segunda-feira, 21 de agosto de 2017

A Bolha da Classe Média

A Bolha da Classe Média
2015

Bia e eu estávamos na sala de espera da clínica onde aguardava para ser atendido pelo cardiologista. Havia acabado de sofrer uns piripaque cardíaco devido ao stress do trabalho e estava sendo arrastado para acompanhamento médico (nós homens somos uns idiotas, temos medinho de ir ao médico e quase sempre só nos cuidamos devido a pressão das nossas esposas). A clínica onde meu cardiologista atende fica em Pinheiros, bairro classe média-alta de São Paulo, enquanto aguardava ouvi bibislhoteiramente a conversa entre duas mulheres ao meu lado:

- É Jurema, não teve jeito, até que tentei mas não deu, precisei sair da Sulamérica, eu e o Paulo pagávamos 6 mil, não dá né, a crise atingiu nossa porta, tive que trocar para esse Prevent Sênior (falando com ar de desdém) onde pelo menos pagamos só 3 mil. Olha, até que o atendimento é bom, viu?! E o Dr José também atende por ele, graças a Deus.

2016

Na primeira semana trabalhando na primeira temporada que passei pela empresa que trabalho atualmente estava procurando me enturmar e conheci Rebeca, uma simpática menina de 20 e poucos anos, já havia notado sua dedicação ao trabalho e também seu temperamento forte, digno de quem apanhou e por isso se fortificou. Certo dia, no refeitório Rebeca sentou-se do meu lado, mostrou-me o celular e disse:

- Olha Corey que pôr do sol lindo! - mostrando a tela do celular - adoro esse lugar!

Olhei pra tela e me deparo com uma foto de um pôr do sol realmente belo, foto essa que parecia ter sido tirada do alto de algum morro, com o que parecia ser uma favela em volta. Segue o diálogo:

- Nossa, realmente é lindo! Onde é?
- É no Grajaú, onde eu morava com minha mãe...
- Morava? Não mora mais?
- Não, Corey, infelizmente, eu amo aquele lugar... é favela, sabe, mas adoro lá. Nasci e cresci lá, conheço todo mundo...
- O que houve? Por que você mudou?
- Ah, é uma história complicada...

Rebeca então me contou uma história confusa sobre um namorado da mãe ter ameaçado elas de morte, aquelas histórias que a gente ouve no Datena... Tiveram que se mudar para outro bairro bem mais longe para manter a segurança.

Essas duas histórias (verídicas) servem para ilustrar o que chamo de "bolha da classe média". Veja que dependendo da sua situação sócio econômica uma ou outra dessas histórias pode te soar familiar e sem nada de extravagante, porém pra mim ambas são um tanto surreais. O mesmo consigo perceber quando faço algum post falando sobre custo de vida ou valores de investimentos. Por exemplo, veja o tal comentarista que disse ser feliz vivendo com 3k de renda passiva por mês, um monte de gente chegou detonando e afirmando categoricamente ser impossível o cara viver dignamente e com conforto com "apenas" 3k por mês, enquanto isso nem me liguei que isso poderia causar discórdia, afinal na minha cabeça 3k é uma excelente renda passiva.

Quando ouvi a história da senhorinha que pagava 6k por mês de plano de saúde fiquei me perguntando se realmente tinha ouvido bem, tanto que imediatamente fui pesquisar no Google se aqueles valores eram realistas, descobri que sim. Nunca na minha vida sequer passou pela minha cabeça que um ser humano pagasse SEIS MIL REAIS por mês num plano de saúde! Caralho, é o valor de um carrinho maomenos todo mês! Porém do jeito que ela disse pareceu um valor como outro qualquer. Tudo é questão de perspectiva. Dia desses lembrei dessa história devido a meu post mais atual sobre custo de vida, onde disse pagar 218 conto de plano de saúde (para o casal) e várias pessoas questionaram esse valor, algumas duvidando que podia pagar "tão pouco". Porra, pra mim 218 reais é um absurdo considerando que vivemos num país onde virtualmente o custo de saúde é zero, ainda mais que praticamente não uso. Repito: perspectiva!

Rebeca é uma menina adorável, excelente profissional, sempre sorridente apesar de transparecer certa frieza e dureza perante algumas situações. Ela é feliz mesmo morando numa quebrada com sua mãe solteira, tendo trocentos problemas familiares e ganhando cerca de 1500 reais por mês, o que ela era convicta de ser um "excelente salário". Rebeca não tem carro, não tem moto, seu maior luxo é comer no Outback a cada 2 meses, Rebeca não tem 109 reais pra pagar de plano de saúde e depende do SUS.

Nós da classe média vivemos numa bolha. Achamos que somos as picas das galáxias, muitas vezes julgamos e esnobamos as pessoas mais simples, julgamos os trabalhos braçais (é na classe média que surgiu o nojento termo "sub emprego"), andamos de nariz empinado, nos achamos fodas por ir pra Miami de vez em quando, achamos fracasso o fato de usar transporte público ou mesmo ter um carro com mais de 5 anos de uso (Corey, onde já se viu, você se diz independente financeiramente mas anda com um carro de 22 anos, aff), achamos que "pagar um bom plano de saúde" é fundamental para nossa "saúde" (afinal usar hospital público é o mesmo que assinar o atestado de pobreza, mesmo que o hospitalzinho do plano de saúde seja tão ruim quanto, a demora pra agendar uma consulta seja de meses e exames sejam burocráticos para serem feitos, igualzinho ao SUS - entenda como "saúde" se entupir de antidepressivos e remédios pra dormir pra conseguir encarar o trabalho que te "escraviza" para que você consiga trocar de iBosta, digo, IPhone todo ano), achamos que fazer compra no "Bem Barato" é o fim do mundo e que devemos mesmo é comprar tudo no Pão de Açúcar, comer macarrão Adria nem pensar, tem que ser no mínimo um Barilla (eu mesmo já tive esse pensamento, procure no blog e encontrará).

Ao mesmo tempo que vamos uma vez por ano pra Orlando, comprando passagem de promoção, com 3 escalas e comprada com 1 ano de antecedência pra aproveitar preço (eu mesmo já fiz, faço e farei isso porque avião é somente um meio de transporte, não uma "experiência"), muita gente vai todo mês, voando de executiva comprada em cima da hora e olha pra gente com ar de superioridade: "Aff, esses emergentes que acabaram de tirar o visto americano se acham voltando da Florida com essas blusas pobres da Gap...". Nossa bolhinha muitas vezes não nos deixa olhar para o lado, está mais para uma caixa com paredes foscas que para uma bolha transparente.

Falo da nossa bolha da classe média mas acredito que todo mundo vive numa bolha semelhante. A senhorinha dos 6k da Sulamérica vive na bolha dela, a Rebeca e seu lindo pôr do sol da favela também. Cada um pode e deve ser feliz dentro da sua bolha, mas é imprescindível entender que existe vida fora dessa bolha, é importante entender o ponto de vista, a perspectiva das pessoas e não julga-las por viver numa bolha diferente que a sua.

A experiência de sair da caixinha, deixar de ser empresário e virar peão, convivendo com gente que considera 3k um salário foda me fez crescer muito como ser humano. Acredito que consegui estourar um pouco minha bolha da classe média e entender que tenho coisa pra caralho, muito mais que muita gente sequer sonha. Aprendi a ser mais grato por tudo que tenho, por isso me chateia muito quando alguém condena outrem que vive feliz com 3k. Caralho, você não conhece a pessoa, você não sabe os hábitos e gostos, como você pode saber o que é melhor pra ela? Conviver com pessoas diferentes é engrandecedor, você aprende diariamente, mas pra isso é preciso se colocar no lugar dela, estar aberto para entender diferentes realidades. Recomendo que todos deem um jeito de fazer o mesmo, se expor a um grupo completamente diferente do seu e entenda uma coisa, quanto mais "inferior" é esse grupo, mais você irá aprender.

