terça-feira, 21 de novembro de 2017

Conta Premium X Cartão Platinum

Adios Muchacho
Após o Bradesco abraçar 100% das operações da American Express no Brasil, este deixou de ser um baita cartão com várias vantagens para ser somente mais um cartão caro de se manter em troca de certo status. Como status é algo que não me atrai mais, resolvi chutar meu então gratuito "American Express The Platinum Card" (cartão de crédito com nome e sobrenome é o cúmulo da Nutelice) no momento que decidiram acabar com a minha gratuidade de anuidade porque pagar mais de 2k por ano pra ter um cartão de crédito não me parece a atitude mais sensata.

Fiquei então com meu Visa Platinum que sempre foi meu cartão principal e outros secundários como o Nubank Gold e Inter Gold. Porém, preciso de um cartão Platinum pelos seguintes motivos:

1- Seguros automáticos de viagens;
2- Seguros automáticos em aluguel de carros;
3- Conversão de milhas com melhor taxa (1 dólar = 1,5 ponto);

Ao viajar conto somente com o seguro do cartão. Temerário? Talvez, mas isso não vem ao caso, o que importa aqui é que todo ano consigo economizar uma boa quantia de dinheiro somente ao utilizar o seguro de viagem do cartão de crédito.

Meu carro tem mais de 20 anos, queima óleo e a manutenção é somente "on demand" (também não vamos discutir aqui se isso é certo ou não), portanto quando quero fazer uma viagem costumo alugar um carro e novamente utilizo meu cartão de crédito como ferramenta de economia: uso o seguro automático de locação de carro e aproveito o ótimo limite que tenho para fazer o caução (normalmente as locadoras cobram um caução que pode chegar à 30k em casos onde você não contrata as proteções com eles).

Bem que tentei viver sem o acúmulo de milhas, mas isso não é possível. A partir da hora que você troca suas primeiras passagens jamais conseguirá voltar atrás e deixar de usar esse recurso fantástico, não tem porque não acumular milhas, é de graça (desde que não compre coisas somente com esse objetivo).

Isso é uma ferramenta de vida

Para ter um cartão Platinum com um bom limite, mantenho uma conta Premium num grande banco. Para manter essa conta Premium tenho algumas alternativas:

1- Pagar 80 conto de taxa de manutenção mensal;
2- Ter 40k investidos nos "excelentes" produtos do banco e obter um desconto de 50% na taxa;
3- Ter 80k investidos e obter isenção da taxa.

Durante um bom tempo não foi difícil obter isenção porque sempre tive costume de fazer uma provisão mensal para pagamento do 13/férias dos meus funcionários e sempre coloquei essa grana numa poupança PF vinculada à essa conta. Junte à isso outra poupança com parte do meu colchão de segurança e outras com valores menores destinados à viagens, cauções de aluguéis e outras finalidades e os 80k eram alcançados facilmente.

Agora que não tenho as lojas, os 80k para isenção ficaram mais difíceis de serem alcançados, desde que vendi as lojas mantive uma grana na poupança somente com a finalidade de obter essa isenção, o objetivo era pensar nisso depois. Pois bem, o depois chegou. Com a poupança rendendo ainda menos, manter esse capital empatado na poupança somente pra obter isenção de taxa faz cada vez menos sentido.

Pagar taxa de manutenção de conta é de cair o cu da bunda, não faz sentido algum, ainda mais num cenário onde existem mil opções de contas grátis. A anuidade do cartão não é um problema porque atinjo facilmente os 1k de fatura que eles exigem para isentar, logo o problema do quebra cabeça está relacionado à taxa de manutenção da conta mesmo.

A única coisa que me prende à conta premium é o cartão de crédito, afinal nem lembro da cara da gerente e café tomo em casa, não na agência. A gente é careca de saber que conta premium é furada. Fazer um downgrade para o pacote essencial e sem tarifas faria todo sentido porque não prejudicaria minhas operações bancárias, me permitiria  não ter dinheiro parado na poupança, etc. Porém isso acabaria com a isenção da anuidade do cartão de crédito, e faço questão de manter o cartão platinum porém não quero pagar anuidade, entende?

