quarta-feira, 6 de dezembro de 2017

Recomeçando a Vida do Zero

Criei esse blog em 2012 quando meu patrimônio era zero, nesse meio de tempo fiz minhas correrias e consegui atingir a independência financeira. Muitos dos que aqui chegam devem ter histórias semelhantes, ou estão justamente no início da caminhada ou mesmo estão devendo até as cuecas e se ligaram que isso não é legal. Não importa, se você está lendo esse texto é sim uma pessoa em busca de prosperidade na vida como um todo, não só na financeira.

No post anterior fiz críticas pesadas ao meu pai, como o nível dos comentaristas é altíssimo, recebi críticas de excelente tom e extremamente construtivas, aproveito para agradecer a todos que de alguma forma tentaram me ajudar com palavras, meu muito obrigado. Meu pai pode ter sido (e ainda é) burrão em relação ao dinheiro porém uma coisa jamais poderei negar: o velho jamais se deu por vencido e nunca desistiu de lutar, mesmo quando a situação era extremamente crítica e desfavorável. Vi meu pai quebrar e recomeçar diversas vezes na vida (e infelizmente talvez verei novamente) e isso me ensinou muitas coisas, entre elas:

  • Dinheiro não aceita desaforo, uma vez que você fez merda, já eras. É preciso um ganho de 100% pra recuperar uma perda de 50%. Isso que dizer que mesmo tendo todo o cuidado ninguém está livre de se foder imensamente e quebrar. Meu principal objetivo do ponto de vista financeiro é justamente jamais quebrar.
  • Em caso de grande bosta você deve ser capaz de ter sangue frio o recomeçar sua vida de alguma maneira. Ficar de mimimi choramingando sobre o leite derramado não vai funcionar. O certo é engolir seco, encarar e partir pra cima. Isso é algo que meu pai sempre fez com maestria.
  • Fodam-se os outros. Se hoje você está bem de vida, tem carro bom, mora bem, come fora com frequência será visto de uma maneira, se amanhã precisar abrir uma pocilga pra vender cachaça e se sustentar será visto de outra. Isso não pode te segurar.
Digamos que após um apocalipse qualquer eu tivesse zero reais no banco. O que faria? Vou tentar esmiuçar meu plano aqui...

Resumo da ópera: casal, na faixa de 35 anos, sem filhos, pagando aluguel, sem carro, sem imóvel próprio porém sem dívidas.

Trunfo: ambos empregados, ambos em nível técnico, boa empregabilidade. Salário familiar: R$ 7.500,00 líquidos.

Super trunfo: MINIMALISTAS. Bia e eu não temos o menor problema em viver sem carro, pagar aluguel, ter móveis das Casas Bahia, andar de transporte público, levar marmita, ser subordinado à outras pessoas, etc. Acredito eu que a vida minimalista seria meu melhor aliado em caso de recomeço.

Despesas: para entender como estão minhas despesas clique aqui (houve algumas mudanças, post em breve). Acredito que me mudando para um lugar mais barato (sim, é possível viver com dignidade em SP gastando uns 1000, 1100 reais por mês), tirando as despesas com veículo e educação, segurando um pouco a onda do mercado, Bia e eu conseguiríamos viver com uns 3500 por mês. Menos 7500 de receita, temos 4000 de saldo.

O que eu faria com esses 4000 mensais? Well, acredito que todo mundo deve ter um teto. Dinheiro na corretora rendendo mais que o aluguel é legal e tals, mas brother, se tudo der errado você ainda sim precisa de um teto, portanto providencie um. Acredito que ao contrário que os gurus de finanças propagam, os pobres fazem certo sim se enfiar num MCMV da MRV em 30 anos. Pra quem não tem educação financeira alguma é melhor pagar juros num apartamento de 45m² que viver em baixo da ponte. Portanto se estivesse recomeçando do zero a primeira coisa que faria seria comprar um imóvel pra viver, esse imóvel poderia ser sem problema algum um MCMV de 200k em algum bairro periférico com boa estrutura e próximo ao nosso trabalho.

O plano é extremamente simples e conservador: 4 anos jogando o surplus de grana na poupança, compraria a vista o tal teto. Simples assim.

Mais um ano e compraria um carrinho popular (se fosse realmente necessário), mobiliaria o apartamento e tiraria férias bacanas porém bem frugal.

Veja que com 40 anos de idade eu teria um apartamento e carro quitado e já sobraria dinheiro. Isso tudo em 5 anos de trabalho normal, CLT, 44h semanais de um casal. Sem me matar de fazer hora extra e sem contar com o 13º e férias (use-os para descontar a inflação numa conta de padeiro). Perceba que para um casal qualquer, de average Joe e Marie  fazerem o mesmo não é nada difícil. Não usei estratégias sinistras nem conhecimento especializado, qualquer um que saiba o mínimo de matemática pode fazer o mesmo.

Mesmo sendo possível ter o mínimo para se viver em pouco tempo e com salários ordinários o que a maioria dos casais faz? Compra carro zero financiado, roupas de marca e arruma 2 filhos. Muito fácil entender o porquê de estarmos num mundo fodido.

Ok, em 5 anos de trabalho, 40 de idade reconquistei a dignidade, tenho onde morar e um carro, mas e agora? Agora aproveitaria a sobra de caixa deixada pelo fim do aluguel e investiria. No que? Não sei... Provavelmente faria como muitos dos mais espertos da blogosfera fazem: procuraria informação e me meteria na renda variável. Muitos me perguntam o porquê de não investir em RV. A resposta é simples: não preciso. Não me levem a mal, não sou rico, não tenho dinheiro saindo pelo ânus, porém com sorte consegui ganhar uma boa quantia de dinheiro em pouco tempo o que me ajudou a formar patrimônio muito rápido, não preciso me enfiar em risco para obter retorno melhor. O que não aconteceria se precisasse investir a partir de salários normais, por isso digo que nesse caso talvez arriscaria um pouco mais em troca de retorno pouco melhor.

Mais importante que onde investiria meu suado dinheirinho mensalmente é estabelecer diretrizes de como tocar a vida, e isso incluiria:

1- Sossegar no apartamento próprio. Não me mudaria, não desejaria um upgrade de imóvel, nada disso. Iria sossegar o cu no tal MRV e por ali ficaria.

2- Nada de troca de carros. Desnecessário explicar. Seria igual aquele tiozão que anda de Santana CL 91 único dono até hoje...

3- Viajaria anualmente porém sempre de maneira frugal (coisa que já faço hoje em dia).

Difícil dizer como seria minha velhice num cenário desses. Não faço ideia de como será no cenário real, que dirá num diferente... Porém esse exercício serve para colocar o cérebro pra trabalhar e identificar saídas para os problemas mais sinistros. A conclusão que chego é que se precisasse recomeçar hoje com certeza não seria lá muito sofrido porque a vida simples e sem muita ambição idiota me traz tranquilidade em todos os aspectos da vida.

Perceba que somos um casal simplão, como muitos por aí. Temos uma renda razoável porém bem abaixo do que muitos possuem e não é nada difícil poupar 50% ou mais do salário. Caralho, ficar rico não é fácil mesmo, porém pra ser pobre também é necessário certo esforço... E você, já parou pra pensar nisso?

sexta-feira, 1 de dezembro de 2017

Pai Corey e o Dinheiro

Hoje o post é sobre como meu pai sempre lidou e lida com o dinheiro, é uma coletânea de pérolas que ouvi do velho durante minha infância todas e também de atitudes que o vi ter sobre o dinheiro. Então tome um Dramin, prepare seu estômago e vamos lá!


  • "Banco ou você tem dinheiro ou tem gerente": segundo meu pai para ter sucesso na vida você deve ter ou dinheiro ou ser amigão do gerente do banco. Isso vem de um costume dos anos 80 onde muitas vezes seu gerente cobria um cheque sem fundos, bastava um telefonema. Provavelmente os juros cobrados para tal serviço eram obscuros, mas quem se importa! O importante pro velho era ter o cheque de compra de mais um Fiat 147 coberto...
  • Se você é amigo do gerente, você vai onde ele vai. E isso levou meu pai a abrir uma conta na agência onde o gerente amigão dele fora transferido: 30km de casa, numa agência pequena dentro de um forum. Como nos anos 90 os serviços bancários eram muito mais "agência" que hoje, isso fazia com que o velho tivesse que se deslocar essa distância, pagar estacionamento e usar calças só pra ir ao banco (parece que você não pode entrar de bermudas num forum).
  • "Só existem 2 tipos de carro: Fusca ou zero": Na cabeça do velho a mecânica robusta dos Fuscas justificava ter um carro desse modelo, tirando isso o certo é ter carro zero porque "não dá problema". Como Fuscas não são mais fabricados o velho tratou de ter carro zero nos últimos 15 anos, trocando a cada no máximo 2 anos. Foda-se que não tinha renda, o importante é andar de carro do ano. Ah, os 147 eram pra fazer rolo...
  • "Eu tenho American Express": poucas coisas deixavam o velho mais orgulhoso nos anos 90 que o Amex Green que fazia questão de ostentar por cima dos outros na carteira. Tal cartão foi perdido durante uma das inúmeras crises que o fizeram estoura-lo para pôr comida na mesa de casa (e abastecer o carro do ano). A dívida foi paga... ano passado!
  • Papai Corey até que conseguiu fazer bastante dinheiro durante a vida, tudo graças à seus trades com imóveis e lojas (sim, aprendi com ele, porém lapidei a técnica), porém com as trocas constantes de carro, dívidas no cartão de crédito e gastos irracionais, custou a conquistar algum patrimônio. Agora, com quase 80 anos nas costas se vê novamente em apuros ao tentar pela milésima vez ficar rico.
  • Absolutamente tudo que meu pai faz é feito na base do jeitinho. Se ele tem que ir do ponto A ao ponto B jamais usará a avenida que liga os dois pontos e sim uma quebrada por dentro de 3 favelas, afinal "a avenida tem trânsito e semáforo, pela quebrada eu economizo 3 segundos e é só 90% mais longe". O mesmo serve para todos os negócios que fez na vida: influência política, favores de amigo de amigo de amigo são capim, pagar propina para obter uma licença? Qual o problema?!
  • Old School é o que há. Tecnologia nunca foi presente em nossas vidas, fui ter acesso à um vídeo cassete em 1998 (usado, que o velho pegou num rolo), CD player em 1999, computador somente após casado. Lembro minha felicidade ao descobrir que pegava MTV  no primeiro apartamento que Bia e eu moramos logo que juntamos os trapos. O velho nunca quis comprar uma antena UHF!!! Parece besteira mas isso prejudicou muito minha socialização quando criança e adolescente.
  • O buddy system sempre fodeu imensamente as finanças de casa. Seguro de carro pelo dobro do preço, porque meu pai era amigo do corretor. Levou calote de trocentos mil reais na venda de um imóvel, porque era amigo do corretor que falsificou assinaturas em recibos. Gasolina no posto mais caro da cidade, afinal o dono do posto era amigão... No fim das contas todos esses "amigos" sempre sumiam quando o velho não era mais conveniente à eles.
  • Em 1997 decidi arrumar um bico de mecânico de bicicleta (tá bom, auxiliar do ajudante do mecânico de bicicleta, rs), porém o velho me impediu. Não pela idade e sim porque segundo ele: "você não precisa disso, papai vendeu uma casa e tá com dinheiro". Mesmo com pouca idade já percebia que aquela fase não ia durar muito tempo e sabia que dinheiro uma hora acaba e insisti em ir trabalhar.
  • Esse emprego me fez juntar grana suficiente para comprar uma super-mega-ultra-motherfucker montain bike, ao anunciar que iria adquirir tal bem o velho disse: "guarda o dinheiro na poupança, papai compra pra você", e assim o foi, comprou a bike e deixou de me dar uma excelente lição sobre o dinheiro...
  • Mas o dinheiro da bike, que foi pra poupança, não durou muito tempo por lá... Logo o velho quebrou novamente e precisou usar essa grana para pagar as contas de casa.
  • Durante meu primeiro ano de empreendedor estava completamente fodido com dívidas de 5 dígitos no cheque especial. Era burro financeiramente falando mas concluí que valeria mais a pena pegar um empréstimo de capital de giro à juros muito menores, e quitar o cheque especial. Ao pedir opinião do velho, recebi a seguinte resposta: "Não tem nada de errado, todo comerciante vive no cheque especial, comigo sempre foi assim também, você nunca vai zerar isso...". (a maneira que zerei isso e dei a volta por cima é história pra um post completo).
  • Pouco após zerar minha dívida no cheque especial, comentei o tanto de limite que eu tinha noS bancoS (claro, porque segundo o velho, quanto mais conta uma loja tem, melhor, então as 5 contas que tive (simultaneamente, pagando o pacote de serviços mais top, além de títulos de capitalização e seguros inúteis sugeridos pelos gerentes) foram ideia dele), ele me fala: "com esse limite somado dá pra você comprar outra loja, já pensou em fazer isso?". Preciso comentar?
Isso é somente uma amostra do tipo de ensinamento sobre dinheiro que meu pai me deu. Sempre que recordo isso fico muito orgulhoso de mim mesmo, de como fui capaz em tão pouco tempo e com esse tipo de "ajuda" conseguir acumular patrimônio e atingir a independência financeira. No frigir dos ovos meu pai me deu algo muito importante e que valorizo muito: educação em escola particular. Tudo bem que até hoje ele deve alguma grana lá, mas ele e minha mãe (mais influência dela), sempre fizeram questão de me manter em escola particular e isso fez muita diferença na minha vida, seja por conviver com pessoas de nível econômico maior (sempre maior que o meu, eu era o pobre no meio dos ricos) ou por ter uma educação de maior qualidade que me ajudou na faculdade e mesmo no desenvolvimento pessoal. Por isso sou muito grato.