Isso vai contra à velha história que eu mesmo já preguei muito no blog: "conviva com pessoas superiores a você". Não é bem assim, você tem muito a aprender com pessoas "inferiores", veja que está entre aspas porque não acho que existam pessoas inferiores (até acho, mas isso não tem nada a ver com classe social, assunto pra outro post). É muito bom ver como pessoas de nível econômico menor que o seu conseguem viver muito bem, ainda mais pra gente que busca IF através da frugalidade, percebemos que nossas atitudes "frugais" ou "minimalistas" são muitas vezes somente sobrevivência pra grande parte da população.

Tenho muitas histórias como essas pra compartilhar, no último ano aprendi mais sobre a vida que durante minha vida inteira, espero ter conseguido ao menos despertar sua curiosidade sobre como é a vida fora da bolha. Abraço a todos!

segunda-feira, 14 de agosto de 2017

Corey Empregado - O Desfecho



Hoje é o derradeiro capítulo da saga “Corey Empregado”, não desgrude os olhos da tela, amiguinho...

Bom, parei na choramingação sobre meu “antigo” trabalho, onde a empresa era opressora, porca capitalista (ironia, é melhor explicar, vai que...). Pois bem, durante meu período por lá a empresa 4 (cujo processo seletivo é uma novela mexicana, com vários capítulos intermináveis), entrou em contato me oferecendo uma vaga. O salário era pouca coisa menor que o que estava ganhando porém a escala de trabalho, embora maluca, era mais interessante. Esse contato fora feito por email o que me proporcionou chance de pensar sem ter que dar um sim ou não imediatamente. Eles aguardariam o término da minha experiência o que era um ponto a favor. 

No dia seguinte que recebi essa proposta da empresa 4, entrei em contato com um colega que conheci no trabalho temporário que fiz ano passado (doravante denominada empresa “T”, de temporário) perguntado se havia alguma vaga por lá, ele mexeu os pauzinhos e descobriu que haveria uma seleção para vagas temporárias (iguais a que trabalhei ano passado) naquela mesma semana, agradeci e agendei a seleção para depois de 2 dias. 

Chegado o dia da seleção, estou no metrô indo para o endereço do RH da empresa quando o telefone toca, era a pessoa do RH de uma outra empresa, que chamarei de empresa 19 (19 é o número do dinheiro em algum tipo de numerologia da vida, entenda o porquê em breve). A empresa 19 é de porte pequeno (ou seria médio? Sei lá...) com grande crescimento, é conhecida no mercado por várias características: é difícil de entrar, quem trabalha lá dificilmente sai, paga muito bem, tem um pacote de benefícios bem interessante porém como não existe almoço grátis exige que o peão trabalhe mais, esse trabalho a “mais” nada mais é que o gajo deve render mais, fazer mais trabalho por hora, é cobrado por espécies de metas (difícil explicar como é isso, mas faz de conta que são metas), a gerência é conhecida por ser exigente e chata. Enfim, ganha-se mais, porém trabalha-se mais com certo nível de pressão. Recebi esse convite porque um colega de faculdade que trabalha lá enviou meu CV pra pessoa certa, porém jamais imaginei que daria em alguma coisa... Bem, conversei com a pessoa e agendei uma entrevista para o dia seguinte.

Desnecessário explicar que minha cabeça deu um nó: estava trabalhando na empresa 5 tinha uma proposta concreta da empresa 4, uma seleção na empresa T e uma entrevista na empresa 19. Fiquei completamente perdido e resolvi deixar a vida me levar, decidi que não forçaria a barra pra nenhum lado, que somente deixaria a coisa fluir pra ver o que ia acontecer.

Fiz a seleção na empresa T e por “coincidência” (não acredito em coincidência e sim na lei da atração, em Deus ou algo assim), eles não deram o resultado imediatamente como costumam fazer, ou seja, ganhei tempo... No dia seguinte fui lá na 19, fiz a entrevista que foi a mais diferente de todas que participei, a entrevistadora era “do ramo”, ou seja, uma profissional colega de profissão, com trocentos anos de empresa e que tinha, entre outras funções, contratar gente. Ela sabia exatamente o que perguntar, o que questionar, o que debater, sabia o que era importante no perfil do profissional. Nada a ver com as entrevistas com os “profissionais de RH” que havia passado. Conversamos sobre vários outros assuntos descontraidamente, me senti a vontade por estar com uma colega de profissão que entende o dia-a-dia da empresa, o completo oposto da empresa onde estava trabalhando. Enfim, saí de lá aprovado, porém como ainda estava na experiência da outra, eles ficaram de me ligar mais para o final desse prazo para dizer qual vaga assumiria. Achei estranho como me aprovaram, eles sempre contratam gente com experiência... seria minha idade? Será que gostaram de mim por isso e colocaram essa característica na frente da experiência? Nunca saberei...

Mais uma vez minha cabeça estava um nó, fiquei sem saber como agir e como todo bom covarde, fiz nada pra resolver. 

Dois dias depois recebo um email da empresa T dizendo que fui aprovado na seleção, onde minha vaga seria, qual seria o horário e uma boa notícia: por ser a segunda vez que eu trabalharia de temporário na empresa, eles ofereceriam um bônus de 10% porém deveria refazer o treinamento inicial e deveria iniciar imediatamente. Caralho, agora fodeu de vez...

Gostei muito da experiência de trabalhar na empresa T no ano passado, eles são líderes do setor, organizados, possuem uma hierarquia e plano de carreira interessantes. O salário não é o melhor do setor porém é proporcional ao stress do trabalho. Na empresa 4 eu ganharia menos e não saberia como seria o ambiente de trabalho até começar, na empresa 19 ganharia cerca de 60% mais porém a pressão seria alta, coisa que não sei se aguentaria, se teria saco ou mandaria todo mundo tomar no cu. Já na empresa T eu sei como é o trabalho, como a empresa funciona e juntando isso ao salário razoável me pareceu a melhor opção, mesmo sendo temporário. Aceitei.

No dia seguinte fui direto ao RH da empresa onde estava trabalhando e fiz os procedimentos de baixa, ao contrário que me avisaram, não cobraram multa alguma por rompimento do contrato de trabalho e ainda peguei umas quirelas de 13º e férias, foi mais tranquilo que o imaginado, saí de lá e já fui no RH da outra onde fiz os procedimentos de posse do cargo.

Passei por uma semana de treinamento intensivo, o mesmo que recebi ano passado porém com atualizações. Revi pessoas conhecidas e assumi meu cargo, estou gostando muito, o trabalho é muito tranquilo de ser feito, não tem gente enchendo o saco, não faço coisas pelas quais não fui preparado, etc. A empresa é líder não por acaso... O fato de ser um contrato temporário me traz sossego por saber que se a coisa degringolar é fácil sair, ao mesmo tempo que me deixa mais livre para mudar de planos num futuro próximo. Já deixaram claro que após o período do meu contrato haverá contratações e que terei prioridade. Vamos ver o que o futuro me reserva...

sexta-feira, 4 de agosto de 2017

Corey Empregado - Esclarecimentos

Meu último post, onde choro as pitangas em relação ao meu emprego, foi um dos mais comentados de todos os tempos. Surgiu de tudo por lá, pessoas que se identificaram comigo, pessoas que entenderam meu ponto de vista até pessoas me xingando por reclamar... Decidi escrever esse post pra esclarecer alguns pontos que pode ter ficado desconexos.

