sábado, 20 de dezembro de 2014

Independência Financeira e o Futuro da Carteira

Em agosto de 2013 após "sofrer" um ataque de haters e por não saber ao certo como lidar com esses, declarei o fim do Blog do Corey e noticiei que tinha atingido a independência financeira. Muitos me parabenizaram, outros ficaram putinhos e me esculacharam... Até hoje nêgo vem me encher o saco dizendo que é impossível atingir a IF com uma carteira pequena feito a minha, que não é possível obter os proventos que obtenho com tão pouco investido e mi mi mi... Acontece que naquela época eu contava com os proventos do meu negócio B, negócio esse paralelo onde eu era somente investidor e que me rendia gordos proventos. O investimento desse negócio jamais foi computado no valor da carteira por seguir as regras do ranking do Pobretão onde somente ativos financeiros poderiam ser somados para formar a carteira da IF.

Aquele momento foi precipitado por vários motivos. O primeiro é que a robustez desses proventos do negócio B se mostrou frágil poucos meses depois quando fui obrigado a me desfazer do negócio por não concordar com mudanças de regras. Segundo porque logo depois disso fiz a viagem que mudou minha vida e me mostrou que o Brasil não é o meu lugar. A partir desse momento o sonho da independência financeira se dissolveu e o sonho de uma vida com mais qualidade de vida num país com cultura e sociedade mais alinhados com o que quero pra minha vida ,mesmo que com mais trabalho, tomou seu lugar. Eu tinha saído da Matrix.

Desde então perdi totalmente o interesse em estudar sobre investimentos, alocações, balanceamento, proventos, análises, etc. O objetivo agora era fazer dinheiro de maneira a acelerar os planos de emigração, nesse cenário entra a loja nova comprada com o objetivo de ganho de capital numa revenda futura. Para a compra dessa loja utilizei o dinheiro recebido pela venda do negócio B, os aportes que seriam destinados a carteira de IF nos últimos meses além de sangrar a própria poupança da IF. O dinheiro não brotou do solo como sugeriram alguns "leitores assíduos apaixonados por este site mas que não dão o braço a torcer".

Então, resumindo o lance da IF: me precipitei ao anuncia-la a um ano e meio atrás e agora nem vejo mais sentido na ideia de parar de trabalhar com 30 e poucos anos e continuar morando no Brasil. Continuo não gostando de trabalhar (quem gosta?), mas agora consigo administrar isso se estiver associado a um objetivo maior lá na frente, que nesse caso é sair do Brasil. Estou trabalhando mais duro do que nunca, mas estou vendo resultados. Confesso que visto o sucesso que estou tendo na loja nova dá muita vontade de derreter o resto da carteira e entrar em mais um negócio. A perspectiva de rendimentos de 5 dígitos mensais é tentadora... Sobre o fim do blog, também foi precipitado e anunciado num momento de raiva, o blog me faz bem, conviver com pessoas tão diversas, com ideais de vida tão diferentes mas que ao mesmo tempo possuem coisas em comum comigo é muito gratificante. Já disse e vou repetir: não sinto saudade do Facebook, mas não consigo ficar sem o blog...

Agora sobre o futuro da careira da IF. Mesmo após sair do país, pretendo manter alguns investimentos por aqui devido a alta rentabilidade que nossa economia pode oferecer, entre eles estão meu apartamento alugado e os fundos imobiliários. De resto pretendo dissolver tudo e usa-los no exterior, então o futuro da minha antiga carteira da IF será somente os FIIs que já tenho e os que comprarei com os proventos dos mesmos quando não precisar mais deles (estou usando os proventos para pagar contas devido ao investimento na loja nova). Os aportes estão suspensos, mas quando voltarem serão alocados no exterior em princípio na minha conta americana. No futuro precisarei de dinheiro disponível para investir num possível negócio americano, portanto não posso comprometer capital em algo sem liquidez. Não manjo praticamente nada sobre investimentos no exterior, tenho uma longa estrada para percorrer.

