sexta-feira, 19 de fevereiro de 2016

O Mito da Concorrência

Após a rápida postagem que fiz sobre o caso do veterinário impedido de trabalhar de graça pelo CRMV surgiram vários comentários interessantes, entre eles a tal da concorrência predatória. Decidi escrever esse post para falar um pouco da minha opinião sobre concorrência.

Já escrevi sobre vários assuntos que considero mitos, coisas que as pessoas deturpam e repetem como verdades absolutas e que racionalmente falando não fazem o menor sentido. Foi assim com o mito do capital de giro e o mito do retorno do investimento. A concorrência na minha opinião é mais um mito enraizado na cabeça das pessoas.

Quando se fala em concorrência predatória então... tenho uma opinião muito simples sobre concorrência predatória: ISSO NÃO EXISTE. É bem simples entender: você tem uma loja de grampeadores, cada um é vendido a 10 reais. Um concorrente chega e monta uma loja vizinha a sua e começa a vender os mesmos grampeadores a 5 reais. Isso é concorrência predatória? Não, não é. Você também conseguiria vender a 5 reais se quisesse, bastaria sair da sua zona de conforto, melhorar a eficiência do seu negócio, diminuir a margem, aumentar o volume e se bobear após certo tempo você estaria lucrando mais vendendo grampeadores a 5 reais que a 10... Agora a pergunta do milhão: Você está disposto a fazer isso? Provavelmente não, eu mesmo não estaria e acharia mais fácil criticar o concorrente dizendo que ele destruirá meu negócio quando na verdade a incompetência é toda minha.

A grande maioria das pessoas (me incluo nisso) monta negócios buscando ganhar dinheiro e ter certa estabilidade, elas não querem ter que lutar pro resto da vida melhorando processos e produtos. As pessoas se acomodam e sinceramente não acho isso 100% errado. Aí vem um concorrente melhor e a tira do negócio. A culpa foi do concorrente?

Nos Estados Unidos dos anos 50 o varejo era dominado por lojas de variedades do tipo preço único, as chamadas Five and Dime Stores (algo como nossas lojas de 1,99), as margens de lucro eram altas, as pessoas eram sempre atendidas por funcionários que pegavam os produtos atrás do balcão. Um jovem empreendedor chamado Sam Walton comprou uma dessas lojas, uma franquia, e começou a fazer coisas malucas como cortar preços pela metade, comprar toneladas de produtos e oferece-los a preços pouco superiores ao custo. A loja de Sam se tornou um sucesso e a figura dele bem quista na pequena cidade do oeste americano, os outros comerciantes não gostaram nada daquilo e deram um jeito de expulsa-lo da cidade. Ele quebrou? Não, muito pelo contrário, achou uma nova praça, montou outra loja, e mais outra, e outra... Montou uma super loja no formato "discount store" onde mercadorias eram oferecidas por preços muito menores que em outras lojas. A rede cresceu e graças a aviões monomotores, a pouca interferência estatal, uma economia vibrante e poder de compra elevado a empresa do Mr Walton se tornou uma empresa que "talvez" você já tenha ouvido falar: o Wal Mart.

O Wal Mart foi talvez o primeiro grande "concorrente desleal" que se tem notícia, chegou chegando, quebrando empresas familiares, quebrando fábricas ao redor dos EUA, destruindo cargos de trabalho nessas fábricas ao mesmo tempo que criava milhares de postos de trabalho a salário mínimo (ou menos que isso). Graças ao Wal Mart criancinhas chinesas estão trabalhando nesse momento, adultos em Bangladesh estão trabalhando 16 horas por dia, 7 dias por semana dentro de fábricas abafadas, ganhando centavos de dólar por hora... Milhares de mercadinhos, lojas de conveniência, lojas de ferragens, pequenas farmácias, oficinas mecânicas fecharam suas portas desde a chegada do Wal Mart.

Tudo isso é culpa do capitalismo opressor e de uma grande corporação malvada, certo? ERRADO! A culpa do fechamento das empresas familiares não é do Wal Mart e sim da demanda por produtos mais baratos. A esmagadora maioria das pessoas quer pagar menos por um produto e já que a matemática é exata só existe um meio pra isso: corte de custos. O Wal Mart soube fazer isso muito bem, desde os baixos salários e pesadíssimas carga de trabalho dos executivos que jamais voam de primeira classe e sempre se hospedam em hotéis de beira de estrada (4 executivos por quarto), desde a exploração do trabalho semi-escravo dos asiáticos. O Wal Mart é eficaz e ponto final. A eficácia permite que essa empresa venda produtos a preços baixos e obtenha lucro sempre. O Wal Mart não é mal, ele é eficaz.

