terça-feira, 3 de março de 2015

"Foda-se a motivação, o que você precisa é disciplina"

"Foda-se a motivação, o que você precisa é disciplina" é um artigo muito interessante do também interessante site Papo de Homem, que recomendo a todos, não só a homens. Tomei a liberdade de usar o título nesse post porque tem tudo a ver com o que vou falar.

Infelizmente somos bombardeados por mantras todos os dias, um desses mantras diz que é necessário sempre buscar motivação pra realizar as tarefas chatas: "motive-se pra academia", "motive-se pra estudar", é isso que indiretamente boa parte dos artigos sobre organização tentam enfiar em nossas cabeças, acontece que motivação é algo passageiro e nem sempre funciona. Um exemplo idiota: as gostosas da academia podem te motivar a treinar, mas será que é todo dia que elas realmente te motivarão? E aquele dia que você está com tanto problema que nem pensa em mulher (ah, tá, você é o comedor e pensa em sexo o tempo todo... tá bom...)? Motivação passa, mas se você cria uma disciplina, tudo será realizado de maneira mais eficaz e com a vantagem de disciplina se fortalecer a cada dia, ao contrário da motivação.

Assim como grande parte das pessoas, sou um procrastinador nato, estou sempre empurrando de barriga tarefas chatas sejam elas em casa ou no trabalho. Já cheguei a um ponto de acumular tanta coisa que foi necessário criar vergonha na cara, parar uma semana, só pra resolve-las. Meu maior meio de perder tempo é sem dúvidas a internet. Quando me interesso por determinado assunto fico compulsivo, passo 2 ou 3 dias só buscando informações sobre aquilo, um site leva pra outro, que leva pra outro, que leva pra outro e quando menos espero estou a 4 horas na internet e pior, muitas vezes já até esqueci sobre o que estava buscando. Sorte que não tenho Facebook, mas tenho Whatsapp e trocentos grupos dos mais variados assuntos com pessoas chamando o dia todo. Já consumi mais pornografia, mas mesmo assim é impossível não perder um tempinho todos os dias com isso...

Decidi dar um jeito nisso, ser mais produtivo sem abrir mão do que gosto de fazer. Fazem 8 semanas que estou seguindo um disciplina rigorosa nos meus afazeres, está dando muito certo e acredito que isso se deve a simplicidade do método. Até cheguei a ler sobre métodos de organização, mas me pareceu tudo muito complicado. Sempre tento fazer as coisas da maneira mais racional, simples e objetiva possível, acredito que a complicação só serve pra empacar as pessoas, por outro lado a partir da hora que você começa a fazer uma coisa de maneira simples e vê resultado, acaba sofisticando o método de maneira natural com o tempo. Por exemplo, a 2 anos atrás quando voltei a estudar inglês, investir 1 hora do meu dia estudando era massante, o tempo passou, fui aumentando o tempo e melhorando a maneira de estudo, fui vendo progresso, e hoje minha vida toda está em inglês (gadgets) e passo pelo menos 4 horas por dia em contato com o idioma (inglês é o idioma principal de busca na internet, só busco em português quando o assunto é relacionado ao Brasil).

Corey, como você conseguiu esse progresso e disciplina? Simples, muito simples. Estabeleci uma rotina de afazeres regrada e pouco flexível. Meu método antigo de organização de afazeres era um caderno onde escrevia tudo o que tinha que fazer, como uma lista, e ia riscando as tarefas cumpridas. Aquilo era frustrante porque sempre havia tarefas que simplesmente não desapareciam da lista, seja porque eram chatas demais e eu procrastinava ou porque não dependiam de mim pra serem solucionadas. Isso sem contar a bagunça que aquilo virava. Hoje estou fazendo bem diferente, no domingo a noite faço uma dessas listas com tudo o que devo resolver durante a semana que está por vir, então crio páginas no caderno pra cada dia da semana (como uma agenda), então distribuo as tarefas durante a semana. Por exemplo, se eu tenho que dar banho no cachorro na quarta, não me preocupo com isso na terça. É como se aquela tarefa não existisse, por estar anotada na quarta eu não tenho que ficar olhando pra ela todo o tempo. É mais psicológico que outra coisa, mas a gente tem que ser capaz de enganar nosso próprio cérebro em prol de um objetivo.