O último "balanço público" do Blog do Corey será publicado em 1/1/15, após isso não mais publicarei números mas comentarei como estão indo as ideias. Isso me ajuda a organizar a cabeça! O blog está prestes a completar 3 anos e fico contente por ter vários por aqui desde o começo, espero continuar nessa comunidade interessante e inteligente por muito tempo, contribuindo no que posso e pegando dicas novas. Sei que as pessoas gostam quando escrevo sobre empreendedorismo porque essas informações são escassas na internet, aproveito para pedir sugestões de tópicos, pretendo fazer um "mês do empreendedor" em janeiro ou fevereiro, mas preciso de ideias. Abraço a todos!

domingo, 14 de dezembro de 2014

Um Pedreiro Diferente

Durante a reforma da loja nova lidei com muitos prestadores de serviço, isso me dá calafrios, detesto lidar com essa galera que, via de regra, são incompetentes, irresponsáveis, porcos e muitas vezes criminosos. Tive diversos problemas, precisei por a mão na massa várias vezes, recorrer a tutoriais do Youtube para aprender entre outras coisas a instalar um ar condicionado, montar paredes de dry wall e instalar porcelanato. Felizmente no meio de um monte de merda as vezes é possível achar uma pepita de ouro.

Precisava de um pedreiro para fazer alguns servicinhos na sala comercial: quebrar uma parede, levantar outra, instalar encanamento, etc. Serviço simples, porém nada simples de achar alguém para faze-lo. Após tentar 3 caras que chamei de 3 mosqueteiros da vadiagem (um maconheiro, um alcoólatra e outro maconheiro E alcoólatra) conheci Jaime por indicação de um vizinho de loja. Segundo ele Jaime era um profissional ímpar: educado, limpo, competente, ágil porém careiro. Desconfiei da esmola excessiva, mas chamei o cidadão para uma "entrevista".

Ao telefone Jaime informou que só realiza estimativas após as 19 horas e que estava com a agenda lotada mas se o serviço fosse pouco poderia fazer em "horários alternativos" sem o menor problema e sem cobrar nada a mais pelo serviço. Disse que tudo bem e marcamos uma visita para as 20 horas do mesmo dia. No horário marcado uma Corsa Wagon 1999 impecavelmente conservada encostou na frente da loja e um senhor, de uns 60 anos se dirigiu a mim. Era Jaime. Rapidamente entrou, fez a estimativa de preço, falou que aquele valor poderia variar 10% para baixo e 20% para cima dependendo do nível de dificuldade encontrado durante o trabalho e que se eu quisesse poderia começar, pasmem, naquele momento e que se eu providenciasse o material até a manhã estaria pronto. Fiquei meio sem ação, jamais esperaria aquela atitude de um pedreiro!!! Concordei com o preço e imediatamente ele retirou suas ferramentas do carro e iniciou o trabalho, fez uma lista de materiais por escrito que logo providenciei.

Durante o trabalho notei extremo capricho e cuidado para não sujar ou quebrar o que não devia. Enquanto trabalhava Jaime foi falando um pouco do seu trabalho, como adoro essas histórias fui puxando papo também sobre sua vida. Ele disse que começou a trabalhar ainda moleque e só cursou até a 6ª série, mas que sempre faz cursos profissionalizantes oferecidos gratuitamente pelas próprias empresas de materiais de construção, não pega grandes obras, faz somente trabalhos pequenos porque são mais lucrativos. Trabalha para prestadores de serviço que constroem lojas de shoppings, então está acostumado a trabalhar de madrugada e aos finais de semana. Naquele dia, havia trabalhado desde as 7 da manhã em outro local e deveria ficar acordado 24 horas, porém teria 2 dias de folga na sequência nos quais iria com a esposa para o apartamento na praia (mostrou fotos no celular, um bom apartamento, diga-se de passagem). Assim como o apê da praia, sua casa num bairro classe média estão quitados a tempos, aliás, jamais fez uma dívida na vida, tem a Corsa desde zero km e é seu único carro, para trabalhar e passear, tem mais de 300 mil km! Os salões e quitinetes que tem alugados na periferia serão deixados para os filhos, um administrador de empresas formado pela FGV e com especialização na Inglaterra (não soube dizer a instituição) que trabalha numa multi-nacional e uma médica formada em uma universidade privada. Deu risada ao dizer que como pedreiro ganha mais que o filho que tem um cargo fodão e que sua filha ganhou mais que ele pela primeira vez no mês passado.

