segunda-feira, 19 de junho de 2017

Despesas Mensais (Revisited)

Começarei a revisitar alguns posts ou assuntos que já foram tratados no passado, acho legal ver como as coisas mudam no decorrer dos anos, como as opiniões mudam, ideias novas surgem...

O primeiro post com essa temática é o de hoje, onde falo sobre minhas despesas mensais. A ideia de começar por aqui surgiu a partir de um comentário do nosso amigo Viver de Renda num comentário do meu último post:


Corey, como q vc paga 4,5k pagando aluguel, condominio, plano de saude pra 2 pessoas em sp-sp? Se puder detalhar os gastos eu agradeceria!
 O VR não foi o primeiro a questionar como Bia e eu vivemos com 4.500,00 por mês, outras pessoas já fizeram a mesma pergunta e o engraçado que o mesmo aconteceu 5 anos atrás quando divulguei pela primeira vez minhas despesas. Veja o post antigo aqui.

Na ocasião, em 2012, coloquei as despesas da seguinte maneira:


Habitação
condomínio, luz, gás, tv a cabo, internet, faxina
450,00
Saúde
plano de saúde, farmácia, veterinário
400,00
Lazer
saídas de fim de semana, viagens
800,00
Mercado
compras de mercado, padaria (não inclui restaurantes)
600,00
Carro
combustível, manutenção
300,00
Impostos
IPVA, IPTU, seguros, licenciamento (não inclui IR e entidade de classe)
300,00

total
2.850,00


O detalhamento ficou bem meia boca então decidi fazer melhor dessa vez, atualmente nossas despesas são:


Habitação  R$ 1.338,00
Combo TV+internet  R$ 150,00
Celular  R$ 80,00
Netflix R$ 19,90
Luz  R$ 75,00
Mercado  R$ 850,00
Restaurante  R$ 250,00
Transporte  R$ 200,00
Lazer  R$ 150,00
Plano de saúde  R$ 218,00
Farmácia  R$ 50,00
Veterinário  R$ 150,00
Manutenções  R$ 50,00
Provisão despesas anuais R$ 150,00
Educação R$ 400,00
Diversos  R$ 200,00
   
TOTAL MENSAL R$ 4.330,90

Bom, vou detalhar cada item para que vocês entendam os porquês dos valores e decidam se é muito ou pouco:

Habitação: em 2012 eu ainda morava no meu apartamento próprio, logo a despesa que tinha em relação a isso era somente o condomínio que se me lembro bem era menos de R$ 200,00. Na ocasião coloquei luz, gás, internet e faxina no mesmo bolo. Hoje moro de aluguel, pago entre aluguel, condomínio, IPTU, seguro, gás e água (esses dois inclusos no condomínio) o total de R$ 1338,00. Esse valor já foi perto de 3k quando morávamos num bairro nobre. Hoje estamos num bairro periférico não tão ruim que no momento em que nos mudamos para cá fazia sentido, hoje já não faz mais. Provavelmente esse valor aumentará consideravelmente nos próximos meses devido a uma quase certa mudança, vantagens de morar de aluguel...

Combo TV e Internet: aqui sem mistérios, é o combão velho de guerra da Net. Tenho meia dúzia de canais (alguns a mais do pacote básico e 15MB de internet. Aqui entra uma coisa que vejo todo mundo falando mas que na prática não funciona (ao menos no Brasil): impossível pagar somente a internet, se pudesse eu faria, afinal pouco assisto TV, mas a Net sempre quer casar venda, portanto, deixa os canais... Nesse combo tem telefone fixo também mas a 9 anos não usamos mais (nem sei o número).

Celular: tive pós pago durante 2 anos, a ficha caiu que é uma furada e a 10 anos voltei a ter pré. Coloco 40 conto de crédito no meu e no da Bia todo dia 1º (deixo programado), esse valor é suficiente pra internet (1GB por semana). Jamais fazemos ligação pelo celular, quando uma ligação se faz necessária (o que é raríssimo hoje em dia) utilizamos o Skype onde 20 merréis de crédito dá pra mais de 6 meses e pouco importa a operadora, se é interurbano ou internacional, o valor por minuto é praticamente o mesmo (fica a dica).

Netflix: pagamos mais pela Bia que curte filmes, eu quase nunca assisto filmes mas gosto de algumas séries, enfim, 20 conto não mata ninguém.

Luz: todas as lâmpadas do apartamento são de Led (obrigado landlord!), não temos ar-condicionado (felizmente dá pra ficar sem, o sol não bate diretamente de frente), a geladeira é pequena e nova e não temos muitos cacarecos de cozinha que funcionem a eletricidade, o que consome mais é o chuveiro. Observação: durante mais de 10 anos esbravejei aos 7 mares que chuveiro elétrico é uma merda e que vale a pena investir o dinheiro que for num aquecedor a gás para ter um banho quente de verdade melhorando assim a qualidade de vida. Bem, quando mudamos pra cá tinha somente um chuveiro e o local de instalação do aquecedor, decidimos tentar ficar com o chuveiro mesmo e se o bicho pegasse, instalaríamos um aquecedor por conta. Vamos para o segundo inverno com o tal chuveiro, finalmente achei um que presta, claro que não é perfeito como o gás mas dá muito bem pra usar. Opiniões foram feitas para serem mudadas!

Mercado: Inclui toda comida comprada pra preparo em casa e demais coisas de mercado, em 2012 gastávamos 600 conto com mercado, hoje em torno de 850. A inflação pegou pesado porém de outro lado mudamos (e ainda estamos mudando) vários hábitos alimentares. Bia e eu temos uma alimentação nada sofisticada e de uns tempos pra cá paramos de consumir álcool (post sobre isso em breve) e estamos diminuindo muito coisas industrializadas, estamos cozinhando muito, praticamente tudo o que comemos é feito from scratch por nós mesmos. Impressionante como isso derruba o preço da alimentação e olhe que sou um carnívoro de carteirinha, mas não ligo pra carnes sofisticadas, como basicamente: frango (filé e sobrecoxa), porco (filé e pernil (tá bom, costelinha de vez em quando!)) e bovino é mais alcatra bife grelhado, peixinho cozido (fica a dica de uma carne de segunda muito barata e muito boa), carne moída e contra filé que compro peça e faço steak pra grelhar.