O segundo passo, logo após distribuir as tarefas pelos dias da semana é organiza-las durante o dia. Eu faço assim: estabeleço um prazo de tempo pra fazer cada tarefa e escrevo no caderno, no dia correspondente como farei. Nisso incluo também aquelas tarefas diárias como ir pra academia e estudar inglês, veja por exemplo como foi meu dia de ontem (cada dia da semana é diferente do outro:

06:00 - acordar e tomar café
06:30 - academia
08:30 - verificar emails das lojas e fechamentos do dia anterior
09:30 - revisão para a aula de inglês
10:00 - aula de inglês (gramática, Skype com professor da Austrália)
11:00 - estudo de inglês (história dos EUA)
12:00 - preparar almoço, almoçar, lavar a louça
13:30 - cochilo
14:30 - ir pra loja antiga
17:30 - ir pra loja nova
(tenho uma lista de tarefas do que fazer nas lojas)
21:00 - supermercado
22:00 - internet (livre)
23:00 - dormir

Tenho conseguido seguir essa rotina porque levo muito a sério a questão dos horários, como disse, é tudo questão de disciplina, se eu seguir a risca, será possível fazer. Note que há uma margem de tolerância pra todas as tarefas, prefiro fazer tudo com calma e ter tempo sobrando que sobrecarregar e não conseguir cumprir. Se acaso não consigo fazer algo da agenda, coloco para o próximo dia e ataco essa tarefa logo no começo, pra me livrar logo. É uma rotina quase militar, mas tem funcionado pra mim, como disse, é algo simples de ser colocado em prática, por isso funciona.

Acredito que se um dia eu não conseguir cumprir esse tipo de rotina é porque tenho tarefa demais pra tempo de menos, portanto terei que cortar tarefas em prol de conseguir fazer tudo o que preciso. Vejo pessoas sobrecarregadas porque trabalham mais do que deveriam, e o fazem porque precisam de mais dinheiro do que deveriam pra gastar mais do que deveriam... Ou seja, o problema não é falta de tempo, o problema é excesso de tarefas... Eu, por exemplo, não abro mão dos meus exercícios e do meu tempo de estudo, se amanhã estiver sobrecarregado no trabalho, darei um jeito de diminuir as tarefas do trabalho. Simples assim! Automação de processos é algo que ajuda muito, coisas simples como contas em débito automático, softwares que fazem coisas sozinhos, ou seja, usar a tecnologia a nosso favor ajuda demais a otimizar o tempo.

A disciplina ajuda a fazer as coisas no sentido que não preciso estar motivado pra fazer algo, eu só preciso saber o que fazer, quando fazer e durante quanto tempo fazer. O relógio ajuda a não ultrapassar os prazos das tarefas o que me obriga a fazer as coisas de maneira eficaz, sem perder tempo. Uma coisa leva a outra, é um ciclo positivo.

Percebam que a maior parte do tempo é gasto comigo mesmo, com coisas para desenvolvimento pessoal. Trabalho entre 6 e 8 horas por dia nas lojas, 4 dias por semana e só! Sou fodão? Sou o rei da eficiência? Não, claro que não, eu simplesmente priorizo as coisas. Analiso da seguinte forma: as lojas tem funcionários, tenho gerentes, tenho maneiras de controlar fraudes (não que elas não possam existir, mas consigo ao menos minimizar), as lojas estão rodando de uma maneira viável e dando lucro. Por que caralhos vou me matar, abri-las as 7 e fecha-las as 22 todos os dias? Eu não! Faço o meu trabalho, dou orientação aos funcionários e vou cuidar da minha vida. Minha saúde é mais importante que minhas lojas, por isso frequento academia 4 a 5 vezes na semana por 1 hora e meia, por isso preparo minha própria comida todos os dias e por isso faço o possível pra me manter num baixo nível de stress. Meu desenvolvimento pessoal é mais importante que minhas lojas, por isso estudo diariamente inglês e busco conhecimentos gerais na internet, é isso que vai fazer meu futuro mais feliz. Minha vida não é nem nunca será meu trabalho.

domingo, 1 de março de 2015

Resumo - Fevereiro/2015

Antes de falar sobre o mês de fevereiro gostaria de comentar um pouco sobre o comportamento de algumas pessoas que comentaram no meu último post Academia de Rico X Academia de Pobre: O Que Podemos Aprender?, Algumas pessoas comentaram que eu estava escrachando o lado pobre, que eu sou polarizado e só me envolvo com "ricos", que só porque meus negócios vão bem eu estou de nariz empinado, metido, que perdi a humildade, etc. Gostaria de esclarecer uma coisa. Ao contrário de muita gente, eu não tenho a menor preocupação em parecer humilde, gente boa com todo mundo, eu jamais idolatro favelização. Se você me acha metido é porque eu sou metido, embora respeite todos (no sentido de não maltratar ninguém) eu não sou obrigado a gostar mais de alguém por ela ser pobre, não sou obrigado e achar churrasco em laje regado a Itaipava, funk, forró, barulho e incômodo a vizinho como algo saudável e divertido. Não sou obrigado a achar a cultura do "pobre" melhor que a do "rico". Não sou obrigado a odiar comidas e lugares goumertizados: eu como paleta mexicana, já fui algumas vezes no Paris 6 e provavelmente não viajarei mais dentro do Brasil. Por outro lado não saio falando onde vou e deixo de ir, não tenho orgulho de dizer que vou ao Fogo de Chão, do mesmo jeito que também não tenho orgulho de dizer que adoro o churrasco grego de um cara na Avenida São João, lá em cima, perto da bolsa (pqp, um dos melhores que já comi, inclusive acabei de lembrar de uma história que me aconteceu lá, conversei com um mendigo muito interessante - merece um post...). Essa história politicamente correta de não poder gostar de "coisas de rico" e ter que respeitar "cultura de pobre" é uma das coisas mais imbecis dos dias de hoje...

