1200 conto por mês, nada mal...

Tudo ia bem até que o inquilino saiu, pagou a multa rescisória e se mandou, fiquei com o imóvel vago. Até onde sei o valor acima da média não foi o problema, os funcionários do prédio me disseram que o ex-inquilino saiu porque mudou de cidade. Esse foi o segundo caso de vacância desde que me tornei locador, o primeiro foi resolvido em 3 dias, o inquilino deixou o apê na segunda e o novo inquilino entrou na quinta, mas eu sabia que dessa vez seria diferente. Esse imóvel é muito peculiar o que dificulta muito a locação, já se passam 20 dias que o imóvel voltou ao mercado e tirando 2 visitas especulativas, nada concreto. Usei a mesma abordagem que da outra vez, anúncios na OLX e Facebook, vários corretores entraram em contato e nada...

Esse é o grande problema de ter imóveis de locação, eles devem ser locáveis, ter alta liquidez no mercado, caso contrário viram micos. Estou com esse mico na mão e não sei ao certo o que fazer porque o cenário mudou pra pior: o preço dos apartamentos vizinhos cairam muito, já tem gente pedindo 185k em imóveis semelhantes no mesmo condomínio, outros pedem 800 merréis de aluguel, ou seja, me fodi. Pra vender tenho que perder dinheiro (pelo menos 15 ou 20k), alugando vou pegar uma merreca... E conseguir vender ou alugar mesmo por esses valores é uma briga.

Sei que os críticos dos imóveis de locação estão com sorrisinho no canto de boca e preparando um "te avisei", mas deixo claro que sei desses riscos e que sabia desde o princípio que estava me metendo numa possível roubada. Dei sorte durante um tempo, mas como a sorte não é eterna, chegou a hora do juízo final. Meus outros imóveis estão alugados, com rentabilidade acima de 0,6%, zero vacância, zero inadimplência, mas isso deve-se ao fato de serem imóveis versáteis, comprados por valores abaixo da média. Esse é diferente, foi diferente desde o princípio. Além disso não estou exposto 100% em imóveis físicos e pretendo diminuir ainda mais essa porcentagem de acordo com que a renda passiva é reinvestida. Imóveis físicos são ótimos, você vê seu dinheiro, porém não podem ser a única fonte de renda do investidor.

Bom, tenho essa bomba na mão e tenho que dar um jeito, vejam as opções que pensei:

1- Tentar vender rápido, assumir a perda, socar o dinheiro num Tesouro Selic ou CDB acima de 100% da vida e virar a página;

Prós: viro a página desse negócio tosco que me meti e sigo em frente liberando capital que pode ser usado pra algo mais vantajoso no futuro.
Contras: perder 15 ou 20 pau é de doer

2- Tentar alugar por um valor mais baixo, não deixando o imóvel parado sem render e gerando despesa de condomínio, amargar uma rentabilidade pior que poupança;

Prós: estancar o sangramento de não estar recebendo renda e gastando com condomínio o mais rápido possível. 800 conto é pior que 1000 conto mas é melhor que 0 conto.
Contras: empurro de barriga dessa maneira até o inquilino sair novamente ou mesmo ser um inquilino problemático que além de dar problema gera pouca renda.

3- Manter os preços anunciados (210k na venda ou 1k no aluguel) pra ver se alguém fisga e até lá ir pagando as despesas de condomínio (270 conto mensais).

Prós: ganho algum tempo com o imóvel no mercado, o condomínio é barato, um valor que não me mata, é isento de IPTU e posso desligar a luz pra economizar ainda mais.
Contras: ficar com esse negócio martelando na cabeça diariamente e sem perspectiva de resolução.

Outra hipótese seria fazer uma permuta, até pesquisei algumas opções mas definitivamente não quero enfiar mais dinheiro nisso, pra rolar uma permuta teria que baixar o valor e comprar um imóvel mais caro o que não vejo sentido porque imóvel mais caro significa imóvel fora do meu perfil de locação, o que seria trocar 6 por meia dúzia. Permuta fora de cogitação.

Existe a possibilidade de me mudar para esse imóvel mas por diversos motivos isso é inviável. Ficaria fora de mão pro trabalho tanto meu quanto da Bia e também não se encaixa em nossos planos para um futuro próximo.

Estou bem perdido, não sei muito bem o que pensar e gostaria de pedir ajuda aos universitários leitores para que me deem opiniões. O que você faria no meu lugar?