Restaurante: é toda comida comprada na rua, inclui refeições, café, lanches, etc. Aqui é algo muito relativo, atualmente estamos fazendo praticamente todas as refeições em casa porque estamos sem trabalhar, óbvio que isso facilita muito mas mesmo trabalhando temos o hábito de levar marmita. Aliás nada melhor que marmita, tenho alimentação simples mas sou fresco pra comer então saber exatamente o que terei pro almoço é importante. Outro motivo é que comemos tanto em restaurante durante as viagens que já enjoou.

Transporte: inclui gasolina, Uber, ônibus, metrô. Acho que esse valor está muito alto e o principal motivo disso é que estamos morando num lugar onde não se faz praticamente nada a pé, se mudarmos pra outra região esse valor deve cair mais ainda. Penso assim: se preciso ir ao local X e ele fica a menos de 60 minutos de distância a pé e não tenho pressa eu vou a pé ou de bicicleta. Isso me faz economizar dinheiro e gastar calorias. Entenda que isso não tem a ver com mesquinharia ou pão durice, é algo meu. Desde moleque eu usava bike como meio de transporte ou fazia longas caminhadas, eu gosto.

Lazer: Olha como as coisas mudam com a idade! Em 2012 coloquei 800 pilas pra lazer que incluía viagens e baladas. Posso afirmar que de viagem isso aí quase não tem, grande parte desse dinheiro era gasto com balada. Bia e eu estávamos numa fase de sair 2, 3 vezes por semana e mesmo tendo "os esquema" pra não pagar tanto é claro que uma boa grana ia nisso (só de valet e gasolina...). Hoje enjoamos da night, saímos no máximo 1 vez no mês e olhe lá. Aqui também incluo R$ 35,00 do Club Smiles (é, eu sei, disse que pararia de juntar milhas... explicarei melhor em outro post).

Saúde: Aqui os números se mantiveram. Pagamos menos pelo plano de saúde hoje que a 5 anos atrás, graças a um plano coletivo que fiz quando ainda tinha as lojas, continuamos pagando o plano de lá (era menos de R$ 200,00 até mês passado, mas esse mês veio com aumento devido idade). Farmácia é muito raro, somente alguma coisa esporádica, não consumimos nenhum tipo de medicamento de uso contínuo. Veterinário é aquilo: passa vários meses sem usar, aí quando precisa é uma paulada de uma só vez, por isso fiz uma média. A única coisa que gastamos com o cachorro além do vet quando precisa é ração e remédio. Banho só em casa (sempre foi assim).

Manutenção do carro e moto: aqui é um kinder ovo, é sempre uma surpresa. Meu carro tem 20 anos e por mais que está em forma, sempre aparece uma coisinha ou outra pra arrumar. A moto por outro lado é só colocar gasolina e andar (aliás não existe meio de transporte mais eficiente que uma moto de baixa cilindrada).  O valor é baixo porque quase não dirigimos: cerca de 200, 300km por mês no carro e outro tanto na moto.

Provisão despesas anuais: separar por mês o que você tem que pagar por ano é tão óbvio mas não conheço ninguém que o faça. Bem, eu sempre fiz e sempre deu certo. Em 2012 separava R$ 300,00 por mês pra isso e não dava pra pagar IR e entidade profissional. Hoje separo R$ 150,00 e pago as entidades de classe tanto minha quanto da Bia e seguros dos apês (IR é outra história). Isso é graças a não pagar IPVA nem seguro no carro e pagar menos de R$ 60,00 de IPVA da moto (por outro lado o seguro obrigatório da moto machuca).

Educação: decidi incluir esse item, aqui estão os cursos e aulas on-line que fazemos. Aprender de graça é bom mas nem sempre é o suficiente.

Outros: Todas as categorias acima são controladas através do cartão de crédito (sim, eu também disse que ia usar débito...), pagamos tudo que for possível com cartão. A categoria outros é basicamente dinheiro que sacamos e utilizamos em cash mesmo, logo é difícil de controlar pra onde está indo, saber o quanto é gasto dessa maneira é o suficiente pra mim.

Em 2012 o pagamento das despesas entre Bia e eu era feito da seguinte maneira:
Cerca de 20% desse valor é pago por minha esposa, essa razão tende a aumentar com o aumento da renda dela. Despesas do dia-a-dia, roupas, anuidade de entidade de classe e supérfluos são pagos por cada um, não dividimos, cada um gasta como achar necessário. No meu caso esses gastos não ultrapassam 300 reais por mês.
Hoje é bem diferente. De uns anos pra cá abolimos isso de você paga X e eu pago Y e instituímos o socialismo de casal, ou seja, todo mundo coloca e tira dinheiro de uma só conta. Pra gente pelo menos funciona muito melhor porque um acaba policiando o outro e principalmente por facilitar as contas. Lembre-se que tento levar o minimalismo e simplicidade pra todos os campos da minha vida.

