segunda-feira, 21 de abril de 2014

Voltando pra São Paulo e Os Bairros Caros

Após um ano morando de aluguel estou para provar a principal vantagem desse tipo de moradia: a mobilidade. Bia e eu somos meio malucos, mudamos nossos planos a toda hora, somos muito instáveis e nada combina mais com nosso estilo de vida que morar de aluguel. Esse ano morando em outra cidade foi ótimo para muitas coisas e outras não funcionaram tão bem quanto imaginávamos.

As vantagens de ter saído de São Paulo foram várias: mais tranquilidade, menos trânsito, mais tempo disponível, preços menores tanto na moradia quanto nas despesas diárias. Por outro lado problemas surgiram: Bia passou a ganhar menos e trabalhar mais na filial da cidade onde moramos, eu acabei enfrentando muito mais trânsito e estrada do que estava disposto graças a imprevistos com funcionários da loja, percebemos que nossa vida está em São Paulo: as baladas e bares que frequentamos, nossos amigos, os parques, etc. Junte a esses problemas o fato do apartamento que moramos ter diversos problemas estruturais devido a idade e a presença (novamente) de vizinhos inconvenientes, decidimos tomar a decisão de voltar para São Paulo.

Bia voltará para a sucursal onde trabalhou anteriormente, além de ganhar mais, conseguiu uma promoção que a princípio parece interessante. Eu estou envolvido com a possibilidade de entrar num novo e grande negócio (como contei num post anterior), mas é um negócio que pode demorar a sair devido a complexidade (se é que vai sair), então não vou parar minha vida por causa disso.

Uma vez decidida a volta pra sampa, a grande questão é: qual bairro morar? Inicialmente pensamos em começar nossa procura por bairros que facilitem a vida da Bia, que permitam que ela chegue ao trabalho usando metrô (o transporte público "menos pior") ou mesmo a pé. Acontece que esses bairros são considerados de classe média, classe média alta e como tudo em sampa, são super inflacionados, com preços de aluguéis nas alturas. Aí paramos pra analisar se isso valeria a pena ou seria melhor morar num bairro mais longe, mais barato porém com a necessidade maior de carro. É essa análise que gostaria de compartilhar com vocês.

Do ponto de vista financeiro vale a pena morar mais perto do trabalho mesmo pagando bem mais caro pelo aluguel?
R: Segundo nossas contas, morar nos bairros que temos em vista custará (em termos de aluguel) cerca de 120% mais caro que num bairro mais afastado e de qualidade de vida razoável (nada de periferia) para um imóvel de mesmo tamanho, se reduzirmos o tamanho do imóvel, essa diferença cai para 80% o que não é nada desprezível, mas fazendo as contas com gasto de combustível ou transporte público e tempo de deslocamento chegamos a conclusão que essa diferença seria em torno de 50%. Vale a pena? Sim, vale, se analisarmos as questões abaixo.

Quais as vantagens não financeiras de se morar num bairro mais nobre de São Paulo?
R: Esquecendo os fatores financeiros, podemos ver várias vantagens de se morar num bairro mais nobre de sampa, a primeira dela é a tranquilidade, bairros mais nobres tendem  a ser mais silenciosos porque os moradores geralmente se importam mais em não incomodar os vizinhos, além disso pessoas de classe média, média alta costumam ser mais educadas e não tem a infeliz mania de fazer samba/pagode/funk no meio da rua como acontece nas periferias (Observação: se você faz o tipinho politicamente correto e tá se coçando pra me criticar nos comentários, faça-me um favor, suma do meu blog, ok?). Outra coisa que acho importante é que devemos nos cercar de pessoas intelectualmente superiores ou ao menos iguais a nós se queremos crescer como seres humanos educados e inteligentes, se você mora num lugar com gente xucra, a tendência é sempre o nivelamento por baixo. O mesmo vale para pessoas bem sucedidas financeiramente, acho legal conversar com pessoas que deram certo, que conseguiram superar obstáculos e vencer no mundo dos negócios, é possível aprender muito só de ouvir o papo dessas pessoas numa academia, por exemplo.

