sábado, 1 de agosto de 2015

Resumo - Julho/2015

Primeiramente gostaria de me desculpar por não ter participado mais da discussão do meu último post sobre o Gap. Acontece que comecei a receber comentários que no meu ver não tinham nada a ver com a proposta do texto, reli o texto e conclui que fiz cagada, escrevi de uma maneira que realmente dá entender outra coisa. Resumindo o que realmente quis dizer: eu sinto falta do convívio com pessoas no trabalho. Agradeço as dezenas de dicas de como fazer amigos, mas o que realmente sinto falta é relacionado ao trabalho, de resto a vida social vai muito bem. Então acabei deixando pra lá os comentários. O segundo motivo é que estou numa fase agitada (mais a baixo).

Julho foi um mês extremamente tenso, muitos problemas de ordem burocrática nas lojas, muita incompetência pra um cara só consertar... Estou passando por uma fase hard core, não estou nenhum pouco contente com minha situação profissional afinal as lojas estão me dando muito trabalho, um trabalho que muitas vezes simplesmente não sei o que fazer. Como já disse antes, ESTOU empresário, não SOU empresário.

Se por um lado a situação me deprime, por outro serve de incentivo pra mudanças. Sou o cara das mudanças, não gosto de ficar preso a uma situação por muito tempo e jamais faço algo que não posso voltar atrás, essa é uma das razões que não tenho filhos nem tatuagens, por exemplo. Acho que ter uma rota de fuga em 100% das situações é importantíssimo e isso é o que procuro fazer no meu dia-a-dia. Os problemas me fazem pensar em soluções que nem sempre são tão claras, mas ao menos me obrigam a exercitar o cérebro e criar cenários que podem ser seguidos. Jamais fico esperando alguma coisa cair do céu ou me acomodo com algo que não está me deixando contente. Pode ser que essa característica me faça sofrer mais que o normal e também possa ter me colocado em situações não ideais, mas é a aquela velha história: melhor se arrepender por ter feito que por não ter tentado.

Essa é a lição que tiro de julho: não importa o problema, o que importa mesmo é a solução.

Estarei ausente nas próximas semanas, vou me dedicar a um "projeto" novo que na verdade já estou mergulhado de cabeça. Como sempre faço nessas ocasiões, farei jejum de internet e me dedicarei 100% a essa novidade. Estou contente por mais uma vez conseguir agir perante as coisas que não me fazem bem e buscar aquilo que tenho vontade e esse projeto faz parte disso. Novidades em breve.

quarta-feira, 22 de julho de 2015

Você tem um "Gap" na sua vida?

Não gosto de usar expressões estrangeiras porque sempre soa babaca, mas dessa vez não achei outra melhor. Gap quer dizer fenda, buraco, falha, lacuna, intervalo... Acho que já deu pra entender. Hoje quero falar rapidamente sobre o gap que tenho na vida.

Antes que o pessoal do mi mi mi que faz mi mi mi e diz que estou fazendo mi mi mi venha me encher o saco, peço encarecidamente que interprete o texto (ultimamente tá meio foda isso!). Não vou reclamar porque sou empresário, só vou relatar minha experiência.

A cerca de uma década me dedico em tempo integral ao empreendedorismo, tive 6 empresas nesse período. E é justamente nessa década e pouco que está meu gap, vou explicar. Um dos efeitos colaterais de você ter uma empresa é que você passa a ter funcionários e não mais colegas de trabalho. Mesmo que você trabalhe no dia-a-dia da sua empresa, seus funcionários jamais serão seus colegas. Você perceberá da noite pro dia que não existirá mais tiração de sarro, brincadeiras, desabafos, happy hours descontraídos... você sempre será respeitado, as pessoas não discordarão da sua opinião, sempre vão rir das suas piadas sem graça (já fiz o teste, é patético), sempre rolará uma puxação de saco... enfim, você nunca saberá qual é a real dos seus funcionários, sempre exestirá um muro invisível entre você e eles. Pelo mesmo essa foi a minha experiência nesses anos todos.