Bom, agora vamos ao que interessa, fevereiro passou, carnaval acabou e com isso espero que o ano comece a andar de maneira mais estável. Não posso reclamar, fevereiro foi um mês muito bom de faturamento nas lojas, aliás, isso tem se repetido nos últimos tempos, exceto por novembro de 2014. Estou motivado pra trabalhar e também para fazer minhas coisas pessoais, isso tem repercutido positivamente no faturamento das lojas.

Aparentemente o crescimento da loja nova começou a estabilizar, não houve um crescimento expressivo nesse último mês. Ótimo, isso teria que acontecer mesmo e quer saber, espero que estabilize sim porque se continuar crescendo me trará problemas como funcionários e tributação mais elevada. Como não pretendo me desfazer dessa loja tão cedo, não há porque aumentar o faturamento exponencialmente e junto com isso ter que encarar os problemas inerentes disso. Estranho? Sim, pode ser, mas essa é mais uma questão que não se ensina nos Sebrae da vida... nem sempre aumento de faturamento é uma coisa boa. Fevereiro foi o último mês que reinvesti todo o lucro da loja nova, a partir de março, irei fazer retiradas mensais, dinheiro esse que será 100% enviado aos Estados Unidos. Agora preciso descobrir como investir essa grana lá pra ao menos proteger contra a inflação deles (que não é muita, mas existe). Sugestões?

Por outro lado, houve um crescimento considerável do faturamento da loja antiga quando comparado com o mesmo período dos últimos anos, acredito que isso seja devido a mudança do nome fantasia, da fachada, dos uniformes e do layout interno. Povo besta, só porque tem nome de rede pensa que a loja é melhor que as outras, tsc tsc tsc... Pelo jeito a goumertização do mundo chegou até a minha loja, rsrs! Vou aproveitando isso e ganhando dinheiro... Os negócios vão bem, não só pra mim mas para vários colegas de ramo, esse seria um motivo e tanto pra expandir ainda mais os negócios, ganhar mais dinheiro e permanecer no Brasil, afinal, enquanto muitos reclamam, os noticiários dão notícias desgraçadas e sombrias sobre a economia, a gente consegue crescer bem acima da inflação. SQN! Isso só serve pra ratificar minha decisão e facilitar as coisas, dinheiro e sucesso profissional (ou empresarial) não me seguram no Brasil.

Finalmente em fevereiro consegui voltar com tudo pra academia e também aumentar as horas de estudo de inglês, tudo graças a uma escala de horários padrão militar que estou seguindo. Sou procrastinador nato, preciso me policiar pra fazer as coisas, mesmo aquelas que gosto de fazer. Tem dado certo, farei um post a esse respeito no decorrer do mês.

Os temas que pretendo abordar durante o mês de março são:

  • Como uma rotina pré estabelecida e levada a risca pode melhorar a vida de uma pessoa
  • E se for preciso continuar no Brasil, o que farei?
  • Empresas nanicas, lucros astronômicos: as empresas que você não dá a mínima e que faturam alto
  • Custo de vida nos EUA, concorrência e baixa margem de lucro das lojas americanas

terça-feira, 24 de fevereiro de 2015

Academia de Rico X Academia de Pobre: O Que Podemos Aprender?

No carnaval me aconteceu algo curioso. Precisei dar folga para alguns funcionários da loja antiga, então trabalhei todos os dias do carnaval, Bia e eu. Por causa disso, precisei mudar um pouco a minha rotina, mas não queria parar de ir pra academia, justo agora que peguei firme novamente e estou vendo resultados relativamente rápido, por isso decidi pagar uns dias avulsos na academia "fechanunca" do lado da loja. Foi um verdadeiro estudo sobre o comportamento humano. Antes de mais nada gostaria de falar que esse post é somente sobre observações, não tem o intuito de "descobrir" quem é melhor ou pior...