Estamos dispostos a abrir mão de espaço em prol de morar num lugar mais nobre? Morar num apartamento menor pode prejudicar nossas vidas?
R: O atual apartamento que moramos é bem grande, um apartamento antigo, com cômodos amplos e espaçosos. Claro que é muito agradável morar com espaço de sobra mas a realidade é que não temos necessidade de tanto espaço, um dos quartos do apartamento está completamente vazio e só o abrimos pra limpar, mesmo os cômodos ocupados estão bem vazios porque possuímos poucos móveis e coisas, afinal somos minimalistas, procuramos ter somente o que precisamos ter. O maior problema em morar num lugar menor seria por causa do cachorro, mas ele está acostumado a morar em apartamento então acho que a adaptação mais complicada seria pra gente, não pra ele.

Estamos de olho em empreendimentos novos, a maioria nunca foi alugada e conta com diferenciais como lavanderia coletiva, serviços pay-per-use, áreas de lazer, etc. Minha vontade de morar num prédio antigo já passou, foi legal mas não é nada prático ter 3 tomadas num apartamento inteiro e ter que fazer manutenção em tacos de madeira além de encarar água enferrujada por canos de ferro, entupimentos constantes e elevadores problemáticos. Queremos algo mais moderno, mais com nossa cara, uma moradia prática, mesmo que menor. Acho os chamados "studios" muito racionais para casais como nós, o único porém é que precisamos de divisão entre quarto e sala além de uma área de serviço pra abrigar o cachorro.

Analisando o custo de morar num bairro mais sofisticado percebo que a grande diferença está no valor do aluguel e da alimentação perto de casa como pizzarias, mercadinhos e padarias próximos que costumam ser mais caros, mas isso pode ser minimizado fazendo compras em mercados mais distantes, é tudo uma questão de adaptação. Acho que no frigir dos ovos as vantagens de se "morar bem" valem mais que o custo financeiro. Sempre vejo reportagens sobre pessoas que venceram na vida, ganharam  muito dinheiro e continuaram morando na periferia. Entendo o lado delas, muitas preferem ser o rico no meio dos pobres morando na periferia que o pobre no meio dos ricos morando num bairro nobre, mas acredito que isso vai além do dinheiro e status, como disse, acho a convivência com pessoas bem sucedidas e intelectualizadas muito importante, é algo que agrega muito as nossas vidas. Pretendo sempre buscar conhecimento e novas ideias, viver num lugar melhor pode me proporcionar isso. A elitização da vida é um caminho sem volta, é difícil dar um passo atrás quando se tem condições de dar um a frente.

terça-feira, 15 de abril de 2014

Patreon - Como ninguém pensou nisso antes?

Muitos já devem conhecer o Patreon, um site gringo onde é possível patrocinar criadores de conteúdo na web ou vice-versa, receber patrocínio de outras pessoas. Conheci o Patron através do Izzy Nobre e achei a ideia fantástica e estupidamente simples, por que raios em todos esses anos de internet ninguém pensou em fazer algo semelhante?!

A mecânica da coisa é muito simples: o cara que está em busca de patrocínio cria um Patreon e provavelmente deve pagar uma comissão ao site. Ele é responsável por divulgar o projeto e criar bonificações para seus "patrões", normalmente quanto maior o patrocínio, mais são as recompensas. O patrocínio inicia em 1 dolar e o céu é o limite, é possível pagar por PayPal. Não se trata de doação e sim de um apoio mensal ao trabalho de determinada pessoa, ao patrocinar alguém você se compromete com aquela quantia mensalmente.

Achei muito interessante a estou patrocinando o Izzy e também o Carlinhos do Realidade Americana. Acho muitíssimo justo ajudar, nem que seja com uma pequena quantia, aqueles produtores de conteúdo que admiro e acompanho. A gratuidade é insustentável, o Patreon veio para ajudar muitos produtores que sem ajuda financeira não conseguiriam tocar seus projetos no longo prazo.

Você deve estar pensando que estou com esse papo todo porque também vou aderir ao Patreon, mas não é isso! Decidi falar desse assunto porque achei interessante e aconselho a todos que apoiem financeiramente seus produtores de conteúdo favoritos, pode ter certeza que o Patreon logo se espalhará. Também serve de dica para algum blogueiro que pretenda criar uma nova fonte de renda.

sábado, 12 de abril de 2014

Sumiço e Novo Negócio

Estou aqui para me desculpar pelo sumiço essa semana, eu havia prometido uns textos bacanas e estou em débito com vocês, tenho vários rascunhos prontos mas estou sem tempo para conclui-los. Esse ano a correria não está dando trégua, primeiro foram os problemas com funcionários na loja, coisa que aparentemente está sobre controle, depois veio a troca de carro e todo o tempo perdido nisso, agora aparece um novo e excitante negócio.