PS: Dia desses pedi ajuda à vocês sobre o que fazer com 200k, em breve post a esse respeito, portanto sintam-se instigados à me ajudarem novamente!

sábado, 9 de setembro de 2017

E se você precisasse fugir do furacão?

Sábado, 9/9/17, a Flórida aguarda apreensiva a chegada daquele que pode ser o maior e mais destrutivo furacão de todos os tempos. Governador e presidente decretaram estado de emergência, ninguém ao certo sabe o que pode acontecer se esse furacão atingir a central Flórida com toda a força que está parecendo ter. Milhares de pessoas estão rumando ao norte em busca de regiões mais seguras, nesse momento não há mais hotéis na Georgia, Alabama, Carolina do Sul e mesmo na Carolina do Norte os quartos são escassos.

Os americanos sabem muito bem como lidar com furacões, as crianças são ensinadas desde cedo na escola como sobreviver à catástrofes naturais, todos se preparam, existem alimentos e outros suprimentos próprios para esses momentos de crise (viva do capitalismo opressor!!!). Claro que enxergo um certo lado negro disso: todo furacão que ameaça chegar perto do país a mídia transforma imediatamente em "a maior tempestade da história" (mas isso não poderia ser diferente, jornalismo é a profissão mais leviana após a "profissão" de político) e imediatamente os americanos disparam rumo a latas de chilli, packs de 30 água de meio litro por $1,99 e baldes de peanut butter. O consumismo americano é realmente algo impressionante e me incomoda, por outro lado quase ninguém noticia que a JetBlue oferece qualquer passagem de saída da Flórida por 100 dólares, as Turnpike estão com pedágios liberados e quase ninguém se aproveitou da crise para aumentar preços (o que foi visto com mais frequência, pasmem, em mercados brasileiros e latinos).

Mas não é sobre a tragédia anunciada nem sobre os possíveis aproveitadores ou solidariedade americana que venho falar hoje, também não vou entrar no mérito que o Brasil "é um paraíso sem catástrofes naturais" e sim fazer uma pergunta e estimular a reflexão:

E se você precisasse fugir do furacão? Digamos que um furacão está se aproximando da sua região e você precisa evacuar imediatamente sua casa, levando somente o importante e sabendo que há um sério risco de quando voltar não ter mais nada do que você está vendo ao seu redor nesse momento. O que você faria?

Me peguei fazendo essa pergunta pra mim mesmo e confesso que mesmo pra alguém objetivo e pragmático como eu é um assunto bem difícil, bem complicado decidir, sem contar o fato que não tenho o menor preparo para lidar com uma situação como essa (seria mais útil ensinar como se preparar para uma fuga ou fórmula de Báskara?). Bem, tenho algumas coisas a meu favor: o estilo de vida minimalista, o controle financeiro e o foco no que realmente importa. Vamos destrinchar isso...

Ser minimalista significa que tenho poucas coisas e que as coisas que tenho não são coisas "sagradas", não tenho muito apego material. Talvez essa seja a característica principal que me faria obter sucesso num momento de fuga. O apartamento onde moro é alugado mas levando em consideração que fosse próprio o sentimento seria o mesmo: "o seguro paga!", foda-se! Se inundar, parede mofar ou desabar, foda-se, só espero o cheque da seguradora. Meus móveis são todos das Casas Bahia ou de segunda mão, com 5k mobilio minha casa inteira novamente, dinheiro esse que não me faria muita falta na altura do campeonato. Não tenho joias, coleções, eletrônicos caros, nada disso. Se precisasse fugir hoje, pegaria Bia, o cachorro, comida, colocaria os documentos numa caixa e pronto, mudança feita sem deixar muita coisa relevante pra trás. O minimalismo além de facilitar minha fuga me ajuda a não ficar tristinho por perder coisas.

Controle financeiro: tenho sempre 3k em espécie em casa. Me julguem! Sim, tenho dinheiro vivo depreciando no fundo de uma gaveta (ops, contei o esconderijo, rsrs!). "Ah Corey, pra que isso, deixa na poupança, mimimi" Brother, sabe esses programas gringos que passam no Discovery onde nêgo se prepara para os mais variados tipos de apocalipse, desde colapso econômico até invasão de zumbis? Pois é, esses caras são os loucos até que o Rick comece dar tiros por aí com sua 45... Foda-se, ter cash me deixa tranquilo, trás uma paz de espírito legal e o mantenho. Na fuga do furacão me arrependeria de não ter 10k invés de 3... Além disso poderia ficar meses sem trabalhar por saber que não teria problemas financeiros, a busca pela simplicidade e automação me levou a colocar tudo no débito automático/automatizado, portanto poderia continuar dias e dias longe de casa e continuar com as contas pagas... Percebem onde quero chegar? A tal da IF que muitos imaginam como o gatilho para "Parar de trabalhar" assume aqui seu real papel: trazer tranquilidade.