Algumas observações:
  • Não incluí na planilha os gastos com viagens porque isso é muito relativo. Esse ano gastamos mais de 30k nisso porque tiramos um sabático mas esse número não é normal então prefiro não colocar. 
  • Despesas com roupas também não foram contabilizadas porque entram no orçamento das viagens, só compramos roupas nos EUA anualmente e vez ou outra alguma coisa que realmente precisamos. Isso deve dar em torno de 200, 300 dólares por ano.
  • Não damos presente pra ninguém portanto não temos orçamento pra isso.
  • Também não orçamos eletrônicos porque não gastamos com isso a não ser se for necessário. Dois celulares por menos de mil reais foi nosso gasto do ano passado.
  • Faz muito tempo que não pagamos faxineira, nós mesmos limpamos o apê.
  • No momento não estamos fazendo academia, mas isso deve acontecer em breve o que encarecerá em torno de 180, 200 reais por mês.
  • Todos os valores acima são médios dos últimos 12 meses. 

Nosso orçamento pode parecer grande pra uns e apertado pra outros. Acredito que a maioria dos leitores devem achar apertado e por isso vou explicar pra esses: nosso estilo de vida não é forçado, não vivemos a miojo e água, a economia que fazemos é natural e sacrificamos pouco pra isso. Talvez eu sacrifique de ter um carro melhor, afinal sou um cara que gosta de carros, mas a razão me diz que o atual é mais que o suficiente (se parar pra pensar nem deveria ter carro). Bia talvez sacrifique uma tranqueira ou outra de mulher (maquiagem principalmente) mas tenho certeza que não é big deal pra ela. Os gastos dependem do estilo de vida, quanto mais simples sua vida, menos você gasta. Quanto menos coisas você tem, menos você gasta (porque coisas trazem despesas fixas). Não estou aqui pra dizer que meu estilo de vida é melhor que o seu, estou somente relatando minha experiência. E aí? Como estão suas despesas? Muito diferentes das minhas? Comentários please!

terça-feira, 13 de junho de 2017

Simplificando os Investimentos - Imóveis de Locação

Hoje vou falar um pouco a quantas andam meus investimentos, como sempre faço vou dar um resumo: estou 80% em imóveis e 20% em FIIs. Vou tentar explicar os porquês:

Após o negócio que deu errado, meu medo de arriscar, que já era alto, aumentou mais ainda. Podem me chamar de cagão, porque é isso que sou. Tenho muito medo de perder dinheiro, afinal pra cada 50% de perda são necessários 100% de ganho pra amortizar. Essa minha aversão ao risco vem de muito tempo, quando moleque vi meu pai sendo completamente irresponsável e temerário com dinheiro, vivemos sempre nos altos e baixos devido as decisões de merda que o velho tomou a vida toda. Acredito que isso criou algum tipo de "trauma" na minha cabeça e a ideia de quebrar sempre foi assustadora, desde muito moleque prometi a mim mesmo que não queria ficar rico e sim jamais quebrar, jamais ter baixos mesmo que os altos não fossem tão altos assim e demorassem pra chegar.

Outra característica da minha personalidade que ajuda a explicar minhas últimas decisões financeiras é a preguiça de aprender coisas que não me atraem. Eu gosto de estudar, de pesquisar, de me aprofundar em assuntos, mas somente naquilo que me interessa, que me dá prazer em aprender. Confesso que investimentos não é mais (se é que um dia foi) um assunto que me dá prazer de ler. Quando comecei esse blog, em janeiro de 2012 eu acreditava estar gostando do assunto, achava legal aprender sobre bolsa, fundos e demais investimentos. Acabou, não tenho saco pra estudar sobre isso, se não estudo, não entendo; se não entendo, não invisto. Simples! Sei que isso pode doer no ouvido dos colegas de blogosfera que tanto estudam e colocam em prática seus conhecimentos através de investimentos assertivos e posts maravilhosos; porém essa é a minha realidade.

Não estou dizendo que sou mais espertão que os brothers que investem em ações, muito pelo contrário, se tem alguém perdendo dinheiro aqui esse alguém sou eu, o bestão preguiçoso aqui é que fica enfiando dinheiro no cu por ser vagabundo e não investir em modalidades mais rentáveis. Acontece que tenho algumas vantagens do meu lado: sou minimalista, tenho uma vida frugal e barata (por vontade, nada obrigado), não tenho filhos que demandariam muito mais dinheiro, sou casado com uma mulher cuja expectativa de vida vai ao encontro a minha (diria que isso é 50% da razão de estar tudo dando certo) e consegui ganhar uma grana bem interessante, bem maior que a grande maioria das pessoas conseguem fazer até a minha idade (middle 30s). Resumindo eu tenho grande entrada e pequena saída de dinheiro.

Mesmo investindo de maneira porca o volume de dinheiro que consegui aportar é mais que suficiente pra me gerar renda passiva suficiente para cobrir minhas despesas, ou seja, investimentos preguiçosos me levaram a independência financeira. Isso não quer dizer que ganhei milhões de reais e tenho 7875672563 imóveis de aluguel, nada disso. Minha carteira é do tamanho suficiente para minhas necessidades.

Quando vendi as 3 lojas em 2016 peguei uma boa quantia em grana que foi aportado em FIIs, mesmo não estando muito contente com essa modalidade na época (mais num post futuro), decidi que era melhor colocar dinheiro nisso que deixar boiando na poupança, além disso na minha cabeça dinheiro investido é dinheiro desaparecido, ou seja, uma vez que comprei FIIs é como se não tivesse mais aquele dinheiro. Isso traz tranquilidade o que pra mim tem um valor bem elevado. Além disso entrou no rolo alguns imóveis e prestações. Os imóveis já estavam alugados e possuem esse perfil: de locação. Nesse meio de tempo eliminei minha posição em TD e CDBs sendo essa grana distribuída para FIIs e imóveis.

Nesse meio de tempo arrisquei com um imóvel nos EUA, não curti muito o resultado e o vendi. A grana ficou lá pra comer de Cinnabon e beber de Dr Pepper. Sem detalhar muito o tal imóvel era tipo um quarto de hotel alugado como apartamento, essas coisas estranhas que só existem na gringa. Pode ser um bom negócio pra quem tem vários e consegue pôr certa dose de trabalho em cima, não é um investimento 100% passivo, por isso (e por não entender 100% das nuances do negócio) pulei fora. Não perdi dinheiro e o investimento nem foi tão grande. Talvez coloque parte dessa grana em alguma ação ou fundo americano, mas se não entendo nem os do Brasil...