Além de ao menos 2 dias de folga semanais faz anualmente uma viagem com a "veínha" para lugares como Fernando de Noronha, Natal, Rio, Madri, Amsterdã e Paris (devidamente comprovadas com fotos no celular). Fala inglês básico que comprovei puxando papo (macarrônico, mas perfeitamente entendível), arranha francês e está estudando italiano porque ano que vem quer conhecer o Vaticano. Falou bastante sobre Cabernet Sauvignon e Chardonnay, mas não entendi 10%. Não pretende parar de trabalhar porque gosta do que faz e não falta trabalho.

Ao terminar o trabalho, limpou tudo, juntou as ferramentas, guardou no carro e me chamou para a "Inspeção de Entrega", me explicou tudo o que foi feito, deu orientações gerais e só então aceitou receber o pagamento. R$ 800 por algumas horas de trabalho. Paguei com o maior prazer apesar dos 3 mosqueteiros da vadiagem terem cobrado menos da metade. Valorizo trabalho bem feito e principalmente valorizo gente inteligente, que trabalha ao invés de ficar com mi-mi-mi. Me deu um cartão de visitas com seus contatos: telefone celular, Whatsapp, Facebook e site; entrou no carro e foi pra casa.

É meus amigos, o dinheiro tá aí pra quem quiser, basta trabalhar. Já disse mais de mil vezes que faculdade é irrelevante e que as melhores oportunidades de ganho estão pra quem quer encarar serviço pesado. Estamos passando por uma transformação, a mão de obra está sendo cada vez mais valorizada, profissionais decentes estão cada vez mais em falta, a molecada quer trabalhar de terno e gravata numa mesa na frente do computador numa sala com ar condicionado, mas isso tem um preço, o preço de ganhar uma miséria, ser estuprado mentalmente por chefes e viver descontente. Reflita.

terça-feira, 9 de dezembro de 2014

De São Paulo para o Texas: Buscando uma Vida Melhor nos EUA

A ideia inicial era fazer essa postagem em formato de entrevista mas não ficou legal, então vou meio que transcrever a história do meu amigo assim como ele me contou, acho que ficará mais natural e com leitura mais agradável.

Em dezembro do ano passado, fiz uma longa viagem de carro pelo sul e oeste dos Estados Unidos, além de visitar lugares turísticos procurei me inserir na sociedade americana visitando lugares que turistas não costumam visitar e conversando com todas as pessoas com as quais tive oportunidade. Durante essas andanças parei para abastecer e ao entrar na loja para pagar pelo combustível notei um pequeno símbolo do Palmeiras colado na vitrine, junto com os bilhetes de loteria. Aquilo era estranho porque, ao contrário da Flórida, você não encontra brasileiros em toda esquina no Texas. No caixa havia um cara cuja cara de palmeirense não negava sua origem. Foi assim que conheci Eduardo e sua esposa, Mônica (tá, já sei, faltou criatividade...), um casal de brasileiros que foi aos EUA em busca de uma vida mais tranquila seguindo um caminho pouco usual porém muito sólido no qual me inspiro em busca dos meus objetivos de melhorar a qualidade de vida cada dia mais. Essa é a história de Eduardo:

Meu nome é Eduardo, tenho 45 anos, sou engenheiro civil, casado com Mônica, 43 anos, fisioterapeuta. Vivíamos uma boa vida em São Paulo, durante o auge do boom imobiliário em 2007 não me faltava trabalho, tínhamos uma situação financeira estável e confortável: casa boa, carros bons e novos, viagens ao exterior todo ano, poupança e nenhuma dívida até que a violência de São Paulo bateu a nossa porta, por pouco não perdi o que tenho de mais precioso: minha esposa e filha. Após isso a ideia de mudar de país que a muito tempo martelava na minha cabeça veio novamente a tona e decidi por em prática. Comecei a analisar as possibilidades e concluímos que o melhor país para o nosso perfil seria os EUA, porém não gostaríamos de ficar ilegal afinal nosso objetivo não era simplesmente ganhar dinheiro como a maioria que chega por aqui, descobri um tipo especial de visto concedido a europeus que permite tocar um negócio nos EUA e residir legalmente. Sou descendente de europeus, mas não tinha os documentos, também não tinha experiência como empreendedor. O primeiro passo foi correr atrás dos documentos o que consegui no prazo de 1 ano, depois precisava experimentar o empreendedorismo, então comprei uma lanchonete. Quase desisti do plano ao me deparar com tantos obstáculos que o empreendedor brasileiro deve enfrentar, não gostei da experiência nem ganhei dinheiro (pelo menos empatei), mas tinha esperança de tudo ser mais fácil nos EUA. Nessa altura meu inglês já estava intermediário e decidi que a hora da mudança havia chegado. Já tinha me desfeito de praticamente tudo no Brasil, vendi a lanchonete e em 2010 cheguei na Flórida, a esposa e eu fomos primeiramente estudar inglês, durante esse período encarei o que todo imigrante mais cedo ou mais tarde vai encarar: subemprego. Fui trabalhar, veja só que ironia, na construção civil. Um engenheiro abrindo buraco e preparando argamassa, no princípio não contei pra ninguém que era engenheiro por vergonha mesmo, mas pouco tempo depois descobri que por aqui todo trabalho é valorizado, logo eu tinha orgulho de dizer que era engenheiro e até dei uns pitacos nas obras. A esposa foi trabalhar na faxina, logo não dependíamos mais do dinheiro vindo do Brasil, o nosso "salário" de peão de obra e faxineira era mais que o suficiente pra manter uma vida quase do mesmo padrão que tínhamos no Brasil.
A comunidade brasileira na Flórida é algo que me ajudou quando cheguei, mas logo percebi que brasileiro aqui fora costuma ser pior que brasileiro no Brasil, logo de cara comecei a me distanciar dos compatriotas e me enturmei mais com os espanos. Um ano depois meu inglês já estava praticamente fluente e decidi que era hora de por em prática o resto do plano: comprar a empresa e me legalizar por ela. Conheci um  corretor americano que me ajudou na busca, para fugir um pouco dos brasileiros decidi subir um pouco, acabamos encontrando esse posto de gasolina aqui no Texas. Amamos o lugar a primeira vista: lindo, seguro, com incentivos fiscais, um estado rico, bem cuidado e com poucos brasileiros nessa região. Em 2 dias estava me mudando. Logo descobrimos a diferença entre ter um negócio no Brasil e nos EUA, aqui tudo é feito pra facilitar, as instituições públicas funcionam, é possível resolver quase tudo on line, etc. Nesses quase 3 anos trabalhamos bastante, mas o negócio vai bem sem ter que fazer muita força, a empresa nos mantém, tenho segurança, minha filha frequenta uma escola pública de fazer inveja a muito colégio top paulistano.
Nesses 4 anos de América passei por quase tudo que a maioria dos imigrantes passam. Não tive problemas financeiros porque me planejei, mas tive problemas de adaptação principalmente em relação a saudade de amigos e parentes, passei pela síndrome da rejeição que acontece quando se descobre que o país antes imaginado como perfeito também tem problemas, você passa a acreditar que seu país de origem vai melhorar (o que nunca acontece), ainda tenho problemas com o idioma e as vezes dá saudade de certas comidas. Irei ao Brasil em 2015 pela primeira vez desde que cheguei aqui, mas não estou empolgado com isso. Meu visto não dá direito a green card, posso renova-lo mas se o governo mudar as regras terei que deixar o país, portanto tenho um plano B e C. O plano B minha esposa já está pondo em prática que é tentar validar o diploma de fisioterapeuta, conseguir um visto de trabalho e aplicar para o green card. Infelizmente não é fácil porque as faculdades brasileiras não chegam nem perto dos cursos técnicos americanos. O plano C é cursar novamente engenharia (não consigo validar porque o curso é totalmente diferente) e tentar o green card por emprego. Meu sonho é ser cidadão desse país que me acolheu e continua acolhendo aqueles que tem vontade de trabalhar e gostam de viver segundo as leis.
Infelizmente não tenho documentos europeus como Eduardo, mas o que ele fez é inspirador e prova que com planejamento e dinheiro é possível sim por um plano de imigração robusto em prática em pouco tempo. Gostaria de agradecer ao Eduardo e a Mônica por terem permitido que eu divulgasse a história deles e espero que isso sirva de auxílio para todos aqueles que, assim como eu, querem buscar uma vida melhor em outro país.