Bia e eu moramos num prédio desses moderninhos num bairro classe média-alta de São Paulo capital. O prédio possui um monte dessas frescuras tipo espaço gourmet, lava-cachorro (muito útil, diga-se de passagem), coleta da água da chuva (utilíssimo nos dias atuais em Sampa) e piscina, mas não me pergunte porquê, não tem academia, mesmo a faixa etária dos moradores ser de típicos fitness. A administradora do condomínio firmou uma parceria com uma academia na mesma rua, pagamos R$ 170 o casal numa academia dessas top, cheia de equipamentos novos, ar condicionado, valet (um dos carmas de Sampa) e zilhões de professores (mensalidade avulsa em torno de, pasmem, 400 dilmas!!!). Devido a "exclusividade" da academia, somente galerinha de grana frequenta, pela manhã no horário que costumo treinar, vejo sempre um Jaguar estacionado em frente, sem contar a quantidade de gringos (também não me pergunte o porquê) e os papos sobre viagens fodas, suplementos carísssimos e negócios (essa parte é bem interessante). Tem até famosinho que frequenta lá (claro que não vou revelar, rsrs).

Noto que os frequentadores dessa academia se dividem basicamente em dois grupos:

1- Ricos ostentadores; chegam de carrão, usam roupas de academia de grifes, eletrônicos da Apple, fazem questão de expor a marca dos suplementos que tomam. São sociáveis, falam com todo mundo, procuram fazer amizade. São homens e mulheres jovens, bonitos, com "cara de rico".

2- Ricos frugais: esses são os mais interessantes pois parecem não se importar com o carro que chegam (tem um cara que um dia vai de Uno 95 e no outro de BMW série 7), usam qualquer roupa pra treinar (detalhe pras camisetas de eventos como congressos, reuniões no exterior e simpósios), fazem seu treino quase sempre interagindo somente com os professores e olhe lá. Quem veio de baixo e trabalha ou trabalhou em bairro de periferia como eu sabe muito bem discernir quem tem dinheiro e quem é pé rapado.

O que essas pessoas tem em comum quando dentro de uma academia? Treinam silenciosamente, não gritam, urram ou emitem sons alusivos a prática de exercícios físicos, usam toalhas pra enxugar o suor, desinfetam os aparelhos após o uso, oferecem pra revesar os aparelhos quando percebem que você quer usa-lo, quando falam com você costumam ser educados... Mas a coisa que mais me chama atenção é o padrão de beleza dessas pessoas. As mulheres costumam ser magras ou "encorpadas" de maneira natural. Nada daquele bundão que parece uma bola de basquete, nada de barriga tanquinho (eca, uma das coisas mais brochantes é uma mulher com gominho na barriga), elas costumam ser gostosas (meninas que estão lendo o blog, desculpe a escrotice do termo) na medida certa, são atraentes mas não vulgares. Os homens costumam ser mais definidos, braços fortes porém normais (tipo Daniel Craig), não usam aquelas camisetinhas regatas que mais parecem um fio dental vestido pelo lado errado do corpo. Homens treinam pernas e fazem aeróbico. Entre as mulheres, a "cor do pecado", ou seja, o bronzeado não é predominante, parece que mulher rica não toma sol, rsrs!

Agora vamos nos transportar para a academia de bairro ao lado da minha loja. O bairro é antigo, com muitas casas onde vivem senhorinhas que ali criaram seus filhos, vivem uma vida frugal porém confortável. Não é incomum ver fuscas 1970 único dono. No meio dessas casas, prédios residenciais vão despontando, os apartamentos são aqueles clássicos paulistanos de 45m² e dois dormitórios. Um grande empreendimento MRV está próximo, 87769874764 unidades vendidas no início do programa Minha Casa Minha Vida. Portanto, não há gente rica, mas também não é um bairro podrão de periferia, é um bairro daquilo que costumávamos chamar de classe média até os anos 90.

A academia é a melhor do bairro, relativamente grande, localizada numa sobre-loja. Não possui aquela belíssima fachada de vidro temperado que a "minha" possui, tampouco ar condicionado e valet. É simples, porém barata e funcional, tem bastante aparelho, nada sofisticado mas é perfeitamente "treinável", vive cheia e a fauna é a mais variada possível.

Não existem grupos homogêneos como acontece na academia do meu bairro. Há de tudo por lá: senhoras que só fazem aeróbico de leve, senhores que puxam um ferrinho de boa, gordões que decidiram mudar suas vidas, pré-adolescentes... Mas o predominante são os jovens, de 18 a 30 anos, dentre esses os homens se destacam pela socialidade, fazem amizade com todos, ou ao menos tentam. Ficam uns incentivando os outros, tiram sarro, fazem piadas, dão ideia nas meninas bonitinhas. Quase todos são bombados, é nítido que tomam "uns negocinhos", muitos são deformados, com aqueles braços imensos que se pintados de verde podem fazer figuração no filme do Hulk, são desproporcionais, pernas finas, parecendo palitos de dentes e costas enormes. Jamais verá homem treinando perna, "isso é coisa de mulher", as regatinhas ridículas imperam, o suor pingando por todos os lados também, nem tente revesar, alguns loteiam certos equipamentos e ninguém chega perto.