Sabe aquele ditado que diz que você nunca deve fechar a porta ao sair de um emprego? Pois é, ele está absolutamente certo! Alguns dias atrás recebi um telefonema de um cara que não falava a mais de 10 anos, ele era sócio do meu primeiro patrão, na época eu era um adolescente faminto por dinheiro e ele sempre me aconselhava bastante. Foi com ele que falei quando pedi demissão e mesmo sendo contra as regras da empresa na época, fez questão de me "demitir" para que eu pudesse sacar o FGTS, pagou absolutamente tudo certinho e ainda me deu vários conselhos. Pois bem, foi uma grata surpresa receber um telefonema dele... Marcamos um encontro pra conversar numa cidade do interior onde ele reside atualmente.

O cara está bem de vida, aposentado, uma vida tranquila mas não consegue ficar parado por isso dá uma de corretor de empresas e me chamou para apresentar um negócio bem interessante que caiu em suas mãos. Uma pequena rede de lojas do meu ramo de atuação que está mal administrada, o fundador vendeu a rede para um empresário workaholic da região que por ter dinheiro e tocar várias empresas diferentes pensou que aquilo seria uma mina de dinheiro mas acabou se enrolando por não achar administradores para o negócio. Bom, ouvi tudo o que tinha que ouvir, visitei as lojas, conversei com o proprietário que não sabe sequer o faturamento das lojas, baixei planilhas, puxei relatórios, conversei com os gerentes das lojas (que foram emprestados de outras empresas do proprietário e não sabem nada sobre o ramo) e voltei pra casa. Resumindo o resumo do sumário: o negócio é extremamente viável!

O negócio é grande (para meus padrões), exige uma carga de trabalho considerável e obviamente, investimento em melhorias. Não tenho nem grana suficiente nem saco pra tentar tocar uma pica dessas sozinho, então fui atrás de alguns "bróders" meus. Procurei um parceiro comercial com o qual já fiz negócios e um outro "amigo" (amigo não, é mais um colega que amigo...) que poderiam entrar nesse negócio comigo. Todos se interessaram, conversamos bastante e pode ser que de certo. Juntos temos qualidades suplementares: sou melhor na parte administrativa, o parceiro é melhor na lida com funcionários e o amigo excelente negociador. Todos tem dinheiro em partes iguais e pensamos de maneira bem semelhante (entenda a importância disso aqui e aqui no Blog do Bye Bye Brasil)

Se eu fechar esse negócio estarei virando minha vida do avesso: precisarei me desfazer de toda poupança da IF, mudar para outra cidade, abandonar os planos de imigração (ao menos por enquanto, no médio prazo essa empresa pode me ajudar) e principalmente, terei que trabalhar bastante durante um bom período de tempo sem ter retorno financeiro. Além disso eu teria sócios que é algo que sempre evitei. Se tudo der certo, a rentabilidade pode ser fantástica. Se der errado estarei em sérios apuros tanto financeiro quanto psicológico. Além de investir dinheiro do bolso ainda teremos que alavancar uma porcentagem grande do valor total do investimento. Engraçado como embora tudo isso pareça loucura e eu saiba exatamente o tamanho da mandioca que terei que encarar, estou bem empolgado com a possibilidade desse negócio dar certo. Meu Deus, será que estou virando um desses empresários babacas que dão entrevistas no Show Business dizendo que adoram trabalhar 18 horas por dia?

Lembrei de um cara que conheci durante uma viagem, ele era dono de uma rede de concessionárias de carro no sul. Segundo ele a carga de trabalho que tinha era exagerada e ele não conseguia diminuir o ritmo por causa da própria fábrica dos carros que obrigava uma determinada taxa de expansão. Diz ele que o tamanho que atingiu era mais que o suficiente pra viver de maneira muito confortável, mas a empresa controladora da marca podia tirar a representação dele caso não atingisse determinadas metas... O cara virou escravo e empregado do próprio negócio. Tenho muito medo de me ver numa condição dessas e um negócio desse porte tem grande chance de me enfiar num caminho sem volta... Enfim, estou com uma mistura de medo, empolgação, alegria e tristeza... Vou deixar rolar, outra coisa que costumo acreditar é que as coisas fluem como um rio, se tudo fluir de maneira calma, sem maiores entraves, é sinal que dará certo, caso contrário, se algo começar a cheirar mal, serei o primeiro a pular fora do barco. No mundo dos negócios você deve ser racional, mas sem abrir mão da intuição.

