terça-feira, 24 de fevereiro de 2015

Academia de Rico X Academia de Pobre: O Que Podemos Aprender?

No carnaval me aconteceu algo curioso. Precisei dar folga para alguns funcionários da loja antiga, então trabalhei todos os dias do carnaval, Bia e eu. Por causa disso, precisei mudar um pouco a minha rotina, mas não queria parar de ir pra academia, justo agora que peguei firme novamente e estou vendo resultados relativamente rápido, por isso decidi pagar uns dias avulsos na academia "fechanunca" do lado da loja. Foi um verdadeiro estudo sobre o comportamento humano. Antes de mais nada gostaria de falar que esse post é somente sobre observações, não tem o intuito de "descobrir" quem é melhor ou pior...

Bia e eu moramos num prédio desses moderninhos num bairro classe média-alta de São Paulo capital. O prédio possui um monte dessas frescuras tipo espaço gourmet, lava-cachorro (muito útil, diga-se de passagem), coleta da água da chuva (utilíssimo nos dias atuais em Sampa) e piscina, mas não me pergunte porquê, não tem academia, mesmo a faixa etária dos moradores ser de típicos fitness. A administradora do condomínio firmou uma parceria com uma academia na mesma rua, pagamos R$ 170 o casal numa academia dessas top, cheia de equipamentos novos, ar condicionado, valet (um dos carmas de Sampa) e zilhões de professores (mensalidade avulsa em torno de, pasmem, 400 dilmas!!!). Devido a "exclusividade" da academia, somente galerinha de grana frequenta, pela manhã no horário que costumo treinar, vejo sempre um Jaguar estacionado em frente, sem contar a quantidade de gringos (também não me pergunte o porquê) e os papos sobre viagens fodas, suplementos carísssimos e negócios (essa parte é bem interessante). Tem até famosinho que frequenta lá (claro que não vou revelar, rsrs).

Noto que os frequentadores dessa academia se dividem basicamente em dois grupos:

1- Ricos ostentadores; chegam de carrão, usam roupas de academia de grifes, eletrônicos da Apple, fazem questão de expor a marca dos suplementos que tomam. São sociáveis, falam com todo mundo, procuram fazer amizade. São homens e mulheres jovens, bonitos, com "cara de rico".

2- Ricos frugais: esses são os mais interessantes pois parecem não se importar com o carro que chegam (tem um cara que um dia vai de Uno 95 e no outro de BMW série 7), usam qualquer roupa pra treinar (detalhe pras camisetas de eventos como congressos, reuniões no exterior e simpósios), fazem seu treino quase sempre interagindo somente com os professores e olhe lá. Quem veio de baixo e trabalha ou trabalhou em bairro de periferia como eu sabe muito bem discernir quem tem dinheiro e quem é pé rapado.

O que essas pessoas tem em comum quando dentro de uma academia? Treinam silenciosamente, não gritam, urram ou emitem sons alusivos a prática de exercícios físicos, usam toalhas pra enxugar o suor, desinfetam os aparelhos após o uso, oferecem pra revesar os aparelhos quando percebem que você quer usa-lo, quando falam com você costumam ser educados... Mas a coisa que mais me chama atenção é o padrão de beleza dessas pessoas. As mulheres costumam ser magras ou "encorpadas" de maneira natural. Nada daquele bundão que parece uma bola de basquete, nada de barriga tanquinho (eca, uma das coisas mais brochantes é uma mulher com gominho na barriga), elas costumam ser gostosas (meninas que estão lendo o blog, desculpe a escrotice do termo) na medida certa, são atraentes mas não vulgares. Os homens costumam ser mais definidos, braços fortes porém normais (tipo Daniel Craig), não usam aquelas camisetinhas regatas que mais parecem um fio dental vestido pelo lado errado do corpo. Homens treinam pernas e fazem aeróbico. Entre as mulheres, a "cor do pecado", ou seja, o bronzeado não é predominante, parece que mulher rica não toma sol, rsrs!