Como que uma pessoa consegue correr
na esteira com um fone desses?
Entre as meninas temos aquelas que não fazem porra nenhuma, ficam o tempo todo no celular e quando muito fazem agachamento, porém muitas são estranhas, estilo Panicat overloaded, com aqueles bundões estranhos que dá impressão que explodirão numa grande tempestade de merda a qualquer momento. Suas vozes são mais grossas que a minha, algumas tem até barba! A vestimenta é típica: para ambos os sexos camisetas chamativas, laranja, roxa, pink com dizeres do tipo "no pain, no gain", "tá pesado? faz balé", "fala menos, treina mais", etc... É muito provável de se encontrar um sem noção ouvindo funk no celular ou ao menos naqueles fones de ouvido do Pelé na copa de 94. Acredito que o tamanho da garrafinha de água tem direta influência no desempenho na atividade esportiva porque tem gente que leva garrafões de 5 (CINCO) litros!!!

As tatuagens, ahhh, as tatuagens, rico tem tatuagens pequenas, localizadas e quase sempre exclusivas, são desenhos que quase sempre só o dono entende o significado. Pessoal mais humilde tem os corpos cheios de tatoos, impressionante a quantidade de tribais, e rabiscos aleatórios nos homens e dragões, peixes e coisas assim nas meninas. Eu, como não vejo o menor sentido em nada que seja irreversível, só observo. Acho tatoo um negócio totalmente sem graça e desnecessário.

A experiência de treinar na academia da vila da loja foi super divertida. Interessante notar a extrema diferença no conceito de beleza entre "ricos" e "pobres". Para o pessoal que tem dinheiro, o importante é ser atraente de maneira natural, as pessoas menos favorecidas exageram um pouco mais, querem ser chamativos e pra isso acabam se entupindo esteroides ou morando na academia.

Não vou dizer que uma academia é melhor que a outra porque em ambas é possível treinar sem maiores problemas. Também não vou criticar um lado ou o outro, existem coisas que me incomodam em ambas, os "ricos" não são perfeitos. Esse post foi só pra fazer essa observação, o que separa ricos e pobres é muito mais que dinheiro, são atitudes, costumes, hábitos, conceitos, diretrizes de vida... Por isso acredito que se você deseja ser rico, seja de dinheiro, de conhecimentos e habilidades ou tudo junto e misturado, é fundamental conviver com pessoas também ricas, não há outra maneira, a internet não ensina tudo.

E no final usarei esse exemplo da academia e do conceito de beleza pra embasar uma coisa que tenho procurado fazer nos últimos tempos: melhorar minha vida, seja melhorando a qualidade dos produtos que consumo, a qualidade dos lugares que frequento, das roupas que uso, o lugar onde moro, o carro que tenho, o que leio, o que estudo, os programas que assisto na TV, os filmes que vejo, os lugares pra onde viajo... Estou procurando melhoria como pessoa e tudo isso conta muito. Custa dinheiro? Sim, custa, mas mesmo assim é possível ser frugal, mesmo que gastando um pouco mais. No frigir dos ovos acho que tenho mais o que aprender com o tiozão que um dia vai de Uno e no outro de BMW que com o "badboy" bombado...

sábado, 21 de fevereiro de 2015

Vai dizer que ele tá errado...

Posso parecer um chato, que sempre volta no mesmo assunto, aparece com o mesmo tipo de vídeo... Posso ser chato, mas sou um chato realista. Não vou falar mais nada, assistam esse vídeo e tentem discordar desse rapaz, bom final de semana!


quarta-feira, 18 de fevereiro de 2015

O Mito do Retorno do Investimento

100% dos textos, reportagens, séries sobre empreendedorismo, programas do Pequenas Empresas Grandes Negócios, sites sobre franquias e demais materiais relacionados ao empreendedorismo sempre falam do tal "retorno do investimento" que nada mais é que o tempo necessário pra recuperar o investimento. Exemplo: você investiu 100 mil reais num negócio, ele te dá 10 mil líquido por mês, logo seu retorno de investimento é de 10 meses. Mas até que ponto isso é importante?