As opções para sair dessa sinuca de bico seriam basicamente:

1- Ceder um pouco e encarar pagar 400 conto por ano de anuidade no cartão (o custo de oportunidade em manter 80k na poupança paga isso e dá troco);
2- Achar um outro cartão platinum com anuidade grátis ou mais barata (difícil, o Inter oferece isenção de anuidade mas tem que manter 50k investidos);
3- Usar a inação e simplesmente manter os 80k na poupança do meu banco e deixar tudo como está.

Um agravante é o limite, atualmente tenho limite de 60k no cartão o que obviamente jamais cheguei nem perto de usar porém como no exemplo do caução do aluguel de carro, é uma ferramenta. Caso trocasse de cartão teria que começar construir esse limite novamente.

Um atenuante é que tenho que manter algum dinheiro de qualquer maneira em poupança: 3k de caução de um apartamento, 15k do colchão de segurança (esse até poderia colocar no CDB diário ou algo do gênero mas entra o lance do IOF e IR regressivo, o que acaba não compensando), cerca de 20k que é a reserva para a próxima viagem (IR novamente atrapalha colocar em outra aplicação), enfim, teria que manter mais uns 35, 40k no banco para me isentar das taxas.

Bom, e vocês? O que fariam no meu lugar? Abraço e boa semana à todos!

quarta-feira, 15 de novembro de 2017

Updates do Apartamento Micado

Para entender o que está acontecendo, leia aqui: Inquilino saiu, imóvel meia boca, e agora?

Mas antes de ir para os updates do apartamento gostaria de responder aqui a um comentário que recebi no post passado. Achei um questionamento bastante pertinente e a ver com o assunto de hoje, vejam:

Você possui imóveis alugados (e os considera um ótimo investimento), ao mesmo tempo em que mora de aluguel (o que também considera uma ótima opção). Gostaria de entender a ideia por trás disso. Para mim não parece fazer sentido, uma vez que parecem idéias contraditórias entre si, mas tenho certeza que você tem ótimos motivos para pensar assim.

Vamos lá, não é difícil entender. Primeiro quanto aos meus imóveis alugados, eles são todos apartamentos pequenos, de 1 e 2 dormitórios, com boa localização (tirando o tal apartamento micado que falarei abaixo), comprados a preços bem baixos, o que me proporciona excelente yield. Um desses imóveis foi o primeiro apartamento que comprei e onde morei por anos, esse especificamente me rende cerca de R$ 1.000,00 mensais.

Em relação ao fato de morar de aluguel: o principal motivo que me leva a morar de aluguel não é o financeiro e sim a flexibilidade de me mudar virtualmente a qualquer momento (característica essa que mais uma vez estou colocando em prática, aguardem...). Por levar uma vida minimalista, Bia e eu conseguimos mudar com facilidade, rapidez e sem muito estresse. Além disso podemos adaptar o imóvel às nossas necessidades de cada momento: já moramos em studio, 1, 2 e até 3 dormitórios. Atualmente calculo meu custo de moradia da seguinte maneira: Aluguel que estou pagando menos aluguel que recebo do meu primeiro apartamento onde morei por anos (milão) é igual o valor que contabilizo nas minhas planilhas. Ou seja, é como se eu aproveitasse o aluguel do meu apartamento pra pagar o aluguel de onde moro. Essa estratégia é nova, adotei recentemente e é ela que será utilizada no fechamento anual das minhas contas (em dezembro, aqui nesse mesmo canal).

Bom, agora vamos ao miquinho. O apartamento foi alugado! Após o post onde contei sobre o causo, coloquei-o a venda por 180k, tive algumas visitas, algumas propostas bizarras que não aceitei, ao mesmo tempo estava anunciado para locação. Trocentas pessoas visitaram o danado até que acabei fechando negócio pelo razoável valor de 900 pilas, locação direto comigo, sem comissões de imobiliária. Não rolou o apocalipse que eu havia previsto no primeiro post: não perdi um shitload de dinheiro na venda, não aluguei de graça. Acabei alugando por um valor razoável dentro da atual situação do mercado. Não tive sequer prejuízo, a multa contratual foi o suficiente pra bancar as despesas de condomínio e consumos enquanto esteve fechado. Agora com o contrato novo acabo ganhando mais tempo e maturar a situação.