Desde o post anterior deixei bem claro que o post seria sobre reclamações e poderia soar vitimista (penúltimo parágrafo: "No próximo post vou ser vitimista pra caralho e chorar as pitangas de como meu emprego é uma bosta, aguardem..."), entendam, EU AVISEI QUE SERIA POST DE MIMIMI, portanto não faz sentido me acusar de ser mimizento porque eu mesmo disse que seria. Além do mais não há problema algum em ser vitimista, há tanta gente na internet assim... Particularmente não gosto de pessoas que só reclamam e simplesmente evito esse tipo de gente (tanto na internet quanto na vida "real"). Por outro lado entendo que as pessoas possam desabafar de vez em quando e reclamar de coisas concretamente ruins.

Logo no primeiro comentário o assunto do post já foi desvirtuado, foi só alguém comentar que gozava de uma IF com renda de "apenas" 3k e a galera da invejinha caiu matando tentando provar por A+B que é impossível viver com 3k no Brasil (claro, TODO brasileiro ganha mais de 3k). Como se esses que almejam uma IF de 20k por mês ganhassem isso hoje em dia... Sobra brother, sonha que você vai conseguir isso...

Algumas pessoas ficaram indignadas e se recusaram a acreditar que um ser humano (eu) é capaz de sair de casa e ir trabalhar "somente" porque gosta de fazer aquilo. Até as entendo porque eu mesmo na época do começo do blog achava que era impossível gostar de trabalhar e que "com certeza" uma vez atingida a IF jamais trabalharia novamente e que preencher meu tempo com Netflix e livros seria o cenário ideal. Deixe-me explicar uma coisa: IF tem tudo a ver com segurança financeira e NADA a ver com parar de trabalhar. Assim como grande parte das pessoas o trabalho já foi pra mim nada mais que uma maneira de subsistência, não sentia prazer algum com ele. Foi assim durante mais de 1 década onde trabalhei muito sem gostar do que fazia com o único objetivo de ganhar dinheiro. Essa atitude me trouxe conforto e segurança financeira mas também me levou para o hospital por 2 vezes com o coração pifando, me fez ficar 20kg acima do peso ideal, me causou problemas psicológicos que se não fosse ajuda profissional, teriam me deixado malucão.

No começo dos anos 2000 decidi que iria para a faculdade, não pra fazer ADM (que todas as pessoas que conhecia estavam fazendo e que seria o caminho natural já que tinha planos de empreender e meu trabalho na ocasião tinha muito a ver com ADM) e sim pra fazer um curso besta numa uniesquina cujo conteúdo me atraia muito. Fiz minha faculdade por "paixão" (coisa que totalmente contraindico tem tudo pra dar errado), me divertia absurdo com as aulas, procurava aprender mais e mais a cada dia, tive médias sensacionais, não passei nem perto de DP, era brother dos professores, fazia monitoria de graça (só porque achava legal mesmo), fiz um TCC nota 10 from scratch, me formei e enfiei o diploma na gaveta. O canudo ficou na gaveta mas a vontade de trabalhar na área ficou na minha cabeça durante quase 10 anos. O tempo passou, o dinheiro veio, a vontade de trabalhar na área só aumentou, tentei me manter informado e reciclado sobre o trabalho lendo compulsivamente artigos, revistas, conversando com colegas que atuavam, etc.

Quando um blogueiro norte americano atinge a IF o que faz? Vai viajar pra Ásia numa viagem lowcost de autoconhecimento, volta renovado, vai trabalhar com marcenaria em sua garagem, consertar carros em sua garagem, reformar coisas na sua garagem, fazer trabalhos braçais nas garagens dos outros, etc. Corey não possui garagem, Corey mora no Brasil (por enquanto), Corey gosta de determinada área do conhecimento humano, é habilitado e capacitado em tal área que além de ter empregabilidade razoável paga uma graninha até que boa... POR QUÊ CARALHOS COREY NÃO PODE TRABALHAR NO QUE GOSTA??????? COREY TEM QUE IR PRA BANGKOK????? Sinceramente, não entendo a dificuldade em entender que uma pessoa pode sim trabalhar no que gosta, pode sim sentir prazer nessa atividade, etc... Tem gente que gosta de viajar pra Índia, Bangkok ou qualquer outro buraco do mundo... Esse tipo de viagem não me atrai nem um pouco (no atual momento da vida) mas nem por isso saio xingando pessoas que as fazem dizendo que é impossível gostar de viajar pra esses lugares e que não terão "renovação espiritual" porra nenhuma.

Algumas pessoas me "acusaram" de ser ingênuo, acharam um absurdo eu desconhecer como o ambiente de trabalho em grandes empresas funciona, etc. Caralho, fiquei mais de 10 anos se carteira assinada, sendo que meus empregos anteriores foram em empresas familiares, de pequeno e médio porte onde quando precisava de uma folga eu mesmo mexia na escala, onde fiz acordo de devolução da multa dos 40% quando saí, onde o dono pagava cerveja (e puteiro) quando batia a meta, etc. Minha primeira experiência em empresa grande foi ano passado temporariamente (entrei pra cumprir um contrato de 2 meses) e a segunda está sendo agora. Minha base de comparação era extremamente limitada e embora do mesmo ramo, a empresa anterior se demonstrou extremamente profissional, preocupada com o nível do trabalho, engajada em treinamentos úteis, etc. Enquanto a minha não capacita ninguém, mente na seleção e joga funcionários em trabalhos sem qualquer critério. O que há de errado expor essas diferenças e dizer que a empresa atual não condiz com a ética do trabalho?

Falando em treinamento mais de um leitor disse coisa do tipo:

Empresário sofre no Brasil! O funcionário entra querendo promoção, aumento, benefícios, treinamentos mil, pouca responsabilidade, plano de carreira, promessa de melhoria, etc.

É brother, sofre mesmo, se você não sabe fui empresário por mais de 10 anos... O que me deixou assustado nem foi isso e sim o fato das pessoas acharem que eu estava exigindo treinamentos. Caralho, como assim alguém acha que treinamento é favor? Meu Deus, treinamento é fundamental em qualquer função!!! Todo mundo está careca de saber que a faculdade despeja um boatload de informações que quase sempre são inúteis no dia-a-dia do trabalho, essas informações só começam a fazer sentido na prática muito tempo depois. Até chegar esse dia é necessário sim ter treinamento de como exercer funções. Acho que a indignação com isso deve ser porque TI não deve precisar de tanto treinamento in loco e grande parte das pessoas que leem o blog são dessa área (não sei, estou chutando, manjo porra nenhuma de TI, nem sei formatar um computador - nem sei se formatar um computador é TI, enfim, entendeu, né?). Acontece que várias profissões é preciso sim treinar independente da sua experiência, é preciso pegar as políticas da empresa, aprender usar equipamentos específicos, etc.

Falando em TI é impressionante a fixação das pessoas com essa área, vários disseram que trabalho com isso. Gente, não esqueçam que existem centenas de profissões, muitas delas sequer se usa computador! Muitas profissões são "braçais" porém especializadas, ou você acha que remover um dente é serviço leve? Cortar um furúnculo cheio de pus é serviço limpo? Isso tudo é feito por profissionais altamente especializados porém não deixam de ser serviços pesados e sujos. Outras profissões não exigem formação acadêmica nem registro em conselhos profissionais porém são altamente técnicas: quantos de vocês conseguem separar uma picanha de uma peça de alcatra? Quantos trocam o salto de um sapato ou costuram um terno?  Outras mais são trabalhos leves porém que exigem conhecimento bem específico da área e anos de treinamento: você seria capaz de diferenciar a seta esquerda do Gol 96 modelo Arteb do modelo Cibié? O cara da loja de peça sabe. Desculpe aos amigos da TI mas vamos sair pra rua? Ver que nem só de computador é feito o mundo?

