quinta-feira, 26 de março de 2015

Empresas Nanicas X Grandes; Escala; Matemática para Empresários

Não, as coisas não se acertaram, como disse na última postagem, estou passando por uma fase turbulenta nas lojas graças principalmente a falta de mão de obra qualificada, sem contar é claro com a precariedade da nossa infra estrutura que está me deixando louco: é atraso de entrega de mercadoria, é buraco que estoura roda do carro, é falta de eletricidade e internet, trânsito cada dia mais insano... Mesmo assim decidi dedicar um tempo ao blog (mentira, estou com insônia, então decidi escrever um pouco) e tentar completar minhas promessas de postagens do mês.

Hoje vou falar sobre empreendedorismo, mais precisamente sobre uma coisa que ouço e leio pouco por aí que é como a escala de um negócio pode afetar de maneira positiva ou negativa o desempenho de uma empresa. Nem sempre aquela empresa linda, luxuosa, com acabamento de primeira dentro de um shopping center é lucrativa e tem um dono rico; da mesma maneira que aquele boteco sujão da periferia que vende Itaipava, 51 e tem uma mesa de sinuca carcomida na entrada é sinônimo de dono pobre. Vejam os exemplos a seguir.


O dono desse boteco aí deve ser um quebrado,
andar de 147... Será?
Maria é cabeleireira a 10 anos, após trabalhar durante anos em salões de bairros nobres de São Paulo como Higienópolis, Moema e Jardins percebeu que muitas clientes simplesmente não conseguiam chegar ao salão simplesmente porque o trânsito não deixava, outras evitavam sair de casa por medo da violência e também visitavam cada vez menos o salão. Então Maria decidiu juntar uns trocados, comprou equipamentos profissionais, cosméticos de qualidade, colocou tudo no porta-malas do seu Ford Ka 1999 e atende clientes a domicílio. Investimento: R$ 3.000,00; faturamento bruto mensal R$ 8.000,00, lucro líquido R$ 6.000,00. Dois anos depois Maria e sua família mudaram para um apartamento melhor e o Ka 99 foi trocado por uma Meriva 2007, seu filho estuda em colégio particular e eles estão planejando a primeira viagem internacional da família.

Nossa, que loja linda, é a cara da riqueza, o dono
deve estar nadando na grana... Claro... Claro...
Jorge é metalúrgico, após um programa de demissão voluntária se desligou da montadora onde trabalhou durante mais de 20 anos, pegou uma bolada de indenização e decidiu que era a hora de ter seu próprio negócio. Encontrou uma franquia internacional de restaurantes iniciando a expansão no Brasil, após participar de uma reunião com o franqueador master, ficou apaixonado pelo modelo de negócio e pelos números da planilha do Ipad do franqueador. Jorge viu que não teria a grana toda para o investimento, cerca de R$ 700.000,00 então chamou mais dois ex-colegas de empresa para entrarem de sócio com ele no restaurante. Jorge e seus amigos montaram uma linda operação num shopping center do ABC paulista, com cerca de 40 funcionários, aluguel na casa dos R$ 15.000,00 mensais mais taxa de royalties e fundo de propaganda. Não tinha o que dar errado, afinal o restaurante do trio chegava a faturar R$ 70.000,00 num único dia, porém... deu errado! Um ano depois de aberto Jorge percebeu no escritório climatizado cheio de monitores de segurança de seu lindo restaurante que sua operação girava muito dinheiro, mas não sobrava nada no fim do mês, e pior, alguns meses havia deficit, o que os obrigou a recorrer a empréstimos bancários, abundantes pra quem tem uma empresa como essa. Dois anos depois de aberto Jorge e seus amigos fecharam o restaurante, saíram com uma mão na frente, outra atrás e uma dívida de 6 dígitos.

Dois pés atrás com uma instituição que tenta ensinar
prática através de material didático padronizado, como
se empreendedorismo fosse tudo a mesma coisa.
Os dois exemplos acima são reais, preservei os nomes, mas conheço pessoalmente ambos os casos. Claro que são dois negócios e realidades completamente diferentes, mas dá pra aprender muita coisa com isso. A primeira coisa que aprendemos é NUNCA SUBESTIME UM NEGÓCIO POR SEU TAMANHO. Maria tem uma empresa praticamente invisível, mas tem meses que fatura líquido acima de 10k, poucos dão valor, aposto que muitos devem desdenhar do trabalho dela, achar que ela é mais uma amadora que trabalha de porta em porta implorando serviço... Ledo engano... Maria deve estar fazendo por volta de 100k líquido por ano! Quantos empregados de baixa escolaridade você conhece que fazem isso? E quantas empresas? Óbvio que a empresa de Maria está mais pra autônomo que pra empresa, até porque tudo gira em função dela, não é possível expandir nem replicar a ideia de maneira realmente eficaz, se por algum motivo ela não trabalhar ficará sem renda, etc. Isso é o que os empreendedores de Sebrae falarão, que isso não é empresa e mi mi mi, mas a verdade nua e crua é que ela ganha dinheiro e o fato de ter cabeça e saber como lidar com o dinheiro está deixando-a literalmente rica! Mais rica que muito administrador, bacharel de direito, tecnólogo de empreendedorismo, pseudo especialista, etc. Assim como o negócio de Maria existem  vários outros que fazem muito dinheiro e ninguém dar valor: empresa de banho, tosa, passear com cachorro; oficina mecânica; empresa de marmitex (ou quentinha para os cariocas); empresa de limpeza pós obra e limpeza doméstica em geral, etc. São empresas vistas no meio do empreendedorismo com desdém pelos empresários fodões que possuem empresas lindas, bem instaladas, com ar condicionado, estacionamento pra clientes, 50 funcionários,  múltiplas operações. Porém quase sempre esses empreendedores nanicos não possuem dívidas porque não tiveram acesso a crédito no começo, no máximo pegaram um empréstimo familiar. Aprenderam como trabalhar na prática e 100% das vezes o conhecimento empírico é 100% mais importante que o teórico.

A segunda coisa que aprendemos com esses exemplos é: NÃO ENTRE NUM NEGÓCIO QUE VOCÊ NÃO CONHECE. Jorge jamais pisara do lado de dentro do balcão de um restaurante antes de investir quase 1kk em sua franquia, foi obrigado a aprender como administrar o negócio na marra, porém ao contrário dos negócios nanicos, os grandes são muito mais complexos e aqui que entra o lance da escala que pouca gente pensa. Administrar um bar é fácil, administrar 10 bares é muito mais difícil, e não é 10 vezes mais difícil, é 20 ou 30 vezes pior porque além dos problemas que o bar único tem ele terá problemas novos que surgem justamente devido a escala. Uma analogia cretina: um avião feito com uma folha de sulfite voa perfeitamente, experimente dobrar uma folha de papel pardo no formato de avião. Ele voará igual ao pequeno? Não, definitivamente, não. Isso porque a escala influencia no desempenho. O mesmo acontece com as empresas.