segunda-feira, 1 de dezembro de 2014

Atualização - Carteira - Novembro/2014

Praticamente nem vi novembro passar! Tudo muito rápido desde a compra da loja nova. A loja antiga após sofrer com um mês complicadíssimo acabou fechando com "somente" 20% de queda em relação a outubro. Considero isso uma vitória! Por outro lado a loja nova só está me dando alegrias!

Continuo empolgado e com energia pra trabalhar apesar das dores de cabeça com funcionários e órgãos públicos. Não consigo me conformar com a ineficiência das empresas e das pessoas, mas infelizmente tenho que lidar com isso. Dezembro está aí e com ele vem a avalanche de despesas. Concordo 100% com meu brother BBB, dezembro é super tenso. A minha sorte é que provisionei o 13º dos funcionários da loja antiga. Não tive tempo de fazer isso para os da loja nova, mas como estou a menos de 3 meses não isso não será problema. Como disse o BBB, um possível aumento de faturamento até o dia 20 não paga as despesas extras. Dezembro me dá prejuízo!

Quanto aos investimentos continua tudo no automático. Houve uma retirada de R$ 35.000,00 para a compra de um carro (estava usando um alugado). Aproveito para avisar que a atualização de dezembro, que sairá no começo de janeiro será a última. Não vejo mais sentido em continuar divulgando a carteira já que não tenho mais o objetivo de faze-la crescer (assunto para outro post). As coisas mudam, e a IF não é mais minha prioridade.

Estou um pouco mais tranquilo com relação ao trabalho, o gerente novo está dando conta do recado, mas continuo sem tempo para o blog porque tenho outras prioridades como inglês e academia.

Vou enumerar aqui alguns posts que quero fazer durante dezembro (para que eu me organize e não esqueça, rsrs).

  • Entrevista com meu amigo que mora no Texas (única pessoa além da Bia que sabe da existência do blog);
  • Futuro da carteira da IF
  • História de vida bem interessante do meu pedreiro
Bom fim de ano a todos!

Resumo da carteira em 01/12/2014:


sexta-feira, 28 de novembro de 2014

Valeu Chaves!

Hoje é um dia muito triste, não pude conter as lágrimas ao descobrir que dessa vez foi verdade. Esse cara fez a infância de muita gente mais feliz, conseguiu ser engraçado sem apelações sexuais por décadas consecutivas, conseguiu fazer sua obra ser eterna, com magia eterna... dou risada até hoje mesmo sabendo as falas de cor. Uma palavra o descreve: Gênio, talvez um dos maiores gênios que a América Latina já teve. Impossível não lembrar da infância, da TV 20" sem controle remoto que pegava o "4" muito mal, do meu pai assistindo comigo, dando risada juntos. Do álbum de figurinhas e do óculos do Chaves, de perceber a torsquisse absurda dos cenários do Chapolin. Roberto Bolagnos sempre estará no meu coração.


terça-feira, 25 de novembro de 2014

O doutor, a gata e pensar fora da caixa

Conheço Ricardo desde dos tempos de CCAA, sempre foi um cara muito gente fina, mas com um gosto um tanto sofisticado por quase tudo. Engraçado que mesmo sofisticado nunca foi pernóstico, arrogante ou coisa assim. Ele simplesmente gostava de coisas boas e as tinha dentro das possibilidades de seu pai, comerciante que também gostava de coisas de qualidade e não populares como esportes gringos.