Outros se pegaram no fato de reclamar que "ganhei" muitas responsabilidades, que estava fugindo do trabalho que me foi dado, etc. Outros questionaram se meu salário de 4k não era baixo pelo nível de responsabilidades que eu disse ter. Vou explicar:

Fui contratado pra fazer o trabalho A e ganhar, digamos 4k.
Dentro de empresas do ramo existe um outro tipo de profissional que faz o trabalho B e ganha 2k.
Durante a seleção ninguém do RH disse que deveria fazer o trabalho A+B ganhando os mesmos 4k.
Somente quando comecei a trabalhar é que descobri essa realidade e também que não receberia nenhum treinamento para fazer o trabalho B mesmo esse sendo totalmente fora da minha área de formação e conhecimento.

Resumindo, me enrolaram. Quer dizer que se sou contratado pra fazer A e tenho que fazer A+B não posso reclamar? Tá certo isso, produção?! Pessoal se for assim a coisa no mercado de trabalho está muito mais errado do que pensei... (Spoiler 1: já saí da empresa e fui contactado por um advogado especializado em meter a empresa no pau para que ela pague pelo serviço B a todos os contratados para fazer A. Sinceramente não sei o que farei, mais uma vez isso é novidade pra mim. Percebam que essa "política" da empresa é algo que não vem de hoje, talvez se eu tivesse mais network teria descoberto a furada antes...)

Uma coisa que sou obrigado a concordar: muitos mencionaram o fato de agora eu ver que empresas privadas podem ser tão o mais desorganizadas que públicas. Concordo, não imaginava isso. Ao ver grandes grupos com suas sedes lindas, relatórios rebuscados, executivos em camisas Dudalina e de BMW a gente não imagina o quão bagunçado o barraco pode ser. Chega a ser assustador e como disse no outro post, esse é mais um motivo que me deixa fora das ações...

Uma sugestão plausível que foi me dada é procurar empresas menores que talvez se encaixem melhor com minha maneira de trabalhar ou que ao menos exista mais diálogo e sejam menos engessadas. Concordo com isso e talvez esse seja o caminho que seguirei, aguardem que tem coisa rolando... (Spoiler 2: não foi dessa vez...)

O velho tópico do "dinheiro não tráz felicidade" também não poderia ficar de fora de uma discussão acalorada, mas isso vai merecer um post exclusivo. 

Cagando e andando
Do mais realmente acho que algumas pessoas nem leram o texto e já saíram correndo pra comentar, ou pior, leram mas não entenderam o que é ainda mais triste. Também acho que muitas sentem inveja mesmo por uma pessoa poder trabalhar com algo que gosta invés de somente por dinheiro. Também já senti essa inveja e acreditava que isso não existia, que eram só palavras na internet, sei como é... Acontece que nunca ataquei ninguém por isso. É por gente assim que as vezes desanima escrever e manter o blog, mas pra cada xarope que aparece tem 10 ou mais leitores sensatos que podem não concordar mas sabem argumentar e expor pontos de vista diferentes. Fecho com um dos comentários mais sensatos que recebi nos últimos tempos:
corey, eu admiro a sua persistência e calma pra explicar as coisas. As pessoas leem seu post e já concluem zilhoes de coisas e não perceberm que vc está apenas tentando expressar da forma mais clara possível a sua realidade e o q vc está passando. Da mesma forma q os leitores ou até mais, vc tbm está procurando respostas para as coisas. Te criticaram por não saber lidar com a CLT, para mim são apenas pessoas que sempre tiveram inveja de vc qnd eras um empreendedor de sucesso e agora estão pegando no seu calcanhar de aquiles.
Caga pra eles.
Tô cagando!

sexta-feira, 28 de julho de 2017

Corey Empregado - Meu Emprego de Bosta

Peço desculpas por não ter conseguido acompanhar e responder os comentários do último post, foi falta de tempo mesmo. Tentarei dar mais atenção a esse.
Continuando a saga sobre meu emprego hoje vou falar sobre o que deu errado na minha contratação e como me fodi aceitando esse trabalho.

Durante o processo de contratação fui informado sobre as vagas disponíveis, salários e atividades do cargo. Concordei em aceitar o trabalho porque na minha cabeça haveria possibilidade de crescimento rápido e salário compatível, se tudo fosse como explicado na seleção estaria ok, porém a coisa começou a mudar no primeiro dia...

Durante a seleção fui informado que passaria por treinamento durante 5 dias antes de assumir meu cargo, achei isso ótimo, afinal minha experiência é pouca e aprender como a empresa funciona antes de dar a cara pra bater é sempre uma boa ideia. Logo após assinar os papéis fui informado que teria treinamento in loco o que se traduz como: "vou te jogar no setor e você vai aprendendo com o pessoal lá conforme eles vão trabalhando". Fiquei meio chateado e preocupado, afinal não era bem aquilo que eu esperava, mas ok, bola pra frente... Chegando no setor fui recebido friamente pela equipe, quanta diferença das minhas experiências anteriores (voluntário e temporário) onde a galera era animada, brincalhona e pronta pra ajudar. Aqui encontrei uma equipe de cara fechada, sem muita paciência pra ensinar. No decorrer do dia descobri alguns detalhes desconcertantes:

1- Eles estavam com o saco cheio de treinar novatos, toda semana vários novatos eram enviados ao setor para receber treinamento dos outros colegas sendo que esses não são treinadores tampouco foram contratados como tal. Também não havia critérios de treinamento, eu era obrigado a acompanhar o trabalho de alguém e logo em seguida realizar o mesmo trabalho de maneira correta (ou não correta, ninguém estava realmente preocupado com a qualidade do serviço). Sobre o treinamento de 5 dias? Isso simplesmente era um mito, ninguém na empresa recebeu treinamento formal...

2- Descobri que junto com minhas tarefas operacionais eu teria várias, VÁRIAS, VÁRIAS, VÁRIAS, VÁRIAS, tarefas administrativas e gerenciais, ou seja, teria inúmeras responsabilidades seríssimas pelas quais não seria pago e pior, nem ao menos seria treinado a realizar sendo que fazer alguma dessas coisas de maneira errada significa uma cagada descomunal.

3- Devido a essas tarefas "extras" eu perderia o direito de hora de almoço, devido a impossibilidade de me ausentar do setor, não poderia faltar de maneira alguma sob o risco de simplesmente ter que fechar o setor. Eu seria peça chave de toda a operação e isso é vendido pela empresa como algo "nobre" o que deixa os colegas de função muito orgulhosos e de peito cheio por ter tal responsabilidade.

Saí daquele primeiro dia de trabalho totalmente perplexo e perdido. Me perguntei inúmeras vezes: "que caralho eu tô fazendo?", "onde fui me meter?", "o que fazer agora?". Percebi imediatamente que me fodi imensamente, fui pesquisar o que fazer... Obviamente não há condições de continuar trabalhando dessa maneira, ainda mais pra mim que não preciso do emprego pra sobreviver. Descobri que se pedir demissão antes do fim do período de experiência serei obrigado a pagar uma indenização para a empresa o que me recuso a fazer. Eles já foram filhos da puta o suficiente comigo e ainda por cima vão levar meu dinheiro? Nem fodendo!

Decidi ao menos me fazer ouvir, pulei hierarquia e soltei os cachorros com o gerente fudidão da empresa, disse tudo o que aconteceu sobre a diferença entre seleção e realidade. Ele se fez de indignado, disse que não sabia que o RH estava omitindo informações, que iria tomar providências e o cacete... Óbvio que não acreditei em uma só palavra que ele disse...