Agora vamos nos transportar para a academia de bairro ao lado da minha loja. O bairro é antigo, com muitas casas onde vivem senhorinhas que ali criaram seus filhos, vivem uma vida frugal porém confortável. Não é incomum ver fuscas 1970 único dono. No meio dessas casas, prédios residenciais vão despontando, os apartamentos são aqueles clássicos paulistanos de 45m² e dois dormitórios. Um grande empreendimento MRV está próximo, 87769874764 unidades vendidas no início do programa Minha Casa Minha Vida. Portanto, não há gente rica, mas também não é um bairro podrão de periferia, é um bairro daquilo que costumávamos chamar de classe média até os anos 90.

A academia é a melhor do bairro, relativamente grande, localizada numa sobre-loja. Não possui aquela belíssima fachada de vidro temperado que a "minha" possui, tampouco ar condicionado e valet. É simples, porém barata e funcional, tem bastante aparelho, nada sofisticado mas é perfeitamente "treinável", vive cheia e a fauna é a mais variada possível.

Não existem grupos homogêneos como acontece na academia do meu bairro. Há de tudo por lá: senhoras que só fazem aeróbico de leve, senhores que puxam um ferrinho de boa, gordões que decidiram mudar suas vidas, pré-adolescentes... Mas o predominante são os jovens, de 18 a 30 anos, dentre esses os homens se destacam pela socialidade, fazem amizade com todos, ou ao menos tentam. Ficam uns incentivando os outros, tiram sarro, fazem piadas, dão ideia nas meninas bonitinhas. Quase todos são bombados, é nítido que tomam "uns negocinhos", muitos são deformados, com aqueles braços imensos que se pintados de verde podem fazer figuração no filme do Hulk, são desproporcionais, pernas finas, parecendo palitos de dentes e costas enormes. Jamais verá homem treinando perna, "isso é coisa de mulher", as regatinhas ridículas imperam, o suor pingando por todos os lados também, nem tente revesar, alguns loteiam certos equipamentos e ninguém chega perto.

Como que uma pessoa consegue correr
na esteira com um fone desses?
Entre as meninas temos aquelas que não fazem porra nenhuma, ficam o tempo todo no celular e quando muito fazem agachamento, porém muitas são estranhas, estilo Panicat overloaded, com aqueles bundões estranhos que dá impressão que explodirão numa grande tempestade de merda a qualquer momento. Suas vozes são mais grossas que a minha, algumas tem até barba! A vestimenta é típica: para ambos os sexos camisetas chamativas, laranja, roxa, pink com dizeres do tipo "no pain, no gain", "tá pesado? faz balé", "fala menos, treina mais", etc... É muito provável de se encontrar um sem noção ouvindo funk no celular ou ao menos naqueles fones de ouvido do Pelé na copa de 94. Acredito que o tamanho da garrafinha de água tem direta influência no desempenho na atividade esportiva porque tem gente que leva garrafões de 5 (CINCO) litros!!!

As tatuagens, ahhh, as tatuagens, rico tem tatuagens pequenas, localizadas e quase sempre exclusivas, são desenhos que quase sempre só o dono entende o significado. Pessoal mais humilde tem os corpos cheios de tatoos, impressionante a quantidade de tribais, e rabiscos aleatórios nos homens e dragões, peixes e coisas assim nas meninas. Eu, como não vejo o menor sentido em nada que seja irreversível, só observo. Acho tatoo um negócio totalmente sem graça e desnecessário.

A experiência de treinar na academia da vila da loja foi super divertida. Interessante notar a extrema diferença no conceito de beleza entre "ricos" e "pobres". Para o pessoal que tem dinheiro, o importante é ser atraente de maneira natural, as pessoas menos favorecidas exageram um pouco mais, querem ser chamativos e pra isso acabam se entupindo esteroides ou morando na academia.

Não vou dizer que uma academia é melhor que a outra porque em ambas é possível treinar sem maiores problemas. Também não vou criticar um lado ou o outro, existem coisas que me incomodam em ambas, os "ricos" não são perfeitos. Esse post foi só pra fazer essa observação, o que separa ricos e pobres é muito mais que dinheiro, são atitudes, costumes, hábitos, conceitos, diretrizes de vida... Por isso acredito que se você deseja ser rico, seja de dinheiro, de conhecimentos e habilidades ou tudo junto e misturado, é fundamental conviver com pessoas também ricas, não há outra maneira, a internet não ensina tudo.