A terceira lição é JAMAIS CONFIE EM NÚMEROS NUMA PLANILHA, Jorge deixou-se seduzir pelo canto da sereia do excel. Um cara engravatado, preparado pra vender um produto (no caso a franquia) com números tentadores na frente de uma pessoa inexperiente no mundo dos negócios é a chave do fracasso. Como diria meu pai: o papel (ou o computador) aceita tudo. É preciso mais que números pra se comprar uma empresa, é preciso sensibilidade, dar uma de Sherlock e enxergar aquilo que ninguém vê, são nos pequenos detalhes que você percebe se um negócio é bom ou não. Aí você me pergunta: Corey, eu não tenho experiência, eu nunca comprei um negócio, como saber se eu conseguirei ver esses detalhes? Simples: ou você tem alguém de absoluta confiança e experiente do seu lado pra minimizar o risco (porque nada garante que o cara estará certo) ou simplesmente arrisque, mas se for pra arriscar, pelamordedeus não arrisque sua indenização de 20 anos de trabalho num negócio. Comece pequeno, vá aos poucos e outra coisa: ADQUIRA EXPERIÊNCIA. Se for necessário arrume um emprego numa empresa do ramo que você quer comprar, foda-se que você vai ganhar salário mínimo e seus amigos te verão num uniforme, o que você quer é experiência. Eu sou capaz de realizar 100% das funções das minhas lojas, se qualquer funcionário faltar, eu posso cobri-lo com competência. Nunca, mas nunca mesmo, compre uma empresa que você não sabe trabalhar em ao menos 90% das funções. Buffett faz isso porque ele tem dinheiro e conhece gente competente em todos os setores dispostas a trabalhar pra ele, mas você não é o Buffett!

Você não é o Buffett e vamos combinar: você, eu e a maioria das pessoas somos, na melhor das hipóteses, apenas medianos em tudo, não somos especiais, não somos melhores que o outro. Quero dizer que não somos super em nada, somos uns bostas então vamos nos conter em nossa bostaria e não tentar dar o passo maior que a perna. A chance de um de nós ficar trilhardário por inventar o novo Facebook é ínfima, então vamos deixar a ficha cair, acordar pra real, e lutar com aquilo que temos. Se você tem 50k pra comprar uma empresa, compre ou monte uma de 30k; se você tem 500k e nenhuma experiência, gaste os mesmos 30k, adquira confiança e depois parta pra algo maior. Dinheiro não aceita desaforo.

Como eu gostaria de viver no mundo da PEGN,
onde todos os empresários são sorridentes, usam
camisas Dudalina em seus escritórios bem
decorados com um quadro do Romero Brito...
A quarta lição é FRANQUIA NÃO É GARANTIA DE SUCESSO, muito pelo contrário, pode ser o melhor caminho para o fracasso porque normalmente os franqueados tem na cabeça a ideia que franquia é inquebrável porque leu na PEGN que X% das franquias sobrevivem ao primeiro ano enquanto 1/2X% das empresas independentes chegam lá. Fodam-se os números, eles são irrelevantes. O empreendedorismo é muito mais feeling, experiência e principalmente sorte que qualquer outra coisa. Veja meu exemplo: economia em recessão e minha loja antiga partindo pra um crescimento de 15% em 2015. Por quê? Sinceramente não faço ideia! Poderia ser ao contrário, eu poderia ter uma franquia cujo franqueador me demonstrasse por A+B que meu crescimento seria de 10% enquanto na prática poderia estar acontecendo o contrário.

A maior lição de todas é: EMPREENDEDORISMO É COMPRAR POR 5 E VENDER POR 10. Ou seja, inventem a teoria que for, mas no fim das contas é tudo uma questão de matemática simples, sua empresa pode ser resumida numa simples conta de subtração: RECEITAS MENOS DESPESAS. Se o resultado for positivo você está bem, se for negativo, tá fudido. Dane-se o tamanho do número do resultado. 1 real positivo = empesa boa; 1 real negativo =  empresa de merda.

Nêgo fica viajando com contas malucas, empresas que você investe X, alavanca Y, faz Z pra depois de 5 anos ter um retorno espetacular. Isso pode funcionar pra empresas gigantes, de capital aberto, com pesquisadores, contadores, advogados, economistas formando a equipe administrativa. Pra você que tem um boteco o que importa é lucrar no primeiro mês pós compra, afinal você tem que por gasolina no carro e comida na mesa. Pra esmagadora maioria dos mortais empreendedores é preciso ter lucro mensal, de maneira consistente, desde o primeiro mês. Os mortais não estão no mercado se arriscando, passando sufoco com funcionários, ineficiências brasileiras, bandidagem e demais zicas a troco de nada, nós estamos atrás de dinheiro. No fim, grana é o que importa, independente do tamanho da sua operação.

Aqui entra outra coisa que sempre bato na tecla: ramo bom é aquele que sempre deu dinheiro: bar, restaurante, açougue, farmácia, quitanda, posto de gasolina... Essa história de paleta mexicana, frozen iogurte, app pra celular é coisa pra quem tem saco de ficar se renovando o tempo todo. Dá dinheiro, claro que dá, as vezes muito dinheiro, mas não é sustentável. Se você quer ter empresa de maneira séria, tirar seu sustento dela, ela deve ser o mais robusta possível, dar lucro consistente, ser de um ramo "a prova de crises" e principalmente: você tem que ganhar no mínimo o dobro que ganharia caso fosse empregado. É por essas e outras que acho extremamente difícil encontrar uma empresa boa pra comprar, eu diria que 95% das lojas de varejo anunciadas em sites são péssimos negócios.

Acabei desviando um pouco do assunto, mas acho que deu pra captar a essência. O tamanho da empresa não importa, o investimento também, o que importa é o lucro líquido que ela pode dar. Parece uma ideia ridiculamente simples, mas poucos seguem isso e por isso muitos quebram a cara.

sexta-feira, 20 de março de 2015

Semana Problemática e Lavando Privadas

Desculpem o sumiço, essa semana estou nadando numa avalanche de problemas, sabe aquele meu post sobre disciplina? Esquece, foi tudo pro saco, minha rotina essa semana foi só apagar incêndios. A disciplina funciona muito bem, mas junto com ela é preciso uma outra coisa: previsibilidade, coisa que como todo empreendedor sabe, é impossível de ter quando você tem uma loja (ou duas, como no meu caso).