No decorrer dos dias de trabalho a coisa ficou ainda pior:

1- Após o "treinamento" fui para o meu setor e descobri que eu era o mais experiente do grupo. Sim, eu com poucos meses de experiência na função era o que mais sabia sobre o trabalho, todo o resto do setor era totalmente inexperiente com exceção do gerente que mais ou menos sabe o que está fazendo (é uma pessoa dedicada mas que esbarra nas ineficiências da empresa). Mas ser inexperiente não é o bastante, as pessoas são incapazes, despreparadas para as funções. Vou tentar explicar: imagine um tradutor que não sabe ler e escrever. É mais ou menos esse o nível dos meus colegas de trabalho.

2- O setor possui inúmeros problemas de infraestrutura que atrapalham muito o resultado do trabalho, junte a isso pessoas mais perdidas que cachorro em mudança e veja o tamanho da lambança. A empresa tenta se destacar em meio a concorrência porém esses sabem o que fazem, possuem experiência e profissionais de dentro, já a minha possui profissionais catados de qualquer jeito no mercado. Imagine um açougueiro administrando uma livraria, é bem isso...

3- O tal cargo de gerência que me foi prometido num médio prazo na verdade é uma tremenda furada, ganha-se praticamente nada mediante o tamanho da carga de trabalho. O tal gestor deve viver em função da empresa, lidando com todos os problemas por, com sorte, 5k. A empresa não fornece a estrutura necessária para que o gestor realize um trabalho decente, na verdade o cara tem que se virar nos 30, adquirir conhecimento por conta própria, desenvolver sua própria estratégia sem ajuda alguma dos superiores. Os superiores ao gestor somente fazem cobranças e dão broncas. VTNC, jamais aceitaria isso, 1 dia que trabalhasse dessa maneira seria demitido ou preso...

A empresa faz uma lavagem cerebral nos funcionários, fazendo-os acreditar que são importantes, que fazem a diferença... Os gerentes são elevados a semi-deuses perante a direção, são bajulados com elogios, destacam a "importância" de seus trabalhos, etc. Mas na prática são peões que trocam a vida por uma merreca. Entendo que para pessoas "normais", 4 mil reais é dinheiro pra caralho e que conseguir um cargo que paga isso sem praticamente ter experiência é algo mágico, entendo que elas idolatrem a empresa que lhe dá essa "oportunidade"... É incrível como as pessoas vivem na corrida dos ratos, na matrix e nem se dão conta....

É realmente muito fácil atingir um nível de gerência dentro da minha empresa, basta você estar disposto a trocar sua vida por no máximo 5k. Não precisa ser capacitado, ter experiência, saber liderar, nada disso! Basta querer... Muito bizarro isso...

Engraçado que minha breve passagem pela concorrência (quando fui temporário ano passado) me deixou uma imagem totalmente diferente, eles eram uma empresa forte, organizada, com funcionários relativamente motivados (ao menos trabalhavam 80% direito e não brigavam entre si). Não é a toa que são um dos líderes do setor. Possuem crescimento orgânico tanto do ponto de vista do tamanho da empresa quanto do trabalho dos funcionários. Ninguém vira gerente em menos de 3 anos de casa e na minha opinião isso está certo. Não faz sentido o cara ter 3 meses de experiência na função e ser convidado pra ser gerente, pior, não receber nenhum tipo de treinamento e ter que assumir uma equipe e setor. É assim que ocorre na minha empresa. Claro que sou a favor da meritocracia e não acredito que cargos devam ser oferecidos por tempo de casa mas acontece que certas coisas, certos conhecimentos e experiências só se adquire com o fator tempo, é impossível ser de outra maneira e no meu trabalho é assim, não dá pra virar gerente da noite pro dia, não há como saber 100% das nuances do negócio sem alguns anos de experiência dentro da empresa. Pelo menos na minha concepção o gerente deve ser capaz de realizar 100% das tarefas do setor.

Aqui entra mais um erro meu, antes de começar a trabalhar não entendia como era isso e achei que eu mesmo poderia ser gestor em pouco tempo... me enganei. Me iludi achando que essa oportunidade de ser gestor em pouco tempo seria uma boa ideia, mais uma vez fui pego pela inexperiência em trabalhar de empregado numa grande empresa. Na verdade não quero ser gestor, muito menos nessa empresa bagunçada. Quero trabalhar no operacional mesmo e num lugar sério.

Tirei algumas lições disso tudo. Entre elas vai um conselho a você que investe em ações baseado em relatórios. Grandes empresas mentem, usam artifícios ridículos para demonstrar resultados que nem sempre são reais, papel aceita tudo (ou pdf aceita tudo), acreditar no que elas falam não é 100% seguro. Pude verificar isso de dentro, e se um tonto de baixo escalão como eu consegue perceber certas coisas, imagine o que realmente acontece lá em cima, nas salas da diretoria...

Ainda estou perdido, provavelmente vou esperar o prazo da experiência e pedir as contas, não quero pagar indenização pra esses escrotos, e pior, os fdps colocaram um período de experiência de 90 dias, só pra amarrar o peão... O pouco que consigo fazer da parte operacional é muito legal, todo o resto é um saco, estou naquela de ir trabalhar pensando na hora de sair, pior que não consigo fazer um trabalho porco, não consigo ser com eles do jeito que são comigo. Pelo menos estou com a consciência tranquila que estou fazendo a coisa certa, estou sendo ético e honesto com meu trabalho mesmo a empresa sendo mentirosa e desonesta comigo.

segunda-feira, 24 de julho de 2017

Corey Empregado - As Cagadas

Que merda, heim?!
No último post expliquei como foi a busca e seleção de emprego, que aceitei a proposta da Empresa 5 e disse que os pesadelos começaram. Hoje não vou falar sobre o que deu errado e sim sobre as cagadas que fiz relacionadas a busca de emprego. Calma, uma coisa tem a ver com a outra, sendo que a maior cagada foi justamente aceitar o emprego.

Lembro o leitor que até então não tinha nenhuma experiência com entrevistas e processos seletivos de empresas. Como empregador sempre fiz tudo de maneira empírica, selecionando pessoas mais pelo feeling que por outra coisa, nunca segui padrões nas seleções, nunca soube como fazer isso, enfim, não aprendi grandes coisas sobre seleção de pessoal. Quando chegou minha vez de ser selecionado percebi que empresas médias e grandes utilizam RHs profissionais, o que se reverte em procedimentos demorados e muitas vezes sem o menor sentido pra quem vê de fora.

Veja que fui selecionado por 3 empresas. A Empresa 2 me aprovou no processo seletivo porém mandou aguardar para que fosse informado a vaga e procedimentos para a contratação, isso já se passam quase 60 dias e até hoje não houve mais contato, ou seja estou aprovado mas não contratado. A Empresa 4 é basicamente o mesmo, fui aprovado mas entre cada etapa é necessário aguardar 20 dias. Por fim a Empresa 5 demonstrou mais agilidade e acabei indo trabalhar para eles.

