sábado, 27 de junho de 2015

"Voltar ao Brasil é uma Opção?" - Por Renato

Renato tem um blog chamado Um Brasileiro na Terra do Tio Sam, foi morar nos EUA em 2009 por não aguentar mais o Brasil por aqueles motivos que estamos cansados de saber. Ele inclusive já foi citado aqui nesse blog e já respondeu a comentários, é um cara muito legal. Recomendo o site dele a todos que gostam do tema imigração.

Hoje foi copiar uma citação de um dos posts dele, lembrando que esse trecho abaixo não foi escrito por mim e sim por um cara que mora nos EUA a 6 anos:

"Se me perguntarem seu eu voltarei a morar no Brasil eu digo sinceramente que acredito que não. Eu não consigo mais viver no Brasil. Das vezes que eu fui visitar, depois de alguns dias já queria voltar "para casa". Sim aqui é a minha casa. A nossa casa é aonde o nosso coração está. No caso do Márcio, o coração dele não saiu do Brasil. Eu gosto muito da vida que eu tenho nos EUA. Eu gosto da organização. Eu gosto da educação da grande maioria das pessoas. Eu gosto das minhas janelas sem grades, do jardim da frente da minha casa sem muros, dos meus vizinhos. Eu gosto da natureza de Orlando, das dezenas de passarinhos, esquilos, e outros bichos que vêm comer e fazer ninhos no meu quintal. Eu gosto do silêncio e respeito da vizinhança, depois das 10 horas na noite. De dormir sem ouvir nenhum barulho. Eu gosto do respeito no trânsito (nunca vi um acidente de trânsito em 5 anos, só na televisão). Eu gosto de ir ao supermercado com 100 dólares e trazer 4 grandes sacolas cheias de coisas. Eu gosto do fato de que não sinto medo quando ando nas ruas, quando entro e saio do carro, quando vem uma moto em minha direção. Eu gosto de ver o quanto eu pago de impostos em cada compra e ver que, nos ítens de alimentação (leite, ovos, batata, legumes, arroz, etc) o imposto é ZERO. O imposto da gasolina também é zero. Eu gosto de ver o quão devagar os carros trafegam pelas ruas residenciais e que todos páram no sinal do stop. E ver que, em um cruzamento de 4 vias, sem semáforo, todos páram e cada um sai na mesma ordem que chegou, sem auxílio nem mesmo de guardas de trânsito e ninguém se confunde ou fura a fila. Eu gosto de andar de bicicleta e ver que os carros ao passarem por mim reduzem a velocidade e dão a distância de 1,5m. E que as pessoas ao me cruzarem, cumprimentam sem nem mesmo me conhecer. Eu gosto de ver meus vizinhos nos finais de semana cortando suas gramas e cuidando da aparência externa de suas casas (embora por dentro a gente sabe que é diferente). Eu gosto de ir aos restaurantes de Orlando e sempre ser servido com um sorriso por um atendente americano. Eu gosto do fato de não ver animais abandonados nas ruas já por quase 6 anos. Eu gosto de ver o cuidado que os americanos têm com seus cachorros e gatos. Quase não há cachorros soltos no quintal. Todos querem ter seus melhores amigos dentro de casa com eles, longe do calor escaldante ou do frio intenso. Eu gosto de ver crimes sendo solucionados (a estatística é de 90%). Eu gosto de ver criminosos, independente da classe social, ir para a cadeia pagar pelo que fez. Eu gosto do respeito do americano pelas leis. Eu gosto da qualidade das construções e do acabamento das casas nos EUA. De quanto conforto térmico, acústico, etc, se tem dentro delas. E que pessoas de classe média baixa e pobres podem ter conforto também! Eu gosto do cuidado que a prefeitura teve em fazer sarjetas arredondadas para que os carros não risquem as rodas nelas. Eu gosto da velocidade da internet e do telefone 4G. Eu gosto da confiança que o governo dispensa à população enviando a placa do carro pelo correio para que você mesmo parafuse no carro. Eu gosto do fato de que a palavra do cidadão tem valor até que se prove ao contrário. Você diz "foi assim" e todos acreditam. Eu gosto de não ter medo da polícia e eu sorrio quando vejo uma pessoa negra em uma Mercedez, BMW ou Audi (e é bem comum), pois eu percebo que os afro-americanos têm mais oportunidades aqui. Eu gosto de viver aqui. Eu sou feliz aqui. Poucas coisas me incomodam."