Empresas familiares quase sempre são ineficazes, aliás tudo o que envolve família a possibilidade de dar merda é muito grande. Na maioria das empresas familiares não existe meritocracia, os membros da família vivem num ambiente socialista onde ninguém tem salário nem funções pré definidas. O patriarca das duas uma: ou leva a empresa nas costas centralizando decisões ou é um estorvo que tira mais dinheiro que todo mundo, não faz nada a não ser reclamar. Não existe busca por eficácia e redução de custos, as decisões são tomadas na "orelhada" e na base do achismo. Sinceramente você acha que uma empresa assim é mais merecedora de mercado que uma corporação de capital aberto, onde as decisões são tomadas por profissionais, onde o salário é compatível com a função?

Vou usar o meu exemplo: minhas lojas só existem graças a ineficácia dos meus concorrentes em diversos aspectos, eu consegui visualizar a falha deles e trabalhar isso a meu favor a fim de ganhar um público que valorize o que tenho de bom. No dia que um concorrente fizer o mesmo que eu e abaixar os preços em 5% (o que pe perfeitamente viável) ele me quebra em 6 meses. A pior empresa do meu ramo nos EUA é muito melhor que a minha empresa aqui no Brasil. A ineficiência brasileira como um todo é algo assustador.

A concorrência faz mais bem que mal. Os concorrentes me tornaram um empreendedor melhor. Concorro com todo tipo de gente: o barateiro, o extremamente eficaz e também com o relaxado. Aprendi um pouco com cada um deles e tenho plena consciência que há muito o que melhorar no meu ramo, como não tenho saco pra fazer essas melhorias e por saber que um concorrente pode chegar fazendo essas melhorias e roubar um pedaço do meu negócio, estou me desfazendo das empresas. É muito simples: se você tem medo da concorrência, saia do negócio e não fique de mi mi mi que o concorrente é malvado. Tenho plena consciência que o problema não está nos meus concorrentes e sim comigo que não tenho paciência pra mudar.

Agora saindo um pouco da área empreendedora... Nêgo reclama que profissão A é prostituída, que na profissão B nêgo trabalha quase de graça, que o profissional C cobra abaixo do mínimo... Engraçado que ninguém colocou uma arma na sua cabeça te obrigando a fazer a faculdade A, B ou C. Você escolheu sua profissão e se ela está uma bosta o que te impede de mudar? Preguiça de começar do zero? Pode ser, eu também teria, mas se fosse um profissional A preguiçoso preferiria ficar quieto que reclamar que o colega é um concorrente desleal... Sem contar que na profissão A, na B e também na C há inúmeros profissionais bem sucedidos... A maioria das pessoas entra na faculdade com sonho de ser o foda da categoria, mas nem 0,00001% chegará a isso, essa é a verdade... Precisamos nos contentar com nossa mediocridade, a ficha precisa cair que a grande maioria de nós jamais passará de profissionais medianos (me incluo nisso como empreendedor e como profissional licenciado).

Pra resumir digo que concorrência é algo em que as pessoas colocam muita ênfase e que é visto como um imenso monstro de 7 cabeças enquanto na verdade é só mais um fato a ser trabalhado.

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2016

Carta Aberta ao Brasil

Tenho muito o que falar, mas ando sem tempo (desculpa padrão de blogger/vlogger, mas é verdade!), então vou enchendo linguiça aqui do jeito que dá...

Muitos de vocês já devem ter visto esse texto rolando na internet, mas mesmo assim vou publica-lo novamente, me sinto na obrigação de espalhar a palavra, de espalhar esse texto do qual concordo 100%. Não me canso de repetir: o maior problema do Brasil é o brasileiro e ponto final.

Aí vai:

UMA CARTA ABERTA AO BRASIL
February 11, 201613 minute readby Mark Manson

Querido Brasil,

O Carnaval acabou. O “ano novo” finalmente vai começar e eu estou te deixando para voltar para o meu país.

Assim como vários outros gringos, eu também vim para cá pela primeira vez em busca de festas, lindas praias e garotas. O que eu não poderia imaginar é que eu passaria a maior parte dos 4 últimos anos dentro das suas fronteiras. Aprenderia muito sobre a sua cultura, sua língua, seus costumes e que, no final deste ano, eu me casaria com uma de suas garotas.

Não é segredo para ninguém que você está passando por alguns problemas. Existe uma crise política, econômica, problemas constantes em relação à segurança, uma enorme desigualdade social e agora, com uma possível epidemia do Zika vírus, uma crise ainda maior na saúde.