E no final usarei esse exemplo da academia e do conceito de beleza pra embasar uma coisa que tenho procurado fazer nos últimos tempos: melhorar minha vida, seja melhorando a qualidade dos produtos que consumo, a qualidade dos lugares que frequento, das roupas que uso, o lugar onde moro, o carro que tenho, o que leio, o que estudo, os programas que assisto na TV, os filmes que vejo, os lugares pra onde viajo... Estou procurando melhoria como pessoa e tudo isso conta muito. Custa dinheiro? Sim, custa, mas mesmo assim é possível ser frugal, mesmo que gastando um pouco mais. No frigir dos ovos acho que tenho mais o que aprender com o tiozão que um dia vai de Uno e no outro de BMW que com o "badboy" bombado...

sábado, 21 de fevereiro de 2015

Vai dizer que ele tá errado...

Posso parecer um chato, que sempre volta no mesmo assunto, aparece com o mesmo tipo de vídeo... Posso ser chato, mas sou um chato realista. Não vou falar mais nada, assistam esse vídeo e tentem discordar desse rapaz, bom final de semana!


quarta-feira, 18 de fevereiro de 2015

O Mito do Retorno do Investimento

100% dos textos, reportagens, séries sobre empreendedorismo, programas do Pequenas Empresas Grandes Negócios, sites sobre franquias e demais materiais relacionados ao empreendedorismo sempre falam do tal "retorno do investimento" que nada mais é que o tempo necessário pra recuperar o investimento. Exemplo: você investiu 100 mil reais num negócio, ele te dá 10 mil líquido por mês, logo seu retorno de investimento é de 10 meses. Mas até que ponto isso é importante?

Na minha opinião o retorno de investimento é totalmente irrelevante, veja algumas variantes que podem impedir o cálculo correto disso:

1- Qual a maneira de calcular isso? Considerar somente o lucro líquido? E o pro-labore? Desconta o pro-labore? O pro-labore é um valor justo? O proprietário tira pro-labore? O proprietário cumpriu qual função? Qual o salário justo pra ele?

2- O lucro líquido pós pro-labore existiu? Se existiu, sobrou? Ou foi reinvestido na empresa? Esse reinvestimento provocou aumento no faturamento? E nos lucros? Quantos porcento? Considerou esse aumento de lucro no cálculo do retorno?

3- O valor investido no negócio foi fixo? Ou foi preciso investir um "cadinho" mais nos primeiros meses? Esse dinheiro foi contabilizado como investimento na empresa? Você tinha esse capital ou foi um empréstimo? Se empréstimo, o lucro líquido considera os juros ou o principal?

Pode até existir uma fórmula correta, saída de alguma faculdade de empreendedorismo, mas na prática ninguém sabe como calcular isso. Exatamente por esse motivo, é besteira perder tempo com isso, até porque no final das contas, o número que você obtiver não quer dizer absolutamente nada. Por quê?

Dane-se quantos meses você demorará pra recuperar o investimento que fez na compra de uma empresa. Isso é irrelevante! Um negócio é melhor que o outro por "retornar" o investimento antes? Jamais! O que importa é lucro, o resultado da seguinte conta: VENDA MENOS DESPESA FIXA MENOS VALOR DA MERCADORIA. Isso é o que chamo de RENTABILIDADE LÍQUIDA, chame como quiser, mas é o que realmente tem importância numa empresa. Esse é seu lucro, o que você vai fazer com ele não importa. Vai comprar tudo de vinho? Vai fumar de maconha? Vai guardar na poupança? Dane-se, faça o que quiser com ele, mas é esse valor que importa!

Mas a irrelevância do "retorno de investimento" não para por ai. Por que caralhos você quer saber em quantos meses terá o retorno do que você investiu se o investimento ainda estará investido? Confuso? Nem tanto. Digamos que você compre uma empresa no valor de 100k, daqui um mês essa empresa poderá estar valendo os mesmos 100k, você a vende e voilà, você tem o retorno do seu investimento do dia pra noite! Ou melhor ainda, você reinveste um pouco dos lucros e um ano depois ela está valendo 150k, você a vende e tem o retorno do investimento mais 50% de lucro do dia pra noite. O contrário também pode ser verdadeiro... você sugou a empresa e após um ano ela está valendo 50k. Você jura de pé junto que ela retornou o investimento porque você tirou 10k por mês nesse período... será mesmo? Não, amigão, você foi iludido pelo conto do "retorno do investimento". O retorno do investimento REAL é o valor pelo qual você consegue vender a empresa e você só verá a cor dele na hora que vende-la.