Pode reparar, de onde vem seus amigos ou ao menos conhecidos que possuem algo em comum? Escola e trabalho. Ponto. Se você não estuda nem trabalha, terá pouquíssima chance de socialização, o mesmo ocorre com o micro empresário, que tem na sua empresa 10, 15 funcionários que não são seus colegas, são 10, 15 chances de socialização desperdiçadas. Tenho uma ótima relação com meus funcionários, não posso reclamar quanto a isso, mas é fato que não é nada parecido em ter colegas de trabalho. Outro dia Bia estava comentando de uma colega dela da filial da outra cidade onde moramos em 2013, que essa pessoa vai ser casar e que nos convidou. Parei pra pensar quantos colegas eu fiz na última década. Resposta: uns 10... feitos na minha última aventura a 2 meses atrás quando administrei aquela rede de lojas. Foi a primeira vez em anos que senti o gostinho de um happy hour descontraído, de zoar com um cara por causa do seu time (isso porque detesto futebol, mas zoar o Coríntias que é a origem de 50% do mal brasileiro é irresistível). Infelizmente não posso ter isso com meus funcionários.

Sabe aquelas histórias do ricaço que se fantasia de pobre pra ir num buteco/puteiro/forró porque tem vontade de ser uma pessoa normal, desapercebida? Pois é, eu entendo 1000% o porque que esses caras fazem isso. Dentro da loja sou aquele cara que deve manter postura, não pode ter muitos sentimentos porque se xinga um funcionário pode ser acusado de assédio moral, se elogia a maquiagem da funcionária, pode ser acusado de assédio sexual...

Então, esse é o gap da minha vida, o gap de não ter amigos/colegas novos por 10 anos. Tenho poucas amizades e todas, 100% delas foram formadas antes da minha fase de empresário. Isso é algo chato, que me deixa triste... Confesso que sinto uma grande solidão e tristeza pensando nisso... No quanto tempo desperdicei, em quantas pessoas deixei de conhecer porque não me dei a chance. Além do mais conheci a Bia no meu ambiente de trabalho (não trabalhava comigo, mas foi nessa fase aberta a novas amizades que a conheci). Isso é sem dúvida uma coisa que vou trabalhar e tentar melhorar, ainda há tempo.

E você, tem algum Gap na vida?

segunda-feira, 20 de julho de 2015

Minimalismo: Meu Maior Aliado

Sempre cito meu estilo de vida minimalista aqui no blog, na verdade até poderia criar um blog sobre minimalismo porque Bia e eu levamos isso muito a sério. Ter uma vida simples do ponto de vista de ter poucas coisas físicas nos fazem ter mais liberdade, viver mais soltos.

Se você procurar na internet sobre minimalismo vai achar de tudo, desde blogs femininos que ensinam meninas a ter menos vidros de esmaltes e sapatos até sites gringos com fotos de geeks que se orgulham de ter sua vida inteira dentro de uma mochila. Regras sobre o número de coisas que você deve ter estão espalhadas pela rede, tem os que juram que pra ser feliz de verdade você só pode ter 100 objetos. Como sou contra regras estúpidas e doutrinas costumo dizer que sou um "minimalista minimalista" ou seja, não controlo o número de coisas que tenho, a marca das coisas, o tamanho, nada disso... apenas tenho aquilo que realmente preciso e deu.

Existem muitas definições de minimalismo, a minha é o seguinte: você deve ter aqueles objetos que você realmente precisa, na quantidade necessária, sem duplicatas desnecessárias. Partindo dessa ideia você verá que não só é possível ter menos tralha como não faz o menor sentido em acumular coisas. Acredito que boa parte da minha geração (os 30tões) que cresceram numa família pobre ou classe média, aprendeu desde infância a velha máxima que "quem guarda o que não serve tem quando precisa". Comigo não foi diferente, cresci ouvindo isso dos meus pais que sempre guardaram de tudo, desde sacolas de supermercado a embalagem de pizza pra enxugar óleo de fritura. Naturalmente segui esse mesmo caminho no começo da fase adulta, até que tive que fazer a primeira mudança...

Ainda vou morar numa tiny house como essa...
Bia e eu estávamos morando juntos a aproximadamente dois anos num apartamento alugado quando compramos o nosso. Aquela mudança foi a pior de nossas vidas! A gente tinha tanta coisa que mal coube no apartamento novo que era menor. Isso era inacreditável porque estávamos juntos a tão pouco tempo e já havíamos juntado tanta porcaria! Tinha algo de errado naquela ideia de guardar tudo o que poderia ser útil no futuro... Pouco a poucos fomos destralhando, jogando coisas fora, vendendo outras...

Outras mudanças vieram e a cada vez tudo se tornava mais fácil: menos coisas pra encaixotar, menos coisas pra limpar. Até que mudamos para nosso apartamento atual, o menor de todos e também o mais aconchegante e simples de manter. Chegamos num ponto muito interessante do minimalismo, podemos dizer que temos somente aquilo que realmente precisamos e usamos e pouca coisa a mais.