Na minha opinião o retorno de investimento é totalmente irrelevante, veja algumas variantes que podem impedir o cálculo correto disso:

1- Qual a maneira de calcular isso? Considerar somente o lucro líquido? E o pro-labore? Desconta o pro-labore? O pro-labore é um valor justo? O proprietário tira pro-labore? O proprietário cumpriu qual função? Qual o salário justo pra ele?

2- O lucro líquido pós pro-labore existiu? Se existiu, sobrou? Ou foi reinvestido na empresa? Esse reinvestimento provocou aumento no faturamento? E nos lucros? Quantos porcento? Considerou esse aumento de lucro no cálculo do retorno?

3- O valor investido no negócio foi fixo? Ou foi preciso investir um "cadinho" mais nos primeiros meses? Esse dinheiro foi contabilizado como investimento na empresa? Você tinha esse capital ou foi um empréstimo? Se empréstimo, o lucro líquido considera os juros ou o principal?

Pode até existir uma fórmula correta, saída de alguma faculdade de empreendedorismo, mas na prática ninguém sabe como calcular isso. Exatamente por esse motivo, é besteira perder tempo com isso, até porque no final das contas, o número que você obtiver não quer dizer absolutamente nada. Por quê?

Dane-se quantos meses você demorará pra recuperar o investimento que fez na compra de uma empresa. Isso é irrelevante! Um negócio é melhor que o outro por "retornar" o investimento antes? Jamais! O que importa é lucro, o resultado da seguinte conta: VENDA MENOS DESPESA FIXA MENOS VALOR DA MERCADORIA. Isso é o que chamo de RENTABILIDADE LÍQUIDA, chame como quiser, mas é o que realmente tem importância numa empresa. Esse é seu lucro, o que você vai fazer com ele não importa. Vai comprar tudo de vinho? Vai fumar de maconha? Vai guardar na poupança? Dane-se, faça o que quiser com ele, mas é esse valor que importa!

Mas a irrelevância do "retorno de investimento" não para por ai. Por que caralhos você quer saber em quantos meses terá o retorno do que você investiu se o investimento ainda estará investido? Confuso? Nem tanto. Digamos que você compre uma empresa no valor de 100k, daqui um mês essa empresa poderá estar valendo os mesmos 100k, você a vende e voilà, você tem o retorno do seu investimento do dia pra noite! Ou melhor ainda, você reinveste um pouco dos lucros e um ano depois ela está valendo 150k, você a vende e tem o retorno do investimento mais 50% de lucro do dia pra noite. O contrário também pode ser verdadeiro... você sugou a empresa e após um ano ela está valendo 50k. Você jura de pé junto que ela retornou o investimento porque você tirou 10k por mês nesse período... será mesmo? Não, amigão, você foi iludido pelo conto do "retorno do investimento". O retorno do investimento REAL é o valor pelo qual você consegue vender a empresa e você só verá a cor dele na hora que vende-la.

Quer outro exemplo de quão besta é esse negócio do retorno de investimento? Você compra um apartamento para locação. Você pagou 200k e alugará por 1k. Qual o retorno do investimento? 200 meses? Claro que não! O 1k mensal é seu fluxo de caixa, o retorno do investimento você terá quando e se vender o apartamento. Uma loja de varejo como uma quitanda, um posto de gasolina, um boteco é um ativo como outro qualquer!

Outro exemplo mais palpável. Vejam como foi a compra da minha loja nova aqui. Quando comprei a loja do Seu João, paguei a ele Ba$ 75 mil (75 mil bananas , lembrando que Ba$ 1 não vale R$ 1, ok?), gastei mais Ba$ 30 mil na reforma. Logo o investimento total que fiz na loja foi de Ba$ 105 mil. Atualmente o faturamento bruto da loja é Ba$ 110 mil mas não tirei Ba$ 0,01 dela ainda... Como ficaria o retorno do investimento no meu caso? Ainda não tive o retorno porque não fiz retiradas? Os lucros reinvestidos entram na soma do valor investido? Foda-se! A loja vale Ba$ 600 mil, se eu vender hoje, coloco os Ba$ 105 mil que tirei do bolso novamente dentro dele e ainda coloco o troco. Se não vender e decidir parar de reinvestir os lucros colocarei pelo menos Ba$ 15 mil mensalmente no meu cofrinho e os Ba$ 105 mil continuarão lá, investidos. Deu pra entender?