Bestão: meu nome é Corey, sou empresário, tenho um
salário anual de 6 dígitos, e essa semana lavei a privada
das minhas lojas com minhas próprias mãos. Sabe o que
aconteceu? Você não vai acreditar: as privadas ficaram
limpíssimas! Porque me orgulho de ser o melhor
lavador de privadas que já existiu na face da Terra.
E adivinha quem lava a privada de casa? E quem vai
lavar a privada da minha casa em Houston?
Tudo começou com um problema pessoal do meu gerente, o cara que é meu braço direito nas lojas, infelizmente ele teve que se afastar do trabalho por uns dias, motivo totalmente fora do controle de qualquer pessoa, coisa que me fez parar pra pensar em muita coisa relacionada a meus planos futuros. Junte a isso auxiliares preguiçosos, atrasos, demissões, burrice generalizada, problemas com fornecedores, órgãos públicos, prestadores de serviço, contadores, trânsito, manifestações, chuvas, enchentes, acidentes nas ruas... Bem, acho que já deu pra entender o que está acontecendo, não? Estou trabalhando insanamente 17 horas por dia, só consegui parar pra escrever esse post porque estava ficando maluco, larguei tudo na loja e vim numa cafeteria dar uma relaxada. Pra vocês terem ideia, não consegui sequer fazer minhas sagradas aulas de inglês com minha professora americana nem tomar minha cerveja com os conhecidos do bar. É incrível como as coisas podem virar de cabeça para baixo literalmente do dia pra noite! Algumas pessoas são culpadas por essa situação, outras não, mas eu sou o mais culpado por não achar uma maneira de me esquivar desse tipo de problema. Ser empresário é ter que lidar com esse tipo de coisa, com tsunamis que começam do nada e levam tudo... O pior não é ter que trabalhar o dia todo, o pior é a frustração de ter um monte de problemas que não dependem de você para serem resolvidos e as pessoas e empresas que podem soluciona-los não te dão a mínima atenção. Isso além de frustrante é revoltante e confesso que me deixa bem depressivo.

Isso pode ser um sinal vermelho para que eu analise toda minha estratégia de emigração, começo a duvidar se meu plano de ter empresas no Brasil suportando minha filial americana possa dar certo... Conheço exemplos bem sucedidos, mas esses negócios não são complexos como o meu.  Além de tudo o que estou tendo que resolver agora estou com essa pulga coçando... De qualquer maneira, sendo um pouco Poliana, acredito que posso tirar algumas lições dessa fase turbulenta, vamos ver o que o futuro tem pra me oferecer!

Esse post foi somente pra pedir desculpas aos leitores, afinal eu havia prometido posts pra essa semana que passou e não consegui cumprir, também não sei se conseguirei cumprir dentro de março. Peço desculpas também para aqueles com os quais estou trocando emails. Detesto cortar o papo no meio e ficar sem responder. Foi mal! Abraço e bom fim de semana a todos!

quinta-feira, 12 de março de 2015

"Diga-me com quem andas..." e os Amigos Socialistas

Se você é socialista, comunista e outros do gênero por favor interrompa sua leitura aqui. O post de hoje é algo que venho pensando, e também colocando em prática a algum tempo...

Aos não paulistas: um dos principais cartões postais da
nossa capital (anos 70): Ao centro o edifício Altino Arantes,
antiga sede do banco Banespa (atual Santander), no canto
direito o Edifício Martinelli (tem uma história muito
legal, vale a pena ler). A Bovespa fica logo alí, em
cima, assim como uma das sedes do BB.
Ano passado, durante a negociação da loja nova, precisei ir diversas vezes ao centro de São Paulo e durante uma dessas passadas por esse lugar incrível (sem ironia, o centro de São Paulo é um dos lugares mais fantásticos que já conheci) resolvi comer um churrasco grego na Avenida São João, próximo ao Banespão e ao Martinelli. Estava esperando o cara preparar meu lanche e fiquei observando os muitos moradores de rua que habitam o local, fiquei imaginando quais seriam suas histórias, comentei algo a respeito com o cara do churrasco que me respondeu:
"Aquele ali de vermelho foi cantor, é sério, o cara canta bem pra kct, fala inglês e tudo mais... parece que foram os amigos que colocaram ele na merda..."
Logo o acaso (ou não) se manifestou e o tal mendigo de vermelho veio em direção a mim pedir uns trocados. O churrasqueiro falou: "fulano, canta aí pra gente vê...". O cara meio que se recompôs, arrumou a camisa pra dentro da calça, ajeitou o boné na cabeça e começou a cantarolar "Smoke On The Water" (dos insuportáveis Deep Purple, que me perdoem os amantes) com uma voz muito digna. Perguntei onde aprendera e ele desabou a falar:
"Brother, durante 1975 e 1985 eu rodei o mundo como back vocal da banda "XXX" (não lembro o nome que ele disse), viajamos as 3 Américas, Ásia, conheci do Japão as Filipinas, Austrália e por toda a Europa. Tinha amigos, mulheres e foi aí que conheci o pó, que foi paixão a primeira fungada, desde então tô por aí nesse mundão, os amigos sumiram todos, eles que me trouxeram pra essa bosta, tô ligado que fui burro pra kct, mas eu andava junto com eles, não tinha como ser diferente..."
Claro que não sei se é verdade ou não, mas o fato é que mesmo sem conhecer merda nenhuma de música, percebi que o cara tinha talento... Deixou-se levar por amizades que apodreceram sua vida. Se realmente é verdade ele falhou em não perceber o buraco no qual estava entrando, mas todos estamos sujeitos a isso, aquela velha frase que sua mãe repetia no seu ouvido: "diga-me com quem andas e te direi quem és" é 1000% certa! E aí que entra minha história:

Vale a pena manter amizade com alguém fanático por política? Sabe aquele seu amigo petista, que defende todas as falcatruas de seu partidinho e amiguinhos independente do índice de gravidade? Aquele cara que é "estudado" em política e tem sempre uma resposta na ponta da língua pra justificar as maravilhas que os governos socialistas fazem pela população. Aquele um que fica o dia inteiro nas redes sociais somente defendendo seu ponto de vista esquerdopata. Aquele mesmo que se recusa a aprender inglês porque é o idioma do maior capitalismo opressor do mundo. Aquele que obviamente é funcionário público porque acredita que o governo é a mamãe provedora de tudo e porque não tem capacidade pra encarar a iniciativa privada. Então, eu aposto que você tem ao menos um amigo assim. Eu também tenho, e não apenas um, mas alguns.