Quer um exemplo? Cozinha. A cozinha das pessoas costuma ser a parte mais entulhada de porcaria da casa: potes plásticos, panelas específicas, aparelhos elétricos pouco úteis, pratos, garfos e copos variados... Nossa cozinha é funcional, temos:
  • 1 panela de pressão média e 2 outras panelas comuns menores
  • 2 copos de 400ml, 2 taças de vinho, 2 canecas de café
  • 4 pratos inquebráveis
  • uma dezena de potes de vidro/plástico
  • 2 conjuntos de talheres, faca de corte, faca de pão, um ou outro descascador de legumes e ralador
  • liquidificador e grill são os únicos elétricos
  • micro-ondas, geladeira pequena e cook top (não temos forno)
Talvez tenhamos alguma coisa a mais que isso, mas não muito mais. Isso é tudo o que precisamos, mesmo cozinhando bastante essa tralha supre nossa necessidade. Não recebemos pessoas em casa e quando fazemos pedimos para que tragam seus próprios talheres e pratos ou usamos descartáveis. Estranho? Foda-se, não tenho que agradar ninguém, além do mais os amigos e família sabem que somos um casal esquisito.

O mesmo pensamento serve para roupas. Homens no geral possuem menos roupa que mulher o que é verdade aqui em casa, mas mesmo assim Bia tem uma fração das roupas que suas colegas de trabalho tem. Ela tem 5 pares de calçado (eu tenho 4) e 2 bolsas. Procuramos comprar roupas boas e duráveis (nos EUA, claro) e substituímos as peças, não somente compramos novas. Todo ano rola uma baciada de coisas pra caridade.

Se por um lado o problema de toda mulher é onde guardar sapato, o dos homens é onde guardar tralha eletrônica. Também não sofro desse mal, tenho uma gaveta com eletrônicos. Não acumulo carregadores nem aparelhos usados parados, quando compro um novo, me desfaço do anterior. Simples, não? Tão simples que não acredito que as pessoas não façam isso.

Tudo o que pode ser digitalizado será digitalizado, não acumulo papel. Não temos porta-retratos, quadros, muito menos "objetos de decoração" que deveriam se chamar "acumuladores de poeira". Nada disso faz sentido numa vida racional, não há necessidade de ter souvenirs de viagem. O que vale são as lembranças e as fotos. Simplesmente não compramos souvenirs nem trazemos lembrancinhas de viagem para outras pessoas. As pessoas sabem do nosso estilo e fazem o mesmo, mas se trazem algo pra nós, aceitamos mas depois vai para o o lixo rapidamente. Presentes: tanto Bia quanto eu crescemos em famílias sem essa tradição de presentes, logo assimilamos isso de maneira muito natural em nossas vidas. Lembro-me que no começo de nosso namoro a gente trocava agrados nos aniversários e datas especiais, mas isso durou somente o primeiro ano. Hoje em dia simplesmente não nos preocupamos com isso... Coleções: grande parte dos homens adora uma coleção, é o desejo de infância que pode ser realizado quando adulto, também adoro itens colecionáveis, somente não os coleciono. Até colaboro com coleções alheias para ter o direito de aprecia-las de vez em quando, mas não quero nada comigo.

Veja que o pensamento minimalista transcende a forma física. Um exemplo: a partir da hora que você não dá nem recebe presente, você tem uma preocupação a menos, não precisa esquentar a cabeça em comprar algo legal, em agradar a pessoa que vai receber. Você abre mão do objeto mas também esvazia sua mente com aquilo. Se você não guarda aquele monte de fitas K7 que acumulou durante os anos 90, você não precisa se preocupar em ter espaço pra guarda-las ou carrega-las numa mudança, nem ter um aparelho pra toca-las e se achar o nostálgico... Uma coisa puxa a outra.

O minimalismo me fez perceber que experiências são mais importantes que coisas, esse é o motivo pelo qual aproveito experiências durante viagens ao invés de comprar coisas. Falando em viagens, acho patético pessoas que passam a viagem inteira enxergando as paisagens através da tela da câmera fotográfica/celular. As pessoas se preocupam em tirar mais fotos que curtir a viagem. Depois chegam em casa e socam todas aquelas fotos nos HDs do computador, nunca mais as olham... Tenho duas câmeras, uma fotográfica simples, daquelas pequenas e uma filmadora esportiva (da Sony, estilo GoPro). Sempre que volto de viagem procuro editar vídeos com os melhores momentos (edições simples, sem frescuras) incluindo fotos e guardo somente esses, o resto é deletado. A grande capacidade de armazenamento das mídias nos fazem ter a sensação de conseguir guardar o mundo em nossos HDs, o que não é verdade... Ando ensaiando a armazenagem na nuvem o que pode ser mais uma ferramenta nessa busca pelo minimalismo.