É por essas e outras que sou extremamente cético com textos sobre empreendedorismo. Se as pessoas consideram essa besteira como algo relevante e esquecem do que realmente importa, que é a rentabilidade líquida, não posso dar credibilidade a esse tipo de matéria. Aí você pode me perguntar: "Corey, todo mundo usa esse parâmetro pra analisar uma empresa, só você está certo e todos errados?" Eu respondo: Posso estar errado, mas não estou sozinho, o português da padaria, dono de metade do bairro está comigo, o japonês dono da quitanda também, o Seu Jorge da farmácia também está pouco se lixando pro retorno do investimento... Você, sabichão de internet pode não dar valor pra esses caras, mas são eles que durante décadas fizeram e continuam fazendo muito dinheiro com comércio. Jamais desvalorize essas pessoas, elas podem ser simples, sem conhecimentos sobre siglas da Bovespa mas sem dúvida, sabem ganhar dinheiro. Aprenda mais com elas e menos na internet. Arrisco dizer que 95% do material sobre empreendedorismo que achamos na rede é totalmente irrelevante se não errado e utópico. Na prática, o buraco é mais em baixo...

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2015

Vídeo - "Por que eu não vivo no Brasil?" - por Alex

O Alex é dono de um interessante canal no Youtube chamado America Uncut, ele mora nos EUA a muito tempo, ficou fora de status, se legalizou por casar com uma cubana e hoje leva uma vida tranquila trabalhando na construção civil no sul da Flórida. Seus vídeos são interessantes porque ele não é um vislumbrado recém chegado aos EUA que acha tudo perfeito, como o próprio nome sugere, ele conta a verdade, sem cortes, do que é viver na América (mi mi mi, Brasil também é América! Vai se foder!).

Esse vídeo que apresento a vocês hoje é o mais recente onde ele argumenta o porquê não quer mais voltar a viver no Brasil. Contra fatos não existem argumentos, e é impossível não concordar com as razões relatadas por ele. Esse vídeo veio a calhar com o assunto debatido aqui nesse blog nos últimos dias após minhas postagens sobre os empresários que estão deixando o sucesso financeiro no Brasil e mudando pra outros países e minha breve análise das cidades pequenas da Flórida. Alguns comentários questionaram-me da vida "sem graça" que se vive nos EUA, onde as ruas são limpas, planejadas, sem buracos; onde as pessoas não ficam se agarrando e gritando umas com as outras nas ruas; onde você não frequenta a casa dos amigos com tanta frequência como no Brasil; onde supostamente a comida é ruim, etc.

Acredito que tudo é uma questão de valores e preferências, tem gente que realmente gosta de bagunça, gosta de viver rodeado de "amigos", de beber 3 vezes por semana, de frequentar a casa do vizinho, de fazer churrasco todo domingo e chamar quem quiser ir, que gosta de carnaval e suas consequências como praias e estradas lotadas, disseminação de DSTs, de desfiles repetitivos das escolas de samba, etc. Essas pessoas estão erradas? Não, claro que não! Há gosto pra tudo... Particularmente eu prefiro uma vida "sem graça", pagar que seja 50% de impostos mas ter retorno, viver numa cidade planejada onde é possível se deslocar sem GPS porque a localização das ruas é óbvia; eu jamais recebo amigos em casa, fazemos reuniões em bares e restaurantes. Aliás, nem tenho tantos amigos, boa parte dos meus amigos de verdade não estão mais no Brasil (seria coincidência?), portanto fazemos "churrascos virtuais por Skype" pra confraternizar...

Eu sempre digo uma coisa: se você visitar um país de primeiro mundo, seja EUA, Canadá, países da Europa (por mais fodidos são melhores que o Brasil) e não sentir a mínima vontade de morar lá é porque seu lugar definitivamente é o Brasil. E se você está morando num país desses e só reclama, se tudo está ruim, se você não consegue conviver com pessoas "frias" (eu prefiro chama-las de educadas), fique a vontade, o Brasil te espera e ao menos que você renuncie a cidadania brasileira, você poderá morar aqui a qualquer momento. Faça esse favor pra você, pra sua família e amigos (tenho certeza que eles sempre preferirão que você esteja por perto) e também aos brasileiros que querem e gostam de viver no exterior, deixe-os viver a vida por lá em paz.

Segue o vídeo do Alex, insisto para que assistam até o final, vale a pena pra todos, para reforçar a ideia de sair do Brasil para quem, como eu, deseja e também para abrir os olhos dos vislumbrados pelas terras tupiniquins.


quinta-feira, 12 de fevereiro de 2015

Arrendamento de Comércios, dúvidas, dúvidas e mais dúvidas

Amanhã o Blog do Corey completa 3 anos de idade, desde a primeira postagem muita coisa mudou na minha vida, no começo meu foco era a Independência Financeira através de renda passiva, hoje é emigrar para outro país. Durante esse tempo passei alguns perrengues na vida pessoal, mudei muita coisa na profissional e principalmente amadureci bastante. Enfim, acho que estou tendo um progresso razoável como pessoa.