Meu pai sempre foi meu amigão, porém após sair de casa comecei a perceber que ele não era o herói que achava... Muito pelo contrário, ele me fodeu muito, muito mesmo. Não vou mentir, guardo imenso rancor pelo velho, não só pela influência negativa que teve na minha vida financeira mas também na vida pessoal e que não vem ao caso agora. Por outro lado, uso-o como anti-modelo, tento sempre seguir o caminho oposto que ele. Já disse aqui no blog algumas vezes que meu maior desejo financeiramente falando sempre foi ter estabilidade e jamais repetir os ciclos de prosperidade e miséria que meu pai (e por consequência eu) passou. Minha história pode servir de alerta, vejo muita gente que coloca pai e mãe num pedestal, como exemplos de tudo de bom, quando na verdade são somente seres humanos passíveis de erros, é preciso tomar muito cuidado com isso.

sábado, 25 de novembro de 2017

Qualificações, Promoções e Divagações

Conforme expliquei aqui, estou fazendo cursos de qualificação patrocinados pela empresa onde trabalho, já realizei 2 módulos e o terceiro e último começa na semana que vem. Nesse tempo aconteceu muita coisa interessante que gostaria de compartilhar com vocês.

Em primeiro lugar é incrível o baixo nível de conhecimento dos meus colegas de profissão. Sou uma pessoa que se formou à 10 anos atrás e nunca havia trabalhado na área até o ano passado, porém como sempre tive essa vontade, procurei me manter atualizado e em constante estudo para que o dia que surgisse a oportunidade de trabalhar com isso, estaria pronto. Confesso que esse estudo contínuo durante anos não foi nada de sacrifício, simplesmente lia materiais da imprensa especializada, conversava com colegas que estavam trabalhando na área e mais nada, não foi algo que roubou meu tempo ou me deixou cansado, foi tudo muito natural. Acredito que o fato de realmente gostar da minha profissão foi um fator importante nessa busca por conhecimento. Por outro lado, colegas que muitas vezes possuem mais tempo de carreira que eu, mais tempo de formados, mais experiência demonstram ter um nível de conhecimento técnico assustadoramente baixo. Durante os módulos dos cursos pude notar isso de maneira preocupante, conversando com os colegas percebi que as pessoas possuem orgulho em dizer que não se lembram de coisas que aprenderam na faculdade (e são básicas para o exercício da profissão), não possuem pudor algum em dizer com todas as letras que não fazem ideia do que se tratam conceitos básicos da profissão, que fazem piada com o fato de jamais terem lido um artigo científico após o TCC. Acredito que os motivos para isso são basicamente dois: baixo nível do ensino superior no Brasil, que engambela as pessoas a pensarem que são super profissionais assim que colocam o pé pra fora da Uniesquina, enquanto na prática só te vendem um diploma, e também à abordagem que a maioria das pessoas tem em relação à profissão e trabalho: são simplesmente coisas pra ganhar dinheiro e pagar a prestação do iPhone. São poucas as pessoas que minimamente tentam se dedicar ao trabalho e ao desenvolvimento profissional e quando o fazer, atuam de maneira totalmente equivocada como fazendo MBAs escrotos e inúteis enquanto poderiam ser mais objetivos e estudar on-demand buscando qualificações úteis.

Não sei se dei sorte ou se é outra coisa porém pelo menos na minha empresa existe a real possibilidade de ascensão na carreira desde que a pessoa busque certa qualificação, porém a falta de interesse do público em geral é tão grande que a própria empresa decidiu investir dinheiro para formar seus profissionais e mesmo assim as poucas pessoas interessadas reclamam da "chatice" que é estudar... Caralho, querem aumento de salário, querem promoção porém não querem mover uma palha pra isso!!! Puta que pariu, é de cair o cu da bunda!!! Esses cursos de qualificação oferecidos pela empresa podem levar à promoções e algum aumento de salário porém  não tiram o cara do nível operacional, para conseguir um cargo de gerência é necessário ter algum tempo de casa, passar por um processo seletivo específico, se aprovado fazer alguns cursos e aí sim quando houver vaga o cara consegue ser gerente. Veja uma simulação de como a coisa funciona lá na firma:

Cargo de peão qualificado:
salário R$ 5.000,00
requisitos: participar dos cursos de qualificação
relação candidato/vaga: 1:1 (em tese todos que participam dos cursos ganham promoção)

Cargo de gerente:
salário R$ 5.800,00
requisitos: 3 anos de empresa, ser aprovado no processo seletivo, ser autorizado pelo supervisor (leia-se puxar o saco de superior), passar pelas provas, dinâmicas, entrevistas com os diretores
relação candidato/vaga: 1:10

Todo mundo quer ser gerente, mas poucos querem ser "peão qualificado", mesmo com a pouca diferença de salário entre os dois cargos, sendo que o peão pode muitas vezes ganhar mais que o gerente (tempo de casa, outros cursos, etc) e possui muito menos responsabilidades, trabalha menos horas (gerente fica a disposição da empresa), tira férias de 30 dias (gerente tira somente férias picadas de 10 dias), etc... Resumindo: BRASILEIRO SÓ LIGA PRA PORRA DE STATUS!!! Nêgo quer ser gerente pra ter status, ter o whats do diretor da empresa, mandar nos outros... foda-se que vai trabalhar mais, ganhar menos, se estressar pra caralho, viver em função da empresa.

Quando terminar meus cursos serei efetivado (ainda sou temporário) com o salário base em torno de 5k (atual em torno de 3,5k), continuarei fazendo o mesmo trabalho que faço e ganharei praticamente a mesma coisa que meu gerente, mesmo tendo alguns meses de empresa e ele vários anos. Sinceramente não me entra na cabeça como as pessoas gostam de procurar sarna pra se coçar enquanto poucas usam a cabeça pra sossegar e ganhar seu dinheiro de maneira tranquila. Depois ficam reclamando que estão sobrecarregadas de trabalho, que o dinheiro mal da pra pagar as contas (!!!), que o trabalho é um inferno... mas quando possuem a oportunidade de melhor isso preferem fazer um MBA cagado e caro invés de fazer um curso dentro da própria empresa, grátis e com retorno garantido. Não entendo o ser humano...

terça-feira, 21 de novembro de 2017

Conta Premium X Cartão Platinum

Adios Muchacho
Após o Bradesco abraçar 100% das operações da American Express no Brasil, este deixou de ser um baita cartão com várias vantagens para ser somente mais um cartão caro de se manter em troca de certo status. Como status é algo que não me atrai mais, resolvi chutar meu então gratuito "American Express The Platinum Card" (cartão de crédito com nome e sobrenome é o cúmulo da Nutelice) no momento que decidiram acabar com a minha gratuidade de anuidade porque pagar mais de 2k por ano pra ter um cartão de crédito não me parece a atitude mais sensata.

Fiquei então com meu Visa Platinum que sempre foi meu cartão principal e outros secundários como o Nubank Gold e Inter Gold. Porém, preciso de um cartão Platinum pelos seguintes motivos:

1- Seguros automáticos de viagens;
2- Seguros automáticos em aluguel de carros;
3- Conversão de milhas com melhor taxa (1 dólar = 1,5 ponto);

Ao viajar conto somente com o seguro do cartão. Temerário? Talvez, mas isso não vem ao caso, o que importa aqui é que todo ano consigo economizar uma boa quantia de dinheiro somente ao utilizar o seguro de viagem do cartão de crédito.

Meu carro tem mais de 20 anos, queima óleo e a manutenção é somente "on demand" (também não vamos discutir aqui se isso é certo ou não), portanto quando quero fazer uma viagem costumo alugar um carro e novamente utilizo meu cartão de crédito como ferramenta de economia: uso o seguro automático de locação de carro e aproveito o ótimo limite que tenho para fazer o caução (normalmente as locadoras cobram um caução que pode chegar à 30k em casos onde você não contrata as proteções com eles).

Bem que tentei viver sem o acúmulo de milhas, mas isso não é possível. A partir da hora que você troca suas primeiras passagens jamais conseguirá voltar atrás e deixar de usar esse recurso fantástico, não tem porque não acumular milhas, é de graça (desde que não compre coisas somente com esse objetivo).

Isso é uma ferramenta de vida

Para ter um cartão Platinum com um bom limite, mantenho uma conta Premium num grande banco. Para manter essa conta Premium tenho algumas alternativas:

1- Pagar 80 conto de taxa de manutenção mensal;
2- Ter 40k investidos nos "excelentes" produtos do banco e obter um desconto de 50% na taxa;
3- Ter 80k investidos e obter isenção da taxa.