E ainda tem gente que não entende o porque que muitos, inclusive eu, querem sair do Brasil...

quarta-feira, 24 de junho de 2015

Progredindo Dia a Dia

Meu amigo BBB escreveu dois excelentes posts recentemente sobre a importância de se progredir e nunca retroceder no que diz respeito aos aspectos financeiros e de conforto e sobre a "pseudo-frugalidade" de alguns caras ricos. Recomendo a leitura de ambos antes de continuar lendo o meu:

http://byebyebrazil.blogspot.com.br/2015/06/progredir-sempre-retroceder-jamais.html
http://byebyebrazil.blogspot.com.br/2015/06/frugalidade-de-rico.html

Pois bem , concordo completamente com meu amigo BBB, tanto que já toquei nesse assunto diversas vezes nesse blog, veja alguns posts a respeito:

http://coreyinvestidor.blogspot.com.br/2014/04/um-tranco-pra-sair-da-zona-de-conforto.html
http://coreyinvestidor.blogspot.com.br/2015/04/ate-quando-frugalidade-vale-pena.html

Acredito 100% que devemos gastar dinheiro pra ter dinheiro. Essa história de que todo rico é frugal, que rico de verdade não gasta dinheiro com luxos e coisas supérfluas é coisa de livro de auto-ajuda. É fácil convencer uma pessoa que o Fulano ficou rico morando na casa dos pais, andando de Mille pelado e com roupas puídas. Isso realmente acontece, conheço vários casos assim, mas na minha opinião essas pessoas são pobres com contas bancárias gordas o que não faz o mínimo sentido.

Quando adolescente trabalhei alguns meses pra um cara que estava criando um império de lojas, inaugurando 2 ou 3 lojas por ano, empregando um monte de gente, as lojas viviam cheias de clientes... O cara tinha seus 35 anos, casado, morava num quartinho na casa de 70m² dos pais numa periferia barra pesada. Andava de Gol "a ar" podre, de roupas puídas e levava marmita todo santo dia dentro do carro (comia na loja onde estivesse na hora do almoço). Saí da empresa do cara justamente por causa da mendigagem dele: atrasava salários, pagava menos que a média, exigia mil coisas que ele mesmo não dava exemplo, etc. Soube através de ex colegas que ele só foi mudar da casa dos pais uns 3 anos depois, passou a usar um carro decente (e blindado) após sofrer tentativas de assalto. Ok, o cara venceu, criou uma rede consolidada de lojas, mas nessa ânsia de ser o frugalzão perdeu mil bons funcionários, foi roubado por gerentes picaretas e pior, achou que poderia dar um nó na receita federal, levou uma cacetada de uma multa que estima-se ter sido na casa do milhão de reais. Resumo da ópera, hoje tem somente 3 lojas meio capengas. Cabeça de pobre!

Tenho nojo de pessoas mesquinhas, cara que tem grana, situação financeira bacana e estável e fica mendigando merreca. Cara que anda de carro sem itens de conforto e segurança só pra economizar gasolina, que como o próprio BBB disse, não dá gorjeta pro entregador de pizza numa noite chuvosa de sábado. Eu normalmente levo marmita pro trabalho mas isso não tem a ver com economia e sim com gosto mesmo, seu fresco com comida, prefiro comer aquilo que cozinhei e evitar surpresas. A economia é secundária. Claro que já levei marmita por economia, mas não preciso mais disso. Ter grana no banco não te faz ser rico, o que te faz ser rico é saber como gastar essa grana.

Infelizmente grande parte das pessoas não entende que não há absolutamente nada de errado em ter e gastar o dinheiro que você ganhou com seu trabalho. Tudo na vida é questão de equilíbrio, se você gasta dinheiro de maneira equilibrada está tudo certo. O fato é que todo mundo quer torrar dinheiro, todo mundo quer andar de carro legal, morar numa casa bacana e voar de executiva. O problema é que quem tem dinheiro pra fazer essas coisas é visto como criminoso, a não ser é claro que essa grana venha de meia dúzia de chutes que você dá, caso você seja jogador de futebol; ou 2 ou 3 shows que você faça caso seja cantor sertanejo. Aí tá tudo certo, você pode gastar. Mas ai de você, empresário, executivo fodão ou investidor se quiser comprar um Corolla zero... Você será tachado de prepotente, metido, esbanjador... Inversão de valores, a gente vê por aqui.