Esse passou de o melhor para o meu pior contrato de locação, 0,45% de retorno sobre o investimento. Ele puxa a média dos meus outros contrato para baixo o que está em torno de 0,6%. Mesmo assim estou EXTREMAMENTE contente com esse negócio, tirou um peso enorme das minhas costas, mesmo sabendo que a ausência desse recebimento não me deixaria mais rico ou pobre, não posso mentir, ficar com um imóvel locado é algo que me incomoda. Sempre tento aprender alguma coisa com tudo o que acontece na minha vida e a lição que tiro disso é que não tenho muito estômago pra lidar com vacância dos meus imóveis e a atitude que tomarei em virtude desse aprendizado é que não aumentarei mais minha carteira de imóveis e que possivelmente venderei algum ou alguns deles quando houver um bom negócio. Tenho consciência que tenho um retorno muito bom em se tratando de apartamentos pra locação (se fossem kitnets ou imóveis populares o retorno seria ainda melhor mas isso é assunto pra outro post).

Ter o dinheiro materializado na forma de tijolo é muito legal, mas como tudo na vida tem um preço, o preço a ser pago pra essa segurança é ter que passar por vacância e encheção de saco pra mostrar apartamento pra gente curiosa. Hoje vejo que ter imóveis de locação está longe de ser um negócio passivo e que talvez eu esteja naquele ponto onde a profissionalização seja o único caminho para o bom desempenho do negócio, talvez seja necessário gerir a carteira de imóveis como uma empresa, tendo um equipe dedicada para isso, o que é completamente inviável pra mim.

Estou crescendo como investidor, aprendendo a cada dia e tentando tirar lições positivas mesmo das experiências negativas, acredito que esse é o caminho que o homem deve tomar perante tudo o que acontece na vida. Ainda não me decidi entre me preocupar em ter muito dinheiro em instituições financeiras e preocupar por ter em imóveis que podem causar um rombo nos rendimentos em caso de vacância. Ninguém me disse como seria esse momento, ninguém me contou como seria lidar com isso... estou aprendendo aos poucos, empiricamente. Desejo a todos os que estão começando agora na jornada dos investimentos que um dia possam passar por um problema semelhante: o de não saber ao certo o que fazer com seu dinheiro. Abraço a todos!

sexta-feira, 3 de novembro de 2017

Aportando em FIIs

Hoje venho aqui mais uma vez pedir ajuda dos leitores, dessa vez é para sugerir em que FIIs eu poderia aportar.

Desde que vendi as lojas, a maioria do dinheiro que venho recebendo está sendo destinado à renda fixa: CDBs, LCIs, TD. Tenho um CDB vencendo esta semana e decidi que aportarei esse valor em FIIs. Algum tempo atrás disse aqui no blog que não iria mais colocar dinheiro novo nessa modalidade, porém como não estou achando opções interessantes na renda fixa (o melhor que encontrei foi um CDB 119%), decidi investir um pouco mais de fé nessa modalidade. Sei que não estamos no melhor momento de comprar FIIs mas como nosso amigo Viver de Construção diz: "preço pouco importa". Não gosto de ficar esperando momento ideal pra fazer as coisas porque ele nunca chega, a hora sempre é agora.

O valor que terei é de aproximadamente 130k, decidi que esse valor uma vez investido em FIIs deve obter o maior rendimento mensal possível. Isso pode parecer óbvio mas poderia, por exemplo, ter escolhido fundos que pagam um pouco menos porém possuem mais solidez, mas não foi isso que decidi, então assumo um pouco mais de risco. Por que disso? Uai, porque eu quero assim! Rsrs! Após analisar alguns papéis de maneira bem Corey (com extrema objetividade e boa dose de superficialidade) cheguei à seguinte distribuição:




BBFI: tijolo, escritório. Motivo principal: Possui 2 imóveis sendo que um deles está vago gerando possibilidade de valorização e aumento da distribuição.