Durante um bom tempo não foi difícil obter isenção porque sempre tive costume de fazer uma provisão mensal para pagamento do 13/férias dos meus funcionários e sempre coloquei essa grana numa poupança PF vinculada à essa conta. Junte à isso outra poupança com parte do meu colchão de segurança e outras com valores menores destinados à viagens, cauções de aluguéis e outras finalidades e os 80k eram alcançados facilmente.

Agora que não tenho as lojas, os 80k para isenção ficaram mais difíceis de serem alcançados, desde que vendi as lojas mantive uma grana na poupança somente com a finalidade de obter essa isenção, o objetivo era pensar nisso depois. Pois bem, o depois chegou. Com a poupança rendendo ainda menos, manter esse capital empatado na poupança somente pra obter isenção de taxa faz cada vez menos sentido.

Pagar taxa de manutenção de conta é de cair o cu da bunda, não faz sentido algum, ainda mais num cenário onde existem mil opções de contas grátis. A anuidade do cartão não é um problema porque atinjo facilmente os 1k de fatura que eles exigem para isentar, logo o problema do quebra cabeça está relacionado à taxa de manutenção da conta mesmo.

A única coisa que me prende à conta premium é o cartão de crédito, afinal nem lembro da cara da gerente e café tomo em casa, não na agência. A gente é careca de saber que conta premium é furada. Fazer um downgrade para o pacote essencial e sem tarifas faria todo sentido porque não prejudicaria minhas operações bancárias, me permitiria  não ter dinheiro parado na poupança, etc. Porém isso acabaria com a isenção da anuidade do cartão de crédito, e faço questão de manter o cartão platinum porém não quero pagar anuidade, entende?

As opções para sair dessa sinuca de bico seriam basicamente:

1- Ceder um pouco e encarar pagar 400 conto por ano de anuidade no cartão (o custo de oportunidade em manter 80k na poupança paga isso e dá troco);
2- Achar um outro cartão platinum com anuidade grátis ou mais barata (difícil, o Inter oferece isenção de anuidade mas tem que manter 50k investidos);
3- Usar a inação e simplesmente manter os 80k na poupança do meu banco e deixar tudo como está.

Um agravante é o limite, atualmente tenho limite de 60k no cartão o que obviamente jamais cheguei nem perto de usar porém como no exemplo do caução do aluguel de carro, é uma ferramenta. Caso trocasse de cartão teria que começar construir esse limite novamente.

Um atenuante é que tenho que manter algum dinheiro de qualquer maneira em poupança: 3k de caução de um apartamento, 15k do colchão de segurança (esse até poderia colocar no CDB diário ou algo do gênero mas entra o lance do IOF e IR regressivo, o que acaba não compensando), cerca de 20k que é a reserva para a próxima viagem (IR novamente atrapalha colocar em outra aplicação), enfim, teria que manter mais uns 35, 40k no banco para me isentar das taxas.

Bom, e vocês? O que fariam no meu lugar? Abraço e boa semana à todos!

quarta-feira, 15 de novembro de 2017

Updates do Apartamento Micado

Para entender o que está acontecendo, leia aqui: Inquilino saiu, imóvel meia boca, e agora?

Mas antes de ir para os updates do apartamento gostaria de responder aqui a um comentário que recebi no post passado. Achei um questionamento bastante pertinente e a ver com o assunto de hoje, vejam:

Você possui imóveis alugados (e os considera um ótimo investimento), ao mesmo tempo em que mora de aluguel (o que também considera uma ótima opção). Gostaria de entender a ideia por trás disso. Para mim não parece fazer sentido, uma vez que parecem idéias contraditórias entre si, mas tenho certeza que você tem ótimos motivos para pensar assim.

Vamos lá, não é difícil entender. Primeiro quanto aos meus imóveis alugados, eles são todos apartamentos pequenos, de 1 e 2 dormitórios, com boa localização (tirando o tal apartamento micado que falarei abaixo), comprados a preços bem baixos, o que me proporciona excelente yield. Um desses imóveis foi o primeiro apartamento que comprei e onde morei por anos, esse especificamente me rende cerca de R$ 1.000,00 mensais.

Em relação ao fato de morar de aluguel: o principal motivo que me leva a morar de aluguel não é o financeiro e sim a flexibilidade de me mudar virtualmente a qualquer momento (característica essa que mais uma vez estou colocando em prática, aguardem...). Por levar uma vida minimalista, Bia e eu conseguimos mudar com facilidade, rapidez e sem muito estresse. Além disso podemos adaptar o imóvel às nossas necessidades de cada momento: já moramos em studio, 1, 2 e até 3 dormitórios. Atualmente calculo meu custo de moradia da seguinte maneira: Aluguel que estou pagando menos aluguel que recebo do meu primeiro apartamento onde morei por anos (milão) é igual o valor que contabilizo nas minhas planilhas. Ou seja, é como se eu aproveitasse o aluguel do meu apartamento pra pagar o aluguel de onde moro. Essa estratégia é nova, adotei recentemente e é ela que será utilizada no fechamento anual das minhas contas (em dezembro, aqui nesse mesmo canal).

Bom, agora vamos ao miquinho. O apartamento foi alugado! Após o post onde contei sobre o causo, coloquei-o a venda por 180k, tive algumas visitas, algumas propostas bizarras que não aceitei, ao mesmo tempo estava anunciado para locação. Trocentas pessoas visitaram o danado até que acabei fechando negócio pelo razoável valor de 900 pilas, locação direto comigo, sem comissões de imobiliária. Não rolou o apocalipse que eu havia previsto no primeiro post: não perdi um shitload de dinheiro na venda, não aluguei de graça. Acabei alugando por um valor razoável dentro da atual situação do mercado. Não tive sequer prejuízo, a multa contratual foi o suficiente pra bancar as despesas de condomínio e consumos enquanto esteve fechado. Agora com o contrato novo acabo ganhando mais tempo e maturar a situação.

Esse passou de o melhor para o meu pior contrato de locação, 0,45% de retorno sobre o investimento. Ele puxa a média dos meus outros contrato para baixo o que está em torno de 0,6%. Mesmo assim estou EXTREMAMENTE contente com esse negócio, tirou um peso enorme das minhas costas, mesmo sabendo que a ausência desse recebimento não me deixaria mais rico ou pobre, não posso mentir, ficar com um imóvel locado é algo que me incomoda. Sempre tento aprender alguma coisa com tudo o que acontece na minha vida e a lição que tiro disso é que não tenho muito estômago pra lidar com vacância dos meus imóveis e a atitude que tomarei em virtude desse aprendizado é que não aumentarei mais minha carteira de imóveis e que possivelmente venderei algum ou alguns deles quando houver um bom negócio. Tenho consciência que tenho um retorno muito bom em se tratando de apartamentos pra locação (se fossem kitnets ou imóveis populares o retorno seria ainda melhor mas isso é assunto pra outro post).

Ter o dinheiro materializado na forma de tijolo é muito legal, mas como tudo na vida tem um preço, o preço a ser pago pra essa segurança é ter que passar por vacância e encheção de saco pra mostrar apartamento pra gente curiosa. Hoje vejo que ter imóveis de locação está longe de ser um negócio passivo e que talvez eu esteja naquele ponto onde a profissionalização seja o único caminho para o bom desempenho do negócio, talvez seja necessário gerir a carteira de imóveis como uma empresa, tendo um equipe dedicada para isso, o que é completamente inviável pra mim.

Estou crescendo como investidor, aprendendo a cada dia e tentando tirar lições positivas mesmo das experiências negativas, acredito que esse é o caminho que o homem deve tomar perante tudo o que acontece na vida. Ainda não me decidi entre me preocupar em ter muito dinheiro em instituições financeiras e preocupar por ter em imóveis que podem causar um rombo nos rendimentos em caso de vacância. Ninguém me disse como seria esse momento, ninguém me contou como seria lidar com isso... estou aprendendo aos poucos, empiricamente. Desejo a todos os que estão começando agora na jornada dos investimentos que um dia possam passar por um problema semelhante: o de não saber ao certo o que fazer com seu dinheiro. Abraço a todos!

sexta-feira, 3 de novembro de 2017

Aportando em FIIs

Hoje venho aqui mais uma vez pedir ajuda dos leitores, dessa vez é para sugerir em que FIIs eu poderia aportar.

Desde que vendi as lojas, a maioria do dinheiro que venho recebendo está sendo destinado à renda fixa: CDBs, LCIs, TD. Tenho um CDB vencendo esta semana e decidi que aportarei esse valor em FIIs. Algum tempo atrás disse aqui no blog que não iria mais colocar dinheiro novo nessa modalidade, porém como não estou achando opções interessantes na renda fixa (o melhor que encontrei foi um CDB 119%), decidi investir um pouco mais de fé nessa modalidade. Sei que não estamos no melhor momento de comprar FIIs mas como nosso amigo Viver de Construção diz: "preço pouco importa". Não gosto de ficar esperando momento ideal pra fazer as coisas porque ele nunca chega, a hora sempre é agora.

O valor que terei é de aproximadamente 130k, decidi que esse valor uma vez investido em FIIs deve obter o maior rendimento mensal possível. Isso pode parecer óbvio mas poderia, por exemplo, ter escolhido fundos que pagam um pouco menos porém possuem mais solidez, mas não foi isso que decidi, então assumo um pouco mais de risco. Por que disso? Uai, porque eu quero assim! Rsrs! Após analisar alguns papéis de maneira bem Corey (com extrema objetividade e boa dose de superficialidade) cheguei à seguinte distribuição:




BBFI: tijolo, escritório. Motivo principal: Possui 2 imóveis sendo que um deles está vago gerando possibilidade de valorização e aumento da distribuição.

CPST: (virei tão peão que coloquei CTPS na tabela, rsrs): fundo de papel. Motivo principal: Tenho poucos fundos de papel, há espaço para aumento de exposição.

FAMB: tijolo, escritório. Motivo principal: Embora seja um FII de um único imóvel, este é locado para a Caixa. Boa distribuição.

FIXX: fundo de papel. Motivo principal: Boa rentabilidade. É um fundo esquisito, de pouco liquidez. Acho que cai na categoria "aposta".

FIGS: tijolo, shoppings. Motivo principal: Tenho pouca exposição à shoppings (um pouco de HGBS) e porque tem RMG até 4/19. Fundo para ficar monitorando mês a mês possivelmente me desfazer antes da RMG. Mais uma aposta de risco.

XPCM: tijolo, escritório. Motivo principal: Tenho um pouco desse papel e acredito poder aumentar mais a exposição, contrato parece ser firme.

MFII: tijolo, misto. Motivo principal: gosto muito desse fundo, a maneira como faz dinheiro é bem interessante e simples: compra barato e vende mais caro. Também já tenho na carteira e o aumento de posição o faria ser um dos mais presentes da minha carteira.