Já gastei e gasto dinheiro em prol de progredir minha qualidade de vida. Pago 3k de aluguel num apê de 1 dormitório pra poder morar bem, mas esse simples gasto já me proporcionou mais dinheiro que valor propriamente gasto com aluguel (veja os posts passados a respeito dos negócios que fiz com pessoas que conheci na região). A grana que já "torrei" em viagens (como meu familiares classificam essas despesas) me fez abrir a mente e ver que não sou obrigado a morar no Brasil pra sempre. Alugar um carro de luxo no exterior me fez perceber que itens de segurança não são frescuras, hoje não ando num carro que não tenha no mínimo 2 Air Bags e ABS. Por ter essa cabeça consegui convencer um parente próximo dessa importância, ele acabou comprando um carro com esses itens que considerava supérfluos, 2 dias depois eu estava visitando-o no hospital, com alguns ralados e dores pelo corpo por ter sobrevivido a um gravíssimo acidente que provocou perda total naquele mesmo carro.

Vejo pessoas com boas condições financeiras dizendo: "ahhh, só vou comprar um carro bom quando estiver rico", "ahhh, vou morar nesse apartamentinho da Cohab porque é barato", "não vou comprar esse vinho de R$ 30, prefiro tomar Tang"... Isso é ridículo e vergonhoso! Você não precisa esperar ficar rico pra usufruir das coisas boas e de qualidade. Você pode e deve começar a fazer isso agora mesmo, de maneira controlada, mas deve. A felicidade e bem estar são feitas de pequenas coisas, veja alguns exemplos de coisas simples que transformaram minha vida e me deixam mais contente:
  • Aquecedor de água a gás: banho de motel todo dia na sua casa
  • Cadeira de escritório tipo presidente: trabalhar sentado é um saco, que tal melhorar o conforto pra sua bunda?
  • Ar condicionado e aquecimento: conforto térmico faz toda a diferença! Tenho ar condicionado em casa, nas lojas e no carro. Pago a conta de luz com gosto sabendo que trabalhei melhor devido a esse conforto.
  • Carro com itens de conforto: ar, direção hidráulica e principalmente câmbio automático. Dirigir em São Paulo é um saco, então que seja da maneira mais confortável e de menor esforço possível.
  • Amaciante de roupas de qualidade: isso pode parecer ridículo, mas investir num amaciante de roupas bom, cheiroso e eficaz pode fazer diferença na sua vida. Vestir uma roupa cheirosa me deixa mais confiante. O mesmo serve pra perfume e estado de conservação das roupas.

Você vê que não é preciso grandes investimentos pra melhorar sua vida. Esses foram exemplos de coisas relevantes pra mim o que pode não ser pra você. Veja, meu amigo BBB só viaja de classe executiva, pra mim isso não é relevante. Cada um sabe onde consegue melhorar sua vida.

Sou minimalista, quer dizer que vivo com o mínimo de coisas necessárias, usufruo tudo o que tenho 100% e troco por algo de boa qualidade somente na quantidade que necessito e quando é necessário. Tenho um smartphone pré-pago de 300 reais que me atende 100%, ele já tem 1 ano e meio e continua totalmente funcional. Meus computadores também não são nada foda porque não tenho essa necessidade. Pra outra pessoa ter um celular bacana pode ser algo relevante. Se ela tiver dinheiro então por que não comprar um celular top? O que há de errado nisso? Nada minha gente, nada! Essa história de minimalismo também tem um viés muito chato. A maioria dos sites gringos relatam histórias de pessoas que vivem com 100 coisas ou possuem listas de coisas que possuem ou não, que possuem metas de colocar todas os bens em mochilas, etc. Esse tipo de coisa não é viável no longo prazo, não perca tempo com isso da mesma maneira que não perca tempo com essa história que você só pode ter um carro após a IF...

Comprei meu primeiro carro com 16 anos, desde então jamais fiquei a pé um dia sequer na minha vida. Cheguei a ter 3 carros, hoje tenho 1 mas não considero isso um regresso, muito pelo contrário, naquela época os 3 carros que eu dirigia pertenciam ao banco, hoje o meu carro (usado, 2009 porque não QUERO comprar um zero agora) foi comprado literalmente em cash. Progredi! Se você gastar dinheiro com sabedoria não terá grandes problemas, não sentirá muito no bolso ao comprar algo. Enfie na sua cabeça que "ser rico" é muito relativo, você precisa saber o significado disso pra você e então trabalhar em torno disso. Não esqueça que ter um emprego é sinônimo de ganho limitado, se você quiser ganhar mais dinheiro terá que empreender de alguma forma e dessa maneira alguns gastos são ainda mais irrelevantes. 