Durante esse tempo em que estive aqui, eu conheci muitos brasileiros que me perguntavam: “Por que? Por que o Brasil é tão ferrado? Por que os países na Europa e América do Norte são prósperos e seguros enquanto o Brasil continua nesses altos e baixos entre crises década sim, década não?”

No passado, eu tinha muitas teorias sobre o sistema de governo, sobre o colonialismo, políticas econômicas, etc. Mas recentemente eu cheguei a uma conclusão. Muita gente provavelmente vai achar essa minha conclusão meio ofensiva, mas depois de trocar várias ideias com alguns dos meus amigos, eles me encorajaram a dividir o que eu acho com todos os outros brasileiros.

Então aí vai: é você.

Você é o problema.

Sim, você mesmo que está lendo esse texto. Você é parte do problema. Eu tenho certeza de não é proposital, mas você não só é parte, como está perpetuando o problema todos os dias.

Não é só culpa da Dilma ou do PT. Não é só culpa dos bancos, da iniciativa privada, do escândalo da Petrobras, do aumento do dólar ou da desvalorização do Real.

O problema é a cultura. São as crenças e a mentalidade que fazem parte da fundação do país e são responsáveis pela forma com que os brasileiros escolhem viver as suas vidas e construir uma sociedade.

O problema é tudo aquilo que você e todo mundo a sua volta decidiu aceitar como parte de “ser brasileiro” mesmo que isso não esteja certo.

Quer um exemplo?

Imagine que você está de carona no carro de um amigo tarde da noite. Vocês passam por uma rua escura e totalmente vazia. O papo está bom e ele não está prestando muita atenção quando, de repente, ele arranca o retrovisor de um carro super caro. Antes que alguém veja, ele acelera e vai embora.

No dia seguinte, você ouve um colega de trabalho que você mal conhece dizendo que deixou o carro estacionado na rua na noite anterior e ele amanheceu sem o retrovisor. Pela descrição, você descobre que é o mesmo carro que seu brother bateu “sem querer”. O que você faz?

A) Fica quieto e finge que não sabe de nada para proteger seu amigo? Ou
B) Diz para o cara que sente muito e força o seu amigo a assumir a responsabilidade pelo erro?

Eu acredito que a maioria dos brasileiros escolheria a alternativa A. Eu também acredito que a maioria dos gringos escolheria a alternativa B.

Nos países mais desenvolvidos o senso de justiça e responsabilidade é mais importante do que qualquer indivíduo. Há uma consciência social onde o todo é mais importante do que o bem-estar de um só. E por ser um dos principais pilares de uma sociedade que funciona, ignorar isso é uma forma de egoísmo.

Eu percebo que vocês brasileiros são solidários, se sacrificam e fazem de tudo por suas famílias e amigos mais próximos e, por isso, não se consideram egoístas.

Mas, infelizmente, eu também acredito que grande parte dos brasileiros seja extremamente egoísta, já que priorizar a família e os amigos mais próximos em detrimento de outros membros da sociedade é uma forma de egoísmo.

Sabe todos aqueles políticos, empresários, policiais e sindicalistas corruptos? Você já parou para pensar por que eles são corruptos? Eu garanto que quase todos eles justificam suas mentiras e falcatruas dizendo: “Eu faço isso pela minha família”. Eles querem dar uma vida melhor para seus parentes, querem que seus filhos estudem em escolas melhores e querem viver com mais segurança.

É curioso ver que quando um brasileiro prejudica outro cidadão para beneficiar sua famílias, ele se acha altruísta. Ele não percebe que altruísmo é abrir mão dos próprios interesses para beneficiar um estranho se for para o bem da sociedade como um todo.

Além disso, seu povo também é muito vaidoso, Brasil. Eu fiquei surpreso quando descobri que dizer que alguém é vaidoso por aqui não é considerado um insulto como é nos Estados Unidos. Esta é uma outra característica particular da sua cultura.

Algumas semanas atrás, eu e minha noiva viajamos para um famoso vilarejo no nordeste. Chegando lá, as praias não eram bonitas como imaginávamos e ainda estavam sujas. Um dos pontos turísticos mais famosos era uma pedra que de perto não tinha nada demais. Foi decepcionante.

Quando contamos para as pessoas sobre a nossa percepção, algumas delas imediatamente disseram: “Ah, pelo menos você pode ver e tirar algumas fotos nos pontos turísticos, né?”