Moravam em uma casa bem legal num bairro bom da cidade, seu pai tinha um carro popular, porém top de linha, com uns 2 ou 3 anos de uso, vivia limpíssimo e bem cuidado. Ricardo vestia roupas de marca, mas não aquelas marcas que a molecada estava acostumada e gostava, eram marcas mais adultas e pouco conhecidas na época como Ralph Lauren e Calvin Klein. Ele tinha uma bicicleta muito bacana, melhor que as nossas, mas novamente, não se achava o fodão por causa disso. Era popular entre os moleques, mas nunca foi muito com as meninas apesar de se vestir bem, ter um comportamento adulto e ser relativamente atraente.

Reencontrei Ricardo no começo da nossa vida adulta numa baladinha. Ele estava ralando pro vestibular de medicina. Sempre fora um bom aluno, portanto aquilo não era algo impossível. Algum tempo depois visitei a loja de seu pai que me informou que o Ricardo estava morando em outra cidade devido a faculdade, estava muito orgulhoso por ter seu único filho como médico. Estava com o mesmo carro do nosso tempo de moleque, dessa vez com mais de 10 anos de uso, mas novamente super limpo e bem conservado.

Surgiu o Orkut, encontrei Ricardo pela rede social, estava ralando na faculdade mas continuava com seus gostos “excêntricos” como jogar tênis, frequentar baladinhas top, etc. Não parecia ter muito sucesso com a mulherada, confesso que até desconfiei de “algo”, mas não fazia muito sentido (sempre convivi com gays então conheço de longe, rsrs). Desde então temos mantido contato pelas redes sociais, compartilhamos gostos e desgostos como detestar futebol e não querer ter filhos. Ele que arrumou um colega que fez minha vasectomia.

Ricardo, agora médico solteiro, morando com os pais, tinha muita grana disponível e descobriu as profissionais do amor. Se orgulhava de transar com gatas top toda semana, dizia que não queria namorar, etc. Nada contra, acho esse estilo de vida totalmente saudável desde que o cara consiga bancar financeiramente e não sinta o peso psicológico de não ter uma companheira (não é porque isso é importante pra mim que será para todos). Era cômico ver os selfies enviados por Ricardo em seus momentos de “lazer” com as profissionais... até que Ricardo deu uma sumida, parou com suas fotinhas e com as atualizações ácidas e politicamente incorretas (poxa, eu adoro pessoas politicamente incorretas) nas redes sociais.

Já estava sentindo falta do meu amigo até que um dia o encontrei num hospital, havia anos que não nos víamos pessoalmente. O que mais me chocou foi descobrir que ele estava namorando! Estava explicado o sumiço...  Papo vai, papo vem, ele me mostrou fotos da moça (uma baita de uma gostosa, gatíssima, diga-se de passagem), questionado sobre a mudança de opinião tão repentina ele disse:

Nada a ver com a Sandy, coloquei foto
dela porque era minha musa da
adolescência.
“Brother, cansei da putaria, já gastei muita grana com profissionais e não me arrependo, mas as coisas mudam, sabe, comecei a sentir falta de programas mais adultos como sair pra jantar num bom restaurante, porra, eu sempre quis ir no Dom, no Fasano, Terraço Itália, mas ia chamar quem? Uma enfermeira capenga metedeira? Ir sozinho? Chamar minha mãe? Não dá né cara... Aí decidi que ia descolar uma mina top, afinal você tá ligado o status que ser médico e ter um carrão dá né... não ia sair por aí desfilando com uma candanga... Um dia estava numa confraternização daqui do hospital e apareceu essa mina, arrastei e desde então estamos juntos, mas é jogo aberto: a gente se curte, mas é mais uma troca: ela me faz companhia enquanto frequenta os lugares que eu curto frequentar, banco tudo, mas me divirto, passo um tempo com uma pessoa bacana, bonita, me faz bem, não temos cobranças... É meu bibelô igual aquele sedã branco lá fora..."