Poderia ficar o dia inteiro discorrendo sobre minimalismo, esse é um assunto que muito me interessa e que é um importante aliado na minha vida, me trazendo tranquilidade, mas existe tanta coisa a dizer que vou parar por aqui antes que esse post deixe de ser minimalista, rsrs! Se você curtir esse assunto e quiser saber detalhes de como mantenho alguma coisa dentro do minimalismo, pergunte aí nos comentários, terei prazer em ajudar.

sábado, 18 de julho de 2015

Por que Tudo é Bizarramente Caro no Brasil - Ponto de Vista do Empresário

Todos nós sabemos que somos diariamente estuprados na boca do caixa de qualquer estabelecimento comercial. Seja lá o que compramos será provavelmente o dobro do preço que nos Estados Unidos, por exemplo (comparando salário mínimo versus salário mínimo). Usando o Tio Sam como exemplo vemos que a renda média do americano é muito mais alta que a do brasileiro e que os produtos são proporcionalmente mais baratos. É difícil entender como os EUA são a nação mais endividada do mundo (matemática financeira básica não é o forte deles...), mas hoje não quero falar sobre EUA, quero fazer uma breve análise do ponto de vista do empresário do porquê dos produtos brasileiros serem tão caros.

Não vou entrar no mérito da carga de impostos que é definitivamente criminosa para ser possível bancar a corrupção, bolsas e funcionários públicos; vou analisar a questão lucro. É sabido que as empresas brasileiras estão entre as mais lucrativas, veja o caso da Fiat Brasil que anos atrás sustentava as demais operações mundo a fora devido sua alta lucratividade. E por que caralhos as empresas brasileiras são mais lucrativas? Ganância capitalista? Povo trouxa que aceita pagar qualquer preço? Nem tanto ganância, talvez um pouco de povo idiota, mas o principal motivo é a ineficiência do estado.

Ter uma empresa de qualquer porte no Brasil é um ato de heroísmo, claro que os grandes fazem lobby e conseguem facilitar e muito suas operações, porém mesmo assim garanto que não é tão simples quanto ter uma empresa nos EUA, por exemplo. Nos EUA a margem de lucro de qualquer ramo é muito inferior que no Brasil. Loja de roupa? Menos lucrativa. Posto de gasolina? Lucro menor. Farmácia? Quase não se vê independentes devido a inviabilidade, o mesmo para mercados que só se sustentam quando entram num nicho diferenciado como os mercados de produtos brasileiros/orientais. É dificílimo ter lucro nos EUA, já no Brasil não é tão complicado assim. Temos diversos ramos cuja rentabilidade bruta ultrapassa 50% o que deixa uma boa margem para o empresário trabalhar.

Quer comprar um Corolla na Florida? Só desembolsar 12 salários mínimos ou o equivalente a R$ 9.000,00. Só que aqui custa 90k, não culpe a Toyota, ao menos não somente a Toyota
Então você deve estar se perguntando: "Corey, onde está o heroísmo em ter uma margem de lucro superior aos padrões mundiais?". A resposta é uma só: a margem de lucro é maior porque o risco é maior, e quando falo risco não estou falando risco de quebrar, de perder mercado, de catástrofes destruírem seu negócio... Estou falando do risco governamental. O governo brasileiro seja na esfera municipal, estadual ou federal sempre arranja uma maneira de foder de verde e amarelo o empresário brasileiro. Não temos estabilidade jurídica, canetadas rolam soltas e você nunca sabe o que sairá da cabeça de algum vereador/deputado cheio de "boa vontade" (leia-se interesse) em relação a população. Já vi de perto casos onde o empresário quebrou devido a mudanças idiotas de leis, eu mesmo sofri isso tempos atrás.