Quer outro exemplo de quão besta é esse negócio do retorno de investimento? Você compra um apartamento para locação. Você pagou 200k e alugará por 1k. Qual o retorno do investimento? 200 meses? Claro que não! O 1k mensal é seu fluxo de caixa, o retorno do investimento você terá quando e se vender o apartamento. Uma loja de varejo como uma quitanda, um posto de gasolina, um boteco é um ativo como outro qualquer!

Outro exemplo mais palpável. Vejam como foi a compra da minha loja nova aqui. Quando comprei a loja do Seu João, paguei a ele Ba$ 75 mil (75 mil bananas , lembrando que Ba$ 1 não vale R$ 1, ok?), gastei mais Ba$ 30 mil na reforma. Logo o investimento total que fiz na loja foi de Ba$ 105 mil. Atualmente o faturamento bruto da loja é Ba$ 110 mil mas não tirei Ba$ 0,01 dela ainda... Como ficaria o retorno do investimento no meu caso? Ainda não tive o retorno porque não fiz retiradas? Os lucros reinvestidos entram na soma do valor investido? Foda-se! A loja vale Ba$ 600 mil, se eu vender hoje, coloco os Ba$ 105 mil que tirei do bolso novamente dentro dele e ainda coloco o troco. Se não vender e decidir parar de reinvestir os lucros colocarei pelo menos Ba$ 15 mil mensalmente no meu cofrinho e os Ba$ 105 mil continuarão lá, investidos. Deu pra entender?

É por essas e outras que sou extremamente cético com textos sobre empreendedorismo. Se as pessoas consideram essa besteira como algo relevante e esquecem do que realmente importa, que é a rentabilidade líquida, não posso dar credibilidade a esse tipo de matéria. Aí você pode me perguntar: "Corey, todo mundo usa esse parâmetro pra analisar uma empresa, só você está certo e todos errados?" Eu respondo: Posso estar errado, mas não estou sozinho, o português da padaria, dono de metade do bairro está comigo, o japonês dono da quitanda também, o Seu Jorge da farmácia também está pouco se lixando pro retorno do investimento... Você, sabichão de internet pode não dar valor pra esses caras, mas são eles que durante décadas fizeram e continuam fazendo muito dinheiro com comércio. Jamais desvalorize essas pessoas, elas podem ser simples, sem conhecimentos sobre siglas da Bovespa mas sem dúvida, sabem ganhar dinheiro. Aprenda mais com elas e menos na internet. Arrisco dizer que 95% do material sobre empreendedorismo que achamos na rede é totalmente irrelevante se não errado e utópico. Na prática, o buraco é mais em baixo...

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2015

Vídeo - "Por que eu não vivo no Brasil?" - por Alex

O Alex é dono de um interessante canal no Youtube chamado America Uncut, ele mora nos EUA a muito tempo, ficou fora de status, se legalizou por casar com uma cubana e hoje leva uma vida tranquila trabalhando na construção civil no sul da Flórida. Seus vídeos são interessantes porque ele não é um vislumbrado recém chegado aos EUA que acha tudo perfeito, como o próprio nome sugere, ele conta a verdade, sem cortes, do que é viver na América (mi mi mi, Brasil também é América! Vai se foder!).

Esse vídeo que apresento a vocês hoje é o mais recente onde ele argumenta o porquê não quer mais voltar a viver no Brasil. Contra fatos não existem argumentos, e é impossível não concordar com as razões relatadas por ele. Esse vídeo veio a calhar com o assunto debatido aqui nesse blog nos últimos dias após minhas postagens sobre os empresários que estão deixando o sucesso financeiro no Brasil e mudando pra outros países e minha breve análise das cidades pequenas da Flórida. Alguns comentários questionaram-me da vida "sem graça" que se vive nos EUA, onde as ruas são limpas, planejadas, sem buracos; onde as pessoas não ficam se agarrando e gritando umas com as outras nas ruas; onde você não frequenta a casa dos amigos com tanta frequência como no Brasil; onde supostamente a comida é ruim, etc.