CPST: (virei tão peão que coloquei CTPS na tabela, rsrs): fundo de papel. Motivo principal: Tenho poucos fundos de papel, há espaço para aumento de exposição.

FAMB: tijolo, escritório. Motivo principal: Embora seja um FII de um único imóvel, este é locado para a Caixa. Boa distribuição.

FIXX: fundo de papel. Motivo principal: Boa rentabilidade. É um fundo esquisito, de pouco liquidez. Acho que cai na categoria "aposta".

FIGS: tijolo, shoppings. Motivo principal: Tenho pouca exposição à shoppings (um pouco de HGBS) e porque tem RMG até 4/19. Fundo para ficar monitorando mês a mês possivelmente me desfazer antes da RMG. Mais uma aposta de risco.

XPCM: tijolo, escritório. Motivo principal: Tenho um pouco desse papel e acredito poder aumentar mais a exposição, contrato parece ser firme.

MFII: tijolo, misto. Motivo principal: gosto muito desse fundo, a maneira como faz dinheiro é bem interessante e simples: compra barato e vende mais caro. Também já tenho na carteira e o aumento de posição o faria ser um dos mais presentes da minha carteira.

Na verdade eu gostaria de colocar 10 papéis nesse aporte mas também gostaria de ficar com rendimento acima de de 0,75%, então não achei nada muito mais interessante que isso aí. Gostou da minha seleção? Sugere outros papéis? Coloque nos comentários! Obrigado!

terça-feira, 31 de outubro de 2017

Updates do 200tão e Divagações sobre Conquistas

Dia 2 de setembro fiz um post pedindo a ajuda dos leitores sobre o que eu poderia fazer com 200k que estaria pra receber. A história desse dinheiro é a seguinte: o comprador de uma das minhas lojas demonstrou vontade de adiantar boa parte das parcelas que ainda tem para me pagar, disse que estava fechando a venda de outra loja e que gostaria de negociar um abatimento em troca do adiantamento de parcelas. Confesso que não me animei muito com isso, afinal teria que dar um belo desconto em prol de tal adiantamento que, na minha opinião, não seria legal, afinal eu prefiro receber em parcelas porém um valor maior. Esses 200k representariam quase 300k parcelados segundo a proposta dele, o que não mudaria muita coisa numa contra-proposta. Resumo da ópera: a venda da outra loja dele não vingou e por enquanto não terei os 200tão na mão, continuando assim, recebendo as parcelas mensais.


Alguns podem pensar: mais vale um pássaro na mão que dois voando e sou desses, sou cagão e troco dinheiro por segurança e paz de espírito. Porém esse caso é diferente, conheço a honestidade da pessoa (sou dos que ainda fazem negócios pelo fio do bigode), conheço o fluxo de caixa da empresa, sei que as parcelas serão pagas e que um calote só viria num armagedom do mercado (o que também é algo a se considerar...). Acontece que o dinheiro que ainda tenho a receber da negociação das lojas é talvez o último grande dinheiro que eu veja na vida, é a grana que será usada pra comprar meu caixão, portanto quanto mais, melhor. Mesmo se um dia volte a empreender provavelmente não conseguirei tal montante pelo simples motivo que não tenho mais saco e saúde pra assumir riscos fortes em troca de altas rentabilidades, outro motivo é que nosso salário mesmo sendo o dobro do valor necessário para manter nosso padrão de vida, não é o suficiente pra criar uma soma interessante no curto prazo.

O risco de esperar para receber é um risco que aceito correr. Muitos podem pensar: "Corey, pega esse dinheiro, investe em X, Y ou Z e você recuperará o desconto em pouco tempo...", porém como sempre digo, só entro em negócio que conheço e por conhecer a loja (afinal foi minha por diversos anos), a maneira da pessoa trabalhar, seus funcionários e o mercado consumidor, acredito que o risco de esperar pra receber é bem razoável. Para quem olha de fora isso tudo pode parecer surreal, mas pra quem está por dentro é factível. Vou dar outro exemplo: quando algum blogueiro diz que ganha 100 dólares (ou 1000 dólares) por mês com ad-sense ou quando alguém diz que vive de projetos digitais eu custo a entender como isso é possível. Muitos olham o empreendedorismo de fora e também não entendem como alguém se dispõe a correr o risco de calote esperando uma empresa administrada por uma pessoa  pagar prestações mensais durante anos. Estranho, mas dentro da minha zona de conforto.