Durante as eleições me peguei pensando: Porra, vale a pena manter amizade e proximidade com pessoas cujos motes de vida são tão diferentes do meu? Será que essas pessoas não acabam trazendo um negativismo com suas atitudes e pensamentos totalmente opostos aos meus? Cheguei a conclusão que sim, vale a pena se distanciar de pessoas assim. Já repeti várias vezes aqui no blog que sempre tento me manter cercado de pessoas que possam agregar algo na minha vida, gosto de estar no meio de pessoas intelectualmente superiores a mim, que tenham conhecimentos que eu possa aproveitar, pessoas com quem eu possa conversar de igual pra igual... Esse é um dos motivos por eu manter o blog ativo. Amigos socialistas não são assim... Eles são iguais aos corintianos e religiosos fanáticos que sempre darão um jeito de virar o papo pra aquele lado que eles dominam, não são capazes de analisar os pontos fracos de suas ideologias nem os fortes das ideologias alheias. Acabam servindo como dragas que sugam tudo a seu redor, querem ser o centro das atenções e jamais admitem que existe lado bom na opinião alheia. E o pior é que costumam ser inteligentes, eles estudam, se dedicam a sua "crença", são pessoas difíceis de discutir, manipulam informações e ideias a seu favor, sempre usam "argumentos" difíceis de se contestar.

Na minha opinião socialistas são pessoas sem objetivo algum em suas vidas, são incapazes de planejar, criar estratégias e segui-las de maneira atingir seus ideais. Esperam tudo do estado, querem um estado cada vez maior e mais assistencialista. Posso ter carinho por pessoas assim, mas sinceramente, não as quero do meu lado, acompanhando minha jornada, não me sinto a vontade de compartilhar meus planos com elas, não acho que elas ficarão felizes com minhas conquistas... É melhor se distanciar, de uma maneira civilizada, educada e discreta, deixar pra lá, deixar essas pessoas seguirem suas vidas com essa doença mental...

Infelizmente fico muito triste por ter que me distanciar dessas pessoas, porque em algum momento de nossas vidas, tivemos coisas em comum, mas a incompatibilidade de ideais nos tirou as semelhanças. Fico triste porque esse tipo de pessoa acaba me causando um efeito colateral não muito legal: tenho cada vez mais ódio, sim, a palavra é ódio, por PT, PCdoB, e essas siglas nojentas. Sei que as outras siglas também são podres, mas jamais conheci um defensor do PSDB tão empenhado como os petistas. Outra coisa não muito agradável, e aqui peço desculpas aos leitores que se enquadram nisso, é que tenho sentido cada vez mais amargor por funcionários públicos, cada vez mais acho que a grande maioria deles são pessoas assim, sem objetivos de crescimento e hipócritas porque criticam a corrupção mas se deixam ser pagos pelo governo também corrupto.

Desculpem o desabafo, podem atirar as pedras, leitores que são funças podem ficar chateados comigo com razão, mas essa é minha opinião. Temos que ser egoístas, pensar em nossas vidas e naquilo que realmente tem valor nela, deixar pra trás tudo aquilo que não faz bem, que te deixa pra baixo. Não importa se é uma pessoa que você tem carinho, se ela não está de acordo com seus pensamentos, esqueça-a, corra atrás do que importa, evolua, cresça intelectualmente, use o fracasso alheio como incentivo pro seu sucesso. Isso as vezes pode doer, mas é melhor doer hoje do que isso atrapalhar sua vida. Muito se fala do minimalismo e desapego de coisas materiais, mas esquece-se que muitas pessoas tem suas vidas empacadas por ficar escoradas ou apegadas em outras pessoas, seja lá uma namorada, a mãe, um amigo, um irmão... Foda-se, se essa pessoa não agrega nada em sua vida, livre-se dela, desapegue, se você não fizer isso, pagará o preço de estar sempre ligado a algo que não te faz bem. Não esqueça que a vida é curta demais pra ficar preso a coisas e pessoas que não te servem.

Ah! Deixei 5 lanches pagos para o mendigo como um "tip" pela cantoria (embora eu não tivesse aprovado a banda...).

segunda-feira, 9 de março de 2015

A Importância do Desenvolvimento de Habilidades

Você, principalmente homem, sabe cozinhar? Sabe preparar um bolo from scratch? Fazer pão? Sabe passar uma camisa? Pregar um botão? Costurar uma cueca rasgada? Sabe lavar uma privada? Desencardir rejunte do banheiro? Consertar uma torneira pingando? Trocar um reator de lâmpada fluorescente? Usar uma serra circular? Tico-Tico? Furadeira? Parafusadeira? Lixadeira? Martelo? Sabe o que é um formão? A diferença entre um ponteiro e uma talhadeira? Entre uma pá e uma vanga? Sabe usar uma picareta? Operar uma betoneira? Preparar uma massa pra chapisco, pra reboque ou pra assentar tijolos? Qual a diferença entre um tijolo baiano e um bloco de 15? Qual prego é maior, o 8X8 ou o 17x21? O que é um parafuso de rosca soberba? Onde se usa um parafuso passante? Sabe a diferença entre uma chave Phillips e uma Allen? Já limpou um carburador de moto? Trocou o óleo do carro? Pastilha de freio? Sabe fazer uma chupeta (mente poluída...)? Quantos pneus você já trocou na vida? Sabe operar um macaco? Sabe os comandos básicos de um avião? E de um barco? Sabe montar num cavalo? Dirigir uma Vespa? Aplicar uma injeção? Dar banho num cachorro sem inflamar o ouvido? Sabe diluir tinta acrílica? E esmalte? Usar thinner e água raz? Já acendeu uma fogueira? Fez churrasco em churrasqueira improvisada? Sabe preparar saquerinha para as meninas do churrasco?