Na verdade eu gostaria de colocar 10 papéis nesse aporte mas também gostaria de ficar com rendimento acima de de 0,75%, então não achei nada muito mais interessante que isso aí. Gostou da minha seleção? Sugere outros papéis? Coloque nos comentários! Obrigado!

terça-feira, 31 de outubro de 2017

Updates do 200tão e Divagações sobre Conquistas

Dia 2 de setembro fiz um post pedindo a ajuda dos leitores sobre o que eu poderia fazer com 200k que estaria pra receber. A história desse dinheiro é a seguinte: o comprador de uma das minhas lojas demonstrou vontade de adiantar boa parte das parcelas que ainda tem para me pagar, disse que estava fechando a venda de outra loja e que gostaria de negociar um abatimento em troca do adiantamento de parcelas. Confesso que não me animei muito com isso, afinal teria que dar um belo desconto em prol de tal adiantamento que, na minha opinião, não seria legal, afinal eu prefiro receber em parcelas porém um valor maior. Esses 200k representariam quase 300k parcelados segundo a proposta dele, o que não mudaria muita coisa numa contra-proposta. Resumo da ópera: a venda da outra loja dele não vingou e por enquanto não terei os 200tão na mão, continuando assim, recebendo as parcelas mensais.


Alguns podem pensar: mais vale um pássaro na mão que dois voando e sou desses, sou cagão e troco dinheiro por segurança e paz de espírito. Porém esse caso é diferente, conheço a honestidade da pessoa (sou dos que ainda fazem negócios pelo fio do bigode), conheço o fluxo de caixa da empresa, sei que as parcelas serão pagas e que um calote só viria num armagedom do mercado (o que também é algo a se considerar...). Acontece que o dinheiro que ainda tenho a receber da negociação das lojas é talvez o último grande dinheiro que eu veja na vida, é a grana que será usada pra comprar meu caixão, portanto quanto mais, melhor. Mesmo se um dia volte a empreender provavelmente não conseguirei tal montante pelo simples motivo que não tenho mais saco e saúde pra assumir riscos fortes em troca de altas rentabilidades, outro motivo é que nosso salário mesmo sendo o dobro do valor necessário para manter nosso padrão de vida, não é o suficiente pra criar uma soma interessante no curto prazo.

O risco de esperar para receber é um risco que aceito correr. Muitos podem pensar: "Corey, pega esse dinheiro, investe em X, Y ou Z e você recuperará o desconto em pouco tempo...", porém como sempre digo, só entro em negócio que conheço e por conhecer a loja (afinal foi minha por diversos anos), a maneira da pessoa trabalhar, seus funcionários e o mercado consumidor, acredito que o risco de esperar pra receber é bem razoável. Para quem olha de fora isso tudo pode parecer surreal, mas pra quem está por dentro é factível. Vou dar outro exemplo: quando algum blogueiro diz que ganha 100 dólares (ou 1000 dólares) por mês com ad-sense ou quando alguém diz que vive de projetos digitais eu custo a entender como isso é possível. Muitos olham o empreendedorismo de fora e também não entendem como alguém se dispõe a correr o risco de calote esperando uma empresa administrada por uma pessoa  pagar prestações mensais durante anos. Estranho, mas dentro da minha zona de conforto.

Veja que quando criei o blog, em 2012, eu havia acabado de sair das dívidas, vendido a primeira loja e meu patrimônio era um apartamento de 40m², um carro popular de 3 anos de uso e 10k na poupança. Em menos de 8 anos comprei outras lojas, vendi, comprei, vendi, comprei, vendi, comprei, quebrei a cara, vendi e estou com conforto financeiro. Foram esses rolos de empresa e o bom momento do país que peguei que me proporcionaram a IF que tenho hoje, dificilmente os astros se alinharão novamente dessa maneira. Sou muito grato e contente com o que consegui conquistar nesse curto espaço de tempo. Muitos comentam que eu sou um fracassado, afinal estou trabalhando de empregado enquanto tempos atrás era empresário (já desisti de explicar as razões disso), dizem que me acho um vitorioso mas na verdade não conquistei grandes coisas. Digo que pra aquilo que fui treinado (ou seja, pra nada), pelo nível de conhecimento técnico sobre empreendedorismo que adquiri, pela grana que investi e pelo curto espaço de tempo que tive, sou sim um vitorioso e sou muito grato por tudo o que conquistei.

Bia e eu temos 30 e poucos anos, se daqui pra frente conseguirmos apenas empatar nossas receitas e despesas, se conseguirmos não perder o dinheiro que ganhamos durante os anos de empreendedor e com a venda das lojas, se apenas fizermos isso, já será o suficiente pra ter uma velhice tranquila. Sou extremamente grato aos Deuses e forças superiores (you name it!) por isso. Um tonto, sem formação empresarial alguma, vindo de uma família metida a besta porém pobre, desestruturada e sem histórico de sucesso, conquistar o que conquistei?! Sou muito feliz!!!

segunda-feira, 16 de outubro de 2017

Classe Média, iPhone e Tesla

E, nó que somos conscientes financeiramente, podemos dizer que um casal que ganha mais de 20k por mês e não é milionário é uma dupla de imbecis completos. Trabalho com PÓS DOUTORES que são analfabetos financeiros e não sao milionários.

A classe média é um antro de otários.
O comentário acima foi postado no meu último post sobre a cesta básica (observação: não me canso de dizer que o nível das pessoas que comentam por aqui é altíssimo, mesmo com um hater ou outro a grande maioria das pessoas contribui para uma discussão saudável e agregadora, assim como ocorreu no último post. Como membro da classe média brasileira, sou obrigado a concordar com o anônimo.

Vamos ser justos, esse lance de classe média ser burrona e fazer cagada financeira em cima de cagada não é de hoje e não é exclusividade de Brasil, até onde me recordo, sempre foi assim. Lembro-me muito bem que 20 anos atrás, o Corey pré-adolescente estudante de escola particular ouvia histórias horripilantes do tipo:

1- Meu próprio pai estava desempregado (a palavra correta seria desocupado porque o velho nunca teve um emprego, sempre foi empreendedor) e devendo até as cuecas nos cartões de crédito, ao conseguir se desfazer de um terreno (provavelmente perdendo dinheiro na negociação) invés de quitar suas dívidas achou melhor dar entrada num carro zero quilômetro e em outro terreno, ou seja, ganhou mais 2 dívidas. Algum tempo depois estávamos a pé novamente e o tal segundo terreno foi tomado pelo antigo proprietário. Conclusão: o status de andar de carro zero era mais importante que não ter dívidas.

2- O pai de um amigo da escola, conhecido picareta da cidade, tinha uma "empresa" de transporte de cargas (?), cansado de andar de Kombi foi na concessionária Chevrolet mais próxima e comprou uma Silverado top de linha (250k em dinheiro de hoje?) em provavelmente 87426732653263 prestações. Meses depois meu amigo reclamava que o banco malvado-porco-capitalista tomara a tal caminhonete do pai dele. Meu amigo jamais deixou de usar roupas de marcas.

3- Um parente próximo, então com 20 e tantos anos, ganhou uma empresa da mãe. Ali estava seu futuro, a tal empresa está lá até hoje firme e forte porém o rapaz achou melhor vende-la e torrar a grana com maconha, farinha e turbo pro Gol Gti. Esse deu sorte, duas tentativas de suicídio depois, conseguiu se formar numa faculdade que presta e trabalha na área ganhando seus 10k.

Hoje em dia pouca coisa mudou, o que mudou mesmo é o acesso à informações e os ingredientes da receita de fracasso da classe média, indubitavelmente um dos principais alicerces da quebra classe-mediana mundial chama-se iPhone. Amigo leitor proprietário de iPhone, desculpe a sinceridade mas a simples decisão de ter um aparelho desses é sim um elemento que chama atenção para os reais objetivos da sua vida.

Não existe motivos para alguém comprar um aparelho de telefone que custa MIL DÓLARES, MIL DÓLARES, MIL DÓLARES, MIL DÓLARES!!!  Mil dólares é dinheiro pra C-A-R-A-L-H-O nos EUA!!! Mil dólares é absurdamente muito dinheiro no Brasil!!! Se você tem um iPhone, ok, não condeno, cada um compra o que quer, faz o que quer com o seu dinheiro porém pelo amor de Deus, não tente justificar, não existe justificativa racional além do simples "tenho porque quero ter". Essa é a melhor resposta que você pode dar...

Sim, sou radical. Você pode explicar que o tal aparelho tem um processador XYZ que de tão foda é capaz de rodar 6235235734 aplicativos ao mesmo tempo, que tem uma câmera capaz de fazer um vídeo em cinemascope, qualidade de áudio suficiente pra tocar um baile funk no posto de gasolina de Heliópolis. Não adianta, tudo isso não muda o fato de você carregar o valor de um carro dentro do bolso quando existe opções muito competitivas por 1/10 do preço e repito: isso diz muito sobre o cuidado que você tem com seu dinheiro.


Mas se olhando a classe média brasileira e seus iPhones já é um estudo de caso de psicologia humana interessante, tudo fica ainda pior quando você olha a classe média americana.

O americano médio é nada mais nada menos que uma pilha de dividas, o cara já nasce fudido, se endivida mais ainda durante a faculdade (com os college loans) e quando está com seus 30 e poucos anos, ganhando six figures e com dívidas de seven finalmente atinge seu ápice e compra o maior símbolo da torra de dinheiro já inventado pelo homem:
Por apenas USD 75k, na concessionária Tesla mais próxima



Sim, um Tesla é está para o americano como o iPhone está para o brasileiro. É um símbolo de status de classe média que tenta justificar a todo custo o porquê de ter uma porra dessas. Claro que você precisa de um Tesla, ou você vai ficar queimando petróleo e destruindo o mundo? O carro é extremamente econômico, o custo por milha é ínfimo (não importa o quanto você pagou pelo carro) e o Musk vai salvar o planeta dessas empresas antiquadas que vendem carros a gasolina. A Tesla é a empresa mais valiosa do mundo (foda-se que nunca deu lucro, vende um produto só e tem concorrentes por todos os lados), etc, etc, etc.

Se você chegou à esse blog é possível que, assim como eu, você seja capitalista, porém como sempre digo não é porque você é a favor do capitalismo que se afundará nele. Fique do lado capitalista que ganha dinheiro, não do que gasta. Admiro muito Apple e Tesla, são empresas sensacionais quando o assunto é evangelização, diria que são duas das igrejas mais poderosas do mundo. Não seja fiel delas, não seja tonto! Deixe-os ganhar dinheiro com quem é pobre, deixado-os mais pobres. Pare com essa besteira de trocar coisas por modelos mais novos, aceite pequenas imperfeições nas coisas (leia sobre wabi-sabi), troque quando quebrar, compre na medida que você precisa...

A classe média é sim muito besta, é possível e muito possível viver muitíssimo bem abrindo mão desses símbolos de status idiotas que só servem para arrancar dinheiro do seu bolso. Se você quer ser rico, esqueça Teslas e iPhones, foque em ganhar e investir em ativos. Isso que estou falando é muito óbvio porém as vezes o óbvio está na frente de nossos narizes e não enxergamos, faça parte de uma elite, a elite que tem tranquilidade financeira, que pode se dar ao luxo de perder o emprego, de trocar de carreira, de país e mesmo assim não afetar a vida. Esqueça coisas, esqueça essas tranqueiras todas que seus colegas de trabalho, a internet, o Facebook tenta te enfiar a qualquer preço, gaste dinheiro com coisas que prestam: ativos, educação, experiências de vida. Não torre com porcarias caras. Não é fácil ser rico, mas é muito simples não ser pobre.