Veja que quando criei o blog, em 2012, eu havia acabado de sair das dívidas, vendido a primeira loja e meu patrimônio era um apartamento de 40m², um carro popular de 3 anos de uso e 10k na poupança. Em menos de 8 anos comprei outras lojas, vendi, comprei, vendi, comprei, vendi, comprei, quebrei a cara, vendi e estou com conforto financeiro. Foram esses rolos de empresa e o bom momento do país que peguei que me proporcionaram a IF que tenho hoje, dificilmente os astros se alinharão novamente dessa maneira. Sou muito grato e contente com o que consegui conquistar nesse curto espaço de tempo. Muitos comentam que eu sou um fracassado, afinal estou trabalhando de empregado enquanto tempos atrás era empresário (já desisti de explicar as razões disso), dizem que me acho um vitorioso mas na verdade não conquistei grandes coisas. Digo que pra aquilo que fui treinado (ou seja, pra nada), pelo nível de conhecimento técnico sobre empreendedorismo que adquiri, pela grana que investi e pelo curto espaço de tempo que tive, sou sim um vitorioso e sou muito grato por tudo o que conquistei.

Bia e eu temos 30 e poucos anos, se daqui pra frente conseguirmos apenas empatar nossas receitas e despesas, se conseguirmos não perder o dinheiro que ganhamos durante os anos de empreendedor e com a venda das lojas, se apenas fizermos isso, já será o suficiente pra ter uma velhice tranquila. Sou extremamente grato aos Deuses e forças superiores (you name it!) por isso. Um tonto, sem formação empresarial alguma, vindo de uma família metida a besta porém pobre, desestruturada e sem histórico de sucesso, conquistar o que conquistei?! Sou muito feliz!!!

segunda-feira, 16 de outubro de 2017

Classe Média, iPhone e Tesla

E, nó que somos conscientes financeiramente, podemos dizer que um casal que ganha mais de 20k por mês e não é milionário é uma dupla de imbecis completos. Trabalho com PÓS DOUTORES que são analfabetos financeiros e não sao milionários.

A classe média é um antro de otários.
O comentário acima foi postado no meu último post sobre a cesta básica (observação: não me canso de dizer que o nível das pessoas que comentam por aqui é altíssimo, mesmo com um hater ou outro a grande maioria das pessoas contribui para uma discussão saudável e agregadora, assim como ocorreu no último post. Como membro da classe média brasileira, sou obrigado a concordar com o anônimo.

Vamos ser justos, esse lance de classe média ser burrona e fazer cagada financeira em cima de cagada não é de hoje e não é exclusividade de Brasil, até onde me recordo, sempre foi assim. Lembro-me muito bem que 20 anos atrás, o Corey pré-adolescente estudante de escola particular ouvia histórias horripilantes do tipo:

1- Meu próprio pai estava desempregado (a palavra correta seria desocupado porque o velho nunca teve um emprego, sempre foi empreendedor) e devendo até as cuecas nos cartões de crédito, ao conseguir se desfazer de um terreno (provavelmente perdendo dinheiro na negociação) invés de quitar suas dívidas achou melhor dar entrada num carro zero quilômetro e em outro terreno, ou seja, ganhou mais 2 dívidas. Algum tempo depois estávamos a pé novamente e o tal segundo terreno foi tomado pelo antigo proprietário. Conclusão: o status de andar de carro zero era mais importante que não ter dívidas.

2- O pai de um amigo da escola, conhecido picareta da cidade, tinha uma "empresa" de transporte de cargas (?), cansado de andar de Kombi foi na concessionária Chevrolet mais próxima e comprou uma Silverado top de linha (250k em dinheiro de hoje?) em provavelmente 87426732653263 prestações. Meses depois meu amigo reclamava que o banco malvado-porco-capitalista tomara a tal caminhonete do pai dele. Meu amigo jamais deixou de usar roupas de marcas.