Parece uma frase inocente, mas ela ilustra bem essa questão da vaidade: as pessoas por aqui estão muito mais preocupadas com as aparências do que com quem eles realmente são.

É claro que aqui não é o único lugar no mundo onde isso acontece, mas é muito mais comum do que em qualquer outro país onde eu já estive.

Isso explica porque os brasileiros ricos não se importam em pagar três vezes mais por uma roupa de grife ou uma jóia do que deveriam, ou contratam empregadas e babás para fazerem um trabalho que poderia ser feito por eles. É uma forma de se sentirem especiais e parecerem mais ricos. Também é por isso que brasileiros pagam tudo parcelado. Porque eles querem sentir e mostrar que eles podem ter aquela super TV mesmo quando, na realidade, eles não tenham dinheiro para pagar. No fim das contas, esse é o motivo pelo qual um brasileiro que nasceu pobre e sem oportunidades está disposto a matar por causa de uma motocicleta ou sequestrar alguém por algumas centenas de Reais. Eles também querem parecer bem sucedidos, mesmo que não contribuam com a sociedade para merecer isso.

Muitos gringos acham os brasileiros preguiçosos. Eu não concordo. Pelo contrário, os brasileiros tem mais energia do que muita gente em outros lugares do mundo (vide: Carnaval).

O problema é que muitos focam grande parte da sua energia em vaidade em vez de produtividade. A sensação que se tem é que é mais importante parecer popular ou glamouroso do que fazer algo relevante que traga isso como consequência. É mais importante parecer bem sucedido do que ser bem sucedido de fato.

Vaidade não traz felicidade. Vaidade é uma versão “photoshopada” da felicidade. Parece legal vista de fora, mas não é real e definitivamente não dura muito.

Se você precisa pagar por algo muito mais caro do que deveria custar para se sentir especial, então você não é especial. Se você precisa da aprovação de outras pessoas para se sentir importante, então você não é importante. Se você precisa mentir, puxar o tapete ou trair alguém para se sentir bem sucedido, então você não é bem sucedido. Pode acreditar, os atalhos não funcionam aqui.

E sabe o que é pior? Essa vaidade faz com que seu povo evite bater de frente com os outros. Todo mundo quer ser legal com todo mundo e acaba ou ferrando o outro pelas costas, ou indiretamente só para não gerar confronto.

Por aqui, se alguém está 1h atrasado, todo mundo fica esperando essa pessoa chegar para sair. Se alguém decide ir embora e não esperar, é visto como cuzão. Se alguém na família é irresponsável e fica cheio de dívidas, é meio que esperado que outros membros da família com mais dinheiro ajudem a pessoa a se recuperar. Se alguém num grupo de amigos não quer fazer uma coisa específica, é esperado que todo mundo mude os planos para não deixar esse amigo chateado. Se em uma viagem em grupo alguém decide fazer algo sozinho, este é considerado egoísta.

É sempre mais fácil não confrontar e ser boa praça. Só que onde não existe confronto, não existe progresso.

Como um gringo que geralmente não liga a mínima sobre o que as pessoas pensam de mim, eu acho muito difícil não enxergar tudo isso como uma forma de desrespeito e auto-sabotagem. Em diversas circunstâncias eu acabo assistindo os brasileiros recompensarem as “vítimas” e punirem àqueles que são independentes e bem resolvidos.

Por um lado, quando você recompensa uma pessoa que falhou ou está fazendo algo errado, você está dando a ela um incentivo para nunca precisar melhorar. Na verdade, você faz com que ela fique sempre contando com a boa vontade de alguém em vez de ensina-la a ser responsável.

Por outro lado, quando você pune alguém por ser bem resolvido, você desencoraja pessoas talentosas que poderiam criar o progresso e a inovação que esse país tanto precisa. Você impede que o país saia dessa merda que está e cria ainda mais espaço para líderes medíocres e manipuladores se prolongarem no poder.

E assim, você cria uma sociedade que acredita que o único jeito de se dar bem é traindo, mentindo, sendo corrupto, ou nos piores casos, tirando a vida do outro.

As vezes, a melhor coisa que você pode fazer por um amigo que está sempre atrasado é ir embora sem ele. Isso vai fazer com que ele aprenda a gerenciar o próprio tempo e respeitar o tempo dos outros.

Outras vezes, a melhor coisa que você pode fazer com alguém que gastou mais do que devia e se enfiou em dívidas é deixar que ele fique desesperado por um tempo. Esse é o único jeito que fará com que ele aprenda a ser mais responsável com dinheiro no futuro.