Progrida sempre, nunca regrida. Olhe sempre pra frente, pra cima, deseje mais, estipule uma meta e corra atrás dela. Se não tem dinheiro pra algo que você muito quer, descubra uma maneira de fazer esse dinheiro. Se dar por contente por ter algo razoável mas que não é necessariamente o que você quer é ser fracassado. Por outro lado passe por degraus intermediários antes de chegar no topo, não tente pular todos os degraus de uma só vez. Se você tem um Gol e quer ter uma BMW, trace um plano pra ter a BMW mas compre um Civic no meio do caminho, sinta o gostinho da melhora, isso te motivará. Se você mora em Guaianases e quer morar em Higienópolis, mude para a Mooca, depois pra Vila Mariana... Entendeu onde quero chegar?

Vamos jogar aberto aqui: eu e você gostamos de dinheiro, gostamos de luxo... Não vamos ser hipócritas em dizer que pensamos naqueles menos abastados porque não pensamos! Quando comprei meu primeiro sedã japonês  não fiquei pensando "ah, esse carro tá ótimo, tem gente que nem carro tem...", eu pensei: "esse carro é legal e confortável, mas uma série 3 não deve ser nada mal...". Isso não quer dizer que considero aqueles que andam de carro popular inferiores. Absolutamente! Eu respeito as pessoas e por trabalhar em comércio sei exatamente que o carro que você tem, as roupas que você veste não tem nada a ver com sua condição financeira e principalmente intelectual (necessário explicar porque muita gente não consegue entender isso).

Faça uma experiência. Vá ao melhor super-mercado da sua região, se você gosta de carne compre uma bandeja de filé mignon, se gosta de vinho compre um cabernet sauvignon chileno da casa dos R$ 40 pra acompanhar, uma taça nova, um prato branco novo. Compre uns temperinhos importados. Chegue em casa, coloque o melhor álbum da sua banda preferida (considerando que você é uma pessoa do bem e gosta de rock, claro, rsrs), tempere o bife, grelhe numa frigideira bem quente ou num grill elétrico. Sirva o bife para você mesmo no prato novo, experimente o vinho com carinho, tente identificar sabores... Você não gastará nem R$ 100... Depois você me conta...

Pra terminar acredito que devemos levar mais a sério nossas emoções e desconsiderar grande parte dos conselhos e ensinamentos de gurus e principalmente do que a massa pensa. A massa normalmente estará errada e você é senhor das suas decisões e desejos.

terça-feira, 16 de junho de 2015

Desânimo, Frustração e Operação Sangue Suga

Não sou vitimista, muito pelo contrário, detesto vitimismo e mi-mi-mi relacionado, apenas quero usar esse espaço para relatar o que tenho passado, afinal de contas esse é um blog pessoal e vejo que as pessoas gostam de saber o que se passa na vida dos outros, tentam se espelhar ou ficar aliviadas por não estarem no lugar dos outros, etc. Deve ser esse o motivo do sucesso dos BBBs da vida e mais recentemente dos vlog do pessoal do YouTube. Me insiro nesse grupo, gosto de muito de ler blogs, assistir vlogs... Não o faço por fetiche e sim porque acabo aprendendo algo, vendo o outro lado de muita coisa.

Anyway, estou numa fase não muito legal, ando meio chateado e isso tem afetado inclusive o blog, estou cheio de ideias pra escrever mas sem inspiração pra digitar de maneira coerente. O que tem me chateado? Algumas coisas mas entre elas a principal é que a ficha caiu e percebi que meu plano de emigração baseado no visto L1 (entenda mais aqui) jamais dará certo por um motivo bem simples: minhas empresas estão no Brasil (com toda a buRRocracia brasileira) e o ramo é mais complexo que o imaginado, impossibilitando assim uma administração remota eficiente. Não há a menor possibilidade de conseguir me afastar por mais de 2 meses dos negócios, e viajar com essa frequência é impraticável por diversos motivos. Desanimei desse plano, conclui que isso é loucura e que devo partir pra um plano B (eu tenho planos B, C, D... veja aqui). Até aí tudo bem, já era previsto problemas mas sou humano, faço planos (mesmo não querendo faze-los), imagino cenários, tomo atitudes em prol de algo e no fim das contas foi tudo perda de tempo e dinheiro.