Voltando ao comentário do anônimo: um casal que ganha 20k pode e deve ser milionário em pouco tempo. Um casal que ganha 20k vive MUITO bem com 7k, investe 13k em 10 anos... Faça suas simulações.

terça-feira, 10 de outubro de 2017

Como uma cesta básica mudou minha vida

Pela primeira vez na vida recebi uma cesta básica. A empresa onde estou trabalhando implementou esse benefício recentemente e acabo de receber a primeira. Confesso que essa foi uma experiência muito interessante e que serviu para abrir ainda mais minha cabeça, veja o porquê.

Durante minha vida toda por alguma razão acreditei que receber cesta básica é assinar o atestado de fracasso. Não me pergunte o porquê disso mas na minha cabeça cesta básica era coisa de gente fodida, de empregado chão de fábrica, dos níveis hierárquicos mais baixos possíveis (como se isso fosse um defeito). Durante meus anos de empresário nunca sequer passou pela minha cabeça dar esse benefícios aos meus funcionários, afinal de contas, eles ganhavam acima da média, muitos tinham carro, pagavam seus apartamentos, enfim, não eram pobres, "claro que se sentiriam ofendidos se eu desse cesta básica", o mais humilhantes dos benefícios! EU TINHA UM PUTA PRECONCEITO INCONSCIENTE SOBRE CESTAS BÁSICAS. Não havia sequer parado pra pensar no assunto!

Quando fui informado que receberia mensalmente uma cesta básica minha cabeça explodiu, num primeiro momento senti algo ruim, como um soco na cara pra me acordar que minha vida virou, não sou mais empresário e que agora sou somente um peão que recebe cesta básica, quase um homeless. Num segundo momento comecei a raciocinar, percebi que meus colegas de trabalho ficaram contentes com a ideia de receber esse benefício, olhei em volta e vi que todos agiam com naturalidade diante tal novidade. "Caralho, como podem estar contentes com isso? Meu Deus, quem recebe cesta básica é fracassado", meu subconsciente falou.... Num terceiro momento a ficha caiu e percebi que não há absolutamente nada de errado em receber uma cesta básica, que na verdade ela não passa de um aumento de salário porém amarrado à "compra" de alimentos, não é nada além disso!

Senti vergonha de mim mesmo, logo eu que sou uma pessoa tão desprovida de preconceitos idiotas (ou pelo menos acreditava ser), que é aberta à novas ideias e experiências de vida, que deliberadamente trocou a segurança e status de empresário por um relógio de ponto e cesta básica... justo eu tendo um ataque involuntário de preconceito contra uma simples caixa de papelão com itens alimentícios dentro! Ridículo! Me sinto envergonhado até de escrever isso por aqui...

Quando escrevi sobre a bolha da classe média muita gente criticou dizendo que estava fazendo apologia à pobreza, que é impossível viver de maneira simples, que é hipocrisia viver abaixo do nível que se pode pagar, etc. Acredito que essas pessoas sofrem do mesmo mal que me levou a ter esses pensamentos negativos sobre cestas básicas, esse mal tem a ver com a maneira pela qual fomos criados, por essa maneira tão esquizofrênica que nossa sociedade vê status. Vivemos numa sociedade apodrecida, somos apodrecidos por nossos pais que quase sempre nos blindam da realidade do mundo. Viver preso à bolha da classe média é ainda mais maléfico que o imaginado...

Esse episódio da cesta básica me fez concluir que estou a anos luz do desenvolvimento mental que desejo ter. Uma coisa tão simples e besta me mostrou que tenho muito, mas muito mesmo o que aprender. Se eu, uma pessoa que já viajou bastante, teve contato com várias culturas e costumes diferentes, que vive no meio de "minorias" (e por isso mesmo não aceita coitadismo gay-preto-nordestino-pobre), que 99% das vezes segue caminhos completamente opostos que meus pares, que é com certeza tido como louco na sociedade ainda sofre de preconceitos e pensamentos idiotas, imagino o que as pessoas enraizadas, que moram na casa onde nasceram, que trabalham na mesma cidade e emprego a vida toda possam pensar...

Falando sobre a cesta básica em si, acabei descobrindo que terei uma economia de alguns reais nas compras mensais e que ao mesmo tempo conseguirei fazer caridade mensalmente com o excesso ou com produtos que não usamos em casa. É só isso! Não houve um Armagedom, não me tornei mais pobre por receber cesta básica... muito pelo contrário, ela me deixou mais rico por ajudar a economizar uns reais todos os meses no supermercado. A mente humana é uma coisa muito louca!

sexta-feira, 29 de setembro de 2017

Projetos digitais suspensos, cursos e promoção

A vida é mesmo muito engraçada, no momento que me preparava para iniciar meus projetos iniciais (vide último post) recebi uma proposta/convite inesperado da empresa onde trabalho.

Recapitulando, entrei na empresa à cerca de 1 mês e meio atrás com contrato temporário, recentemente houve um processo seletivo para uma posição onde a empresa fornece cursos internos para então concorrer a vagas de nível hierárquico maior, participei das provas e pra minha surpresa fui aprovado, iniciarei os cursos na semana que vem e no começo do ano aplicarei para as vagas disponíveis. Confesso que não sei muito onde estou me metendo, é tudo muito novo e não sei como será o desenrolar dessa história. Só sei que pouca gente se interessou por esse processo porque no fim das contas o cargo continua sendo de "peão", porém com mais especialidade e salário pouca coisa maior, acredito que o maior benefício será justamente o aprendizado. Minha efetivação após a fase temporária acabar já é praticamente certa, meus superiores parecem aprovar meu trabalho e sempre falam que a vaga só depende de mim (devo um post explicando isso).

Engraçado como a maioria das pessoas enxerga cursos, palestras e seminários como perda de tempo, como coisas desnecessárias, etc. Tenho que ter "tato" pra lidar com colegas que me já começam a me achar um louco por me enfiar nisso (faço um esforço diário para parecer uma pessoa comum e não alguém que trabalha por opção), afinal os cursos são fora do horário do expediente e não são remunerados (embora sem custo algum para o funcionário). Enquanto isso vejo colegas pagando pra fazer pós graduações inúteis por EAD e se achando os fodões do estudo e que terão um aumento automático de 200% quando terminarem... Engraçado como as pessoas se enganam...

Bom, o tempo que teria para tocar os projetos digitais será investido nesses cursos nos próximos meses, terei aulas 2 ou 3 vezes por semana e com certeza nos outros dias vou querer apenas descansar, então a profissionalização do blog está suspensa por enquanto. Acho essa oportunidade que estou tendo na empresa muito melhor e por isso agarrei.

Os posts continuarão como sempre, sem data marcada, de acordo com minha disponibilidade e vontade de escrever. De qualquer maneira estou tendo uma experiência incrível e muita coisa pode se reverter para conteúdo do blog, aguarde e confira!

sábado, 23 de setembro de 2017

Projetos Digitais e Ajuda

Devagar estou começando com meus "projetos digitais", me sinto um estranho no ninho até em falar isso, tamanha minha falta de afinidade com o assunto. Sou um cara raiz que sempre trabalhou com gente e que nunca deu muita importância para digitalidades, porém como tudo na vida devo evoluir e estou com várias ideias borbulhando a cabeça. Quero pôr em prática todas elas, cada uma no seu tempo e estipulei uma meta pra mim mesmo: quero uma renda de 300 dólares por mês proveniente desses projetos digitais (pensar num prazo pra isso foi um pouco demais e deixei livre). De onde tirei esse número? Sei lá, achei um número bonito (300 por mês, 10 por dia... capisce?).

Vejam os passos que pretendo seguir:

1- Adsense no blog. Devo começar por aqui e já tenho dúvidas, peço aos amiguinhos letrados que me ajudem. Comecei a fazer o cadastro do Adsense e logo na segunda ou terceira página pede login na conta do Adsense. Devo utilizar a própria conta do blog ou outra? Se for outra devo criar uma conta só pra isso, usar minha conta "real" (a conta não-Corey) ou outra?

Observação 1: li pouquíssimo a respeito de monetização, sou um cara que só aprende as coisas na prática, com a mão na massa, posso ler a internet inteira e não vou aprender, por isso decidir aprender fazendo mesmo, apanhando é que se aprende.

Observação 2: quando toquei no assunto monetização pela primeira vez várias pessoas sugeriram que eu criasse um domínio próprio ou ao menos reformasse o blog pra ficar com aparência mais profissional. Acredito que muito da minha cara como blogueiro tem a ver com fato do blog ser tosco e com aparência amadora, não tenho certeza se fazer uma mudança de layout seria uma coisa eficaz nesse momento.

2- Abrir o blog para parcerias. Mesmo não divulgando email de contato sempre tem pessoas que o acham perdido nas postagens e me mandam email, entre eles sempre tem alguma proposta de parceria, divulgação ou coisas do tipo. Sempre ignorei todos esses porém pretendo mudar minha cabeça e abrir espaço para possíveis parcerias relevantes.

3- Criação do canal do YouTube. Sou consumidor de YouTube, não assisto mais TV a tempos, portanto criar um canal nessa mídia é quase obrigatório. Obviamente YouTube traz exposição e teria que criar uma maneira de manter o anonimato, talvez faça algo como nosso amigo Viver de Dividendos, use algum tipo de disfarce de rosto e voz. Esse é sem dúvida o projeto mais complexo porém algo que pode trazer bastante dinamismo para as postagens.

4- Livro. Cada dia tenho mais vontade de escrever um livro, aliás acho que tenho assunto pra mais de um livro, talvez essa possa ser uma boa maneira de gerar renda.

Repito que meu conhecimento sobre esses paranauê de trabalhar na internet é limitadíssimo, peço que indiquem materiais relevantes de estudo, compartilhem dicas, sugestões, etc. Toda ajuda é bem vinda.

sexta-feira, 22 de setembro de 2017

Inquilino saiu, imóvel meia boca, e agora?

Dias atrás recebi a notícia que nenhum senhorio gosta de receber. Meu melhor inquilino comunicou que desocupará o imóvel. Digo que é o melhor inquilino por pagar em dia (adiantado, todos os meses) e porque o contrato dele era o melhor de todos, vamos à explicação.

O imóvel em questão, um pequeno apartamento, chegou às minhas mãos através da venda de uma das lojas, ele foi empurrado como parte do pagamento. Trata-se de um imóvel mal resolvido, provavelmente fruto de algum tipo de experimento com sucesso duvidoso feito pela incorporadora: 35m², planta tosca, inserido num condomínio cujo perfil é mais pro familiar, logo esse tipo de apartamento fica um tanto deslocado no meio dos 2 e 3 dormitórios do empreendimento. Por outro lado acaba sendo um imóvel de nicho já que atrai solteiros e casais com vontade de morar num condomínio-clube num bairro residencial, o que não é tão fácil de encontrar devido às grandes metragens e valores de aluguel e condomínio normalmente cobrados nesse tipo de empreendimento. Devido ao pequeno tamanho ele acaba sendo barato pra se manter.