Bom, hoje tenho FIIs e imóveis de locação. Sim, imóveis, o investimento mais mal falado da internet, aquilo que só dá prejuízo, trabalho, dor de cabeça... É verdade? Sim, claro que é! Mas acontece que nada é tão simples de entender quanto imóveis: é um trem feito de tijolo que você mora dentro. Uma vez que você compra saporra você pode alugar pra outra pessoa. Imóvel vai estar sempre lá e se cair um meteoro em cima o seguro (que custa 100 reais por ano) paga. O retorno do investimento é baixo mas é corrigido pela inflação ano a ano, o que teoricamente acontece com FIIs mas na real é meio obscuro. Inadimplência é um risco contornado por seguro (pago pelo inquilino), fiador ou depósito. Vacância é um risco minimizado por imóvel bom, local bom, preço bom. Meus apartamentos estão localizados em diversas regiões da grande São Paulo e possuem diversas tipologias. Isso ajuda e diminuir o risco. Outra coisa que conta a meu favor é o fato de não depender da renda passiva pra sobreviver, ou seja, se rolar uma vacância ou outra, um preju ou outro, consigo amortizar tranquilamente pois não dependo dessa grana (obs: no momento estamos vivendo sim da renda passiva, mas em breve voltaremos ao trabalho e por menos que Bia e eu ganharemos, será mais que suficiente pra cobrir nosso padrão de vida, ou seja, os aluguéis serão reinvestidos) Simples assim!

Ah, mas Corey, e a bolha imobiliária? Respondo: fazem 10 anos que ela está pra estourar, nesse meio de tempo quem ficou esperando o estouro ganhou zero reais e quem comprou, vendeu, alugou? Quanto dinheiro ganhou? Não sei se tem bolha ou não, não sei como será o futuro da economia (até porque mal sei que o presidente é um tal de Temer), mas sei que as pessoas continuarão precisando morar em algum lugar, continuarão formando famílias novas que precisam de teto, que os prédios de apartamentos duram séculos... Quem se preocupa com a bolha imobiliária é a mesma pessoa que assume o risco de confiar em relatórios de empresas pra enfiar seu dinheiro ali. Cada um assume um tipo de risco, imóveis pra mim possuem um risco razoável.

Tento levar minha vida de maneira mais simples possível, Bia e eu percebemos no decorrer dos anos que sempre que simplificamos algo isso nos trás grande ganho de qualidade de vida, o que é inversamente proporcional quando complicamos algo. Foi assim com o carro barato de 20 anos que nos trouxe liberdade de parar onde quiser, não se preocupar com ralados e pequenos amassados, nem pagar seguro e IPVA. Foi assim quando trocamos 30m² por 80 e viemos morar numa região zoada de transporte público, vizinhança estranha e pouca oferta de comércios (ao menos morar aqui fazia sentido quando nos mudamos). Com investimentos não é diferente, quis ganhar muito em pouco tempo com a última loja e quebrei a cara, por outro lado os imóveis de aluguel só me dão alegria. A vida é simples, a gente que complica!

Imóveis de aluguel tem proporcionado renda e vida tranquila pra milhares (milhões?) de pessoas em todo o mundo durante séculos. Vá em Portugal e tente alugar um imóvel, ele provavelmente será de algum idoso ou viúva que além desse terá outros imóveis. O que os comerciantes italianos costumavam fazer aqui no Brasil? Compravam um terreno, construíam salões no térreo onde instalavam suas lojas e apartamentos para locação no primeiro andar. Quero dizer que esse é o investimento do pacato cidadão, daquela pessoa que não tem sofisticação de conhecimento, pode não ser o mais rentável mas está dentre os mais seguros. Como sempre tento aprender com os erros e acertos dos outros, vou nesse caminho também.

terça-feira, 6 de junho de 2017

Fracasso?

Hoje vou falar um pouco sobre o tal negócio que deu errado, aquilo que considero o maior fracasso da minha vida.

Após vender minhas 3 lojas, descansar alguns meses, viajar e pensar na vida eu precisava fazer algo. Bia e eu perdemos um pouco a vontade de emigrar (acreditamos que não devemos fazer isso agora), arrumar um emprego na minha área de formação me traria muito trabalho e baixo retorno financeiro (embora traria benefícios não financeiros), logo a ideia de comprar outra loja veio a tona. Por quê não fazer uma grana rápida?

A ideia era comprar uma loja quebrada e com um pouco de grana dar uma reformada, estocar e dar um up no faturamento. O esperado era aumentar o movimento em 200% em 4 meses e então "realizar lucro" vendendo-a. Nada diferente do que eu estava acostumado, nada diferente do que eu já tinha realizado. Resumo: a grana necessária foi 50% maior que o esperado, o faturamento aumentou 50% após 8 meses. Vendi a loja por menos que paguei/investi, perdi dinheiro mas poderia ter sido muito mais, esse prejuízo é algo que não fará muita diferença na minha vida, posso "queimar" essa grana sem muita preocupação. A vida não é só dinheiro. Trade de empresas (ou business flipping) é um negócio altamente lucrativo, até que dá errado, rsrs!

Não quero entrar em detalhes dos porquês da coisa ter azedado mas resumindo foi o seguinte: errei a escolha do ponto (no caso, a loja quebrada), errei no tipo de estratégia de vendas para o lugar (bairro classe média-baixa, fora da minha zona de conforto que sempre foi classe média-alta), errei no tipo de produtos e subestimei os concorrentes e a situação que o país se encontra. Acho que não preciso dizer mais nada...