Ele é o cara!
Eu aposto que a grande maioria dos homens que estão lendo esse post não sabem nem 50% das coisas acima, mas provavelmente sabem formatar um computador, trocar um processador, aplicar pasta térmica, e outras habilidades de informática. Eu confesso que sei 100% das habilidades listadas acima (claro, foi eu quem escreveu, rs) mas não sei formatar um computador, confesso que por preguiça. Não sou melhor ou pior que você, apenas desenvolvi mais algumas habilidades, grande parte delas coisas old school. Sei enrolar um cigarro de palha, aparar a barba com tesoura e me barbear com navalha (sem me cortar... muito) dentre outras coisas irrelevantes... Assim como você deve saber mil truques pra jogos de videogame que eu nem faço ideia (meu último contato com consoles foi num Master System em 1998 na casa de um amigo e no PC só jogo paciência e Tetris). Todos nós desenvolvemos habilidades, sejam elas úteis ou nem tanto. Acredito que quanto mais habilidades uma pessoa desenvolver, melhor pra ela. Veja o caso do MacGayver (molecada, googleim pra saber do que se trata). O cara era o mestre da improvisação, graças a incrível quantidade de habilidades que ele tinha. E o 007, o cara mais foda que já existiu? O cara é puro skill!!! Quanto mais coisas você souber fazer, mais coisas vai aprender, porque uma coisa leva a outra, mais dinheiro vai economizar por fazer você mesmo e mais dinheiro pode ganhar e esse é o ponto que eu queria chegar...

Hoje em dia vejo profissionais extremamente especializados, com alta formação acadêmica mas que no fim das contas só sabe fazer aquilo, se por um infortúnio da vida se foderem e perderem tudo, emprego e condições de trabalhar, estarão completamente fodidos por não saberem nada além daquela formação burocrata. E pior, grande parte desses profissionais leva uma vida na fast track e não possuem plano B de ganho de vida e "mais pior" ainda, normalmente esses trabalhos desenvolvidos por essas pessoas são burocráticos, eles trabalham o tempo todo sentados o que estimula o aparecimento de N doenças (veja vídeo abaixo... ah, não sabe inglês, se fodeu mermão, não sabe inglês vai se foder e ter acesso a somente uma pequena porção da internet!)


Bom, acredito que estou numa situação muito mais tranquila, durante minha vida desenvolvi as habilidades que descrevi no primeiro parágrafo, trabalhei com todas aquelas ferramentas e fiz todos aqueles trabalhos ao menos uma vez na vida. São coisas que realmente SEI fazer, posso não ter a experiência e desenvoltura de um profissional da área, mas posso muito bem trabalhar como um auxiliar em qualquer das modalidades de trabalho embutidas no primeiro parágrafo. Tive muita sorte por desde moleque ter uma vida outdoor com meu pai, nada de brincadeira na rua, eu era uma criança esquisita que nunca gostou de outras crianças, eu ia pra todo lugar com o velho... Meu pai também nunca teve mi mi mi e sempre me colocou pra desenvolver pequenas tarefas. Sou extremamente grato a ele por isso, me despertou a vontade de aprender coisas novas. Porém mesmo sem ter uma infância de aprendizado é possível sim desenvolver muitos novos skills, basta querer. Continuo querendo aprender novas coisas, acho importantíssimo para qualquer homem (mulheres também, é que sou homem e a maioria dos leitores do blog também são) saber fazer de tudo um pouco, rapazes solteiros, isso ajuda, e muito, conquistar meninas (acredite em mim, sou casado por isso, rsrs).

Brother, se você não tem uma caixa
de ferramentas, eu duvido muito da
sua masculinidade...
Quando disse sobre ficar sentado, isso é outra coisa que me incomoda. Não fomos feitos pra ficar sentados o tempo todo, assim como o vídeo acima explica. Precisamos de atividade física e se ela puder ser feita durante o trabalho, melhor ainda! Saber trabalhar de pé, sob condições não ideais de conforto, como com calor ou frio, pode ser muito importante para sua saúde e quem sabe até para seu futuro profissional. Responda rápido: quantos advogados, administradores e outros profissionais que trabalham sentados numa sala com ar condicionado você conhece e que possuem problemas de saúde como hipertensão, obesidade e fadiga muscular? E quantos pedreiros, carpinteiros e mecânicos você conhece com esses mesmos problemas? Trabalho braçal está na essência do ser humano, desde sempre trabalhamos usando o físico, caçando, construindo coisas... O pessoal do paleo pode explicar isso melhor... Acredito que todos devem fazer ao menos 1 hora diária de exercícios, não importa se é uma caminhada, musculação ou simplesmente trabalhar em algo pesado. Exercícios são saúde, saúde é dinheiro, se você aumenta sua saúde, diminui suas despesas, se você diminui suas despesas você é frugal, se você é frugal vive com menos dinheiro, se você vive com mais dinheiro você tem liberdade...

Infelizmente aqui no Brasil valorizamos o dotô que trabalha de terno num escritório e desvalorizamos o peão que pega pesado no chão de fábrica... Mal imaginamos que o tal do peão tem tudo pra ser mais saudável que o doutor... Isso sem contar que boa parte dos trabalhos mais pesados e braçais são muito mais importantes pra sociedade que outros trabalhos mais burocráticos e que possuem status. Quem é mais importante, o tatuador ou o coletor de lixo? O artista plástico ou o cara que colhe laranja?

Aqui vão duas fontes que considero fundamentais se você quiser ser um homem de verdade, cheio de habilidades em geral, educado, que cuide da família e seja decente:

1- The Art of Manlisness: Conheci esse site através do nosso amigo Estagiário, é simplesmente fantástico, o skill que você quiser aprender conseguirá encontrar nesse site. Em particular recomendo essa sessão sobre habilidades masculinas e o Podcast 70 sobre habilidades que todo homem pode e deve ter.

2- Mr Money Mustache: velho conhecido da blogosfera de finanças, o cara é simplesmente um guru sobre frugalidade, vida simples e independência financeira, mas não é essa parte do seu site que eu recomendo pra esse post, são os diversos artigos onde ele fala sobre os trabalhos que ele já realizou seja para economizar dinheiro ou mesmo porque ele gosta de fazer. Telhados de metal, rádios caseiros, aquecedores,.. Ele é meu ídolo e o melhor exemplo de como saber fazer coisas diversas pode mudar sua vida.