Entenda que meu objetivo é trabalhar com algo que gosto e conseguir alguma promoção e mudança de cargo num prazo curto para conseguir desfrutar de ao menos algumas etapas da carreira relativa a essa profissão, na minha cabeça essas promoções deveriam acontecer rapidamente afinal não vou ficar trabalhando com isso pro resto da vida. Sei desde o começo que minha carreira profissional será curta, não há porque ficar anos trabalhando nisso porque mesmo gostando muito do trabalho em si, é algo que cansa e que não preciso fazer pra sobreviver, logo o incentivo de me manter empregado é limitado. Não sou romântico o suficiente pra achar que minha trilha profissional será cor de rosa com cheiro de jasmim, o trabalho é legal mas junto com ele vem o kit composto por colegas e chefes cretinos, 44 horas semanais, folgas e férias engessadas, relógio de ponto, procedimentos cretinos, desconto de FGTS, sindicato, IR, VT e VR. Quero galgar posições não para "agregar valor a empresa" ou "fazer a diferença no mundo" mas sim pra ver qualéquié mesmo.

Dentre essas empresas sem dúvidas a mais interessante para se trabalhar é a "2", o salário inicial é maior, há treinamento intensivo e várias oportunidades de vagas pois ela é uma das maiores do mercado. Por outro lado o crescimento é possível porém lento já que há uma fila hierárquica grande para ser percorrida até um cargo mais interessante o que complica meu plano de entrar, crescer e sair fora num tempo razoável. Tenho impressão que se tivesse ido atrás da empresa invés de esperar, conseguiria uma vaga, mas o fato de ter crescimento demorado me impediu de fazer isso.

A Empresa 4 é também bem interessante, me pareceu a mais organizada e tem uma possibilidade de crescimento relativamente rápido, fato esse que acaba equilibrando o salário mais baixo. Se eles não fossem tão morosos com certeza eu estaria trabalhando com eles.

Já a Empresa 5 (meu atual empregador) juntou um pouco de todas as qualidades que estava buscando. Salário inicial na média, possibilidade de crescimento extremamente rápido e agilidade na contratação. Acabei indo na esperança do pacote ser interessante e aqui está a grande cagada. Eles se demonstraram uns grandes filhos da puta (aguarde o próximo post).

Acredito que fiz um conjunto de cagadas começando por minhas expectativas. O plano era começar no operacional e subir para algum cargo de gerência porém o imbecil aqui não se deu conta que o tal prazer em trabalhar está somente no cargo operacional da coisa, ou seja, essa brisa se perde completamente conforme o nível hierárquico vai subindo. Nesse pouco tempo de empresa percebi que ter um cargo gerencial nesse ramo é abrir mão do trabalho operacional (onde está a diversão) e se dedicar totalmente a burocracias internas*, respeito a chefes idiotas, ter discursos incentivadores de equipe, ser falso pra caralho, etc. Na minha cabeça a coisa era totalmente diferente, antes de entrar eu queria chegar nesse nível porque imaginava ser uma extensão do trabalho operacional, imaginava que num cargo gerencial eu saberia tudo sobre o operacional e poderia ensinar os novatos. Doce ilusão, o gerencial é somente um burocrata besta propagador das cagadas da empresa, mais nada!  Nesse contexto acho que foi uma cagada não ter corrido atrás da Empresa 2 que poderia me oferecer justamente isso: trabalho operacional com salário legal. Podem me chamar de burro a vontade, admito que sou... Fiquei bem perdido sobre o como, no que e onde trabalhar... Minha situação é muito diferente a da maioria das pessoas que acaba deixando a vida levar e vai construindo uma carreira de acordo com o surgimento de oportunidades, tudo o que queria era trabalhar com que gosto mas como nunca havia feito isso de maneira séria, não sabia como começar e como fazer.
 * É impressionante como uma empresa grande consegue ser burocrática, é incrível a quantidade de emails que são trocados somente para resolver problemas simples. É necessário 1 semana, uma caralhada de emails, vários departamentos envolvidos somente pra trocar uma lâmpada (um exemplo). Problemas simples do dia-a-dia não são resolvidos porque um departamento não pode interferir no outro. A quantidade de gente sem qualquer conhecimento técnico do trabalho envolvida na tomada de decisões é uma coisa assustadora, isso leva a mais morosidade, decisões tomadas na base do achismo, perda de relevância de mercado, etc. Imaginem um supermercado que por algum motivo qualquer não comercializa um tal produto chamado Coca-Cola (já ouviu falar?), talvez os compradores ou diretores de compra não conheçam esse produto e por isso não coloquem no mix de produtos. Os clientes pedem Coca-Cola diariamente ao pessoal da loja que reportam seu gerente, que reporta seu supervisor, que reporta seu comprador, que reporta seu diretor de compras, que reporta seu diretor financeiro, que reporta o diretor geral que coloca na pauta de uma reunião. Porém como existem reuniões pré agendadas para discutir a comercialização ou não de sabão Omo, a decisão da Coca-Cola vai pro fim da fila, após 90 dias finalmente chega a hora de decidir se o mercado comercializará Coca-Cola, mas como a reunião não atinge o número mínimo de acionistas e o diretor de marketing está numa viagem importante ao Espírito Santo para conhecer uma tal de "Chocolates Garoto" que está sendo pedido pelos clientes, então a decisão volta ao fim da fila. Percebem onde quero chegar? Minha empresa tem burocracias e morosidades assim... Deixa de fazer coisas totalmente pertinentes ao ramo por ter chefes demais que nunca trabalharam nesse ramo e não possuem a menor ideia de como o "chão de fábrica" funciona.

Outra cagada foi ter insistido em diversos processos ao mesmo tempo, faltou paciência para achar a vaga mais interessante e acabei me deixando levar pela mais ágil. Justo eu que não tinha pressa pra começar a trabalhar, não dependia do salário... poderia ter usado isso a meu favor e analisado melhor as propostas e situações. Aceitei a empresa mais ágil sem me dar conta que eles estavam na verdade desesperados para preencher vagas e que fizeram isso sem muito critério o que se refletiu em um trabalho de bosta pra mim. Como já havia aceitado a vaga acabei não indo atrás da Empresa 2 e a segunda etapa do processo da Empresa 4 foi no meio disso o que com certeza prejudicou minha imagem (embora deixei claro que quando iniciei o processo com eles estava desempregado e que dependendo da proposta deles poderia trocar de emprego, a entrevistadora pareceu entender...).

Me caguei por não ter paciência. Esse é um grave defeito que devo corrigir, sou extremamente imediatista e isso vem me prejudicando bastante nos últimos anos.

No próximo post vou ser vitimista pra caralho e chorar as pitangas de como meu emprego é uma bosta, aguardem...

Update: nesse meio tempo outras 5 empresas (isso mesmo, CINCO) entraram em contato comigo querendo marcar entrevistas ou seleções. Descartei algumas e como estou insatisfeito no emprego atual, acabei aceitando o convite de outras... Cenas dos próximos capítulos...

terça-feira, 18 de julho de 2017

Corey Empregado – A Busca e a Seleção



Após mais de uma década consegui realizar meu “sonho” de voltar a ser peão. Isso mesmo galerinha, estou empregado e hoje iniciarei uma série contando um pouco de como essa experiência está sendo. Spoiler alert: coisas surreais estão por vir, aguardem...

Começo falando sobre como foi a busca e seleção de emprego. Um review da situação pra quem chegou agora: ano passado vendi minhas lojas e como sempre tive vontade de trabalhar na minha área de formação acabei conseguindo duas experiências: uma voluntária e outra temporária. Esses foram meus primeiros e únicos contatos com o trabalho, ou seja, toda a experiência que tinha. Esse ano decidi que era a vez de “construir uma carreira” na minha área e parti a procura de uma vaga.
Tenho sorte, minha área possui boa empregabilidade e não foi tarefa difícil conseguir algumas entrevistas. Me cadastrei nesses sites de emprego grátis tipo Infojobs e Vagas.com, além disso mandei alguns CVs diretamente para empresas via email e também pessoalmente. Os CVs entregues in loco surtiram nenhum resultado, os dos sites e enviados via e-mail me proporcionaram 5 entrevistas/processos seletivos.