O aspecto mais importante que quero tratar não é o porquê o negócio deu certo ou não e sim o como me sinto perante essa experiência. Mudei muito nos últimos anos, se um "fracasso" desses ocorresse 3 anos atrás eu estaria depressivo e bravo. Nada disso aconteceu! Assumo o fracasso, sei que errei, que quebrei a cara. Na minha opinião assumir isso já me deixa melhor, não tento procurar culpados ou razões porque a culpa toda foi minha, das minhas escolhas e estratégias erradas, logo não preciso justificar isso pra ninguém, só comigo mesmo. Aprendi pra caralho com esse negócio e a lição mais valiosa é que risco sempre existe e que você pode dirigir moto bêbado na chuva várias vezes mas uma hora você vai cair. Eu caí pela primeira vez, e machucou...

Aprendi que tenho forte aversão ao risco e com certeza esse negócio irá mudar várias decisões daqui pra frente, eu sempre lembrarei da loja ruim e do risco que assumi e quebrei a cara. Você pode dizer: "Corey, no pain no gain", e eu digo que sim, acredito nisso, acredito que todos devemos sair da zona de conforto, assumir riscos e ter resultados excepcionais, resultados diferentes daquelas pessoas que ficam sentadas no sofá comendo pipoca. Não se trata de fugir de riscos como o diabo da cruz e sim de saber até que ponto vale a pena assumir esses riscos. Tudo tem um limite, riscos tem limites. O meu limite é bem baixo, não tenho saúde pra ficar arriscando todo o tempo.

Fracassei mas saio de cabeça tranquila por ter feito o que estava a meu alcance, tenho certeza que meu sucessor terá mais sucesso que eu porque a situação dele é completamente diferente, o perfil dele é diferente, enfim, a loja é mais a cara dele que a minha. Fico feliz por isso, por ter passado a "bronca" pra alguém que saberá lidar com ela e não simplesmente ter me desfeito pra qualquer um. Continuo com certo risco envolvido no negócio afinal tenho prestações pra receber e faço votos que o brother lá tenha muito sucesso. O fracasso de uns é o sucesso de outros.

Aprendi que não sou o pica das galáxias do mundo do empreendedorismo que talvez um dia pensei ser, aprendi que sou um Zé Qualquer que teve muita sorte na vida e não um expert no assunto. Agradeço aos Deuses pela sorte e capacidade de fazer a coisa certa tantas vezes e não me queixo por não ter dado certo em todas elas, faz parte. Aprendi que devo ter mais cautela com meus investimentos porque provavelmente não terei mais da onde tirar somas vultuosas de dinheiro (como fiz durante esses anos de empreendedorismo), provavelmente minha fase de acumulação se encerrará com a última prestação que tenho pra receber das lojas. Sabe aquela história de "quem ganhou ganhou, quem não ganhou não ganha mais"? Pois é, se encaixa perfeitamente na minha realidade. Daqui pra frente muito provavelmente terei somente dividendos reinvestidos, nada de grana nova.

No fim das contas encaro esse fracasso como um curso onde paguei (caro) pra aprender a ter mais cuidado com o dinheiro, a ser mais humilde e não me achar fodão só por ter feito coisas certas algumas vezes, onde aprendi o custo do tempo (perder tempo foi o que mais me chateou nessa história toda), etc. Posso estar sendo Poliana e vendo o lado bom de algo ruim mas enfim, é assim que me sinto. Espero que todos sempre possam tirar lições de acontecimentos ruins invés de ficar choramingando e com mimimis.

Como diz a música: "reconhece a queda e não desanima, levanta, sacode a poeira e dá a volta por cima"

quarta-feira, 31 de maio de 2017

Mudar de País? Sim, Mas Agora Não

Durante boa parte da existência do blog venho falando de como o Brasil é uma bosta e da minha vontade e planos para emigrar, agora volto aqui e digo que não quero emigrar agora... justo agora que tenho uma situação financeira legal e nenhum vínculo no Brasil que me segure por aqui, afinal vendi minhas lojas e minha família e amigos resume-se a Bia e o cachorro. Controvérsia? Não necessariamente...

Minha opinião sobre o Brasil em nada mudou, continuo achando um péssimo lugar pra se viver e não vou entrar nesses detalhes agora (até porque qualquer pessoa com 2 neurônios consegue perceber isso). Brasil é um lixo, brasileiro é uma praga. Ponto final. Acontece que a minha vida no Brasil não tão ruim, aliás nem posso dizer que é ruim, pelo contrário, vivo uma vida maravilhosa em terras tupiniquins.

Não existe nada físico que me prenda no Brasil, não tenho mais lojas, não tenho apego familiar algum, não tenho amigos, não tenho "um lugar que amo", nada disso; porém a vida não é somente coisas materiais/pessoas, a vida vai além disso... Bia e eu decidimos ficar mais alguns anos no Brasil por alguns motivos:

1- PROFISSIONAL: ano passado após vender as lojas realizei dois trabalhos na minha área de formação (aos recém chegado, reservo o direito de não dar maiores detalhes sobre no que me formei). Um dos trabalhos foi voluntário e o outro temporário (ganhando uma "merreca" (num post futuro falo mais sobre essa "merreca")). Resumo da ópera: aos 30 e tantos anos, quase 10 anos após formado eu pude finalmente trabalhar naquilo que estudei e que gosto, foi uma das experiências mais fantásticas da minha vida! Pra quem a vida inteira trabalhou 100% por dinheiro ter a oportunidade de trabalhar com algo que realmente sente tesão foi sensacional. Conheci um monte de gente nova, aprendi muito (absurdamente muito) todos os dias, me senti feliz por conseguir ajudar pessoas através do meu conhecimento (fico imaginando como deve ser gratificante para profissionais como médicos e mecânicos cujo trabalho é 100% conhecimento em prol de outras pessoas), fiquei muito feliz em receber feed back positivo, etc.