Acredito que tudo é uma questão de valores e preferências, tem gente que realmente gosta de bagunça, gosta de viver rodeado de "amigos", de beber 3 vezes por semana, de frequentar a casa do vizinho, de fazer churrasco todo domingo e chamar quem quiser ir, que gosta de carnaval e suas consequências como praias e estradas lotadas, disseminação de DSTs, de desfiles repetitivos das escolas de samba, etc. Essas pessoas estão erradas? Não, claro que não! Há gosto pra tudo... Particularmente eu prefiro uma vida "sem graça", pagar que seja 50% de impostos mas ter retorno, viver numa cidade planejada onde é possível se deslocar sem GPS porque a localização das ruas é óbvia; eu jamais recebo amigos em casa, fazemos reuniões em bares e restaurantes. Aliás, nem tenho tantos amigos, boa parte dos meus amigos de verdade não estão mais no Brasil (seria coincidência?), portanto fazemos "churrascos virtuais por Skype" pra confraternizar...

Eu sempre digo uma coisa: se você visitar um país de primeiro mundo, seja EUA, Canadá, países da Europa (por mais fodidos são melhores que o Brasil) e não sentir a mínima vontade de morar lá é porque seu lugar definitivamente é o Brasil. E se você está morando num país desses e só reclama, se tudo está ruim, se você não consegue conviver com pessoas "frias" (eu prefiro chama-las de educadas), fique a vontade, o Brasil te espera e ao menos que você renuncie a cidadania brasileira, você poderá morar aqui a qualquer momento. Faça esse favor pra você, pra sua família e amigos (tenho certeza que eles sempre preferirão que você esteja por perto) e também aos brasileiros que querem e gostam de viver no exterior, deixe-os viver a vida por lá em paz.

Segue o vídeo do Alex, insisto para que assistam até o final, vale a pena pra todos, para reforçar a ideia de sair do Brasil para quem, como eu, deseja e também para abrir os olhos dos vislumbrados pelas terras tupiniquins.


sexta-feira, 6 de fevereiro de 2015

Cidades Pequenas nos Estados Unidos

Primeiramente gostaria de parabenizar os leitores desse blog, as discussões estão em altíssimo nível, estou conseguindo atrair gente inteligente o que está bem raro hoje em dia. Olhe os comentários do meu último post e entenderá o que estou falando.

Quando penso numa cidade pequena brasileira é uma
imagem assim que me vem na cabeça
Quando falamos em cidade pequena nos vem a mente uma cidadezinha pacata, com meia dúzia de ruas, uma igreja, agência dos Correios e Banco Do Brasil, uma praça com coreto, aposentados jogando dominó, um boteco sujão, ruas de paralelepípedo e pouca coisa além disso. Será que as cidades pequenas americanas também são assim?

Essa foi a região da Flórida que
visitei
A resposta é um sonoro NÃO. No começo de janeiro fiz uma viagem de carro por todo o centro-sul da Flórida. É sempre um prazer dirigir nos EUA, ano passado rodei mais de 5.000 e cortei 5 estados, passando por paisagens diversas, calor, frio, seca, chuva... Só uma coisa não mudou: a qualidade das estradas, sempre um tapete, com acessos e saídas absolutamente seguras, sem pedágios, sinalização abundante, comércio e serviços completos... Esse ano devido a falta de tempo e planejamento decidi focar somente no centro-sul da Flórida, o objetivo era sair do eixo turístico Miami- Orlando e embrenhar nas cidades pequenas, pra saber como são e colher informações de maneira a amadurecer as ideias na cabeça, afinal meu principal plano de emigração é a compra de uma empresa nos EUA que pode me dar um visto L1 e caminho ao Green Card (falei sobre isso aqui).

