sexta-feira, 5 de setembro de 2014

A Importância de Quebrar a Cara

Cresci vendo meu pai quebrando a cara, fazendo negócios errados, com pessoas erradas, nos momentos errados. Durante toda minha infância e adolescência a situação financeira dos meus pais foi sempre marcada por altos e baixos. Um dia meu pai tinha carro zero e a dispensa estava cheia, no outro estava a pé e com os cartões de crédito estourados. A situação só foi melhorar quando eu já era praticamente adulto e já trabalhava. Aquela situação era extremamente chata, eu nunca sabia como estaria a situação após 3 ou 4 meses, tudo dependeria do sucesso dos negócios que o velho fazia. A grana da minha mãe male má dava para pagar minha escola (a coisa que sou mais grato!). Jurei pra mim mesmo que jamais teria altos e baixos!

E assim foi, desde que ganhei meu primeiro salário consertando bicicletas, sempre fui controlado. Jamais gastei tudo e sempre guardava um pouco com medo de ter um revés e ficar duro como meu pai. Quando comprei minha primeira loja acabei me enrolando, não tinha experiência com grandes quantias e me enfiei em dívidas, porém na minha cabeça aquilo não era um revés, não era uma rasteira da vida como as dezenas que meu pai levou, era somente um período obscuro com um futuro brilhante pela frente. Eu estava certo, consegui sair rapidamente das dívidas após trabalhar incansavelmente durante algum tempo. Logo tudo se estabilizou e até hoje, 2014, não tive altos e baixos na vida. Talvez se eu tivesse arriscado mais poderia ter tido mais altos, mas também poderia ter tido baixos, coisa que nunca quis. Enfim, tenho conseguido cumprir minha promessa.

Uma coisa tem me intrigado. Ultimamente tenho relembrado muitas histórias de pessoas que quebraram e se reergueram, ou quebraram e se acertaram mas não voltaram ao ponto que estavam antes da quebra. Meu pai mesmo está estabilizado financeiramente, acho que a idade chegou e finalmente ele se tocou que não pode mais ficar fazendo loucuras em busca de uma riqueza que nem ele mesmo valoriza. Não está no seu auge financeiro, mas se tudo correr bem, não terá grandes dificuldades financeiras até o fim da vida. Um amigo dele que nos anos 90 era rico (casas de aluguel, apartamentos de temporada no Guarujá e em Campos do Jordão; Tempra e Alpha Romeu do ano, etc) quebrou a ponto de não ter onde morar, reza a lenda que ainda deve perto de 1kk na praça, hoje vive aparentemente feliz num apartamentinho no centro e nem carro tem, trabalha de garçom num bar onde o encontrei semana passada. Um outro que também foi rico nos anos 90 e perdeu tudo para o triatlo puta/cachaça/jogo virou evangélico, largou os vícios e hoje está mais rico que antes. Uma coisa que vejo em comum entre todas essas histórias é que a pessoa está mais feliz hoje que antes, parece que a quebra foi um rito de passagem, algo que fez a pessoa se desenvolver.

Toda essa volta pra chegar no seguinte ponto: essa blindagem que criei contra quebra financeira pode estar me privando de um desenvolvimento pessoal interessante. Calma! Não estou falando que vou dar um jeito de perder tudo o que tenho, não é isso! Ultimamente tenho pensado que pode ser interessante assumir riscos maiores, não sei como eu poderia fazer isso de maneira a equilibrar risco e meu sentimento de anti-quebra, mas gostaria de assumir riscos maiores, sentir o frio na barriga de estar fazendo algo arriscado... Quando comprei a primeira loja a 10 anos atrás eu senti uma alta adrenalina que me fez muito bem na época, era algo muito legal ir dormir pensando no que eu estava arriscando e vislumbrando um futuro legal lá na frente. O futuro chegou, a adrenalina abaixou e hoje me sinto de boca aberta cheia de dentes esperando a morte chegar.