E por que só cheguei a essa conclusão agora? Porque quando tracei esse objetivo (de emigrar aos EUA pelo visto L1) o cenário era outro, eu tinha somente uma loja pequena e fácil de tocar. Loja essa que efetivamente por algum tempo eu trabalhei remotamente (para quem me acompanha a pouco tempo: morei um ano em outra cidade, fazia o trabalho on line, visitava a loja somente 1 ou 2 vezes por semana, cheguei a viajar e meus funcionários nem ficaram sabendo), esse controle dava certo, mas no fundo eu sabia que não era sustentável ao longo prazo, voltei pra São Paulo e voltei a ficar mais presente, nisso surgiu a loja nova, maior, com mais funcionários, mais problemas, mais detalhes. A loja antiga somada com a loja nova é mais que o suficiente para qualificar ao visto L1, o cenário era perfeito, maaasssss.... o buraco é mais em baixo! O faturamento da loja antiga quase dobrou, com ele os problemas. A loja nova me exige muito, mesmo tendo bons funcionários. A burocracia aumenta exponencialmente tanto em número de papéis/carimbos quanto em custo e complexidade. Sinto que estou perdendo o controle, mesmo morando na mesma cidade...

É frustrante! Você trabalha pra cacete, vê dinheiro na frente, vê oportunidades de crescimento e ao mesmo tempo fica atado a problemas que você não tem controle, que não pode fazer nada pra melhorar, tornar mais eficiente. Não dá! Mais uma vez eu repito: empreendedorismo no Brasil é pra temporada, você compra uma empresa, ganha o máximo de dinheiro possível e cai fora. É insalubre ser empresário pro resto da vida! Tenho dó daqueles iludidos que empreendem por "sonho", pra "revolucionar" o mercado... Amigo, se você pensa assim ESTÁ COMPLETAMENTE FODIDO! Empresa deve dar dinheiro, quanto mais melhor e rápido.

Dentro desse cenário entra minha decisão de colocar em operação o que chamo de "Operação Sangue Suga", que nada mais é que tirar o máximo de dinheiro possível das minhas lojas até um ponto que não prejudique o faturamento nem a vendabilidade (essa palavra existe?). Operação essa que já foi implantada e encontra-se a todo vapor. Vou resumir a baixo o que estou fazendo:

1- Diminuir estoque: Minhas lojas são abarrotadas de mercadoria, eu gosto de tê-las assim por servir de atrativo de cliente (ninguém gosta de comprar em loja quebrada) e por satisfação pessoal mesmo. Acontece que não há tanta necessidade disso, dá pra driblar um estoque mediano e ainda assim parecer estocado, dessa maneira consigo comprar menos o que significa mais grana sobrando.

2- Diminui a manutenção: Outro ponto que sou fresco, lavo fachadas, pinto portas e paredes a cada 3 meses. Já reduzi o ritmo desse tipo de manutenção.

3- Aumento da rentabilidade: Trabalhar com produtos de valor agregado maior de maneira a fazer sobrar mais dinheiro em caixa, mesmo que isso represente uma queda de faturamento nesse primeiro momento.

4- Aumento do faturamento: num segundo momento invés de aumentar a rentabilidade o interessante será aumentar o faturamento. Por quê? Porque o valor da loja é baseado no valor do faturamento, não da rentabilidade ou lucro líquido. "Ah Corey, mas a análise do preço de um ativo não pode tomar como base somente uma variável..." Verdade, eu concordo, mas o mundo das pequenas empresas não tem nada a ver com a Bovespa, portanto é necessário sambar conforme a música.

5- Diminuição de funcionários: Isso é algo que não gosto de mexer, mas é necessário! Estou demitindo alguns auxiliares e distribuindo o trabalho deles entre os outros funcionários, a desculpa é a crise, claro! Aqui entra outro ponto, os funcionários não podem desconfiar do que está acontecendo. Chato, falso e desonesto, mas a vida é exatamente dessa maneira!

Qual o prazo disso? Ainda não sei, preciso ir sentindo a situação, por isso mesmo estou ainda mais esperto com o dia-a-dia das lojas, ficando mais tempo presente, trabalhando mais no atendimento ao público e menos no background. Não dá pra planejar tudo e isso é algo que estou fazendo sem planejamento futuro.