3- Um parente próximo, então com 20 e tantos anos, ganhou uma empresa da mãe. Ali estava seu futuro, a tal empresa está lá até hoje firme e forte porém o rapaz achou melhor vende-la e torrar a grana com maconha, farinha e turbo pro Gol Gti. Esse deu sorte, duas tentativas de suicídio depois, conseguiu se formar numa faculdade que presta e trabalha na área ganhando seus 10k.

Hoje em dia pouca coisa mudou, o que mudou mesmo é o acesso à informações e os ingredientes da receita de fracasso da classe média, indubitavelmente um dos principais alicerces da quebra classe-mediana mundial chama-se iPhone. Amigo leitor proprietário de iPhone, desculpe a sinceridade mas a simples decisão de ter um aparelho desses é sim um elemento que chama atenção para os reais objetivos da sua vida.

Não existe motivos para alguém comprar um aparelho de telefone que custa MIL DÓLARES, MIL DÓLARES, MIL DÓLARES, MIL DÓLARES!!!  Mil dólares é dinheiro pra C-A-R-A-L-H-O nos EUA!!! Mil dólares é absurdamente muito dinheiro no Brasil!!! Se você tem um iPhone, ok, não condeno, cada um compra o que quer, faz o que quer com o seu dinheiro porém pelo amor de Deus, não tente justificar, não existe justificativa racional além do simples "tenho porque quero ter". Essa é a melhor resposta que você pode dar...

Sim, sou radical. Você pode explicar que o tal aparelho tem um processador XYZ que de tão foda é capaz de rodar 6235235734 aplicativos ao mesmo tempo, que tem uma câmera capaz de fazer um vídeo em cinemascope, qualidade de áudio suficiente pra tocar um baile funk no posto de gasolina de Heliópolis. Não adianta, tudo isso não muda o fato de você carregar o valor de um carro dentro do bolso quando existe opções muito competitivas por 1/10 do preço e repito: isso diz muito sobre o cuidado que você tem com seu dinheiro.


Mas se olhando a classe média brasileira e seus iPhones já é um estudo de caso de psicologia humana interessante, tudo fica ainda pior quando você olha a classe média americana.

O americano médio é nada mais nada menos que uma pilha de dividas, o cara já nasce fudido, se endivida mais ainda durante a faculdade (com os college loans) e quando está com seus 30 e poucos anos, ganhando six figures e com dívidas de seven finalmente atinge seu ápice e compra o maior símbolo da torra de dinheiro já inventado pelo homem:
Por apenas USD 75k, na concessionária Tesla mais próxima



Sim, um Tesla é está para o americano como o iPhone está para o brasileiro. É um símbolo de status de classe média que tenta justificar a todo custo o porquê de ter uma porra dessas. Claro que você precisa de um Tesla, ou você vai ficar queimando petróleo e destruindo o mundo? O carro é extremamente econômico, o custo por milha é ínfimo (não importa o quanto você pagou pelo carro) e o Musk vai salvar o planeta dessas empresas antiquadas que vendem carros a gasolina. A Tesla é a empresa mais valiosa do mundo (foda-se que nunca deu lucro, vende um produto só e tem concorrentes por todos os lados), etc, etc, etc.

Se você chegou à esse blog é possível que, assim como eu, você seja capitalista, porém como sempre digo não é porque você é a favor do capitalismo que se afundará nele. Fique do lado capitalista que ganha dinheiro, não do que gasta. Admiro muito Apple e Tesla, são empresas sensacionais quando o assunto é evangelização, diria que são duas das igrejas mais poderosas do mundo. Não seja fiel delas, não seja tonto! Deixe-os ganhar dinheiro com quem é pobre, deixado-os mais pobres. Pare com essa besteira de trocar coisas por modelos mais novos, aceite pequenas imperfeições nas coisas (leia sobre wabi-sabi), troque quando quebrar, compre na medida que você precisa...