Antes de ir para as entrevistas decidi “treinar” certas coisas. Veja que minha situação real é estupidamente incomum: ex-empresário, financeiramente independente que quer trabalhar só pelo prazer do trabalho, não quero ter uma carreira e sim curtir algum tempo fazendo algo que gosto. Não havia como sustentar isso, portanto fui obrigado a criar um personagem: ex-empresário que “passou por dificuldades de mercado” (para não falar explicitamente “quebrou”) e está em busca de recolocação profissional para poder equilibrar as contas. Tem pouco experiência na área por estar trabalhando os últimos anos em sua loja (isso é verdade, mas veja que coloquei loja no singular, omiti o fato de ter tido várias lojas) mas está cheio de boa vontade em aprender.

Outra coisa importante: não fiz nenhum tipo de estudo de como se comportar numa entrevista de emprego, dinâmicas e demais detalhes referentes a contratações. Fui totalmente na raça. Isto posto vamos para as entrevistas:

Empresa 1: CV enviado via e-mail. A pessoa responsável pela contratação me chamou para uma entrevista, fez algumas perguntas pessoais e profissionais, questionou se o “bichinho empreendedor” não iria atrapalhar minha carreira, disse que não queira mais saber de empreender e que nem ao menos tinha dinheiro pra isso. Acho que ela não acreditou muito nisso e também não curtiu minha idade (perguntou algumas vezes se ter chefes mais novos que eu poderia me incomodar). Me dispensou dizendo que entraria em contato, espero até hoje.

Observação: quando tinha empresa e fazia entrevistas jamais deixei um candidato sem resposta, acho isso o cúmulo da falta de respeito. Sempre procurei liberar a pessoa o mais rápido possível.

Empresa 2: Processo seletivo. No dia e hora marcado estava lá junto com mais uns 30 colegas de profissão para realizar o processo seletivo da empresa que foi dividido em prova técnica complexa, porém burra. Explico: a prova era complexa e interessante porém cheia de questões e detalhes que não possuem correlação com o dia-a-dia do trabalho, ou seja, não filtra conhecimentos relevantes para a função. Enfim, passei na prova e fui pra etapa de entrevista. As entrevistas eram individuais numa sala, uma revisão do CV e algumas perguntas cretinas do tipo “onde você se vê em 5 anos?” que respondi: “num cargo de confiança dentro da empresa” quando a verdade é “numa praia do Algarve”. Acho muito escroto essas seleções... A entrevistadora prometeu entrar em contato por e-mail informando o resultado. No dia seguinte recebi um e-mail dizendo que fui aceito e que deveria aguardar novas instruções. Fiquei feliz!

Observação: mesmo sendo aceito havia outras entrevistas/seleções marcadas então continuei como se nada tivesse acontecido.

Corey na seleção de emprego
Empresa 3: indicação de um amigo. Cheguei no local pra conversar com a pessoa responsável que já deu como certa a minha contratação. Foi muito bizarro, o cara já foi me explicando como funcionava a empresa, como seria meu trabalho, as metas, etc... Explicou sobre o salário, os horários de trabalho, fez algumas poucas perguntas e marcou um horário para uma segunda entrevista com um dos diretores da empresa, afinal “esse é o procedimento para cargos de gerência” (sic). Resumindo a bizarrice: eu seria contratado para um cargo de gerência, na verdade função de liderança sendo que era exatamente isso que eu não queria (ter que liderar ou gerenciar) tampouco tenho background pra função. Lembre-se que minha experiência anterior era de alguns poucos meses. Saí de lá perplexo com a situação, informei que a proposta estava fora do que eu pretendia e desmarquei a tal entrevista com o diretor. Pedi desculpas para meu conhecido e ficou por isso mesmo.

Observação: o salário era totalmente incompatível, pagariam o piso da categoria, que não é pago nem pra quem começa, para exercer a função de gerente. Espertinhos, não?

Empresa 4: Processo seletivo. Fui convidado através do envia de CV por site de emprego. Muito semelhante a Empresa 3, fiz uma prova técnica bem menos complexa porém totalmente relevante ao trabalho, houve uma explicação detalhada sobre a empresa, vagas e funções. A entrevistadora não deu nenhum resultado na hora mas deixou claro que todos teriam resposta em até 20 dias (!!!). Achei o processo mais justo e honesto de todos. Dentro dos 20 dias recebi um e-mail convidando para o próximo passo da seleção que seria uma entrevista individual. Na data marcada fui e a mesma pessoa que aplicou a prova me entrevistou com questionamentos individuais e pertinentes. Percebi que gostou de mim e já deixou claro que havia passado naquela etapa, que agora deveria aguardar mais 20 dias (!!!) para a próxima etapa que seria uma entrevista com um gerente operacional e definição de vaga.

Observação: essa é sem dúvida a empresa mais transparente quando o assunto é seleção, mas essa demora toda entre etapas acabou atrapalhando muito, além disso é a que paga pior. Ainda estou aguardando contato deles (está dentro dos 20 dias).

Empresa 5: CV enviado diretamente a empresa. Me ligaram, marcaram uma entrevista. A entrevistadora (nunca, jamais vi um homem trabalhando em RH) me recebeu com sorriso no rosto, fez poucas perguntas, disse que estava aprovado por ela e que marcaria uma entrevista com o gerente operacional se eu quisesse prosseguir com o processo. Ok, entrevista feita com o tal gerente, mesmas perguntas de sempre (os 5 anos, o bichinho empreendedor, os objetivos profissionais, bla bla bla) e promessa de contato com a resposta da aprovação naquele mesmo dia, o que realmente aconteceu. Fui aprovado, aceitei o trabalho e aqui começa meu pesadelo... Aguarde...

segunda-feira, 3 de julho de 2017

Carro (Revisited, versão 2017)

Carro é um assunto muito comentado na blogosfera e aqui em casa não é diferente, já falei muito sobre carro aqui no blog, veja alguns posts:

Carro: Ter ou não Ter
Carro, o assunto do momento
O Carro de R$ 12 mil
Manual de Uso do Carro Velho
Paixão por carros?

Considero normal essa carga de posts sobre carro afinal carro é um item que consome grande quantidade de dinheiro e algo que sempre devemos repensar. A blogosfera é feita por gente que pensa fora da caixa, logo repensamos muito o assunto carro.

O que me levou revisitar esse tema hoje foi um post do nosso amigo Madruga (leia aqui) onde ele dá dicas de como viver sem carro, o mais interessante são os comentários, tem de tudo por lá: gente que concorda que não ter carro é legal, outros que concordam mas mantém o carro mesmo assim, até aqueles que simplesmente repudiam o simples pensar na ideia de não ter 1 tonelada de aço depreciando na garagem.

Tenho uma relação de amor e ódio com carro. Sou daqueles caras que gostam realmente do assunto, possui conhecimento técnico acima da média, manja os anos dos carros só de olhar, sabe diferenciar modelos, etc. Enfim, sou um tonto que fica queimando neurônio com informação inútil sobre carros. Minha relação com carros mudou muito no passar dos anos, já tive tudo que é tipo de carro, desde carros merda até top de linha do ano, já torrei uma grana incrível (que prefiro não saber) em carro.