E depois? Depois, meus amigos, a gente vê!

domingo, 14 de junho de 2015

"Porque você deve considerar sair do Brasil!" por Rover

Ando sem inspiração pra escrever. De tempos em tempos isso acontece, é algo natural, sei que em breve essa inspiração volta... Pra não deixar o blog as moscas aproveito para compartilhar o post mítico do nosso amigo Rover sobre os porquês que todos nós deveríamos ao menos pensar em sair do Brasil. Essa foi sem sombra de dúvidas a melhor postagem sobre o tema imigração que já surgiu na nossa blogosfera. Se você ainda não leu e não conhece o Rover, clique o link abaixo e deleite-se.

http://projetofreelifestyle.blogspot.com.br/2015/06/porque-voce-deve-considerar-sair-do.html

sábado, 6 de junho de 2015

Um Experimento Capitalista

Meus funcionários ganham bem, no mínimo 30% acima da média de mercado, sendo que alguns chegam a ter um ganho 120% maior que o mercado. Não dou muitos benefícios, somente o básico, mas faço-os perceber que não vale a pena ter benefícios, que é muito melhor ganhar mais e decidir com gastar seus salários. educo meus funcionários com a cabeça capitalista e de livre mercado: se você trabalhar duro, ganhará bem e terá o poder de decisão sobre seu dinheiro. Se você não se esforçar, ganhará pouco e será substituído. Meritocracia aplicada, somente isso.

Grande parte do salário dos meus funcionários, sejam eles auxiliares ou gerentes, é proveniente de renda variável baseada no desempenho da loja em diversos tópicos: venda, rentabilidade, inventário, limpeza, apresentação pessoal, etc. Faço avaliações constantes e atribuo peso a cada um desses tópicos. Infelizmente não posso explicar mais do que isso (poderia entrar em questões específicas do ramo). O que tudo isso significa? Se a venda for uma merda (falta de esforço em agregar venda ou ao menos não perde-la), se a rentabilidade for ruim (não vender produtos mais rentáveis), se a loja estiver suja e os funcionários com cara de mendigo; a renda de todos será afetada, logo é interessante que todos contribuam de maneira eficaz para o desempenho global da loja. Isso cria um efeito colateral interessante: o auto-gerenciamento, um cobra esforço do outro. Se um faz uma cagada, todos perdem, se um faz uma coisa legal que agregue positivamente para a empresa, todos ganham. Simples, não? Esse é o máximo de socialismo que acredito funcionar.

O fruto desse meu esquema de trabalho não poderia ser mais positivo: funcionários sempre de bom humor (se não for assim, rua), motivados, felizes por terem uma renda bacana e ter o privilégio de usufruir dos benefícios que mais dinheiro no bolso proporciona, baixa rotatividade, boa fama perante funcionários dos concorrentes (sempre recebo currículos desse pessoal). Adoro quando vou fazer os pagamentos e tenho altas cifras pra pagar porque isso é sinal que a empresa vai bem. Meus funcionários de venda e gerência possuem carros bons, fazem viagens de férias, pagam escolas particulares para seus filhos... Fico muito feliz em poder contribuir pra isso, mas na realidade eu somente dou a oportunidade, o resto é com eles.

Esse experimento capitalista onde quem trabalha mais e melhor ganha mais é muito interessante. Você consegue ver socialistas em potencial virarem a casaca, petistas se envergonharem pelo voto 13, preguiçosos pedalarem pra não passar vergonha perante os colegas mais esforçados, operadores de caixa tretando com vendedor por algo não muito bem feito... Confesso que as vezes tenho que apartar algumas tretas, mas isso faz parte do experimento. As pessoas vestem a camisa e viram "torcedores" da empresa, só que ao contrário do futebol, aqui elas ganham dinheiro por isso.

Comemoro cada vitória dos meus funcionários, cada carro novo, apartamento comprado ou ao menos alugado pra melhorar de vida, fico contentíssimo em ver um garoto de 17 anos encostando seu Gol bola recém comprado na porta da loja e falando: "Corey, vem ver meu carro, você vai ser o primeiro, nem meu pai o viu ainda..." Isso é muito gratificante, de verdade! Tudo isso é proporcionado pelo dinheiro, quem disse que ele não traz felicidade?