A classe média é sim muito besta, é possível e muito possível viver muitíssimo bem abrindo mão desses símbolos de status idiotas que só servem para arrancar dinheiro do seu bolso. Se você quer ser rico, esqueça Teslas e iPhones, foque em ganhar e investir em ativos. Isso que estou falando é muito óbvio porém as vezes o óbvio está na frente de nossos narizes e não enxergamos, faça parte de uma elite, a elite que tem tranquilidade financeira, que pode se dar ao luxo de perder o emprego, de trocar de carreira, de país e mesmo assim não afetar a vida. Esqueça coisas, esqueça essas tranqueiras todas que seus colegas de trabalho, a internet, o Facebook tenta te enfiar a qualquer preço, gaste dinheiro com coisas que prestam: ativos, educação, experiências de vida. Não torre com porcarias caras. Não é fácil ser rico, mas é muito simples não ser pobre.

Voltando ao comentário do anônimo: um casal que ganha 20k pode e deve ser milionário em pouco tempo. Um casal que ganha 20k vive MUITO bem com 7k, investe 13k em 10 anos... Faça suas simulações.

terça-feira, 10 de outubro de 2017

Como uma cesta básica mudou minha vida

Pela primeira vez na vida recebi uma cesta básica. A empresa onde estou trabalhando implementou esse benefício recentemente e acabo de receber a primeira. Confesso que essa foi uma experiência muito interessante e que serviu para abrir ainda mais minha cabeça, veja o porquê.

Durante minha vida toda por alguma razão acreditei que receber cesta básica é assinar o atestado de fracasso. Não me pergunte o porquê disso mas na minha cabeça cesta básica era coisa de gente fodida, de empregado chão de fábrica, dos níveis hierárquicos mais baixos possíveis (como se isso fosse um defeito). Durante meus anos de empresário nunca sequer passou pela minha cabeça dar esse benefícios aos meus funcionários, afinal de contas, eles ganhavam acima da média, muitos tinham carro, pagavam seus apartamentos, enfim, não eram pobres, "claro que se sentiriam ofendidos se eu desse cesta básica", o mais humilhantes dos benefícios! EU TINHA UM PUTA PRECONCEITO INCONSCIENTE SOBRE CESTAS BÁSICAS. Não havia sequer parado pra pensar no assunto!

Quando fui informado que receberia mensalmente uma cesta básica minha cabeça explodiu, num primeiro momento senti algo ruim, como um soco na cara pra me acordar que minha vida virou, não sou mais empresário e que agora sou somente um peão que recebe cesta básica, quase um homeless. Num segundo momento comecei a raciocinar, percebi que meus colegas de trabalho ficaram contentes com a ideia de receber esse benefício, olhei em volta e vi que todos agiam com naturalidade diante tal novidade. "Caralho, como podem estar contentes com isso? Meu Deus, quem recebe cesta básica é fracassado", meu subconsciente falou.... Num terceiro momento a ficha caiu e percebi que não há absolutamente nada de errado em receber uma cesta básica, que na verdade ela não passa de um aumento de salário porém amarrado à "compra" de alimentos, não é nada além disso!

Senti vergonha de mim mesmo, logo eu que sou uma pessoa tão desprovida de preconceitos idiotas (ou pelo menos acreditava ser), que é aberta à novas ideias e experiências de vida, que deliberadamente trocou a segurança e status de empresário por um relógio de ponto e cesta básica... justo eu tendo um ataque involuntário de preconceito contra uma simples caixa de papelão com itens alimentícios dentro! Ridículo! Me sinto envergonhado até de escrever isso por aqui...

Quando escrevi sobre a bolha da classe média muita gente criticou dizendo que estava fazendo apologia à pobreza, que é impossível viver de maneira simples, que é hipocrisia viver abaixo do nível que se pode pagar, etc. Acredito que essas pessoas sofrem do mesmo mal que me levou a ter esses pensamentos negativos sobre cestas básicas, esse mal tem a ver com a maneira pela qual fomos criados, por essa maneira tão esquizofrênica que nossa sociedade vê status. Vivemos numa sociedade apodrecida, somos apodrecidos por nossos pais que quase sempre nos blindam da realidade do mundo. Viver preso à bolha da classe média é ainda mais maléfico que o imaginado...