Eu ainda tenho muitas habilidades pra desenvolver. Não sei nadar, não consigo consertar computadores (troco um drive de DVD, um HD, mas quase que só isso), não sei quase nada sobre consertar eletrônicos, não sei andar de skate, nem soldar, nem tocar violão... Enfim, há sempre muito o que aprender e continuarei aprendendo um pouco todo os dias...

sexta-feira, 6 de março de 2015

Meus planos de emigração e o que fazer se for preciso voltar ao Brasil

Quem acompanha o blog sabe que meu objetivo principal é sair do Brasil, estou trabalhando pra isso, expandi minhas empresas única e exclusivamente pra ter mais dinheiro para meu projeto de emigração. Mudar para um país de primeiro mundo teoricamente será um baita investimento na minha qualidade de vida, porém tenho que ser racional e atentar para possíveis problemas que podem acontecer antes, durante e depois desse processo. O objetivo desse post não é demonstrar os problemas que posso enfrentar nesse processo, até porque aqui não cabem "achismos", só saberei os reais problemas na hora do vamo ver, portanto não me preocupo com esses supostos problemas agora, por outro lado preciso saber que se tudo der errado, terei que voltar para o Brasil com o rabo entre as pernas, e aí, o que farei?

O primeiro passo desse processo será com quase absoluta certeza uma espécie de "estágio", passarei um ano no Texas ou na Florida somente estudando Inglês, isso será colocado em prática dentro de 2 ou 3 anos e acredito ser um primeiro passo importante, na minha opinião esse tempo de estudo full time me proporcionará fluência no inglês e a Bia atingirá um nível pós intermediário (ela é fluente em espanhol, mas tem um inglês bem básico). Além disso servirá para entender melhor como a sociedade americana funciona, enxergar como as coisas são além da visão de turista e também para descobrir novas oportunidades. Acredito que não terei maiores problemas nessa fase, por isso dou como quase 100% de certeza que esse 1 ano morando nos EUA será completo.

Após isso podemos simplesmente detestar a experiência e querer desesperadamente voltar ao Brasil (será?), ou poderemos colocar em prática um desses planos extremamente resumidos a baixo:

PLANO A: Abrir uma empresa nos EUA através do visto L1, obter o green card após 3 ou 4 anos; 
PLANO B: Cursar um college em uma área com carência de profissionais no Canadá (mais barato que nos EUA, maior tolerância a estrangeiros, permissão de trabalho para o estudante e cônjuge) e então conseguir imigrar através de uma proposta de emprego;
PLANO C: tentar a estratégia canadense em outro país como Austrália e Nova Zelândia;
PLANO D: manter o status de estudante de inglês nos EUA até quando der.

Embora eu tenha 4 planos básicos, considero viáveis somente os dois primeiros. Não vou entrar no mérito dos prós e contras e possíveis problemas a serem enfrentados em cada plano, mas se vocês quiserem posso fazer isso num outro post. Me digam nos comentários.

Bom, agora que você já sabe basicamente como é meu projeto de emigração, vou comentar o que farei caso precise retornar ao Brasil.

RENDA

Pretendo manter as lojas mesmo morando no exterior pelo maior tempo possível, não tem como eu saber se isso será possível ou não, afinal nunca passei pela experiência e a estatística vai contra esse projeto. No caso do plano A eu sou obrigado a manter as lojas em excelente forma até conseguir a residência permanente porque o visto L1 é baseado numa empresa estrangeira (no caso, brasileira). Caso eu decida por cursar o college, talvez me desfaça de uma delas, mas tudo vai depender de como será a minha sobrevivência lá fora.

Caso eu tenha que retornar ao Brasil, pretendo não mais ter empresas, embora elas me deem uma boa renda, custam muito da minha saúde mental por N fatores, quem me conhece a mais tempo (no início do blog) sabe que eu só tenho empresas pelo dinheiro que elas me dão. Nesse caso eu venderia a aplicaria em investimentos que me gerem fluxo de caixa. Fazendo uma conta de padeiro, a renda seria praticamente suficiente pra me manter, ou seja, eu estaria financeiramente independente (eu digo despesas da família, logo a Bia também não precisaria trabalhar).

TRABALHO

Dividi esse trabalho do tópico renda porque como disse acima, eu estaria financeiramente independente, não precisaria trabalhar, mas não me vejo totalmente parado, logo eu iria sim trabalhar, a princípio fazendo algo relacionado a minha área de formação, coisa que nunca consegui fazer (somente estágio, que adorei). Se não desse certo, aí já são outros 500, pensaria na hora uma outra alternativa.

Aqui vale um adendo, antes de pôr meu projeto de imigração em prática, pretendo trabalhar ao menos 6 meses em algum emprego na minha área de formação, para ao menos ter alguma experiência profissional. Felizmente essa área é boa de emprego, acredito que não teria problemas em arrumar um emprego daqui 10 anos mesmo com pouca experiência (isso é, se o Brasil estiver de pé até lá...)

VIDA

Além de não ser mais empresário eu mudaria muitas coisas na minha vida atual aqui no Brasil caso fosse necessário retornar. Primeiramente eu viveria de maneira ainda mais frugal que hoje, compraria um carro bom com o qual casaria ao menos uns 20 anos, provavelmente moraria em alguma cidade grande no sul do país (tenho 2 amigos vivendo lá em baixo e nenhum troca o sul por SP), tentaria levar uma vida ainda mais leve do que tenho agora, andar mais de bicicleta, comer ainda melhor, etc. O mais importante: faria o que faço hoje: fugir de noticiários, novelas, jornais, tentar viver, como dizem, no modo zumbi, alheio ao que acontece de ruim no país. É somente por estar agindo nesse exato momento que consigo manter as empresas e minha sanidade mental dentro do controle.

No geral o que estou descrevendo aqui como minha vida de retorno ao Brasil é o tipo de vida que quero ter lá fora: mais tranquila no sentido de ser mais frugal, minimalista e menos preocupado, deixar a vida levar mais, esquentar a cabeça menos.

De qualquer maneira não me vejo muito nesse cenário, eu até planejo porque acho importante estar preparado pra tudo, mas são tantas as opções que tenho em outros países que acho pouco provável ter que voltar ao Brasil. O estilo de vida que Bia e eu gostamos está mais de acordo com o norte-americano, não com o brasileiro. Não damos valor para a maioria das coisas que os brasileiros amam, como futebol e festas com amigos; por outro lado valorizamos aquilo que aqui é praticamente impossível de achar: senso de comunidade sem um ter que se meter na vida do outro, educação no trânsito, cordialidade no dia-a-dia... Acredito que no que depender da gente as chances de querer voltar ao Brasil são mínimas, mas como um projeto complexo desse não está somente em nossas mãos é bom pensar em todas as possibildiades.

terça-feira, 3 de março de 2015

"Foda-se a motivação, o que você precisa é disciplina"

"Foda-se a motivação, o que você precisa é disciplina" é um artigo muito interessante do também interessante site Papo de Homem, que recomendo a todos, não só a homens. Tomei a liberdade de usar o título nesse post porque tem tudo a ver com o que vou falar.