segunda-feira, 7 de abril de 2014

Sobre Turismo Interno Brasileiro

Semana passada embarquei para uma curta viagem rumo ao nordeste brasileiro. Bia pegou alguns dias de banco de horas e corremos atrás de marcar uma viagem. Por ser poucos dias, não era possível fazer uma viagem mais ao nosso estilo: internacional, visitando cidades, museus, etc. Tentamos o Peru e Uruguai mas os valores eram muito puxados, então decidimos curtir aqui no Brasil mesmo.

Fazia algum tempo que não viajávamos dentro do país, conhecemos quase todas as capitais do nordeste e por gostarmos de calor e praia decidimos rumar ao norte novamente. Nossa última viajem tinha sido para os EUA no fim do ano, onde ficamos mais de 30 dias, o choque de realidade foi brutal. O turismo dentro do país beira a inviabilidade: preços exorbitantes, aeroportos ridiculamente precários, estradas perigosas e esburacadas, pessoas sem preparo, falta de educação, falta de informação, exploração... enfim, um show de horrores!

Tudo começa no embarque em Guarulhos, um aeroporto ridiculamente apertado perante o fluxo de passageiros, GRU tem tamanho de aeroporto executivo nos EUA, salas de embarque lotadas, falta de informação, mudanças de portões de embarque na última hora, internet inoperante, preços criminosos nos cafés e restaurantes (Pizza Hut cobra exatamente o dobro do preço que as lojas de shopping), embarque realizado pela pista...

Dentro do avião o tormento não difere muito das classes econômicas da maioria das empresas internacionais, nesse aspecto as nacionais somente nivelam por baixo o que encontramos nas demais linhas aéreas gringas. A Gol tem a cara de pau de cobrar 8 conto por um lanchinho meia boca pior que aqueles servidos nas doações de sangue, o ar condicionado só é ligado no momento da decolagem pra economizar combustível... Com sorte o voo sai na hora, aliás, o problema nem é sair e sim chegar em GRU (vou falar mais na frente...).

Chegando no aeroporto do destino, que mais parece um galpão com uma pista de pouso ao lado, os taxis piratas são maioria, os passageiros são disputados no grito. Um show de horrores! No caminho para o hotel é melhor você mandar o taxista seguir o GPS do seu celular, caso contrário a corrida pode custar o dobro ou mais que o normal (como aconteceu com um casal conhecido nosso ano passado no mesmo destino).

No hotel, que custa preço de 3 estrelas e oferece serviço de, digamos, meia estrela, você se depara com atendentes mal educados e de mal humor, lençóis puídos, ar condicionado barulhento, chuveiro elétrico (meu Deus, chuveiro elétrico num hotel não, por favor!), colchão barulhento, café da manhã meia boca, sujeira pelos corredores (isso porque as avaliações do TripAdvisor eram favoráveis).

Na hora de fazer os passeios você deve escolher entre alugar um carro e pagar uma fortuna (impossível alugar carros no Brasil) ou ficar de boa e pagar uma van. Nossa opção foi a segunda e o problema começou para decidir qual "vanzeiro" faria o transporte. Não sou de julgar as pessoas pela aparência (regra número 1 do comércio), mas se você vê um motorista de van de chinelo, cheirando cachaça e fedendo sovaco o mínimo que deveria pensar é na sua segurança... É impossível saber qual empresa é autorizada e qual é clandestina, todas apresentam documentos grudados no para brisa da van, uns parecem xerox da xerox, da xerox, não dá pra saber se é clandestino ou não. Ok, você decide arriscar e embarca em uma das vans rumo a praias prometidas como paraísos na terra, porém pra chegar a esses paraísos você passará por estradas do inferno, cheias de curvas perigosas, buracos, acidentes pelo caminho... motociclistas sem capacete em todos os lugares, playboys com SUV dirigindo em alta velocidade por estradas precárias. No destino tudo é realmente muito bonito, mas sem preparo, sem lixeiras, sem chuveiros para você tirar o sal do mar... uma água de coco pode custar de 1 a 10 reais, dependendo do vendedor!