Quem me acompanha a algum tempo deve se lembrar de quando declarei ter atingido a independência financeira por ter renda passiva de um negócio onde eu era somente investidor. Pois bem, vou revelar basicamente do que o negócio se tratava. O negócio era muito simples, tinha ligação com transporte, eu comprei um veículo e um "ponto" (carteira de cliente) e coloquei um motorista pra operar a rota. Basicamente os números eram os seguintes: investimento 100k, retorno 3k líquido todo mês sem fazer força alguma, sem manutenção, impostos, multas do veículo. Baita negócio não? Sim, era um ótimo negócio até um vereador decidir que somente veículos de capacidade X poderiam operar naquela rota. Por quê? A alegação era segurança, mas havia um pequeno detalhe: um "chegado" do tal político tinha uma frota parada dos veículos X. Coincidência, não? Ah, mas isso não mataria o negócio, desde que você se afiliasse a uma cooperativa Y, comandada por quem? Pelo chegado do político... Caí fora imediatamente, vendi a perder de vista pro motorista que decidiu entrar no "esquema" (tenho completo asco por essa palavra maldita). É por essas e outras que o empresário brasileiro deve cobrar mais caro, ele nunca sabe quando uma caneta colocará fim ao seu negócio, o retorno do investimento deve ser o mais rápido possível pela real possibilidade de uma saída precoce do negócio.

Isso é porque estamos falando de negócios que existem , que foram implantados por alguém. Você já parou pra pensar quantos negócios com grande potencial de geração de receita e empregos simplesmente é abortado todos os dias devido ao medo de investir dinheiro em algo incerto (do ponto de vista burocrático e jurídico)? Eu mesmo tenho várias ideias de negócios ou ao menos de melhorias em negócios já existentes que não coloco em prática devido as grandes dificuldades impostas pelo governo. O alto custo e alta margem de lucro dos produtos brasileiros é um efeito colateral da burocracia e instabilidade legislativa do país. Empresários investem dinheiro em troca de retorno de lucro, não pra fazer boa ação, isso chama-se capitalismo.

Estou numa fase faca na caveira no que diz respeito a lucratividade. Aumentei preços, troquei fornecedores ao mesmo tempo que fiz promoções em produtos encalhados com o único intuito de ter lucro o mais rápido possível de maneira que eu possa sair do mercado o quanto antes. É o medo do estado que me faz agir assim, outros também o fazem... Não aguento mais lidar com tanta burocracia, papéis, carimbos, ineficiência, mudança repentinas de leis tributárias e legislação técnica. Pra mim já deu e por isso entendo perfeitamente esse ponto de vista, o ponto de vista do empresário.

quinta-feira, 16 de julho de 2015

A Quantas Anda Meu Inglês

Algumas pessoas que acompanham o blog tem me perguntado como vai meu estudo de inglês, como está meu nível, o que tenho feito pra estudar, etc. Essa será um breve resumo sobre esse assunto.

Nos últimos 2 anos tenho levado o estudo de inglês a sério. Após mais de uma década sem estudar o idioma (frequentei escolas de inglês tradicional durante a adolescência), voltei a estudar dessa vez por conta própria. No começo foi bem complicado por vários motivos, o primeiro é que estava a algum tempo sem estudar nada, logo voltar a estudar foi complicado, ainda mais inglês que foi algo que sempre detestei e tive dificuldade, mas sou adulto e esse era um conhecimento que eu queria e deveria ter, fui em frente, venci esse primeiro problema e comecei a estudar com afinco. Outro problema sério foi encontrar um método que se adaptasse tanto a minha necessidade quanto ao meu tempo/dinheiro disponível. Testei de tudo: aulas demonstração de cursos tradicionais, curso on line, curso de banca de jornal (dvd + revista), cursos no YouTube, apostilas... Nada disso parecia funcionar, era tudo muito formal pra mim. Sou um cara preguiçoso em aprender coisas que não me agradam, esse é o principal motivo pelo qual não entendo porra nenhuma de política e contabilidade (mesmo sendo empresário), por exemplo.

Após ler muito a respeito dos métodos de aprendizagem de inglês conclui que antes de mais nada eu deveria identificar a minha necessidade e somente após isso estabelecer um método e rotina de estudo. Conclui que minha necessidade vital era entender o inglês falado e ser capaz de me comunicar usando o idioma. Leitura é algo que foi praticado na adolescência nos cursos tradicionais que frequentei, logo era algo que nunca tive muita dificuldade, naquele primeiro momento quando retomei os estudos a leitura estava enferrujada somente devido a falta de vocabulário. A escrita não era (e ainda não é) algo extremamente necessário, logo ficaria em segundo plano.

Minha necessidade nada mais era que a necessidade natural. Quando um bebê aprende a se comunicar, primeiro ele entende o que as pessoas falam, depois ele começa a falar e por último ele aprende a ler e escrever. As escolas de inglês seguem o sentido oposto, logo torna o aprendizado anti-natural, chato e ineficiente. Decidi que iria partir para o caminho natural e antes de mais nada dominar o entendimento da língua falada. Comecei ouvindo podcasts, assinei o ELSPOD que na minha opinião é o melhor podcast pra quem já tem algum conhecimento de inglês. No começo eu tinha que ouvir esses podcasts pelo menos umas 3 vezes pra entender uns 50%, seguindo o transcript eu conseguia entender uns 80%. Pra resumir a conversa, hoje em dia eu os ouço por ouvir porque entendo 100% na primeira vez sendo que muitas vezes acho chato porque o ritmo é muito lento.