Consulte sempre um advogado
O assunto de hoje não é o aniversário do Blog e sim o Arrendamento de Comércios. Em março de 2013, portanto quase 2 anos atrás, eu fiz duas postagens falando sobre a possibilidade de arrendar um comércio ao invés de compra-lo, que isso pode ser um bom negócio para ambas as parte, etc. Veja a primeira parte aqui e a segunda parte aqui. Desde então venho recebendo inúmeros emails de pessoas que estão querendo arrendar seu comércio ou ao contrário, pessoas que estão em busca de um comércio para arrendar. Respondi diversos mas confesso que parei de responde-los de um tempo pra cá por achar que poderia estar falando merda. Vou explicar por quê:

Até onde sei, o arrendamento de comércios não é algo "legalizado", isso não quer dizer que seja clandestino ou proibido, quer dizer que não há uma legislação específica sobre o assunto. Se eu estiver errado, por favor me corrijam, como eu disse, isso é o que acho. Partindo desse pressuposto, toda e qualquer forma de arrendamento pode ser justa, desde que acordadas entre as partes. As principais dúvidas que surgem nos emails podem ser resumidas em 3 questões:

1- Vou arrendar um comércio. Quem paga a conta dos funcionários? Eu ou o dono do comércio?
R: Vamos partir do princípio que existem duas principais maneiras de se obter remuneração através do arrendamento do comércio. A primeira é você acordar com o dono da empresa um valor específico de retirada. Por exemplo: João arrendou uma loja para Pedro, este receberá 5 mil reais por mês, o restante do lucro será de João. Outra maneira é o oposto: João arrendou uma loja para Pedro, João receberá de Pedro mensalmente 5 mil reais, o restante do lucro será de Pedro.

Dentro desse cenário fica fácil visualizar quem pagará o que. Se for a primeira maneira, o valor pago aos funcionários sairá da retirada de João e vice-versa. Não tem mistério, tudo dependerá do acordo feito. Qual opção é melhor? Depende da realidade de ambos, impossível falar, nem adianta escrever emails perguntando isso que não irei responder, rsrs (não quero me colocar no meio de algo que pode dar confusão amanhã).

2- É necessário dar baixa e acertar os funcionários antes de iniciar o arrendamento?
R: Na minha maneira de ver, não! Isso seria necessário no caso de uma operação de compra/venda, no caso do arrendamento na teoria a empresa voltará às mãos do proprietário um dia, loja isso é desnecessário.

Podemos pensar um arrendamento como no caso do patrão deixar a empresa nas mãos de um gerente. Só que nesse caso, a influência do patrão e intromissão no negócio será muito menor ou nula. Logo, não é necessário encerrar CNPJ, dar baixa em funcionário, mudar contrato social, nada disso. Mas atenção, sempre é bom fazer um contrato com advogado e colocar tudo no papel, o que é responsabilidade de um e de outro.

3- Não tenho dinheiro, não tenho experiência e me ofereceram um açougue falido em sistema de arrendamento, é bom negócio?
R: NÃO, PELO AMOR DE DEUS, NÃO FAÇA ISSO! O arrendatário perfeito é aquele que é funcionário ou ao menos uma pessoa de muita confiança do arrendador, além disso, deverá ter experiência de gerenciamento do negócio em questão, além de conhecer muito bem a região. Não esqueça que se você for o arrendatário, estará lidando com algo de muito valor que não é seu, é como dirigir um carro caro, emprestado e sem seguro. Atenção redobrada se você é o arrendador, você vai deixar sua empresa na mão de qualquer um?

Mais uma vez repito, não sou advogado, não conheço o que é certo ou não. Já fui arrendatário durante um curto período de tempo, foi um acordo temerariamente feito de boca, o arrendador é uma pessoa muito querida que confiou em mim durante um período complicado da sua vida. Deu super certo devido a relação de confiança, foi um acordo feito sobre o fio do bigode.

Estudarei mais a fundo mais a frente quando eu for implantar o plano de emigração aos EUA pelo visto L1 (leia mais aqui). Provavelmente será sobre essa modalidade comercial que moldarei meu plano de negócios, afinal eu precisarei manter ao menos uma loja no Brasil para poder dar seguimento ao plano (exigência do governo americano). Para isso já tenho a pessoa certa e estou preparando-a para tal, será um bom negócio para ambos. Voltarei ao tema mais pra frente.

Isso é tudo o que sei sobre o assunto arrendamento de comércio, tudo o que posso opinar genericamente. Desculpem-me se posso parecer arrogante, mas infelizmente não tenho tempo (nem paciência) para analisar casos específicos e dar uma opinião sobre determinado negócio, não posso deixar meus afazeres pra isso, até o faço para amigos, mas aí é diferente. Essa postagem servirá de FAQ para os emails sobre esse assunto daqui pra frente.
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