Meu apartamento é um miquinho.
O apartamento chegou às mãos do antigo proprietário (atual dono de uma das minhas lojas) através de outro negócio, ou seja, fora usado como moeda de troca diversas vezes. Extrapolando o jargão automotivo, esse imóvel é um verdadeiro mico mas o peguei mesmo assim porque as circunstâncias foram favoráveis. O custo total dele, incluindo documentação, foi de 200k, sendo que na época (final de 2015, isso mesmo, nessa época eu já estava negociando as lojas) o preço médio desses apartamentos era de 220k, considerando os outros aspectos da negociação decidi encarar o mico e coloca-lo para alugar ou vender, o que acontecesse primeiro. Logo após tomar posse defini os valores: venda 210k, locação 1k, fiz diversos anúncios na OLX, grupos de Facebook e outras mídias, imediatamente e como de costume, diversos corretores e imobiliárias entraram em contato perguntando se poderiam trabalhar o imóvel, o que permiti. Uma semana depois o apartamento fora alugado por uma imobiliária pelo valor de 1,3k, isso mesmo MIL E TREZENTOS REAIS. Os caras inflacionaram o valor e o inquilino topou, bom demais pra ser verdade... Após a comissão da imobiliária eu ainda fiquei com 1200 conto por mês, nada mal...

Tudo ia bem até que o inquilino saiu, pagou a multa rescisória e se mandou, fiquei com o imóvel vago. Até onde sei o valor acima da média não foi o problema, os funcionários do prédio me disseram que o ex-inquilino saiu porque mudou de cidade. Esse foi o segundo caso de vacância desde que me tornei locador, o primeiro foi resolvido em 3 dias, o inquilino deixou o apê na segunda e o novo inquilino entrou na quinta, mas eu sabia que dessa vez seria diferente. Esse imóvel é muito peculiar o que dificulta muito a locação, já se passam 20 dias que o imóvel voltou ao mercado e tirando 2 visitas especulativas, nada concreto. Usei a mesma abordagem que da outra vez, anúncios na OLX e Facebook, vários corretores entraram em contato e nada...

Esse é o grande problema de ter imóveis de locação, eles devem ser locáveis, ter alta liquidez no mercado, caso contrário viram micos. Estou com esse mico na mão e não sei ao certo o que fazer porque o cenário mudou pra pior: o preço dos apartamentos vizinhos cairam muito, já tem gente pedindo 185k em imóveis semelhantes no mesmo condomínio, outros pedem 800 merréis de aluguel, ou seja, me fodi. Pra vender tenho que perder dinheiro (pelo menos 15 ou 20k), alugando vou pegar uma merreca... E conseguir vender ou alugar mesmo por esses valores é uma briga.

Sei que os críticos dos imóveis de locação estão com sorrisinho no canto de boca e preparando um "te avisei", mas deixo claro que sei desses riscos e que sabia desde o princípio que estava me metendo numa possível roubada. Dei sorte durante um tempo, mas como a sorte não é eterna, chegou a hora do juízo final. Meus outros imóveis estão alugados, com rentabilidade acima de 0,6%, zero vacância, zero inadimplência, mas isso deve-se ao fato de serem imóveis versáteis, comprados por valores abaixo da média. Esse é diferente, foi diferente desde o princípio. Além disso não estou exposto 100% em imóveis físicos e pretendo diminuir ainda mais essa porcentagem de acordo com que a renda passiva é reinvestida. Imóveis físicos são ótimos, você vê seu dinheiro, porém não podem ser a única fonte de renda do investidor.

Bom, tenho essa bomba na mão e tenho que dar um jeito, vejam as opções que pensei:

1- Tentar vender rápido, assumir a perda, socar o dinheiro num Tesouro Selic ou CDB acima de 100% da vida e virar a página;

Prós: viro a página desse negócio tosco que me meti e sigo em frente liberando capital que pode ser usado pra algo mais vantajoso no futuro.
Contras: perder 15 ou 20 pau é de doer

2- Tentar alugar por um valor mais baixo, não deixando o imóvel parado sem render e gerando despesa de condomínio, amargar uma rentabilidade pior que poupança;

Prós: estancar o sangramento de não estar recebendo renda e gastando com condomínio o mais rápido possível. 800 conto é pior que 1000 conto mas é melhor que 0 conto.
Contras: empurro de barriga dessa maneira até o inquilino sair novamente ou mesmo ser um inquilino problemático que além de dar problema gera pouca renda.

3- Manter os preços anunciados (210k na venda ou 1k no aluguel) pra ver se alguém fisga e até lá ir pagando as despesas de condomínio (270 conto mensais).

Prós: ganho algum tempo com o imóvel no mercado, o condomínio é barato, um valor que não me mata, é isento de IPTU e posso desligar a luz pra economizar ainda mais.
Contras: ficar com esse negócio martelando na cabeça diariamente e sem perspectiva de resolução.

Outra hipótese seria fazer uma permuta, até pesquisei algumas opções mas definitivamente não quero enfiar mais dinheiro nisso, pra rolar uma permuta teria que baixar o valor e comprar um imóvel mais caro o que não vejo sentido porque imóvel mais caro significa imóvel fora do meu perfil de locação, o que seria trocar 6 por meia dúzia. Permuta fora de cogitação.

Existe a possibilidade de me mudar para esse imóvel mas por diversos motivos isso é inviável. Ficaria fora de mão pro trabalho tanto meu quanto da Bia e também não se encaixa em nossos planos para um futuro próximo.

Estou bem perdido, não sei muito bem o que pensar e gostaria de pedir ajuda aos universitários leitores para que me deem opiniões. O que você faria no meu lugar?

PS: Dia desses pedi ajuda à vocês sobre o que fazer com 200k, em breve post a esse respeito, portanto sintam-se instigados à me ajudarem novamente!

sábado, 9 de setembro de 2017

E se você precisasse fugir do furacão?

Sábado, 9/9/17, a Flórida aguarda apreensiva a chegada daquele que pode ser o maior e mais destrutivo furacão de todos os tempos. Governador e presidente decretaram estado de emergência, ninguém ao certo sabe o que pode acontecer se esse furacão atingir a central Flórida com toda a força que está parecendo ter. Milhares de pessoas estão rumando ao norte em busca de regiões mais seguras, nesse momento não há mais hotéis na Georgia, Alabama, Carolina do Sul e mesmo na Carolina do Norte os quartos são escassos.

Os americanos sabem muito bem como lidar com furacões, as crianças são ensinadas desde cedo na escola como sobreviver à catástrofes naturais, todos se preparam, existem alimentos e outros suprimentos próprios para esses momentos de crise (viva do capitalismo opressor!!!). Claro que enxergo um certo lado negro disso: todo furacão que ameaça chegar perto do país a mídia transforma imediatamente em "a maior tempestade da história" (mas isso não poderia ser diferente, jornalismo é a profissão mais leviana após a "profissão" de político) e imediatamente os americanos disparam rumo a latas de chilli, packs de 30 água de meio litro por $1,99 e baldes de peanut butter. O consumismo americano é realmente algo impressionante e me incomoda, por outro lado quase ninguém noticia que a JetBlue oferece qualquer passagem de saída da Flórida por 100 dólares, as Turnpike estão com pedágios liberados e quase ninguém se aproveitou da crise para aumentar preços (o que foi visto com mais frequência, pasmem, em mercados brasileiros e latinos).

Mas não é sobre a tragédia anunciada nem sobre os possíveis aproveitadores ou solidariedade americana que venho falar hoje, também não vou entrar no mérito que o Brasil "é um paraíso sem catástrofes naturais" e sim fazer uma pergunta e estimular a reflexão:

E se você precisasse fugir do furacão? Digamos que um furacão está se aproximando da sua região e você precisa evacuar imediatamente sua casa, levando somente o importante e sabendo que há um sério risco de quando voltar não ter mais nada do que você está vendo ao seu redor nesse momento. O que você faria?

Me peguei fazendo essa pergunta pra mim mesmo e confesso que mesmo pra alguém objetivo e pragmático como eu é um assunto bem difícil, bem complicado decidir, sem contar o fato que não tenho o menor preparo para lidar com uma situação como essa (seria mais útil ensinar como se preparar para uma fuga ou fórmula de Báskara?). Bem, tenho algumas coisas a meu favor: o estilo de vida minimalista, o controle financeiro e o foco no que realmente importa. Vamos destrinchar isso...

Ser minimalista significa que tenho poucas coisas e que as coisas que tenho não são coisas "sagradas", não tenho muito apego material. Talvez essa seja a característica principal que me faria obter sucesso num momento de fuga. O apartamento onde moro é alugado mas levando em consideração que fosse próprio o sentimento seria o mesmo: "o seguro paga!", foda-se! Se inundar, parede mofar ou desabar, foda-se, só espero o cheque da seguradora. Meus móveis são todos das Casas Bahia ou de segunda mão, com 5k mobilio minha casa inteira novamente, dinheiro esse que não me faria muita falta na altura do campeonato. Não tenho joias, coleções, eletrônicos caros, nada disso. Se precisasse fugir hoje, pegaria Bia, o cachorro, comida, colocaria os documentos numa caixa e pronto, mudança feita sem deixar muita coisa relevante pra trás. O minimalismo além de facilitar minha fuga me ajuda a não ficar tristinho por perder coisas.

Controle financeiro: tenho sempre 3k em espécie em casa. Me julguem! Sim, tenho dinheiro vivo depreciando no fundo de uma gaveta (ops, contei o esconderijo, rsrs!). "Ah Corey, pra que isso, deixa na poupança, mimimi" Brother, sabe esses programas gringos que passam no Discovery onde nêgo se prepara para os mais variados tipos de apocalipse, desde colapso econômico até invasão de zumbis? Pois é, esses caras são os loucos até que o Rick comece dar tiros por aí com sua 45... Foda-se, ter cash me deixa tranquilo, trás uma paz de espírito legal e o mantenho. Na fuga do furacão me arrependeria de não ter 10k invés de 3... Além disso poderia ficar meses sem trabalhar por saber que não teria problemas financeiros, a busca pela simplicidade e automação me levou a colocar tudo no débito automático/automatizado, portanto poderia continuar dias e dias longe de casa e continuar com as contas pagas... Percebem onde quero chegar? A tal da IF que muitos imaginam como o gatilho para "Parar de trabalhar" assume aqui seu real papel: trazer tranquilidade.

O foco naquilo que importa tem a ver com o minimalismo. O que realmente importa pra mim no dia de hoje? Minha família. Quem é minha família? Bia, eu e o cachorro, nada mais. Tenho foco, cuido daquilo que é importante pra mim, não disperso energia e foco no que é irrelevante. Pais e demais familiares, amigos e colegas? Se virem, tenho uma família pra cuidar. Egoísmo? Sem dúvida! E quem foi que estabeleceu egoísmo como algo ruim? Quanto mais você dispersa energia, mais longe de alcançar seus objetivos você fica, e isso é óbvio, mas muita gente não se dá conta de onde está desperdiçando essa energia... Engraçado como sou extremamente liberal para umas coisas e conservador, ou mesmo retrógrado para outras. Ser Homem (com "H", ou o famoso homão da porra), não tem a ver com músculos ou BMWs e sim como fidelidade (no sentido amplo da palavra) e compromisso com aquilo que se propõe a criar e nada, absolutamente nada, deve ser mais importante que sua família, e família não é necessariamente pai, mãe e irmãos. Família são aquelas pessoas que estão DO SEU LADO, todo o tempo, que estão lutando com você por seus objetivos, que são nada mais que a extensão do seu corpo, são aquelas pessoas que estão 100% com você, que entram na briga batendo no seu adversário mesmo sem saber o lado certo... Família pode ser seu pai e mãe, sua esposa (como é meu caso), seu roommate ou simplesmente você mesmo, muita gente seria muito mais feliz e próspera se entendesse que não há ninguém do seu lado e que está sozinho pra lutar o que não necessariamente é ruim ou desvantagem... Jamais fique preso a relacionamentos tóxicos, seja com quem for: pai, mãe, irmão, esposa... não deixe outras pessoas te afogarem, não carregue âncoras. O oposto também é verdade, uma vez que você encontrou alguém pra lugar com você SEMPRE, agarre-se a essa pessoa com unhas e dentes. Perceba que os maiores homens da história possuem casamentos sólidos, perceba isso aqui mesmo na blogosfera, veja que os blogueiros mais top são casados e possuem relacionamentos excepcionais com suas esposas. A união faz a força e isso não é um jargão besta.