Enquanto isso a grande maioria dos comerciantes chora, reclama, fica de mi-mi-mi... Reclamam de funcionários que roubam (não estou imune a isso, aliás já aconteceu, mas funcionário bem pago tem menos tentação em foder o patrão). Nêgo paga dízimo na igreja, dá brinde pra cliente, faz doação pra ONG e esquece dos próprios funcionários. Quem para pra pensar um pouquinho percebe que os caras mais ricos do mundo são também os maiores filantropos, eu acredito que se você faz coisas boas, é ético, sério e correto e se compartilha com outros, você terá mais. Minha filantropia está em casa mesmo (considero minhas lojas como extensão da minha casa e meus funcionários como parte da família (sem demagogia)), acredito que se eu puder ser mão aberta com quem trabalha pra mim, os negócios serão cada dia melhores. Até agora isso tem se mostrado verdadeiro.

Mas o lance não é dar dinheiro como o SS faz, e sim distribuir com aqueles que merecem, que demonstram interesse pelo trabalho. Por isso não tenho um padrão de pagamento, funcionários de cargos iguais não recebem a mesma coisa, minhas lojas são relativamente pequenas, consigo conhecer o jeito de trabalhar de cada um, então pago de acordo com o desempenho individual. Essa é uma vantagem de não crescer muito, você consegue ter o negócio mais na mão.

O capitalismo, o dinheiro é uma das coisas mais maravilhosas que inventaram. Me convença do contrário!

sexta-feira, 5 de junho de 2015

O Sucesso é Pra Quem Merece

Muitos de vocês devem conhecer o "Carlinhos Troll", um brasileiro que emigrou aos Estados Unidos em 2011, começou a fazer vídeos para o YouTube como uma maneira de passar o tempo e registrar seus primeiro dias na América. O canal cresceu devido aos interessantes vídeos de comparações entre EUA X Brasil e seus vlogs registrando o dia-a-dia da vida de um casal de brasileiros na América.

Carlinhos foi privilegiado, desembarcou nos EUA já com o Green Card em mãos (sua mãe é casada com um americano e aplicou para seu green card, que saiu 7 anos depois), mas nem por isso é menos merecedor da vida que tem. No Brasil o cara estava na pindaíba, foi parar nos EUA porque não tinha muito o que perder, foi tentar a sorte, uma vida melhor. No começo trabalhou pesado, na construção civil, empurrando carrinho no estacionamento do Wal Mart em baixo de sol e neve, lavou carros e paralelamente a isso começou um pequeno negócio de importação e exportação. Mandava itens como celulares, relógios e óculos para o Brasil. O negócio foi crescendo junto com o canal. Ano passado com o lançamento do PlayStation 4 a coisa explodiu, o cara foi sem dúvidas um dos maiores vendedores de PlayStation do Brasil! Fruto claro aos R$ 4 mil cobrados pelo aparelho no país das bananas, mesmo pagando tributação, o importado direto sai mais barato (isso vale para várias coisas).

Quando chegou aos EUA Carlinhos morava no sofá da sua irmã e andava a pé, foi presenteado com uma bicicleta, comprou um Pt Cruiser financiado. Mudou para um apartamento pequeno, depois para uma casa geminada, trocou o Pt Cruiser por um Corolla, a casa pequena por uma casa grande na Flórida e novamente o Corolla por um Prius. Em breve comprará sua casa na Flórida. Seus negócios vão muito bem, obrigado, recentemente contratou seus primeiro funcionários, está pensando em alugar um galpão para sua empresa até então sediada na sua casa.

Hoje o cara tem 300.000 inscritos no YouTube, uma marca considerável. Assista o vídeo comemorativo desse milestone abaixo:


Me identifico muito com o Carlinhos e a Carol, sua esposa. Ela foi a responsável por mante-lo de pé durante os momentos de depressão no começo de sua vida na América. Ele sempre conta de um episódio onde ela ficou 12 horas seguida no telefone enquanto ele trabalhava sinalizando o caminhão que tira neve das ruas na Virgínia, em baixo de temperaturas negativas. É galera, ainda existem mulheres bacanas....

Outra identidade que tenho com ele é o fato de termos mudanças de vidas mais ou menos na mesma época. Enquanto ele chegava nos EUA, eu vendia minha primeira loja e estava no período sabático. Nesse meio de tempo ambos conseguimos ter um progresso de vida considerável. Coincidência? Não, é trabalho mesmo! Ambos trabalhamos para chegar onde estamos, não esperamos cair do céu, o governo criar uma bolsa ou os "alfas" terem misericórdia da gente. Nossa principal diferença é que ele está num país onde se valoriza o empreendedor, onde há liberdade pra ganhar dinheiro, onde o sistema tributário é claro, onde há segurança... Pra você ter uma ideia, o cara consegue comprar direto da Sony! Porra, quando que no Brasil um empreendedor de garagem (literalmente) consegue ter a Sony como fornecedor?