Na minha idade tenho consciência que nem tudo são flores e que não é possível imaginar que um trabalho full time será tranquilo como um voluntário ou temporário. Também sei que pessoas carniças estão aí por todos os lados tentando foder com a vida dos outros, entendo que todos os trabalhos no mundo tem prós e contras, comigo não é diferente. Bom, o lance é o seguinte: quero dar oportunidade a mim mesmo, trabalhar na minha área de formação durante algum tempo, sentir a "brisa" de fazer algo legal novamente. Durante anos da minha vida repeti que trabalho é uma merda e que quem diz ama trabalhar é doente. Continuo concordando em partes, trabalho é sim uma merda quando você não tem realização pessoal alguma com aquilo, mesmo ganhando muito dinheiro. Quem diz amar trabalhar e coloca trabalho na frente de tudo é sim doente, mas quem faz um trabalho com tesão e o tem de maneira saudável encaixado dentro da vida é afortunado.

Tenho 30 e tantos anos, me formei a quase 10 numa uniesquina da vida, tenho praticamente nenhuma experiência profissional, meus possíveis chefes serão todos mais jovens que eu, mesmo assim tenho a oportunidade de ingressar no mercado de trabalho. Sou abençoado por isso e seria um grande desperdício não aproveitar essa oportunidade. Se eu emigrasse agora jogaria essa chance na lata do lixo porque com certeza daqui 5 anos essa oportunidade não mais existirá. Você pode falar: "Ah Corey! Você pode exercer sua profissão em outro país, você pode fazer diferença no mundo e atingir essa brisa em outro lugar, fazendo outra coisa". Sim, é verdade, aliás parcialmente verdade. Nem vou entrar no mérito da questão da equivalência de diploma (coisa extremamente difícil e muitas vezes impossível) mas o fato é um só: a oportunidade que sempre quis está aqui bem na minha frente, por que caralhos jogar isso fora e arriscar em algo trabalhoso e sem certeza de sucesso?

Nada me impede de ficar por aqui, agarrar uma oportunidade profissional bacana e daqui uns anos quando a "brincadeira" perder a graça me mando pra outro lugar. 30 e poucos anos não é idade pra pendurar as chuteiras.

2- PREGUIÇA: sou preguiçoso e minimalista. Durante muito tempo me enganei pensando coisas do tipo: "vou pro Canadá, estudo inglês, faço um college, arrumo um sponsor e me legalizo", ou: "vou pros EUA, abro uma filial da minha empresa brasileira pelo L1, trabalho duro e em 2 anos tenho green card". Bullshit! Sou preguiçoso pra caralho pra encarar um desafio desses. Tiro meu chapéu pra quem o faz, mas não é comigo, não tenho mais saco pra recomeços sofridos. Quando emigrar será de maneira tranquila, sem problemas com documentação nem esforços sobre-humanos, quero ir tranquilo, arrumar um trabalhinho e ficar de boa, sem sofrimento.

O estilo de vida minimalista te faz ter pensamentos minimalistas e práticos. Se quero trabalhar com algo que posso fazer aqui no Brasil por que vou sofrer pra burro pra emigrar e ainda por cima ficar com a cabeça no "ah, eu deveria ter ficado no BR e trabalhado na minha área..." Não faz sentido! Não vou fazer algo somente pra não me contradizer ou pra afirmar que meus planos estavam certos e que sempre estive certo em querer sair do país. Mudo de opinião mesmo, foda-se!

3- VIDA BOA: a verdade é que Bia e eu temos uma vida bem tranquila tanto do ponto de vista financeiro quanto prático. Atingimos a IF, a renda passiva convertida em Euro seria mais que suficiente pra morar em Portugal, por exemplo, mas aí ficaríamos a mercê de câmbio, uma preocupação que não tenho morando aqui no Brasil. Por aqui continuaremos trabalhando e não mexeremos na renda passiva, aliás é até capaz de rolar aporte.

Nossa vida é tranquila, podemos morar numa kitnet que seremos felizes (aliás, mais felizes que nesse apartamento enorme de 60m² que vivemos hoje), nos blindamos da violência e inveja através da prática da camuflagem: andamos de transporte público, temos celulares de 400 reais, carro de 22 anos, nada de roupas da moda, nada de comentar com "amigo" e parente sobre nossas conquistas financeiras... Enfim, passamos batido na multidão, ninguém é capaz de dizer que temos a situação financeira que temos. Veja que esse comportamento não é forçado, ou seja, não fazemos essas coisas buscando a camuflagem e sim o contrário, fazemos porque é assim que gostamos de viver, a camuflagem é efeito colateral, logo não é esforço algum nos mantermos dessa maneira o que nos deixa tranquilos com a situação. É óbvio que acho revoltante você ter que se camuflar de pobre pra não se foder e conseguir sobreviver no Brasil. Penso assim: meu carro de 22 anos me atende muito bem e sou feliz com ele mas se você quer ter uma BMW 2018, tem dinheiro pra isso, consegue mante-la, então tem todo o direito de te-la! Aliás, tem mais que comprar mesmo! Para uma pessoa assim o Brasil já se torna mais hostil, mas pra mim que sou simplão a situação não é tão ruim...

No Brasil você tem que achar alguma maneira de sobreviver. Alguns andam de carro blindado e moram em fortalezas, outros se misturam com os pobres. Ambos os casos são táticas de sobrevivência para ter uma vida boa mesmo vivendo nesse buraco.