Esse episódio da cesta básica me fez concluir que estou a anos luz do desenvolvimento mental que desejo ter. Uma coisa tão simples e besta me mostrou que tenho muito, mas muito mesmo o que aprender. Se eu, uma pessoa que já viajou bastante, teve contato com várias culturas e costumes diferentes, que vive no meio de "minorias" (e por isso mesmo não aceita coitadismo gay-preto-nordestino-pobre), que 99% das vezes segue caminhos completamente opostos que meus pares, que é com certeza tido como louco na sociedade ainda sofre de preconceitos e pensamentos idiotas, imagino o que as pessoas enraizadas, que moram na casa onde nasceram, que trabalham na mesma cidade e emprego a vida toda possam pensar...

Falando sobre a cesta básica em si, acabei descobrindo que terei uma economia de alguns reais nas compras mensais e que ao mesmo tempo conseguirei fazer caridade mensalmente com o excesso ou com produtos que não usamos em casa. É só isso! Não houve um Armagedom, não me tornei mais pobre por receber cesta básica... muito pelo contrário, ela me deixou mais rico por ajudar a economizar uns reais todos os meses no supermercado. A mente humana é uma coisa muito louca!

sexta-feira, 29 de setembro de 2017

Projetos digitais suspensos, cursos e promoção

A vida é mesmo muito engraçada, no momento que me preparava para iniciar meus projetos iniciais (vide último post) recebi uma proposta/convite inesperado da empresa onde trabalho.

Recapitulando, entrei na empresa à cerca de 1 mês e meio atrás com contrato temporário, recentemente houve um processo seletivo para uma posição onde a empresa fornece cursos internos para então concorrer a vagas de nível hierárquico maior, participei das provas e pra minha surpresa fui aprovado, iniciarei os cursos na semana que vem e no começo do ano aplicarei para as vagas disponíveis. Confesso que não sei muito onde estou me metendo, é tudo muito novo e não sei como será o desenrolar dessa história. Só sei que pouca gente se interessou por esse processo porque no fim das contas o cargo continua sendo de "peão", porém com mais especialidade e salário pouca coisa maior, acredito que o maior benefício será justamente o aprendizado. Minha efetivação após a fase temporária acabar já é praticamente certa, meus superiores parecem aprovar meu trabalho e sempre falam que a vaga só depende de mim (devo um post explicando isso).

Engraçado como a maioria das pessoas enxerga cursos, palestras e seminários como perda de tempo, como coisas desnecessárias, etc. Tenho que ter "tato" pra lidar com colegas que me já começam a me achar um louco por me enfiar nisso (faço um esforço diário para parecer uma pessoa comum e não alguém que trabalha por opção), afinal os cursos são fora do horário do expediente e não são remunerados (embora sem custo algum para o funcionário). Enquanto isso vejo colegas pagando pra fazer pós graduações inúteis por EAD e se achando os fodões do estudo e que terão um aumento automático de 200% quando terminarem... Engraçado como as pessoas se enganam...

Bom, o tempo que teria para tocar os projetos digitais será investido nesses cursos nos próximos meses, terei aulas 2 ou 3 vezes por semana e com certeza nos outros dias vou querer apenas descansar, então a profissionalização do blog está suspensa por enquanto. Acho essa oportunidade que estou tendo na empresa muito melhor e por isso agarrei.

Os posts continuarão como sempre, sem data marcada, de acordo com minha disponibilidade e vontade de escrever. De qualquer maneira estou tendo uma experiência incrível e muita coisa pode se reverter para conteúdo do blog, aguarde e confira!
Os comentários desse blog são moderados, ou seja, passam pelo meu controle antes de serem publicados. Esse é o motivo pelo qual seu comentário não aparecerá logo após você clicar em "Publicar", portanto não precisa postar 2 ou 3 vezes! Posso demorar, mas publicarei e responderei todos os comentários que não contenham trolagens, intrigas, propagandas e baixo nível.