A primeira coisa que me chamou a atenção é o fato de ser difícil mensurar o tamanho da população e mesmo extensão territorial de uma cidade americana estando dentro dela. Explico: as cidades são muito parecidas, possuem características em comum independente do tamanho:
  • Possuem grandes redes varejistas com lojas enormes como WalMart, Target, Home Depot, Best Buy. Por exemplo o WalMart de Haines City, que tem pouco mais de 20 mil habitantes tem o mesmo tamanho dos WalMarts de Orlando, com mais de 2 milhões de pessoas.
O WalMart de Haines City, cidade com 20 mil habitantes é tão grande que nem dá pra ver direito, mas é aquele prédio bege a direita da foto, atrás das árvores. Note a largura da avenida.
  • As cidades pequenas possuem praticamente todas as redes varejistas e de franquias que as grandes. Mesmo numa cidade de 5 mil habitantes você encontrará Mc Donalds, Starbuks, Wendys, Five Guys, UPS, Holiday Inn, etc. 
  • Não é incomum encontrar aeroportos, mesmo que pequenos, em cidades pequenas. Avon Park tem menos de 9 mil habitantes e tem um aeroporto estruturado pra receber aviões de pequeno porte.
  • Cidades pequenas possuem as mesmas avenidas largas, de 4 pistas que as cidades grandes possuem. Nos EUA tudo se faz de carro, todo mundo tem carro, então eles priorizam as vias de alto fluxo.
  • As sinalizações de trânsito são idênticas em qualidade e quantidade que nas cidades grandes.
O fato que me deixou bem empolgado em relação a Flórida é o fato de ser um estado em crescimento. A Flórida é um estado pouco urbanizado, com vasta vegetação em todos os lugares, relevo extremamente plano (não existe morro algum), abundância de água devido a incrível quantidade de lagos. Junte a essas qualidades o preço de terra ser bem baixo e terás um prato cheio para o crescimento. As plantações de laranja e outros cítricos são abundantes, principalmente no centro-sul. Tudo na Flórida é mais barato que boa parte dos outros estados americanos, nas cidades pequenas o preço dos imóveis, é ainda mais baixo que as pechinchas de Orlando, por exemplo. As cidades pequenas possuem bairros inteiros em construção, outros percebe-se que estão começando a ser loteados. Ao contrário do Brasil, nos EUA você não compra o terreno e depois constrói a casa. Você compra a casa pronta, as construtoras devem seguir padrões arquitetônicos e de segurança, dessa maneira os bairros são padronizados, nada de gambarras e puxadinhos e as casas são resistentes a furacões tão normais na região.

Muitas vezes cidades são criadas do dia para a noite. O que chamamos de bairros em São Paulo são cidades nos EUA, existem muitas cidades minúsculas o que favorece o governo, o prefeito consegue ter um controle melhor sobre a cidade por ter menos espaço pra se preocupar. O governo municipal é muito próximo da população que se envolve ativamente na política. Será que é por isso que vemos gramas verdes, ruas limpas, sinalizações impecáveis, nenhum poste ou fios pendurados, crianças vão todas de ônibus pra escola independente da classe social? Não, acho que não, o certo é o que acontece aqui no Brasil (sqn).

Cidadinhas num raio de 100 milhas de uma cidade grande são consideradas cidades-dormitório. Na cultura americana não há nada de absurdo rodar 100 milhas (160km) pra chegar no trabalho (o cara vai gastar menos tempo que ir de Santo Amaro para o centro de SP no horário de pico). Essas cidades possuem subúrbios (bairros residenciais) enormes com trocentas casas e condos (condomínios de apartamento para locação). Não se permite comércios dentro dessas zonas residenciais, mas todos esses "bairros" possuem uma vasta quantidade de comércios nas suas avenidas de acesso ou centros comerciais próximos, os chamados "malls" que nada mais é que um mini-shopping a céu aberto com um estacionamento enorme na frente. São exatamente esses malls que me chamaram a atenção.

Típico Mall americano, em Orlando


Todas as cidades americanas que visitei possuem malls, esse é o padrão de comércios nos EUA, aqui no Brasil temos ruas comerciais, lá eles tem os malls. Nesses malls normalmente você encotra uma loja âncora, de marca conhecida e enorme, como um WalMart, uma Best Buy ou um Home Depot e lojas menores que normalmente são franquias ou de propriedade individual sem marca. Nas regiões com grande número de imigrantes normalmente essas lojas individuais e mesmo as franquias menores são de propriedade de estrangeiros. Lembram de quando o governo caçou o visto de investidor do indiano dono da conveniência em Springfield onde os Simpsons moram? Pois é, imigrante tocando loja nos EUA é cultural.