Ouvindo os podcasts percebi que era necessário adquirir mais vocabulário, para isso comecei a fazer pesquisas na Wikipedia sobre temas que eu já sabia bastante. Por exemplo: na época estava lendo um livro sobre o WalMart, então fui na Wikipedia e li o artigo em inglês sobre o tema. Por saber a estrutura da história ficava bem mais fácil entender as palavras dentro do contexto. E aqui entra o pulo do gato: procuro não traduzir palavras, se não sei alguma palavra tento entender dentro do contexto, se mesmo assim não consigo pesquiso o significado dela em inglês, como se pesquisasse uma palavra em português no Aurélio. Dessa forma tento usar o minimo possível de português forçando meu cérebro a pensar em inglês. No começo foi complicado e desanimador, mas como já disse, a coisa se torna natural e quando eu menos imaginava já estava pensando em inglês.

Pensar em inglês é necessário para entender o que as pessoas falam e principalmente pra falar. Logo que comecei a ter mais facilidade em entender o inglês falado estudando podcasts e assistindo vídeos, decidi que era hora de começar a praticar a fala. Pra isso decidi praticar com nativos. Tem um monte de dica na internet de como fazer isso, mas na verdade poucas são úteis. Tem site de troca de experiência (você ensina português pra um falante de inglês e vice-versa); site de relacionamento, etc. Nada disso provou ser útil pra mim. Como sempre digo "se um problema pode ser resolvido com dinheiro ele não é um problema" consegui contato de nativos que conversam em inglês com você a troco de pagamento. Nada mais justo, a pessoa está recebendo pra conversar com você logo ela não terá (ou ao menos não deverá ter) má vontade em te ouvir. Após algumas tentativas me identifiquei com uma senhora que mora no norte do EUA que presta esse serviço através do Skype nas horas vagas (que são todas, porque ela é aposentada, rsrs). Um excelente site pra encontrar esses serviço é o Buddyschool.

No começo das conversas eu estava completamente travado, tinha a percepção de parecer um índio falando. Usava poucas palavras, não desenvolvia frases de maneira adequada, tinha imensa dificuldade em desenvolver ideias, de discutir assuntos que surgiam no meio das conversas, etc. Engraçado que sou um cara bem tímido, tenho vergonha de falar em público, não gosto de papo furado nem ficar conversando com pessoas aleatoriamente, porém quando o assunto é inglês eu não tenho a menor vergonha de me expressar mesmo sabendo que falo um monte de coisa errada. Acho que o importante é saber me expressar, primeiro o básico, a sofisticação vem depois. No começo desses bate papos com minha "amiga" gringa eu fazia um roteiro do que ia conversar, colocava palavras chaves que ira usar durante o bate papo num documento do word e ia seguindo aquilo como um roteiro. Era um bate papo artificial, mas que fluía relativamente bem. Fui percebendo uma melhora gradual até que hoje em dia já não uso mais esse roteiro, nossos bate papos são sobre assuntos que ambos temos em comum e que domino bastante vocabulário. Aí entra a importância de ter um tutor em sintonia com suas preferências: a conversa flui naturalmente, não é chata nem artificial pra nenhuma das partes, mais uma vez repito: o aprendizado tem que ser natural.

Cheguei num ponto onde consigo ler qualquer texto não técnico em inglês, ou seja, consigo entender notícias gerais sem muita dificuldade, leio rapidamente sem ter que ficar parando e voltando muito pra entender alguma coisa. Além disso entendo textos técnicos com vocabulário específico de certos assuntos, como da minha área de formação, por exemplo. Entendo o inglês falado quase que 100% se não for extremamente rápido (como o pessoal de NYC fala), se não tiver gírias e muitas expressões idiomáticas. Isso quer dizer que não entendo um filme, cujos personagens usam linguagem coloquial, mas consigo entender quase totalmente um documentário de um assunto que domino. Em relação a fala estou melhorando a pronúncia e uso da gramática dia após dia, mas por se tratar da habilidade mais difícil eu considero que estou indo muito bem. Tenho certeza que meu inglês soa melhor que o português do chef Jacquin, e consigo manter um diálogo com um nativo sem muito esforço.