Depois de uma experiência não muito agradável com um passeio de van, Bia e eu decidimos ficar nas praias do centro mesmo, próximo ao hotel, o passeio havia perdido a graça e o destino não era nem de longe o que estávamos esperando. Lembranças das praias dos EUA? Pode ser... Não dá pra comparar a estrutura. O Brasil é cheio de belezas naturais, isso é fato e inegável, temos cartões postais de tirar o fôlego, mas pouco ou nenhum preparo para exploração turística. Outros países também possuem belezas naturais, isso não é privilégio nosso, falar que o Brasil é lindo e que não tem furacão é muleta. Voltando a praia do centro, praias feias, tipo Santos, sujas, tanto pelas algas (que assolam todo o nordeste) quanto por garrafas, latinhas e papéis. Também pudera, se vi 3 lixeiras na cidade inteira foram muitas.

Os restaurantes e quiosques de praia servem excelente comida, mas espero no mínimo 1 hora para comer, tudo demora muito! Não é porque estou de férias que minha fome pode esperar, acho um absurdo uma comida demorar tanto. Os preços nos quiosques são altos mas compatíveis com a realidade. Alguns quiosques se destacam por uma decoração mais moderna, fechamentos de vidro temperado, ar condicionado, alguns parecem pequenas baladas e vivem lotados, enquanto outros estão sempre vazios. Usando minha curiosidade de empreendedor descobri que boa parte desses quiosques diferenciados são de forasteiros, pessoal do eixo RJ-SP ou estrangeiros. Cadê o pessoal do Sebrae pra capacitar os nativos? Por que é que o governo não interfere de maneira útil e ensina o pessoal local a empreender, precificar corretamente, atender bem os turistas, falar inglês (por 2 vezes precisei socorrer gringos em apuros), por que não limpa as praias, arruma os calçadões? Porque o nordeste é dominado por famílias, são praticamente feudos e os senhores feudais (políticos) fazem lavagem cerebral nos seus colonos (moradores) fazendo-os adorar essas famílias como se fossem seus protetores!

Antes que venham me crucificar dizendo que estou com preconceito quero dizer duas coisas: 1º sou nordestino de nascimento; 2º estou falando da região que conheço, não sei como são as outras regiões do Brasil, tirando Foz do Iguaçu, BH, RJ e claro SP, só conheço as principais capitais do nordeste e minha experiência em todas elas foi muito similar. Gratas exceções para Natal e Fortaleza que parecem léguas a frente das outras. Talvez minhas experiências anteriores não foram tão chocantes por falta de parâmetros de comparação, após essa grande viagem aos EUA percebi como um país decente se prepara para receber turistas.

Ah! Sobre a volta a GRU, ficamos 50 minutos dentro do avião na pista esperando vaga pra estacionar!

terça-feira, 1 de abril de 2014

Atualização - Carteira - Março/2014

Esse mês dei pouca atenção para os investimentos, a loja está consumindo tempo demais do meu dia, sorte que aparentemente os problemas com funcionários estão resolvidos, "pincei" um antigo conhecido de outra empresa (não concorrente, ele tinha mudado de ramo de atuação) para ser meu novo gerente. Já trabalhei com ele anteriormente e é uma pessoa competente, claro que receberá um belo salário, 40% superior a média de mercado, mas esse é o preço pra que eu possa voltar a ter uma vida. Além disso contratei novos funcionários, remanejei outros e agora a coisa está entrando nos trilhos. Em abril pretendo dar maior atenção aos investimentos.

Quebrei a barreira psicológica dos 200k, estou contente por isso e pela boa rentabilidade da carteira. Os proventos despencaram devido ao encerramento do negócio B cujo capital oriundo da venda será provisionado numa conta a parte, não entrará (ao menos por enquanto) na carteira de investimentos. Essa queda não me preocupa porque ainda não preciso desses proventos para sobreviver, acharei outra maneira de gerar renda passiva. Não tenho pressa...

A ideia de imigrar continua forte na minha cabeça, mas ao mesmo tempo possibilidades de bons negócios estão surgindo. Quando você ganha fama de honesto e bem sucedido (não no sentido financeiro e sim por fazer um bom trabalho na sua empresa), logo outras pessoas começam a te rondar com ideias novas. Aumentar meus negócios poderia ajudar, por exemplo, num processo de imigração para os EUA, por isso estou de olho em novas oportunidades. Talvez permanecer mais alguns anos na Banânia possa ajudar a fazer um processo de imigração mais racional e com menos perrengues.