Essa história do Ricardo é verídica e fico muito contente por meu amigo, é mais um exemplo que pensar fora da caixa é sempre a melhor opção, fugir do efeito manada também... Ficar preso a convenções sociais, medinhos idiotas, se amarrar a opiniões alheias e conselhos de familiares é SEMPRE uma péssima opção. Fazer aquilo que te dá na telha, levar um estilo de vida diferente mas dentro do respeito com outras pessoas é muito legal. Me identifico com Ricardo porque também tenho um estilo de vida diferente das demais pessoas, seja pelo lado pessoal, profissional ou financeiro. Não sou sofisticado como ele, curto coisas mais simples, jamais iria no Dom nem se custasse 10 reais simplesmente porque não curto comer com frescura, gosto de comida de verdade, rsrs, mas aprecio um bom scotch e uns cubanos (se bem que descobri uns charutos baianos deliciosos (no sentido literal, claro)). Gosto de histórias como essas, elas reforçam ainda mais o meu pensamento de abdicação de convenções familiares e sociais idiotas que só servem como prisão e não te fazem crescer, muito pelo contrário, te colocam pra baixo todos os dias.

Fugi do óbvio várias vezes na vida e tenho poucos arrependimentos. Eu poderia ter continuado trabalhando de empregado até o fim da faculdade, depois seguido uma carreira tradicional ou quem sabe ser funcionário público (eca!), poderia ter tido filhos e estar casado com uma mulher embarangada somente pelas crianças, nesse caso teria amantes ou saidinhas como 99% dos meus amigos. Poderia estar gordo, sedentário, trabalhando 12 horas por dia em prol de pagar os carnês. Poderia, quem sabe, ter um carrão financiado numa bíblia de 8778678678 prestações. Poderia mil coisas, ter seguido o "rumo natural da vida" e ser mais um infeliz como grande parte das pessoas... Ao invés disso optei por caminhar numa trilha diferente. Mas hoje estou no auge da minha saúde, preparo físico e principalmente capacidade de aprendizado intelectual, estudando um segundo idioma e trabalhando em cima de  possibilidades para uma mudança radical de vida (pra muito melhor) num outro país. Tenho uma esposa maravilhosa no sentido físico e psicológico, algum dinheiro guardado e estabilidade financeira sem 1 real de dívidas... É amigos, pensar fora da caixa não é tão ruim... Se eu pudesse dar um único conselho para um jovem ele seria: FAÇA DIFERENTE!

quinta-feira, 20 de novembro de 2014

Pode isso Arnaldo?

Faturamento da loja nova: previsão de crescimento de 20% em relação a outubro.
Faturamento da loja antiga: previsão de QUEDA de 35% em relação a outubro.

É esse tipo de situação que o empreendedor deve lidar. Aí tem gente que acha um absurdo eu querer um lucro líquido de no mínimo 10%. Haja estômago pra segurar esse tipo de coisa.

O que está acontecendo? Ressaca do PT? Nuvens negras chegando? Apocalipse zumbi na cidade vizinha? Sabe Deus... Em todos esses anos de empreendedor nunca vi uma queda como essa da loja antiga, simplesmente os clientes sumiram! Bizarro porque meu ramo não é sujeito a flutuações de economia, do dólar, do petróleo... Confesso que estou assustado!

Está todo mundo reclamando, não sou somente eu e meu ramo, o japonês da quitanda tá chiando, o português da padaria também.. .Por outro lado imagino como seria o crescimento da loja nova se não fosse essa onda de merda que estou passando...

2015 será tenso, muito tenso!!!
Os comentários desse blog são moderados, ou seja, passam pelo meu controle antes de serem publicados. Esse é o motivo pelo qual seu comentário não aparecerá logo após você clicar em "Publicar", portanto não precisa postar 2 ou 3 vezes! Posso demorar, mas publicarei e responderei todos os comentários que não contenham trolagens, intrigas, propagandas e baixo nível.