Ultimamente não tenho estudado muito de maneira ativa, ou seja, sentar especificamente pra estudar algo em inglês. O que tenho mais feito é ouvir podcasts sobre assuntos que me interessam assim como vídeos. Não uso mais material para estudantes mas sim podcasts, vídeos e textos para nativos. Claro que sempre há palavras novas, expressões relativas a determinados assuntos e desafios novos, mas esse é justamente o objetivo: aprendizado gradativo e natural. Não me prendo ao aprendizado de palavras novas, o entendimento vem com o uso. Acredito que não valha a pena tentar decorar palavras e seus significados, aprendo com o uso.

Acredito que nesse ritmo que estou indo dentro de 1 ano estarei com uma boa fluência na fala além de ainda melhor no entendimento do inglês falado. Após isso com certeza terei que debruçar sobre livros e apostilas pra conseguir a sofisticação e perfeição que tenho vontade. Não acho que essa abordagem natural do aprendizado do inglês possa me levar a perfeição por si só. Acho que vai chegar num ponto onde terei que encarar gramática de frente. Aí que entra o curso no exterior que pretendo fazer durante ao menos um ano.

Meu relato pode parecer um tanto besta e você pode pensar "2 anos e ainda não está fluente?", mas a verdade é que sempre tive dificuldade com inglês e pior, eu odiava estudar inglês quando moleque. Não sou daquelas pessoas com facilidade em aprender idiomas, muito pelo contrário, sempre tive problemas em aprender coisas que não fazem sentido, que não possuem uma lógica. Porém meu relato pode servir pra pessoas que tem o mesmo perfil. Saber inglês não é luxo tampouco supérfluo. Se você acha a internet legal, cheia de conteúdo, se você acha que consegue aprender tudo na internet, amigo, sinto te desapontar mas o conteúdo da internet em português é um grão de areia no deserto. Quando você sabe inglês uma nova e muito mais interessante internet se abre diante seus olhos, é fantástico! Não acho que uma pessoa possa atingir pleno desenvolvimento profissional ou mesmo pessoal sem saber um mínimo de inglês. Além do Brasil ser uma merda, falamos um idioma bizarro e exótico que pouco nos serve lá fora... Nem pra falarmos espanhol... Espanhol, aliás, é meu objetivo após atingir a fluência no inglês.

domingo, 12 de julho de 2015

Sorteio do Corey

Imagem real dos livros disponíveis
Hoje quero pedir ajuda de vocês, tenho diversos livros ocupando espaço e como estou numa de desapego/decluttering não quero troca-los no sebo por meia dúzia de livros que nem sei se irei ler. Resolvi sortea-los aqui no blog porque acredito que a maioria possa ser útil ao perfil dos meus leitores, acontece que não tenho ideia de como fazer isso por isso peço ajuda a vocês.

Lembro que a nossa amiga Ostra (cadê você?) fazia sorteios de livros, para manter a privacidade colocava qualquer endereço como remetente e despachava de agências dos correios diversas, pretendo fazer o mesmo. O problema é o sorteio em si, não sei como fazer, quais critérios usar... Se alguém tiver alguma outra ideia de como entregar os livros (afinal terei despesas com correio o que vamos combinar não é muito legal) também coloca aí nos comentários. Enfim, toda sugestão é bem vinda!

Veja na imagem ao lado alguns dos livros que estou desapegando, arrisco dizer que esse Bola de Neve vai dar briga... Rsrs!