Estarei ausente durante alguns dias devido a uma curta viagem que farei durante o mês. Estou precisando descansar e estou com síndrome de abstinência aeronáutica, rsrs! Bom abril a todos!

Resumo da carteira em 31/03/2014: 


sexta-feira, 28 de março de 2014

Sobre Oficinas Mecânicas e Nichos de Mercado

Sabe quando digo que aquilo que dá dinheiro é aquilo que sempre deu dinheiro? Que não é preciso reinventar a roda, criar start-ups e rezar pra ser comprado pelo Google pra se dar bem? Vou dar um excelente exemplo disso nesse post.

Como contei no último post, troquei de carro e como é de praxe pra quem troca de carro, decidi levar o possante pra uma revisão geral: trocar óleo, correia dentada, verificar os freios, enfim, dá uma olhada na manutenção preventiva. Isso seria uma coisa simples se não fosse um detalhe: em qual oficina levar? Sempre tive grandes problemas com oficinas mecânicas, uma vez quase morri devido a um acidente causado por uma manutenção mal feita e desde então sou extremamente sismado com esse tipo de serviço. Após esse acidente decidi ter somente carros 0km e fazer as revisões na concessionária que, teoricamente, possuem um serviço mais confiável que as boca de porco da vida. Isso foi na época que eu era um jumento financeiro e tinha três carros zero financiados, vendi dois e fiquei com um. Durante algum tempo continuei fazendo as manutenções preventivas na concessionária, mas devido a falta de tempo para agendar, ficar dois ou três dias sem o carro para uma simples revisão, fui obrigado a apelar para a oficina perto da loja, de um cara, digamos, indigno de total confiança. Como entendo um pouco de manutenção automotiva (na teoria, porque jamais arrisco desmontar algo que não tenho certeza se conseguirei montar novamente), passei a postergar certas manutenções que poderiam esperar e fiquei somente na troca de óleo, correia, alinhamento e balanceamento durante um bom tempo, tudo pra fugir da oficina. 

Então essa semana eu tinha a ingrata tarefa de revisar o carro novo, liguei na concessionária da marca que me cobraria um absurdo por esse serviço e ainda teria que esperar 15 dias pra levar o carro até lá e deixa-lo por uma semana pra fazer essa simples revisão. Liguei em mais duas concessionárias e a história foi semelhante. Aqui perto da loja tem algumas oficinas grandes, os chamados "centros automotivos", com ambientes agradáveis, cafezinho, TV a cabo e ar condicionado na sala de espera. O preço até me pareceu razoável em uma delas, mas fui alertado por dois clientes e um amigo que eles trabalham por comissão o que acaba dobrando a conta no final sem contar a qualidade duvidosa do serviço. Desisti.

Liguei para o antigo dono do carro que me recomendou seu "mecânico de confiança" (isso pra mim é igual cabeça de bacalhau, todos sabem que existe mas ninguém nunca viu), que tinha feito as últimas manutenções do carro, etc. Cheguei até lá, uma oficina média, nada enfeitada, onde trabalha somente o dono, seu filho e seu sobrinho. Nos elevadores somente carros bons, nada de Del Rey, Chevette e Variant; computadores, ferramentas organizadas, senti um pouco de confiança e deixei o carro. No dia seguinte pela manhã ele me liga informando que a parte de freio está ótima, que não há necessidade de troca e que um barulhinho estranho no motor era somente um tensionador de correia, nada mais. Senti firmeza, o tiozão não me espetou a faca, fez um serviço bacana, dentro do prazo estipulado e me cobrou menos que o previsto. Conversando com o balconista da padaria ao lado da oficina descobri que o tiozão dispensa clientes se a oficina estiver cheia e só trabalha com determinadas marcas.

Resumindo: você pode ter uma empresa simples nada inovadora, mas se fizer um trabalho decente, não faltará clientes. Infelizmente vivemos numa época onde prestar um serviço honesto é trabalhar um nicho de mercado. Parece brincadeira, mas o nicho de mercado desse mecânico é somente fazer um trabalho correto, cobrar o preço honesto e não roubar seus clientes! Isso me lembrou do Alexandre da High Torque, quem curte carro com certeza conhece o ADG, um mecânico que fez fama e dinheiro ao consertar Mareas e postar vídeos no YouTube de sua oficina em BH. Ele passa a imagem de arrogante, mete o pau no Brasil, xinga a Dilma, dispensa clientes, expulsa outros da sua oficina, cobra caro e mesmo assim tem fila de espera e clientes que saem do Rio, São Paulo e Espírito Santo. O motivo? Simples: ele passa confiança, tem um linguajar técnico mas que todos entendem, demonstra saber o que faz. Isso é algo que está totalmente em falta nas oficinas mecânicas. Se a High Torque não fosse tão longe, eu mesmo esperaria dias e pagaria caro por uma revisão lá.