O sucesso só vem pra quem merece (leia trabalha), pra quem vai pra cima, encara de frente sem mi-mi-mi e frescurite. Se você ficar se vitimizando será um bosta pro resto da vida, se você se mexer corre o sério risco de ter sucesso.

Espero sinceramente que o Carlinhos continue cada vez melhor, ganhando mais dinheiro e sendo mais feliz, ele merece, eu também!

terça-feira, 2 de junho de 2015

Resumo - Maio/2015

Se abril foi corrido, maio foi uma loucura! Acho que nunca trabalhei tanto na minha vida! Muito trabalho para levantar as lojas do meu amigo, mas como missão dada é missão cumprida, me sai melhor que a encomenda, tenho orgulho de ter feito um trabalho muito bom. Até uma proposta de continuar com eles apareceu, mas é humanamente impossível abraçar o mundo, logo tive que recusar.

A melhor coisa desse trabalho foi a possibilidade de conhecer novas pessoas, novos métodos de trabalho, novos fornecedores, novos tudo! Aprendi muita coisa, passei muita raiva, me frustrei, mas no fim das contas foi uma experiência maravilhosa. Até parei pra repensar várias coisas que eu tinha como verdade absoluta e vários planejamentos que me pareciam racionais mas que na realidade não faziam muito sentido. Outra coisa interessante é que aumentou ainda mais minha vontade de renovar a vida, trabalhar com uma equipe, ter alguém acima de mim, não ser o principal tomador de decisões. Quando você é microempresário, como eu, convive com poucas pessoas além de seus clientes, o número de funcionários é restrito, e esses poucos são funcionários, não colegas. Após mais de uma década tive o prazer de ter colegas de trabalho novamente e isso foi muito legal! Estou pensando seriamente em colocar em prática ainda esse ano a ideia de trabalhar na minha área de formação, vamos ver...

As lojas tiveram um ótimo desempenho, mesmo com minha ausência. Fui nas duas lojas quase todos os dias, mas não consegui ficar muito tempo, foi tudo muito corrido, priorizei o outro projeto. Resumo: bom faturamento, uma avalanche de problemas pra resolver, principalmente na loja nova. Coisas que ninguém pode fazer por mim, burocráticas, que demandam tempo, paciência e dinheiro pra no final das contas não acrescentar em nada na empresa. Mais uma vez a ideia de tocar as lojas de maneira remota dos EUA me parece mais impraticável...

As lojas estão maduras, estáveis na medida do possível. Vou me livrar delas no médio prazo, portanto agora chegou a hora de me preocupar mais com meu bolso e menos com o crescimento delas. Chegou a hora de aumentar gradativamente as retiradas ao mesmo tempo que não investirei mais. Vou falar mais sobre isso em outro post, mas basicamente vou iniciar uma fase de "sangue-suga" das lojas.

Estou tendo que ter um sangue frio que jamais tive na vida. Tenho vários colegas com problemas em suas empresas, um pessoal do ABC está pra fechar uma pequena rede porque o faturamento caiu 70% em relação ao ano passado, graças as demissões e metalúrgicas em layoff. Conheci um gringo no meu prédio que está voltando pra "gringa" porque a empresa decidiu cortar os investimentos no Brasil. Preferiram amargar um prejuízo agora que investir em algo subjetivo. Enquanto essa quebradeira rola solta, minhas lojas vão muito bem, tenho até medo disso!!!

Espero dar mais atenção ao blog durante junho. Estou muito contente com os papos e o tipo de gente que tem aparecido por aqui (excluindo a galerinha vitimista do alfa X beta). Manter esse blog é uma das coisas mais legais que já me aconteceram, com certeza o que conversamos aqui influencia muito minha vida e as tomadas de decisões. Obrigado a todos!
Os comentários desse blog são moderados, ou seja, passam pelo meu controle antes de serem publicados. Esse é o motivo pelo qual seu comentário não aparecerá logo após você clicar em "Publicar", portanto não precisa postar 2 ou 3 vezes! Posso demorar, mas publicarei e responderei todos os comentários que não contenham trolagens, intrigas, propagandas e baixo nível.