Este posto de combustível na região de Orlando
 está a venda por 90 mil dólares
É justamente aí que está o meu interesse! Uma loja como uma conveniência, um posto de gasolina (são baratos nos EUA), uma loja de 1 dólar, um pequeno super mercado ou uma prestadora de serviços instalado num mall de uma cidade pequena americana. Por que uma cidade pequena e não uma grande? Simples: crescimento. Como disse, várias cidades parecem canteiros de obras, casas surgindo em todos os cantos possíveis, com isso mais gente morará na cidade, mais os comércios serão fortes... Simples, muito simples... Outra grande vantagem nisso é ficar longe das colônias brasileiras. Brasileiro quando chega nos EUA se instala em cidades com grande número de brasileiros, isso é ótimo pra quem precisa descolar um emprego, comprar um carrinho usado ou ter serviços feitos por compatriotas, acontece que pra mim, que deixarei o Brasil justamente por causa dos brasileiros, é preferível ficar longe deles. Outro fator importantíssimo é o idioma, enfiado em casa de brasileiro você jamais falará inglês. Patriotas, joguem as pedras!

Subúrbio de Ponciana, uma cidade de 80 mil habitantes, veja
a organização geográfica das casas
As cidades americanas crescem com planejamento, com bairros planejados (olhe o Google Maps de qualquer cidade americana, você verá um quadriculado de ruas, isso é planejamento), zonas comerciais, residenciais, infra estrutura de transporte (não público porque não é o forte deles, mas estradas e avenidas de qualidade), centros médicos, escolas (51% do equivalente ao IPTU vai para as escolas) e serviços públicos. A construção de madeira permite uma expansão rápida, cm menos de 1 ano é possível sair de uma terrenão cheio de mato a um bairro de casas com gente morando, tudo é muito dinâmico em parte graças a eficiência pública e livre mercado que estimula a concorrência. Até as poucas ruas sem pavimentação da zona rural são bem cuidadas, são estradas construídas para serem estradas, aguentam caminhões sem esburacar, somente não possuem pavimento. É tudo absurdamente diferente do Brasil que eu poderia ficar aqui até amanhã...

Quando falamos em país desenvolvido como os EUA imaginamos que verbo desenvolver no passado significa que está tudo pronto e que não há mais nada a ser feito, explorado ou desenvolvido. Errado! Os EUA são enormes, um país muito desenvolvido mas com muitas áreas a serem exploradas, eles se preocupam em espalhar as coisas pelo imenso território. Eles não tem, por exemplo, uma São Paulo, que concentra não sei quantos porcento das indústrias do Brasil, tudo é espalhado, construído com espaço de sobra, isso leva a um esparramamento das cidades, das casas, dos comércios, de tudo! Com isso ainda existe muito o que ser desenvolvido e muitas chances pra quem quer empreender.

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2015

Nem o Sucesso Financeiro nos Segura no Brasil

Hoje pela manhã Bia me chamou atenção para um texto que está rolando no Facebook. Esse texto tem 100% a ver com nossa realidade de vida, somos empreendedores de sucesso querendo sair do Brasil o mais rápido possível.

O texto, escrito por Fabio Zugman cita um trecho do programa Conta Corrente da Globo News onde um empresário do setor de Food Trucks que aparentemente está no auge do sucesso devido a explosão de popularidade dessa modalidade na cidade de São Paulo (após décadas de leis imbecis que somente permitiam a venda de Hot Dog nas ruas da cidade) diz com todas as letras que não tem a mínima pretensão de expandir a empresa e que seu sonho é vende-la e sair do Brasil. O tom de sinceridade do cidadão deixou até o entrevistador sem graça. Vejam:


O texto do Fabio é extremamente realista, o que mais me chamou atenção foi a seguinte frase: "Como disse outras vezes, não é uma questão de partido, da cor da camiseta ou aquele blá, blá, blá de esquerda ou direita. A questão é o tipo de sociedade que estamos criando e o tipo de país em que queremos viver.". O grande problema do Brasil não é a política e sua roubalheira, o problema é a sociedade brasileira, as pessoas, vivemos numa sociedade podre, de inversão de valores absurdamente grande, onde se valoriza tudo o que há de mais errado e sujo e se condena o trabalho e as ações que levam pessoas ao sucesso, sucesso esse que é visto com olhos tortos por grande parcela da sociedade.