Infelizmente somos bombardeados por mantras todos os dias, um desses mantras diz que é necessário sempre buscar motivação pra realizar as tarefas chatas: "motive-se pra academia", "motive-se pra estudar", é isso que indiretamente boa parte dos artigos sobre organização tentam enfiar em nossas cabeças, acontece que motivação é algo passageiro e nem sempre funciona. Um exemplo idiota: as gostosas da academia podem te motivar a treinar, mas será que é todo dia que elas realmente te motivarão? E aquele dia que você está com tanto problema que nem pensa em mulher (ah, tá, você é o comedor e pensa em sexo o tempo todo... tá bom...)? Motivação passa, mas se você cria uma disciplina, tudo será realizado de maneira mais eficaz e com a vantagem de disciplina se fortalecer a cada dia, ao contrário da motivação.

Assim como grande parte das pessoas, sou um procrastinador nato, estou sempre empurrando de barriga tarefas chatas sejam elas em casa ou no trabalho. Já cheguei a um ponto de acumular tanta coisa que foi necessário criar vergonha na cara, parar uma semana, só pra resolve-las. Meu maior meio de perder tempo é sem dúvidas a internet. Quando me interesso por determinado assunto fico compulsivo, passo 2 ou 3 dias só buscando informações sobre aquilo, um site leva pra outro, que leva pra outro, que leva pra outro e quando menos espero estou a 4 horas na internet e pior, muitas vezes já até esqueci sobre o que estava buscando. Sorte que não tenho Facebook, mas tenho Whatsapp e trocentos grupos dos mais variados assuntos com pessoas chamando o dia todo. Já consumi mais pornografia, mas mesmo assim é impossível não perder um tempinho todos os dias com isso...

Decidi dar um jeito nisso, ser mais produtivo sem abrir mão do que gosto de fazer. Fazem 8 semanas que estou seguindo um disciplina rigorosa nos meus afazeres, está dando muito certo e acredito que isso se deve a simplicidade do método. Até cheguei a ler sobre métodos de organização, mas me pareceu tudo muito complicado. Sempre tento fazer as coisas da maneira mais racional, simples e objetiva possível, acredito que a complicação só serve pra empacar as pessoas, por outro lado a partir da hora que você começa a fazer uma coisa de maneira simples e vê resultado, acaba sofisticando o método de maneira natural com o tempo. Por exemplo, a 2 anos atrás quando voltei a estudar inglês, investir 1 hora do meu dia estudando era massante, o tempo passou, fui aumentando o tempo e melhorando a maneira de estudo, fui vendo progresso, e hoje minha vida toda está em inglês (gadgets) e passo pelo menos 4 horas por dia em contato com o idioma (inglês é o idioma principal de busca na internet, só busco em português quando o assunto é relacionado ao Brasil).

Corey, como você conseguiu esse progresso e disciplina? Simples, muito simples. Estabeleci uma rotina de afazeres regrada e pouco flexível. Meu método antigo de organização de afazeres era um caderno onde escrevia tudo o que tinha que fazer, como uma lista, e ia riscando as tarefas cumpridas. Aquilo era frustrante porque sempre havia tarefas que simplesmente não desapareciam da lista, seja porque eram chatas demais e eu procrastinava ou porque não dependiam de mim pra serem solucionadas. Isso sem contar a bagunça que aquilo virava. Hoje estou fazendo bem diferente, no domingo a noite faço uma dessas listas com tudo o que devo resolver durante a semana que está por vir, então crio páginas no caderno pra cada dia da semana (como uma agenda), então distribuo as tarefas durante a semana. Por exemplo, se eu tenho que dar banho no cachorro na quarta, não me preocupo com isso na terça. É como se aquela tarefa não existisse, por estar anotada na quarta eu não tenho que ficar olhando pra ela todo o tempo. É mais psicológico que outra coisa, mas a gente tem que ser capaz de enganar nosso próprio cérebro em prol de um objetivo.

O segundo passo, logo após distribuir as tarefas pelos dias da semana é organiza-las durante o dia. Eu faço assim: estabeleço um prazo de tempo pra fazer cada tarefa e escrevo no caderno, no dia correspondente como farei. Nisso incluo também aquelas tarefas diárias como ir pra academia e estudar inglês, veja por exemplo como foi meu dia de ontem (cada dia da semana é diferente do outro:

06:00 - acordar e tomar café
06:30 - academia
08:30 - verificar emails das lojas e fechamentos do dia anterior
09:30 - revisão para a aula de inglês
10:00 - aula de inglês (gramática, Skype com professor da Austrália)
11:00 - estudo de inglês (história dos EUA)
12:00 - preparar almoço, almoçar, lavar a louça
13:30 - cochilo
14:30 - ir pra loja antiga
17:30 - ir pra loja nova
(tenho uma lista de tarefas do que fazer nas lojas)
21:00 - supermercado
22:00 - internet (livre)
23:00 - dormir

Tenho conseguido seguir essa rotina porque levo muito a sério a questão dos horários, como disse, é tudo questão de disciplina, se eu seguir a risca, será possível fazer. Note que há uma margem de tolerância pra todas as tarefas, prefiro fazer tudo com calma e ter tempo sobrando que sobrecarregar e não conseguir cumprir. Se acaso não consigo fazer algo da agenda, coloco para o próximo dia e ataco essa tarefa logo no começo, pra me livrar logo. É uma rotina quase militar, mas tem funcionado pra mim, como disse, é algo simples de ser colocado em prática, por isso funciona.

Acredito que se um dia eu não conseguir cumprir esse tipo de rotina é porque tenho tarefa demais pra tempo de menos, portanto terei que cortar tarefas em prol de conseguir fazer tudo o que preciso. Vejo pessoas sobrecarregadas porque trabalham mais do que deveriam, e o fazem porque precisam de mais dinheiro do que deveriam pra gastar mais do que deveriam... Ou seja, o problema não é falta de tempo, o problema é excesso de tarefas... Eu, por exemplo, não abro mão dos meus exercícios e do meu tempo de estudo, se amanhã estiver sobrecarregado no trabalho, darei um jeito de diminuir as tarefas do trabalho. Simples assim! Automação de processos é algo que ajuda muito, coisas simples como contas em débito automático, softwares que fazem coisas sozinhos, ou seja, usar a tecnologia a nosso favor ajuda demais a otimizar o tempo.