O ADG ficou interneticamente conhecido após esse vídeo:


Vejam um dos vídeos que ele faz na oficina em BH:


terça-feira, 25 de março de 2014

O Carro Velho Novo do Comerciante

Troquei de carro, fiz um negócio excelente com um semi-novo muito bem conservado e pouco rodado. O post não é pra falar do carro, mas sim do antigo proprietário dele.

Estava fuçando no WebMotors atrás de um semi-novo pouco rodado, com bom preço e de preferência que o dono aceitasse meu usado na troca. Vi diversos que se encaixavam em agências e um de particular que me chamou atenção pela baixíssima quilometragem, bom preço e estado de conservação impecável nas fotos, o cara estava querendo troca por um mais barato. Era bom demais pra ser verdade mas fui conferir.

Chegando no endereço informado por telefone, um comércio, vi que realmente o carro era tudo aquilo do anúncio sim, conservação impecável, somente com um pequeno detalhe de funilaria que nem vou correr atrás de arrumar. Me preocupei com a quilometragem, estranho um carro de tal idade ser tão pouco rodado, desconfiei e o dono começou a me contar a história...

Estão vendo aquele arranhão em baixo do retrovisor? É o único defeito do carro, acho que nem vou mandar arrumar!

"Tá vendo aquele prédio verde alí (apontando para um prédio a uns 2km de distância), eu moro, ou melhor, morava ali, sabe como é, tô me separando, então vamos ter que vender tudo, os carros, essa loja e a outra, o apartamento da praia e ratear... eu só uso, quer dizer, usava, o carro pra vir e voltar pra loja, dá uns 5, 7km nó máximo por dia, agora tô dormindo aqui no fundo da loja então nem pra isso tô usando o carro... a gente que tem comércio vive em função disso aqui (apontando pra dentro da loja), só usava o carro pra ir e voltar pra loja... desde que tirei esse carro zero só fui umas duas vezes pra praia, não dá tempo, aqui é de domingo a domingo, dia todo... minha esposa, quer dizer, ex é que curtia mais a praia com as crianças"

Acho que ele se identificou porque disse que também era comerciante e acabou desabafando:

"Sabe cara, a gente que tem comércio ganha dinheiro, compra casa, carro, mas isso daqui é prisão, não dá pra deixar na mão de funcionário que ele te rouba, não dá pra deixar de lado porque senão o negócio afunda e de onde você vai tirar dinheiro? Depois que você tem um carro bom, uma casa boa, não quer saber de coisa de qualidade inferior... mas infelizmente meu casamento acabou não dando certo, e é o segundo! O primeiro foi a mesma coisa, a mulher reclamava que eu nunca estava presente e acabei levando uma galha... essa daí acho que não me trai não, mas a gente é praticamente estranhos porque mal nos vemos, ela trabalha a noite, então só a vejo no dia da folga dela porque tô todo dia aqui né... você é jovem ainda, não deixa seu comércio te dominar..."

Ai contei um pouco da minha vida, disse que não ligo tanto pra empresa e que tenho coisas mais importantes pra fazer que trabalhar. Vi os olhos dele se enchendo de lágrimas, desconversou... Fechamos negócio, ele pegou meu usado e sai com o velho carro novo dele. Quando fomos no cartório ele me confessou:

"Cara, depois dessa, vou pegar minha parte do rateio da separação, me mandar pro meu estado natal e começar uma vida nova, não quero mais saber de comércio e casamento!"

Infelizmente essa história não é exceção, eu diria que esse é o padrão, conheço (sem exagero) pelo menos umas 10 histórias semelhantes a essa. É incrível como as pessoas fazem do trabalho a sua vida e deixam tudo mais em segundo plano. TÁ ERRADO! O trabalho faz parte da vida, mas jamais deve ser prioridade, trabalho serve apenas pra te dar dinheiro, o que te da prazer é aquilo que você faz com o dinheiro que você ganha no trabalho e o tempo que você tem quando não está trabalhando.
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