Eu não quero parecer o gringo que sabe tudo, até porque eu não sei. E deus bem sabe o quanto o meu país também está na merda (eu já escrevi aqui sobre o que eu acho dos EUA).

Só que em breve, Brasil, você será parte da minha vida para sempre. Você será parte da minha família. Você será meu amigo. Você será metade do meu filho quando eu tiver um.

E é por isso que eu sinto que preciso dividir isso com você de forma aberta, honesta, com o amor que só um amigo pode falar francamente com outro, mesmo quando sabemos que o que temos a dizer vai doer.

E também porque eu tenho uma má notícia: não vai melhorar tão cedo.

Talvez você já saiba disso, mas se não sabe, eu vou ser aquele que vai te dizer: as coisas não vão melhorar nessa década.

O seu governo não vai conseguir pagar todas as dívidas que ele fez a não ser que mude toda a sua constituição. Os grandes negócios do país pegaram dinheiro demais emprestado quando o dólar estava baixo, lá em 2008-2010 e agora não vão conseguir pagar já que as dívidas dobraram de tamanho. Muitos vão falir por causa disso nos próximos anos e isso vai piorar a crise.

O preço das commodities estão extremamente baixos e não apresentam nenhum sinal de aumento num futuro próximo, isso significa menos dinheiro entrando no país. Sua população não é do tipo que poupa e sim, que se endivida. As taxas de desemprego estão aumentando, assim como os impostos que estrangulam a produtividade da classe trabalhadora.

Você está ferrado. Você pode tirar a Dilma de lá, ou todo o PT. Pode (e deveria) refazer a constituição, mas não vai adiantar. Os erros já foram cometidos anos atrás e agora você vai ter que viver com isso por um tempo.

Se prepare para, no mínimo, 5-10 anos de oportunidades perdidas. Se você é um jovem brasileiro, muito do que você cresceu esperando que fosse conquistar, não vai mais estar disponível. Se você é um adulto nos seus 30 ou 40, os melhores anos da economia já fazem parte do seu passado. Se você tem mais de 50, bem, você já viu esse filme antes, não viu?

É a mesma velha história, só muda a década. A democracia não resolveu o problema. Uma moeda forte não resolveu o problema. Tirar milhares de pessoa da pobreza não resolveu o problema. O problema persiste. E persiste porque ele está na mentalidade das pessoas.

O “jeitinho brasileiro” precisa morrer. Essa vaidade, essa mania de dizer que o Brasil sempre foi assim e não tem mais jeito também precisa morrer. E a única forma de acabar com tudo isso é se cada brasileiro decidir matar isso dentro de si mesmo.

Ao contrario de outras revoluções externas que fazem parte da sua história, essa revolução precisa ser interna. Ela precisa ser resultado de uma vontade que invade o seu coração e sua alma.

Você precisa escolher ver as coisas de um jeito novo. Você precisa definir novos padrões e expectativas para você e para os outros. Você precisa exigir que seu tempo seja respeitado. Você deve esperar das pessoas que te cercam que elas sejam responsabilizadas pelas suas ações. Você precisa priorizar uma sociedade forte e segura acima de todo e qualquer interesse pessoal ou da sua família e amigos. Você precisa deixar que cada um lide com os seus próprios problemas, assim como você não deve esperar que ninguém seja obrigado a lidar com os seus.

Essas são escolhas que precisam ser feitas diariamente. Até que essa revolução interna aconteça, eu temo que seu destino seja repetir os mesmos erros por muitas outras gerações que estão por vir.

Você tem uma alegria que é rara e especial, Brasil. Foi isso que me atraiu em você muitos anos atrás e que me faz sempre voltar. Eu só espero que um dia essa alegria tenha a sociedade que merece.

Seu amigo,

Mark

Traduzido por Fernanda Neute

Pra quem ficou com preguiça de ler aí vai um vídeo/áudio:


terça-feira, 2 de fevereiro de 2016

Maldita Burocracia e Regulação !

Estou na correria de começo de mês mas não pude deixar de parar por 2 minutos e postar esse vídeo aqui no blog. Um veterinário de São Carlos começou a atender gratuitamente aos sábados como maneira de ajudar pessoas carentes que possuem animais, adivinhem o que aconteceu? O CRMV o notificou por isso! Sim, isso mesmo, ele foi notificado por atender de graça, por fazer caridade. Segundo o CRMV ele só pode fazer isso se tiver uma ONG com CNPJ... É desesperador saber a que ponto a regulação e burocracia chega! Puta que pariu!!!!

Assistam o vídeo e se possível repassem, abraço a todos e bom fevereiro!


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