O principal motivo que me faz querer deixar o Brasil e encarar todos os problemas inerentes a essa decisão não é financeiro, assim como o cara do vídeo, eu tenho sucesso financeiro no Brasil, poderia facilmente me incluir na classe alta, tudo seria questão de tempo porque sei como ganhar dinheiro por aqui, porém o buraco é mais em baixo. Pra ganhar dinheiro de verdade nesse país é necessário entre outras coisas passar por cima de questões éticas e de honestidade; encarar ineficiência extrema por todos os lados, sem contar dos problemas de sempre como violência, educação, infra estrutura... Enfim, fico contente por saber que mais gente além de mim quer sair do Brasil e o motivador não é financeiro. Essas pessoas, assim como eu, querem viver numa sociedade menos podre e num ambiente mais favorável a vida.

domingo, 1 de fevereiro de 2015

Resumo - Janeiro/2015

Janeiro voou! Eita mês pra passar rápido! Foi um mês bem intenso, comecei com uma viagem "surpresa" para a Terra do Tio Sam, Bia tocou o foda-se na empresa e arrumou uns dias de folga, compramos tudo para a viagem (avião, hotéis, aluguel de carro) e nos planejamos em apenas 3 dias. Fica a dica, passagens compradas em cima da hora podem ter excelente preço, pagamos bem barato, menos até que no ano passado quando nos programamos com 6 meses de antecedência. Usei cupons de desconto em hotéis, aluguel de carro e até pra pagar gasolina (USD 1,80 o galão, nunca pensei que pagaria tão pouco por gasolina!!!), gastamos pouco e rodamos muito na Flórida, fugimos do circuito turístico, conhecemos cidades interessantíssimas onde só se fala inglês (sim, isso é possível na Flórida) e isso nos deu ainda mais ânimo para trabalhar, levantar grana e deixar o Brasil o mais rápido possível.

As lojas foram muito bem, a antiga teve elevação de vendas em torno de 10% em relação a 2014 o que considero uma vitória, a nova continua crescendo, dia após dia. Estou tendo sérios problemas com equipe, não estou conseguindo equalizar a quantidade de funcionários/funções para rodar legal, acredito que quando o faturamento estabilizar isso será mais fácil. A loja nova já retornou 60% do investimento realizado, o que não quer dizer muita coisa (veja os posts para fevereiro) mas é um parâmetro interessante a ser analisado. Fiz a troca de fachada e nome fantasia na loja antiga para igualar com a nova, usando a marca que eu e meus companheiros criamos, até março pretendemos fazer o mesmo nas lojas deles também, criando uma imagem de rede. A partir do segundo semestre vamos formalizar e investir nisso.

Os investimentos financeiros continuam no piloto automático, continuo consumindo os proventos dos FIIs, isso continuará até eu "retirar" o valor investido na loja nova, de onde não tenho pro-labore, por enquanto. Outros negócios voltaram a aparecer, começo de ano é época que a galera que está com a faca no pescoço decide se desfazer de suas empresas e tentar salvar o ano. Estou analisando, por enquanto, nada excepcional, mas se surgir não pensarei duas vezes pra me desfazer da carteira de FII (mesmo tomando prejuízo), TD e poupança. Eu quero é fazer dinheiro!!!

Infelizmente não consegui cumprir a promessa de postagens em janeiro, então vou colocar as que fracassei na lista junto com mais algumas:
  • Arrendamento de comércios (o assunto que mais recebo emails)
  • Quanto, como e onde investir na reforma, montagem e manutenção de uma loja de varejo (sugestão do BBB)
  • O mito do "Retorno do Investimento" em empresas
  • Quais as diferenças entre uma cidade em desenvolvimento americana e uma brasileira? Ainda existem chances num país já desenvolvido?
Se sobrar tempo, vou tentar falar algo sobre relacionamento ou alguma história de vida. O que vocês preferem?

Bom fevereiro a todos, pelo amor de Deus, usem camisinha no Carnaval!
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