4- MARGEM DE ERRO: certa vez ouvi o seguinte: "O Brasil é um bom lugar pra se viver porque aqui você sempre tem uma margem de erro que utilizada para o bem pode deixar sua vida mais fácil". A margem de erro na minha opinião tem a ver com o maldito "jeitinho" porém nesse caso ele não é tão maldito e pode ser utilizado para o bem. Durante anos da minha vida tentei combater o jeitinho e a margem de erro brasileira, o que ganhei com isso? Dois princípios de infarto, gastrite, sobrepeso, dores de cabeça, irritabilidade, revolta e pessimismo. Brother, aqui nessa porra ou você se adapta e usa o jeitinho ao seu favor ou você morre. Simples assim.

A margem de erro brasileira é algo institucional e governamental. Tudo é feito contando com essa margem. Durante todos os anos de empreendedor eu ganhei dinheiro utilizando dessa margem de erro. Seja brechas que o governo deixa, seja coisas "ilegais" mas que todo mundo faz e depois de um tempo nem lembra que não é permitido, "taxas de urgência" que as próprias agências governamentais cobram pra agilizar processos, etc. Antes que venham meter o pau pergunte a si próprio: em quantas placas de PARE você já parou na vida? Nos EUA se você não para num STOP você leva multa e dependendo da situação até vai pra corte... Ascensoristas, cobradores de ônibus e frentistas de posto são profissões realmente necessárias? Não, óbvio que não, mas existem devido ao governo. Vai dizer que o cara que vai trabalhar de frentista está errado em aceitar a vaga? Claro que não! Ele só está aproveitando uma brecha do governo! O mesmo vale pra funcionários públicos que quase na totalidade ganham mais e produzem menos. Estão errados? Claro que não! Mais uma vez estão aproveitando a margem de erro do Brasil. Entendeu onde quero chegar? O Brasil deixa brechas porque sem elas não se vive.

Várias pessoas podem questionar: "Mas Corey, e a situação política? Isso aqui tá uma bagunça". Sempre esteve e sempre estará, estou cagando e andando para o que acontece na política, quem rouba ou deixa de roubar, quem paga propina pra quem, que partido está no poder, etc. É tudo farinha do mesmo saco e uma amostra da população brasileira. Desde que minha vida esteja boa quero que o resto se foda, é egoísmo mesmo mas não vejo porque pensar diferente.

Enfim, resumindo, fico no Brasil mais alguns anos porque sou preguiçoso pra emigrar agora, tenho uma "missão" profissional por aqui e vou continuar aproveitando as facilidades de viver por aqui mas sem nenhuma ilusão que isso aqui vai melhorar.

sábado, 27 de maio de 2017

O Fim do Corey Empreendedor

Tem coisas na vida que são bem engraçadas, fiquei 2 meses sem aparecer por aqui, decidi postar avisando que os posts iriam demorar a voltar e agora, 1 mês depois reapareço novamente... Juro que não sabia que essa fase off ia durar tão pouco, rsrs! Como disse, vontade de escrever vai e vem, acho que veio novamente...

Hoje vou falar do fim do Corey como empreendedor, isso mesmo, não sou mais microempresário e nem pretendo ser novamente, claro que não digo "dessa água não beberei", mas no atual momento e circunstâncias não tenho o menor tesão em voltar a empreender.

Buteco fechado!
Não cheguei a publicar abertamente aqui no blog, mas pra quem acompanha e juntou os pontinhos percebeu que ano passado eu havia vendido minhas lojas, naquele momento eu tinha 3 lojas e após vende-las, tirei um sabático onde viajei bastante o que justifica a longa pausa que fiz no blog no ano passado. Além disso fiz trabalho voluntário (ou quase voluntário) na minha área de formação, o que foi uma experiência sensacional, pela primeira vez trabalhei com algo que realmente gosto. No fim das viagens e do trabalho na minha área eu tinha que fazer algo da vida, para que não ficasse louco ... As opções eram basicamente 3: imigrar, arrumar um emprego na minha área de formação ou empreender novamente. Imigrar perdeu bastante do brilho, já comentei aqui no blog, arrumar um emprego na minha área era a ideia mais excitante mesmo sabendo que o contracheque seria uma merreca, empreender não dava muito tesão mas foi isso que fui fazer... Fiz novamente 100% pelo dinheiro, puta que pariu, como sou idiota, eu não "preciso" de mais dinheiro, não havia porque arriscar dinheiro, tempo e um boatload de energia em algo com grande risco e retorno incerto, sendo que não precisava desse retorno. Maldita ganância e olho maior que a boca! Me fodi, de leve, mas me fodi. Pela primeira vez na vida perdi dinheiro num negócio, poderia ser muito pior e fico feliz por isso!

Caralho, eu alcancei a independência financeira, não há motivo pra arriscar e me foder com algo que não tenho prazer em fazer somente pra ganhar mais dinheiro, isso porque a perspectiva de ganho nem era tão boa assim... Fui um idiota! Enfim, o negócio foi finalizado, amarguei um prejuízo, perdi 1 ano da minha vida (essa é a parte mais dolorida), mas vou recomeçar do ponto onde parei ano passado. Bia e eu estamos de volta a estaca zero mas temos muito planos bem interessantes para o futuro, nesse exato momento estamos num pequeno sabático e em breve decidiremos que rumo daremos a nossas vidas. Uma coisa é fato, a ideia de voltar a empreender é algo assustador, que dá azia só de pensar. Nem pensar quero passar novamente pelo sufoco que passei nos últimos meses.