sexta-feira, 10 de julho de 2015

Lasers, Balões e Impunidade Brasileira

Leiam a seguinte notícia (resumo em português abaixo)
As game, pals aimed lasers at Orange sheriff's copter, officials say 
They had a friendly competition going: Who could hit the most airplanes with the green laser light?The only problem is, pointing lasers at aircraft is illegal — and dangerous, officials say.And the two friends happened to flash the lights into an Orange County Sheriff's Office helicopter, deputies said.
Florida is known for its bizarre inhabitants. From the infamous "zombie" attack to the crack-smoking woman who burned down The Senator, here are some of the strangest stories. Rolando Espinoza, 22, and Shannan Winemiller, 21, told deputies they were messing around with new laser pointers early Tuesday morning and wanted to test the distance, so they pointed the green lights into the sky, according to an arrest report. Bystanders told them to point the lights at airplanes, the report states.Winemiller's laser hit an airplane first, Espinoza told deputies. That started a competition to see who could hit the most.
At one point, both of their lasers hit an aircraft, which turned out to be a Sheriff's Office helicopter being flown by Jason Sams and Master Deputy Patrick Deans, the report states. The pilots immediately alerted deputies on the ground, who arrested the friends outside a house on Stonewall Jackson Road off South Semoran Boulevard.
Espinoza told deputies he thought he heard that it's illegal to point lasers at airplanes, but he wasn't sure at the time.
Pointing a laser at an aircraft is a state and federal crime, punishable by up to five years in prison and a fine of up to $250,000, according to the FBI. Special Agent Dave Couvertier, spokesman for the FBI in Tampa, said lasers create several issues, including permanently damaging a pilot's eyesight or temporarily blinding them, which could lead to a loss of control or even a crash.
The laser starts as a small stream of light coming out of the pointer but expands as it travels before hitting an aircraft and reflecting throughout a flight deck, Couvertier said. "Many times, people think it's funny to do it and just don't realize the consequences," he said. "It is a serious federal offense, and ignorance of the law is not going to be an excuse for anybody."
Sheriff's Office Lt. Nate VanNess oversees the department's aviation section and said he had a laser pointed at him about five years ago while flying recreationally. He said the light is disorienting, distracting and blinding as it floods the flight deck. "Imagine you're going down a dark road, it's nighttime, and you come around a curve, and there's a guy in on-coming traffic, and he will not turn off his high beams," VanNess said. "… Now multiply that several times, and you'll get the factor of what it's like. You can't see the road or, in this case, the runway or an obstruction."
On average, VanNess said the Sheriff's Office investigates two or three reports per week of lasers pointed at airplanes. Generally someone from the plane's flight crew will report the incident to the control tower, which then lets the Sheriff's Office know. Depending on the weather, time of day and other factors, the Sheriff's Office will then launch a helicopter to investigate, VanNess said.
So far this year, the FBI has received 47 reports of laser incidents in Central and Southwest Florida, including 16 in the Orlando area, Couvertier said. The Federal Aviation Administration reported 37 incidents from airliners in the Orlando area in 2014, data show. No injuries were reported in any of those cases, and all but two involved a green laser.
Couvertier said those numbers are most likely low, as laser-strike incidents are typically underreported, especially when it happens to small aircraft or private pilots.The FBI is asking anyone who sees a laser being pointed at an aircraft to call 911 immediately.
"I know people don't really understand and think it's not a big deal," VanNess said. "They've never had it done to them." (Fonte: Orlando Sentinel)
Resumo: Policiais da região de Tampa, Flórida prenderam dois caras apontando lasers para aviões. O infelizes tiveram a "sorte" de apontar o laser justo para o helicóptero do xerife que mandou um rádio para a polícia em terra que prendeu os dois moleques que estavam brincando de "qual laser vai mais longe" apontando para aviões. A pena pra quem faz isso é de USD 250 mil, 5 anos na prisão além de se enquadrar em crime federal por colocar em risco o tráfico aéreo.

Agora vamos traçar um paralelo ao Brasil. Todo domingo de manhã sou acordado as 6h com barulho de fogos de artifício vindos de balões voando bem na rota das operações do aeroporto de Congonhas, um dos mais movimentados do país de onde operam todos os voos da rota mais conturbada da América Latina, a ponte aérea Rio-São Paulo. O simples fato de alguém lançar no céu um balão, uma coisa sem propósito algum além de incendiar coisas e fazer barulho de fogos numa manhã de domingo já deveria ser motivo suficiente pra cadeia, o agravante de fazer isso na rota de aviões então... Nem sei qual seria a melhor punição pra uma imbecilidade dessas. Aliás, isso é sim motivo pra cadeia, mas quantas pessoas são realmente presas fazendo isso? E se são presas, quantas ficam na cadeia? Esse é o grande problema do Brasil, não é a falta de leis, é a impunidade delas.

Lá em Tampa a molecada foi pega mirando laser em avião! Pare pra pensar o quão mais difícil é isso que pegar nêgo que solta balão. A galera do balão é organizada, tem comunidade em Facebook, moram na mesma região... Não tem dificuldade alguma pra coibir isso mas mesmo assim ninguém se importa. Sem contar que o risco de um balão atingir um avião é muito maior e mais perigoso que um laser, que embora possa cegar um piloto, o avião tem condições de manter a rota sozinho.

No Brasil não existe investigação policial. Você sofre um crime, vai pra delegacia, encara horas de fila  num ambiente lixoso, faz um BO e fim. O caso morre ali, não há investigação pra pegar o criminoso e coibir reincidências. Do que isso adianta?

É por essas e outras que chegamos onde chegamos...



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