Pra começo de conversa acredito que TODO CARA ACIMA DE 20 ANOS DEVE TER UM CARRO E MORAR SOZINHO. A parte do morar sozinho deixo pra outro post, mas falando sobre o carro é simples entender: se você tem 20 e poucos anos está no começo da escada social e por mais que você ache que a escada social e relacionamentos superficiais são coisas estúpidas (eu também acho) deve saber que não conseguirá mudar isso sozinho, portanto é melhor usar as ferramentas que a vida te dá a seu favor (nosso amigo Rover tinha um post fantástico sobre isso, pena que tirou do ar). Ter um carro te ajudará muito nisso, se você tem carro fica mais fácil transar e isso não tem a ver com mulheres interesseiras e sim porque carro facilita fodas de maneira incrível e é muito fácil entender isso. Veja que não estou falando em "casamento", estou falando de "foda". Segundo lugar se você tem um carro decente com 20 e poucos anos passa a imagem de bem sucedido, organizado, maduro, equilibrado, ou seja, isso pode te abrir portas. Meu ex-patrão certa vez me confessou que só contratava molecada que tinha ao menos uma moto porque na cabeça dele (e até que faz sentido) se o cara tem algo material com 20 e poucos anos é porque trabalhou pra isso. Ter um carro no começo da vida adulta é fundamental, é um "investimento" imaterial no seu futuro, no seu sucesso. Vejo muitos posts dizendo que "se for pra quebrar, quebre cedo, assim terá tempo pra recuperar", prefiro dizer: "torre dinheiro cedo, assim você logo perceberá que não precisa torrar muito", carro se enquadra nisso de torrar dinheiro cedo. Molecada de hoje consegue ter um carro decente mesmo gastando pouco, com 8k você compra um carrinho que parece com um carro atual, "no meu tempo" você também tinha várias opções: Fusca e Chevette basicamente, ou seja, carros que tinham cara de extremamente ultrapassados. Mesmo tendo um Fusca no começo dos anos 2000 eu consegui abrir "muitas portas" (se é que me entendem...).

No começo da vida adulta o que as pessoas pensam de você é algo relevante, conforme o tempo vai passando, você vai expondo suas qualidades, ganhando confiança das pessoas, fazendo network, adquirindo conhecimento e se refinando, a opinião alheia cada vez conta menos (ou deveria contar), nesse momento o carro perde relevância e você poderá repensar a posse de um. É justamente nessa hora que a maioria esmagadora dos homens começam se foder imensamente com carros. É nessa hora que o cara compra carro caro, top de linha, ou seja, compra uma extensão peniana de aço. Eu fiz isso e é por isso que digo que não vale a pena. No meu auge de idiotice comprei um sedan top de linha financiado em 36 vezes... Aquele foi o momento que as pessoas devem ter dito: "Porra, olha o Corey, venceu na vida!!!", enquanto isso eu pagava cheque especial nas contas físicas e jurídicas.

Carro cada vez perde mais relevância na minha vida. Como sabem, hoje tenho um pau velho de 20 anos de uso, só o mantenho porque o custo é praticamente zero. Como pretendemos mudar em breve muito provavelmente ele será vendido e viverei a tão sonhada vida car-free. Uber foi uma das melhores invenções do século, transporte público como nosso amigo Madruga disse, não é tão ruim quanto pintam e caminhar é o melhor meio de transporte que existe.

Carro é cada dia que passa uma coisa mais dispensável e eu como detesto arrumar sarna pra me coçar estou cada dia mais propenso em eliminar saporra da minha vida, porém continuam tendo muita relevância no começo da vida adulta.

SUV

Aqui está o cúmulo da tolice quando o assunto é carro. As SUVs são o câncer da sociedade quando o assunto é carro. São veículos burros: pesados, gastões, na maioria das vezes com espaço interno escroto se comparado com o externo, feios, desengonçados, atrapalham o trânsito, fodem as vagas apertadas, etc. Embora eu goste muito de sedans concordo que também são veículos pouco práticos. Na minha opinião os carros mais inteligentes são do tipo SW ou mesmo os hatchs. Neles você consegue transportar coisas grandes (até fazer pequenas mudanças), são pequenos por fora e grandes por dentro, são mais econômicos, etc.

SUVs foram a maneira que as montadoras encontraram de lucrar mais, venderam a ideia de "você fica mais seguro porque está mais alto" porque os SUVs dão mais lucro pra elas, pesquise um pouco e verá que a margem de lucro nesse tipo de veículo é muito maior que nos outros. Não estou falando que eles estão errados, muito pelo contrário, pago pau pra quem cria um nicho de mercado e consegue expandir isso, mas não é por isso que vou abraçar a ideia. Não é porque sou capitalista que comprarei todas as ideias do capitalismo. Leia mais sobre isso aqui.

Motos

Aqui rola um preconceito do cacete, sempre espalhado por pessoas que nunca subiram num veículo de 2 rodas. Essas pessoas espalham a ideia errada que motos são máquinas mortíferas, que uma vez que você sobe em uma deverá se despedir dos parentes porque a morte ou amputação da cabeça são coisas certas. Bullshit!!!

Vim de uma família de motoqueiros (vai tomar no cu essa frescura de Harleiro que se diz "motociclista", viadagem da porra!), meu pai foi criado na garupa das motos do meu avô, meu velho também botava terror nos anos 60 montado na Lambretta, então em casa nunca houve essa frescura de "aimmm, moto é piguigoso... Aprendi pilotar moto com 12 anos porque a altura não ajudava muito, senão tinha sido com 9 como foi com carro. Aos 17 comprei a primeira moto. Bia também tinha moto quando nos conhecemos.

Ouso dizer que já andei mais de moto que de carro durante a vida e sabe quantos acidentes tive? Zero! Óbvio que não estou livre e claro que numa moto você tem mais proteção que num carro. Já tive tombinhos, raladinhos, essas coisas... mas tive muito mais ralada e encostões com carro que com moto. Moto é um veículo muito seguro nas mãos certas. Pesquise acidentes de moto e verá o seguinte padrão:

1- Moleque de até 20 anos, recém habilitado (ou mesmo sem habilitação), fazendo graça pra aparecer no corredor;
2- Cachorro louco: o mesmo moleque acima só que trabalhando com a moto e tirando o atraso
3- Cara de qualquer idade em moto esportiva. Moto esportiva é perigoso pra caralho, mesmo tendo uma baita experiência com moto eu tenho cagaço pra cacete de andar em esportiva, é uma potência absurda num troço leve. Antigamente até pegava moto assim de amigo pra dar uma volta, agora nem isso.

Veja que dificilmente verá acidente de moto com mulher (costumam andar bem de boa), tiozinho "motociclista" de moto estradeira ou cara de 30 e poucos anos (como eu) andando de 125. Claro que sempre tem aqueles casos de acidentes onde alguém bate na moto, mas até nesses se você for destrinchar a história provavelmente descobrirá que o motoqueiro teve alguma culpa devido irresponsabilidade.

Falo tudo isso pra chegar no seguinte ponto: moto pode ser um excelente aliado na sua vida, é sem dúvidas o veículo motorizado mais racional e eficiente que existe. Moto pequena, de 100 a 200cc faz na média de 30 a 50km/L de gasolina, ou seja, você anda pra caralho sem gastar praticamente nada. Se você realmente precisa de um veículo pra se deslocar, pense numa moto. Ah, e deixe de frescura com frio e chuva, coloque blusa e capa e tacalhepau!

Enfim, acho que como tudo na vida, devemos sempre nos questionar sobre nossas decisões de locomoção, um carro pode ser uma mão na roda, ou um pesadelo.

Os comentários desse blog são moderados, ou seja, passam pelo meu controle antes de serem publicados. Esse é o motivo pelo qual seu comentário não aparecerá logo após você clicar em "Publicar", portanto não precisa postar 2 ou 3 vezes! Posso demorar, mas publicarei e responderei todos os comentários que não contenham trolagens, intrigas, propagandas e baixo nível.