Sei que viajei na maionese, mas esse rodopio todo é pra dizer que se precisasse fugir do furacão (apocalipse zumbi ou terceira guerra mundial) nesse exato momento, colocaria Bia, o cachorro, documentos e minha grana num carro/avião/barco/bicicleta e iria pra onde fosse possível, faria o que fosse possível pra protege-los sem olhar para trás ou para os lados. Esse furacão já me ensinou uma lição: homem que é homem deve estar preparado sempre, pra tudo. Peço a todos aqueles que possuem algum tipo de fé para que orem/rezem para as vítimas do furacão e para que a destruição seja pequena, forte abraço!

sábado, 2 de setembro de 2017

Duzentão

O que fazer com R$ 200.000,00? Essa é a pergunta que faço a vocês hoje. Preciso de opiniões sobre o que devo fazer com 200 conto, tenho algumas regras:

1- Esse dinheiro deve render fluxo de caixa periódico
2- As aplicações devem ser de baixo risco
3- Não poderá ser investido em imóvel físico
4- Se você sugerir FIIs, cite quais os papéis e qual distribuição você faria

É verdade, tenho 200tão pra investir e quero a opinião dos leitores de como faze-lo. Prometo fazer um post sobre o como esse dinheiro veio parar na minha mão (spoiler: na verdade é um reinvestimento, não dinheiro novo porém tem uma história legal em volta dele) e como finalmente investi. Óbvio que tomarei minhas próprias decisões de investimento mas com esse post consigo várias coisas: opinião de quem manja dos paranauê, exercitar a mente investidora dos leitores, abrir espaço para discussão sobre investimentos, etc.

Vamos lá, jogue seus palpites nos comentários. Abraço!

sábado, 26 de agosto de 2017

Atualizações e Monetização

Amigos, peço desculpas por não ter participado ativamente das discussões do post passado, fico muito chateado quando me enrolo e não consigo acompanhar o bate papo, pra mim a interação com leitores é fundamental e me faz muito bem.

Aproveito a oportunidade para compartilhar um "post resposta" feito pelo Soulsurfer para meu post sobre a Bolha da Classe média:

http://pensamentosfinanceiros.blogspot.com.br/2017/08/vivemos-numa-bolha.html

O Soul tem uma escrita complexa e profunda que nem sempre é fácil de acompanhar, mas aconselho a todos que leiam esse post, ele conseguiu transmitir a mensagem sobre "bolhas" de uma maneira completamente diferente que a minha porém chegando no mesmo objetivo.

Do mais a vida está bem corrida, a rotina de bater dedo não é simples e ainda estou me acostumando aos horários de trabalho da nova empresa. Uma coisa é certa: estou adorando o trabalho, os colegas e a rotina. Acordo todos os dias com vontade de ir trabalhar, chegar lá e cumprir minhas tarefas. Existe um abismo de distância entre a empresa atual e a anterior. Antes que os seca-pimenteiro apareçam pra dizer "mimimi, Corey é louco, mimimi, já já você cansa do trabalho, mimimi..." já falo logo: é óbvio que o fator novidade tem grande peso e que um dia vai passar, mas... e daí?

Uma ideia tem martelado minha cabeça nos últimos tempos: a de monetização do blog e criação de outros conteúdos como talvez um livro. Isso mesmo, mantenho esse blog desde 2012 e nunca quis monetiza-lo por saber que não rende grandes coisas (se der pra comprar uma casquinha do Mc é muito) e por me sentir incomodado quando vou em alguns sites poluídos de anúncios porém alguns acontecimentos estão me fazendo mudar de ideia:

1- Embora esteja ocorrendo o surgimento de uns malucos, o nível dos comentários no blog está melhor que nunca: um monte de gente colocando questões mais profundas, discordando de maneira educada, etc. Isso é um dos maiores incentivos que um blogueiro pode ter.

2- Percebo que as pessoas gostam da maneira que escrevo e os temas que trato. Faço de maneira natural, sem forçar a barra, sem grandes produções. 99% dos meus textos são escritos non-stop no navegador mesmo, a maioria sequer releio pra ver se está tudo ok (por isso sempre rola uns erros gramaticais/concordância). Escrever é fácil pra mim, então porque não usar essa habilidade pra levantar uns troquinhos.

3- Tenho pelo menos 50 ideias de posts sendo grande parte coisas novas, temas pouco ou nunca abordados na blogosfera ou mesmo nos sites que acompanho. Muito desse conteúdo é sobre empreendedorismo, tema esse que é ZERO explorado na internet. Isso mesmo, 99,9999999% do que você lê sobre empreendedorismo é totalmente fora da realidade ou mesmo mentira. Posso fazer um diferencial aqui.

4- Não quero "fazer dinheiro" com o blog mas levo dinheiro muito a sério, acredito que alguns centavos seriam o suficiente para me motivar a manter uma agenda de posts, levar o blog de maneira pouco mais profissional (o que pode ser uma armadilha porque sempre mantive tudo muito amador).

5- Tenho visto um monte de gente escrevendo livros e publicando na Amazon, não faço ideia como isso funciona, se rola algum dinheiro ou não, etc. Porém é algo que tenho pensado... Vira e mexe um leitor me sugere escrever um livro... Estou ficando com vontade. Lembro que isso é somente uma ideia, nada certo, nada definido.

6- Daqui a pouco entrarei na rotina do trabalho o que me deixará com uma rotina definida e várias horas livres que poderão ser ocupadas, entre outras coisas, com algum tipo de "trabalho" on-line.

Várias outras ideias pipocam na cabeça, entre elas escrever um blog em inglês. SPOILER: Na verdade esse blog já existe porém é um projeto estacionado. Não faço a menor ideia como um ser humano encontrou essa página na imensidão da internet e se deu ao trabalho de deixar um comentário ontem (eram 150 visualizações desde 2/1/17), vejam e primeira mão o piloto do "Corey's Blog" (já aviso que meu inglês é longe de ser perfeito, praticamente não tenho "formação" na língua, sou 90% autodidata, portanto é zuado mesmo) :

http://braziliancorey.blogspot.com.br/2017/01/hi-im-corey.html


Nesses mais de 5 anos de blog abandonei muitas coisas: Facebook, grupos de internet e whatsapp, "amizades", porém não abandonei a blogosfera. Já dei umas sumidas, mas sempre volto pra cá. Diariamente aprendo muito por aqui, as amizades se renovam e consigo ao mesmo tempo contribuir pra sociedade com um pouco do meu conhecimento, é uma sensação muito boa.

Enfim, gostaria de saber a opinião de vocês, deixem nos comentários se devo ou não monetizar o blog, conte suas experiências com monetização de sites/blogs, quanto dinheiro dá, quanto deixa de dar... Qualquer opinião é bem vinda.

segunda-feira, 21 de agosto de 2017

A Bolha da Classe Média

A Bolha da Classe Média
2015

Bia e eu estávamos na sala de espera da clínica onde aguardava para ser atendido pelo cardiologista. Havia acabado de sofrer uns piripaque cardíaco devido ao stress do trabalho e estava sendo arrastado para acompanhamento médico (nós homens somos uns idiotas, temos medinho de ir ao médico e quase sempre só nos cuidamos devido a pressão das nossas esposas). A clínica onde meu cardiologista atende fica em Pinheiros, bairro classe média-alta de São Paulo, enquanto aguardava ouvi bibislhoteiramente a conversa entre duas mulheres ao meu lado:

- É Jurema, não teve jeito, até que tentei mas não deu, precisei sair da Sulamérica, eu e o Paulo pagávamos 6 mil, não dá né, a crise atingiu nossa porta, tive que trocar para esse Prevent Sênior (falando com ar de desdém) onde pelo menos pagamos só 3 mil. Olha, até que o atendimento é bom, viu?! E o Dr José também atende por ele, graças a Deus.

2016

Na primeira semana trabalhando na primeira temporada que passei pela empresa que trabalho atualmente estava procurando me enturmar e conheci Rebeca, uma simpática menina de 20 e poucos anos, já havia notado sua dedicação ao trabalho e também seu temperamento forte, digno de quem apanhou e por isso se fortificou. Certo dia, no refeitório Rebeca sentou-se do meu lado, mostrou-me o celular e disse:

- Olha Corey que pôr do sol lindo! - mostrando a tela do celular - adoro esse lugar!

Olhei pra tela e me deparo com uma foto de um pôr do sol realmente belo, foto essa que parecia ter sido tirada do alto de algum morro, com o que parecia ser uma favela em volta. Segue o diálogo:

- Nossa, realmente é lindo! Onde é?
- É no Grajaú, onde eu morava com minha mãe...
- Morava? Não mora mais?
- Não, Corey, infelizmente, eu amo aquele lugar... é favela, sabe, mas adoro lá. Nasci e cresci lá, conheço todo mundo...
- O que houve? Por que você mudou?
- Ah, é uma história complicada...

Rebeca então me contou uma história confusa sobre um namorado da mãe ter ameaçado elas de morte, aquelas histórias que a gente ouve no Datena... Tiveram que se mudar para outro bairro bem mais longe para manter a segurança.

Essas duas histórias (verídicas) servem para ilustrar o que chamo de "bolha da classe média". Veja que dependendo da sua situação sócio econômica uma ou outra dessas histórias pode te soar familiar e sem nada de extravagante, porém pra mim ambas são um tanto surreais. O mesmo consigo perceber quando faço algum post falando sobre custo de vida ou valores de investimentos. Por exemplo, veja o tal comentarista que disse ser feliz vivendo com 3k de renda passiva por mês, um monte de gente chegou detonando e afirmando categoricamente ser impossível o cara viver dignamente e com conforto com "apenas" 3k por mês, enquanto isso nem me liguei que isso poderia causar discórdia, afinal na minha cabeça 3k é uma excelente renda passiva.