O foco naquilo que importa tem a ver com o minimalismo. O que realmente importa pra mim no dia de hoje? Minha família. Quem é minha família? Bia, eu e o cachorro, nada mais. Tenho foco, cuido daquilo que é importante pra mim, não disperso energia e foco no que é irrelevante. Pais e demais familiares, amigos e colegas? Se virem, tenho uma família pra cuidar. Egoísmo? Sem dúvida! E quem foi que estabeleceu egoísmo como algo ruim? Quanto mais você dispersa energia, mais longe de alcançar seus objetivos você fica, e isso é óbvio, mas muita gente não se dá conta de onde está desperdiçando essa energia... Engraçado como sou extremamente liberal para umas coisas e conservador, ou mesmo retrógrado para outras. Ser Homem (com "H", ou o famoso homão da porra), não tem a ver com músculos ou BMWs e sim como fidelidade (no sentido amplo da palavra) e compromisso com aquilo que se propõe a criar e nada, absolutamente nada, deve ser mais importante que sua família, e família não é necessariamente pai, mãe e irmãos. Família são aquelas pessoas que estão DO SEU LADO, todo o tempo, que estão lutando com você por seus objetivos, que são nada mais que a extensão do seu corpo, são aquelas pessoas que estão 100% com você, que entram na briga batendo no seu adversário mesmo sem saber o lado certo... Família pode ser seu pai e mãe, sua esposa (como é meu caso), seu roommate ou simplesmente você mesmo, muita gente seria muito mais feliz e próspera se entendesse que não há ninguém do seu lado e que está sozinho pra lutar o que não necessariamente é ruim ou desvantagem... Jamais fique preso a relacionamentos tóxicos, seja com quem for: pai, mãe, irmão, esposa... não deixe outras pessoas te afogarem, não carregue âncoras. O oposto também é verdade, uma vez que você encontrou alguém pra lugar com você SEMPRE, agarre-se a essa pessoa com unhas e dentes. Perceba que os maiores homens da história possuem casamentos sólidos, perceba isso aqui mesmo na blogosfera, veja que os blogueiros mais top são casados e possuem relacionamentos excepcionais com suas esposas. A união faz a força e isso não é um jargão besta.

Sei que viajei na maionese, mas esse rodopio todo é pra dizer que se precisasse fugir do furacão (apocalipse zumbi ou terceira guerra mundial) nesse exato momento, colocaria Bia, o cachorro, documentos e minha grana num carro/avião/barco/bicicleta e iria pra onde fosse possível, faria o que fosse possível pra protege-los sem olhar para trás ou para os lados. Esse furacão já me ensinou uma lição: homem que é homem deve estar preparado sempre, pra tudo. Peço a todos aqueles que possuem algum tipo de fé para que orem/rezem para as vítimas do furacão e para que a destruição seja pequena, forte abraço!

sábado, 2 de setembro de 2017

Duzentão

O que fazer com R$ 200.000,00? Essa é a pergunta que faço a vocês hoje. Preciso de opiniões sobre o que devo fazer com 200 conto, tenho algumas regras:

1- Esse dinheiro deve render fluxo de caixa periódico
2- As aplicações devem ser de baixo risco
3- Não poderá ser investido em imóvel físico
4- Se você sugerir FIIs, cite quais os papéis e qual distribuição você faria

É verdade, tenho 200tão pra investir e quero a opinião dos leitores de como faze-lo. Prometo fazer um post sobre o como esse dinheiro veio parar na minha mão (spoiler: na verdade é um reinvestimento, não dinheiro novo porém tem uma história legal em volta dele) e como finalmente investi. Óbvio que tomarei minhas próprias decisões de investimento mas com esse post consigo várias coisas: opinião de quem manja dos paranauê, exercitar a mente investidora dos leitores, abrir espaço para discussão sobre investimentos, etc.

Vamos lá, jogue seus palpites nos comentários. Abraço!
Os comentários desse blog são moderados, ou seja, passam pelo meu controle antes de serem publicados. Esse é o motivo pelo qual seu comentário não aparecerá logo após você clicar em "Publicar", portanto não precisa postar 2 ou 3 vezes! Posso demorar, mas publicarei e responderei todos os comentários que não contenham trolagens, intrigas, propagandas e baixo nível.