A disciplina ajuda a fazer as coisas no sentido que não preciso estar motivado pra fazer algo, eu só preciso saber o que fazer, quando fazer e durante quanto tempo fazer. O relógio ajuda a não ultrapassar os prazos das tarefas o que me obriga a fazer as coisas de maneira eficaz, sem perder tempo. Uma coisa leva a outra, é um ciclo positivo.

Percebam que a maior parte do tempo é gasto comigo mesmo, com coisas para desenvolvimento pessoal. Trabalho entre 6 e 8 horas por dia nas lojas, 4 dias por semana e só! Sou fodão? Sou o rei da eficiência? Não, claro que não, eu simplesmente priorizo as coisas. Analiso da seguinte forma: as lojas tem funcionários, tenho gerentes, tenho maneiras de controlar fraudes (não que elas não possam existir, mas consigo ao menos minimizar), as lojas estão rodando de uma maneira viável e dando lucro. Por que caralhos vou me matar, abri-las as 7 e fecha-las as 22 todos os dias? Eu não! Faço o meu trabalho, dou orientação aos funcionários e vou cuidar da minha vida. Minha saúde é mais importante que minhas lojas, por isso frequento academia 4 a 5 vezes na semana por 1 hora e meia, por isso preparo minha própria comida todos os dias e por isso faço o possível pra me manter num baixo nível de stress. Meu desenvolvimento pessoal é mais importante que minhas lojas, por isso estudo diariamente inglês e busco conhecimentos gerais na internet, é isso que vai fazer meu futuro mais feliz. Minha vida não é nem nunca será meu trabalho.

domingo, 1 de março de 2015

Resumo - Fevereiro/2015

Antes de falar sobre o mês de fevereiro gostaria de comentar um pouco sobre o comportamento de algumas pessoas que comentaram no meu último post Academia de Rico X Academia de Pobre: O Que Podemos Aprender?, Algumas pessoas comentaram que eu estava escrachando o lado pobre, que eu sou polarizado e só me envolvo com "ricos", que só porque meus negócios vão bem eu estou de nariz empinado, metido, que perdi a humildade, etc. Gostaria de esclarecer uma coisa. Ao contrário de muita gente, eu não tenho a menor preocupação em parecer humilde, gente boa com todo mundo, eu jamais idolatro favelização. Se você me acha metido é porque eu sou metido, embora respeite todos (no sentido de não maltratar ninguém) eu não sou obrigado a gostar mais de alguém por ela ser pobre, não sou obrigado e achar churrasco em laje regado a Itaipava, funk, forró, barulho e incômodo a vizinho como algo saudável e divertido. Não sou obrigado a achar a cultura do "pobre" melhor que a do "rico". Não sou obrigado a odiar comidas e lugares goumertizados: eu como paleta mexicana, já fui algumas vezes no Paris 6 e provavelmente não viajarei mais dentro do Brasil. Por outro lado não saio falando onde vou e deixo de ir, não tenho orgulho de dizer que vou ao Fogo de Chão, do mesmo jeito que também não tenho orgulho de dizer que adoro o churrasco grego de um cara na Avenida São João, lá em cima, perto da bolsa (pqp, um dos melhores que já comi, inclusive acabei de lembrar de uma história que me aconteceu lá, conversei com um mendigo muito interessante - merece um post...). Essa história politicamente correta de não poder gostar de "coisas de rico" e ter que respeitar "cultura de pobre" é uma das coisas mais imbecis dos dias de hoje...

Bom, agora vamos ao que interessa, fevereiro passou, carnaval acabou e com isso espero que o ano comece a andar de maneira mais estável. Não posso reclamar, fevereiro foi um mês muito bom de faturamento nas lojas, aliás, isso tem se repetido nos últimos tempos, exceto por novembro de 2014. Estou motivado pra trabalhar e também para fazer minhas coisas pessoais, isso tem repercutido positivamente no faturamento das lojas.

Aparentemente o crescimento da loja nova começou a estabilizar, não houve um crescimento expressivo nesse último mês. Ótimo, isso teria que acontecer mesmo e quer saber, espero que estabilize sim porque se continuar crescendo me trará problemas como funcionários e tributação mais elevada. Como não pretendo me desfazer dessa loja tão cedo, não há porque aumentar o faturamento exponencialmente e junto com isso ter que encarar os problemas inerentes disso. Estranho? Sim, pode ser, mas essa é mais uma questão que não se ensina nos Sebrae da vida... nem sempre aumento de faturamento é uma coisa boa. Fevereiro foi o último mês que reinvesti todo o lucro da loja nova, a partir de março, irei fazer retiradas mensais, dinheiro esse que será 100% enviado aos Estados Unidos. Agora preciso descobrir como investir essa grana lá pra ao menos proteger contra a inflação deles (que não é muita, mas existe). Sugestões?

Por outro lado, houve um crescimento considerável do faturamento da loja antiga quando comparado com o mesmo período dos últimos anos, acredito que isso seja devido a mudança do nome fantasia, da fachada, dos uniformes e do layout interno. Povo besta, só porque tem nome de rede pensa que a loja é melhor que as outras, tsc tsc tsc... Pelo jeito a goumertização do mundo chegou até a minha loja, rsrs! Vou aproveitando isso e ganhando dinheiro... Os negócios vão bem, não só pra mim mas para vários colegas de ramo, esse seria um motivo e tanto pra expandir ainda mais os negócios, ganhar mais dinheiro e permanecer no Brasil, afinal, enquanto muitos reclamam, os noticiários dão notícias desgraçadas e sombrias sobre a economia, a gente consegue crescer bem acima da inflação. SQN! Isso só serve pra ratificar minha decisão e facilitar as coisas, dinheiro e sucesso profissional (ou empresarial) não me seguram no Brasil.

Finalmente em fevereiro consegui voltar com tudo pra academia e também aumentar as horas de estudo de inglês, tudo graças a uma escala de horários padrão militar que estou seguindo. Sou procrastinador nato, preciso me policiar pra fazer as coisas, mesmo aquelas que gosto de fazer. Tem dado certo, farei um post a esse respeito no decorrer do mês.

Os temas que pretendo abordar durante o mês de março são:

  • Como uma rotina pré estabelecida e levada a risca pode melhorar a vida de uma pessoa
  • E se for preciso continuar no Brasil, o que farei?
  • Empresas nanicas, lucros astronômicos: as empresas que você não dá a mínima e que faturam alto
  • Custo de vida nos EUA, concorrência e baixa margem de lucro das lojas americanas
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