Quando ouvi a história da senhorinha que pagava 6k por mês de plano de saúde fiquei me perguntando se realmente tinha ouvido bem, tanto que imediatamente fui pesquisar no Google se aqueles valores eram realistas, descobri que sim. Nunca na minha vida sequer passou pela minha cabeça que um ser humano pagasse SEIS MIL REAIS por mês num plano de saúde! Caralho, é o valor de um carrinho maomenos todo mês! Porém do jeito que ela disse pareceu um valor como outro qualquer. Tudo é questão de perspectiva. Dia desses lembrei dessa história devido a meu post mais atual sobre custo de vida, onde disse pagar 218 conto de plano de saúde (para o casal) e várias pessoas questionaram esse valor, algumas duvidando que podia pagar "tão pouco". Porra, pra mim 218 reais é um absurdo considerando que vivemos num país onde virtualmente o custo de saúde é zero, ainda mais que praticamente não uso. Repito: perspectiva!

Rebeca é uma menina adorável, excelente profissional, sempre sorridente apesar de transparecer certa frieza e dureza perante algumas situações. Ela é feliz mesmo morando numa quebrada com sua mãe solteira, tendo trocentos problemas familiares e ganhando cerca de 1500 reais por mês, o que ela era convicta de ser um "excelente salário". Rebeca não tem carro, não tem moto, seu maior luxo é comer no Outback a cada 2 meses, Rebeca não tem 109 reais pra pagar de plano de saúde e depende do SUS.

Nós da classe média vivemos numa bolha. Achamos que somos as picas das galáxias, muitas vezes julgamos e esnobamos as pessoas mais simples, julgamos os trabalhos braçais (é na classe média que surgiu o nojento termo "sub emprego"), andamos de nariz empinado, nos achamos fodas por ir pra Miami de vez em quando, achamos fracasso o fato de usar transporte público ou mesmo ter um carro com mais de 5 anos de uso (Corey, onde já se viu, você se diz independente financeiramente mas anda com um carro de 22 anos, aff), achamos que "pagar um bom plano de saúde" é fundamental para nossa "saúde" (afinal usar hospital público é o mesmo que assinar o atestado de pobreza, mesmo que o hospitalzinho do plano de saúde seja tão ruim quanto, a demora pra agendar uma consulta seja de meses e exames sejam burocráticos para serem feitos, igualzinho ao SUS - entenda como "saúde" se entupir de antidepressivos e remédios pra dormir pra conseguir encarar o trabalho que te "escraviza" para que você consiga trocar de iBosta, digo, IPhone todo ano), achamos que fazer compra no "Bem Barato" é o fim do mundo e que devemos mesmo é comprar tudo no Pão de Açúcar, comer macarrão Adria nem pensar, tem que ser no mínimo um Barilla (eu mesmo já tive esse pensamento, procure no blog e encontrará).

Ao mesmo tempo que vamos uma vez por ano pra Orlando, comprando passagem de promoção, com 3 escalas e comprada com 1 ano de antecedência pra aproveitar preço (eu mesmo já fiz, faço e farei isso porque avião é somente um meio de transporte, não uma "experiência"), muita gente vai todo mês, voando de executiva comprada em cima da hora e olha pra gente com ar de superioridade: "Aff, esses emergentes que acabaram de tirar o visto americano se acham voltando da Florida com essas blusas pobres da Gap...". Nossa bolhinha muitas vezes não nos deixa olhar para o lado, está mais para uma caixa com paredes foscas que para uma bolha transparente.

Falo da nossa bolha da classe média mas acredito que todo mundo vive numa bolha semelhante. A senhorinha dos 6k da Sulamérica vive na bolha dela, a Rebeca e seu lindo pôr do sol da favela também. Cada um pode e deve ser feliz dentro da sua bolha, mas é imprescindível entender que existe vida fora dessa bolha, é importante entender o ponto de vista, a perspectiva das pessoas e não julga-las por viver numa bolha diferente que a sua.

A experiência de sair da caixinha, deixar de ser empresário e virar peão, convivendo com gente que considera 3k um salário foda me fez crescer muito como ser humano. Acredito que consegui estourar um pouco minha bolha da classe média e entender que tenho coisa pra caralho, muito mais que muita gente sequer sonha. Aprendi a ser mais grato por tudo que tenho, por isso me chateia muito quando alguém condena outrem que vive feliz com 3k. Caralho, você não conhece a pessoa, você não sabe os hábitos e gostos, como você pode saber o que é melhor pra ela? Conviver com pessoas diferentes é engrandecedor, você aprende diariamente, mas pra isso é preciso se colocar no lugar dela, estar aberto para entender diferentes realidades. Recomendo que todos deem um jeito de fazer o mesmo, se expor a um grupo completamente diferente do seu e entenda uma coisa, quanto mais "inferior" é esse grupo, mais você irá aprender.

Isso vai contra à velha história que eu mesmo já preguei muito no blog: "conviva com pessoas superiores a você". Não é bem assim, você tem muito a aprender com pessoas "inferiores", veja que está entre aspas porque não acho que existam pessoas inferiores (até acho, mas isso não tem nada a ver com classe social, assunto pra outro post). É muito bom ver como pessoas de nível econômico menor que o seu conseguem viver muito bem, ainda mais pra gente que busca IF através da frugalidade, percebemos que nossas atitudes "frugais" ou "minimalistas" são muitas vezes somente sobrevivência pra grande parte da população.

Tenho muitas histórias como essas pra compartilhar, no último ano aprendi mais sobre a vida que durante minha vida inteira, espero ter conseguido ao menos despertar sua curiosidade sobre como é a vida fora da bolha. Abraço a todos!

segunda-feira, 14 de agosto de 2017

Corey Empregado - O Desfecho



Hoje é o derradeiro capítulo da saga “Corey Empregado”, não desgrude os olhos da tela, amiguinho...

Bom, parei na choramingação sobre meu “antigo” trabalho, onde a empresa era opressora, porca capitalista (ironia, é melhor explicar, vai que...). Pois bem, durante meu período por lá a empresa 4 (cujo processo seletivo é uma novela mexicana, com vários capítulos intermináveis), entrou em contato me oferecendo uma vaga. O salário era pouca coisa menor que o que estava ganhando porém a escala de trabalho, embora maluca, era mais interessante. Esse contato fora feito por email o que me proporcionou chance de pensar sem ter que dar um sim ou não imediatamente. Eles aguardariam o término da minha experiência o que era um ponto a favor. 

No dia seguinte que recebi essa proposta da empresa 4, entrei em contato com um colega que conheci no trabalho temporário que fiz ano passado (doravante denominada empresa “T”, de temporário) perguntado se havia alguma vaga por lá, ele mexeu os pauzinhos e descobriu que haveria uma seleção para vagas temporárias (iguais a que trabalhei ano passado) naquela mesma semana, agradeci e agendei a seleção para depois de 2 dias. 

Chegado o dia da seleção, estou no metrô indo para o endereço do RH da empresa quando o telefone toca, era a pessoa do RH de uma outra empresa, que chamarei de empresa 19 (19 é o número do dinheiro em algum tipo de numerologia da vida, entenda o porquê em breve). A empresa 19 é de porte pequeno (ou seria médio? Sei lá...) com grande crescimento, é conhecida no mercado por várias características: é difícil de entrar, quem trabalha lá dificilmente sai, paga muito bem, tem um pacote de benefícios bem interessante porém como não existe almoço grátis exige que o peão trabalhe mais, esse trabalho a “mais” nada mais é que o gajo deve render mais, fazer mais trabalho por hora, é cobrado por espécies de metas (difícil explicar como é isso, mas faz de conta que são metas), a gerência é conhecida por ser exigente e chata. Enfim, ganha-se mais, porém trabalha-se mais com certo nível de pressão. Recebi esse convite porque um colega de faculdade que trabalha lá enviou meu CV pra pessoa certa, porém jamais imaginei que daria em alguma coisa... Bem, conversei com a pessoa e agendei uma entrevista para o dia seguinte.

Desnecessário explicar que minha cabeça deu um nó: estava trabalhando na empresa 5 tinha uma proposta concreta da empresa 4, uma seleção na empresa T e uma entrevista na empresa 19. Fiquei completamente perdido e resolvi deixar a vida me levar, decidi que não forçaria a barra pra nenhum lado, que somente deixaria a coisa fluir pra ver o que ia acontecer.

Fiz a seleção na empresa T e por “coincidência” (não acredito em coincidência e sim na lei da atração, em Deus ou algo assim), eles não deram o resultado imediatamente como costumam fazer, ou seja, ganhei tempo... No dia seguinte fui lá na 19, fiz a entrevista que foi a mais diferente de todas que participei, a entrevistadora era “do ramo”, ou seja, uma profissional colega de profissão, com trocentos anos de empresa e que tinha, entre outras funções, contratar gente. Ela sabia exatamente o que perguntar, o que questionar, o que debater, sabia o que era importante no perfil do profissional. Nada a ver com as entrevistas com os “profissionais de RH” que havia passado. Conversamos sobre vários outros assuntos descontraidamente, me senti a vontade por estar com uma colega de profissão que entende o dia-a-dia da empresa, o completo oposto da empresa onde estava trabalhando. Enfim, saí de lá aprovado, porém como ainda estava na experiência da outra, eles ficaram de me ligar mais para o final desse prazo para dizer qual vaga assumiria. Achei estranho como me aprovaram, eles sempre contratam gente com experiência... seria minha idade? Será que gostaram de mim por isso e colocaram essa característica na frente da experiência? Nunca saberei...

Mais uma vez minha cabeça estava um nó, fiquei sem saber como agir e como todo bom covarde, fiz nada pra resolver. 

Dois dias depois recebo um email da empresa T dizendo que fui aprovado na seleção, onde minha vaga seria, qual seria o horário e uma boa notícia: por ser a segunda vez que eu trabalharia de temporário na empresa, eles ofereceriam um bônus de 10% porém deveria refazer o treinamento inicial e deveria iniciar imediatamente. Caralho, agora fodeu de vez...

Gostei muito da experiência de trabalhar na empresa T no ano passado, eles são líderes do setor, organizados, possuem uma hierarquia e plano de carreira interessantes. O salário não é o melhor do setor porém é proporcional ao stress do trabalho. Na empresa 4 eu ganharia menos e não saberia como seria o ambiente de trabalho até começar, na empresa 19 ganharia cerca de 60% mais porém a pressão seria alta, coisa que não sei se aguentaria, se teria saco ou mandaria todo mundo tomar no cu. Já na empresa T eu sei como é o trabalho, como a empresa funciona e juntando isso ao salário razoável me pareceu a melhor opção, mesmo sendo temporário. Aceitei.

No dia seguinte fui direto ao RH da empresa onde estava trabalhando e fiz os procedimentos de baixa, ao contrário que me avisaram, não cobraram multa alguma por rompimento do contrato de trabalho e ainda peguei umas quirelas de 13º e férias, foi mais tranquilo que o imaginado, saí de lá e já fui no RH da outra onde fiz os procedimentos de posse do cargo.

Passei por uma semana de treinamento intensivo, o mesmo que recebi ano passado porém com atualizações. Revi pessoas conhecidas e assumi meu cargo, estou gostando muito, o trabalho é muito tranquilo de ser feito, não tem gente enchendo o saco, não faço coisas pelas quais não fui preparado, etc. A empresa é líder não por acaso... O fato de ser um contrato temporário me traz sossego por saber que se a coisa degringolar é fácil sair, ao mesmo tempo que me deixa mais livre para mudar de planos num futuro próximo. Já deixaram claro que após o período do meu contrato haverá contratações e que terei prioridade. Vamos ver o que o futuro me reserva...
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