Não me leve a mal, durante mais de 5 anos tenho falado aqui no blog que empreender é uma excelente maneira de fazer dinheiro, mas também nunca escondi que é uma das atividades mais frustrantes e consumidoras de saúde que podem existir. Não se trata de cuspir no prato que comeu mas se você destrói sua saúde física e principalmente mental em troca de uma boa grana que você realmente precisa pra atingir seus objetivos, acaba sendo justificável. Porém a partir da hora que sua saúde está sendo consumida e nenhum dinheiro está entrando, brother, saia fora desse barco furado! Não posso cuspir pra cima, 100% do meu capital aportado veio de um jeito ou de outro do fato de empreender: ou foi grana de aporte periódico, fruto dos lucros das lojas ou (principalmente), lucro da venda de lojas. Empreender valeu muito a pena se você colocar na média. Tive negócios excelentes, outros médios e um péssimo, mas a média foi muito boa. Posso falar que obtive sucesso como empreendedor, o que não quer dizer que vou continuar nesse caminho.

Nunca neguei que sou preguiçoso, não tenho muita paciência pra fazer coisas complexas (mais um motivo pra eu não ter filhos), jamais senti tesão em "colocar toda energia num projeto". Faço mais o tipo "deixa a vida me levar", gosto de viver de maneira simples (posts sobre minimalismo no forno...), trabalhar pouco... Essas características não combinam com empreendedorismo, durante anos tampei o sol com a peneira, me esforcei pra ser diferente, mas não tem como, a gente não esconde nossa real personalidade por muito tempo. Ao menos de agora em diante posso me dar ao luxo de ser um vagabundo, preguiçoso e enrrolão.

sexta-feira, 28 de abril de 2017

Pausa

Como alguns já perceberam, estou a um tempão sem postar nada no blog e essa pausa continuará por tempo indeterminado. O principal motivo pra isso é falta de motivação, inspiração e vontade, como isso já aconteceu diversas vezes durante a vida do blog, sei que é uma fase e uma hora (cedo ou tarde) passará e a rotina de postagens voltará ao "normal". Mesmo se um dia desistir de vez do blog dificilmente irei deleta-lo mas de qualquer maneira sugiro aos recém chegados que aproveitem esse hiato e leiam as postagens antigas, tem muito material produzido por mim e muitas discussões fantásticas nos comentários, aproveitem! Vou liberando os comentários na medida do possível, não estou acessando o blog com tanta frequência. Abraço a todos!

sexta-feira, 3 de março de 2017

É Preciso ser Rico pra Viver no Brasil

Pablo e Mônica vivem em Portugal a 3 anos, se mudaram logo depois que Pablo conseguiu sua cidadania Portuguesa, queriam ter uma vida tranquila e simples, coisa que o avô português de Pablo jurava ser possível na terrinha. Pablo havia acabado de sair do emprego, tinha uma boa grana de FGTS e algumas economias além do carro quitado, Mônica estava trabalhando num emprego que não necessariamente era o melhor do mundo. Queriam uma experiência nova e a chance de ir pra Europa era absolutamente fascinante. Venderam carro, juntaram toda a grana que tinham e trocaram em Euro. O dinheiro era bom, suficiente pra viver 6 meses no Brasil sem trabalhar, acreditavam que em Portugal essa grana deveria render mais ou menos a mesma coisa.

E assim foram, chegando no Porto ficaram maravilhados com as paisagens, a arquitetura antiga e principalmente com a simpatia dos Portugueses. Alugaram um pequeno T0 (Tê-zero =  apartamento studio, kitnet) por 300 Euros e descobriram que essa com certeza seria a maior despesa quando fizeram sua primeira compra do mês (ou rancho para o pessoal do sul) por 50 Euros. Não cogitaram comprar carro, afinal os autobus (ônibus), comboios (trens), metro (Metrô) e electricos (bondes) davam conta de todo o deslocamento que precisavam ao custo de 30 Euros por mês....

Arrumaram emprego e logo Pablo e Mônica tinham um salário combinado de 1.200 Euros do qual pagavam todas suas despesas e ainda sobrava uma beiradinha pra viajar pela Europa de low-cost ou trem nos dias de folga. A grana que levaram do Brasil? Usaram algumas poucas centenas de Euros e aguardam uma oportunidade de investi-la em imóveis, com grande chance do montante ser o suficiente pra dar até 50% de entrada num apartamento.

A história acima saiu da minha cabeça mas nada impede de ser verdade, o custo de vida em grande parte da Europa é bizarramente barato, Portugal então nem se fala... É caríssimo viver no Brasil! Bia e eu somos simples e minimalistas, mesmo assim temos uma despesa de 4.500 a 5.000 reais por mês, converta pra Euro (a 3,50) e isso dá mais ou menos o que Pablo e Mônica ganhariam com empregos simples em Portugal*! Pra fechar meu raciocínio deixo o vídeo do Rafa onde explica bem melhor isso (aliás, passem no canal dele, tem muito conteúdo excelente).




* Sei que Portugal "está em crise" e que emprego por lá não é exatamente a coisa mais fácil de encontrar, mas é preciso entender alguns detalhes: 1- crise na Europa na prática é bem mais maneira que crise no Brasil, a maldita mídia (que o capiroto leve todos ao inferno) faz tempestade em copo d'água (palavra de quem foi pra Espanha em 2012 e viu de perto o que eles chamam de "crise"). 2- quem tem cidadania Européia tem vida normal e sem restrições por lá, aliás até a CNH brasileira tem valor lá (só trocar pela portuguesa pagando algumas taxinhas), ou seja, teoricamente compete de igual pra igual no mercado de trabalho. 3- Portugal tem mestrados e doutorados por 3, 4 mil Euros por ano e universidades de 500 anos de tradição, ou seja, é um excelente lugar pra se reciclar na profissão e logo melhorar a empregabilidade. 4- troque Portugal por Itália, Polônia, Alemanha e seja feliz.
Os comentários desse blog são moderados, ou seja, passam pelo meu controle antes de serem publicados. Esse é o motivo pelo qual seu comentário não aparecerá logo após você clicar em "Publicar", portanto não precisa postar 2 ou 3 vezes! Posso demorar, mas publicarei e responderei todos os comentários que não contenham trolagens, intrigas, propagandas e baixo nível.