Sou jovem! Com minha idade meu pai nem tinha chegado ainda no auge financeiro, depois que isso aconteceu ele ainda quebrou e se levantou algumas vezes, começou e terminou alguns negócios; só foi atingir a estabilidade financeira na 3ª idade. Porra! Por que tenho que ser super conservador se ainda tenho saúde, condicionamento físico e, modéstia a parte, capacidade mental de aprender mais coisas? Meu pai tem muitos defeitos, mas uma coisa é certa: ele jamais parou de tentar, nunca ficou um dia em casa esperando o governo dar uma bolsa merreca ou um vizinho vir ajudar. Se ele errou, foi pelo excesso, não pela omissão. O mesmo acontece com as outras pessoas com histórias similares, o padrão é sempre tentar, independente do resultado, tentar...

A gente planeja demais, pesquisa demais, quer saber os detalhes de algo antes de entrar, quer saber 464984654965 casos de sucesso antes de fazer algo diferente, revira a internet de ponta cabeça, faz até pesquisa em chinês pra no final ficar na mesma. Quantos de vocês já passaram por isso? Aposto que a maioria. Numa era pré internet as pessoas arriscavam mais, a informação era escassa e por mais que você pesquisasse, os detalhes seriam descobertos somente após tentar.

Tenho um bom histórico de loucuras grandes na vida que deram certo: 100% de aproveitamento! Primeiro foi a compra da primeira loja, eu tinha uns 10% do capital necessário e 0% de experiência no que tinha que encarar pela frente. Arrisquei e deu certo! Segundo foi meu casamento: Bia e eu fomos morar juntos sem pensar muito, decidimos tudo em 3 ou 4 dias, não pensamos nas consequências, não fizemos buscas na internet, não sabíamos o que teríamos pela frente. Deu super certo! Portanto se eu for olhar pra trás, tenho obrigação moral de arriscar mais... Quantas e quantas pessoas da minha idade já arriscaram tudo mais de 2 vezes e estão aí, com uma grande experiência de vida... Preciso criar vergonha na cara!!!

terça-feira, 2 de setembro de 2014

Atualização - Carteira - Agosto/2014

Agosto foi um mês de altos e baixos. O faturamento da loja foi uma grata surpresa, inacreditavelmente bati alguns recordes e isso me ajudou a superar os baixos que aconteceram durante o mês. Se por um lado o faturamento foi bom, por outro grandes problemas surgiram, frutos, claro, da incompetência das pessoas que me cercam. Começo a pensar que existe uma conspiração para arrancar dinheiro do meu bolso sem fazer o trabalho contratado (leia mais aqui). Dessa vez a coisa foi bem mais grave que o funileiro que entortou meu carro ou a atendente do Mc Donalds que coloca pickles no meu lanche. Vou fazer um post a respeito mais para a frente.

O resultado dos investimentos também foram um down. Os proventos dos FIIs caíram, assim como suas cotações. Confesso que estou completamente alheio as novidades do setor, então se alguma alma caridosa puder fazer um resumo sobre o que aconteceu, ficarei muito agradecido. Mesmo assim fiquei no zero a zero, com rentabilidade de -0,01%. A procura do negócio perfeito continua e nesse mês até encontrei uma loja interessante, mas o proprietário vive em outro planeta e parece não entender a relação preço X valor, portanto, nada feito... Por outro lado ando tão desanimado com as cagadas que acontecem a minha volta que bate um medinho de entrar em outra enrascada. A ideia de uma emigração precoce está mais viva do que nunca, enfim, tenho várias possibilidades. Vamos aguardar e ver o que o futuro me prepara...

Esse mês tive a oportunidade de conversar com uma pessoa sensacional: meu ex-patrão. Ele é quase um guru na minha vida. Essa conversa serviu para abrir minha cabeça e novas ideias surgiram, pretendo fazer um post a esse respeito em breve.

Agosto foi um mês interessante do ponto de vista do lazer. Fizemos pequenas viagens, passeios pela capital, baladas, bares, churrascos com amigos... Enfim, curti bastante e foram essas saídas as grandes responsáveis por manter minha sanidade mental perante tantos problemas.

Resumo da carteira em 01/09/2014:




sexta-feira, 22 de agosto de 2014

Festival de Incompetências

Esse post é 100% inspirado num post do meu amigo BBB (veja a postagem do BBB aqui). Assim como ele, ultimamente ando profundamente irritado com a incompetência generalizada que me cerca por todos os lados em absolutamente tudo o que tenho que fazer. Sério! Sem piada, tenho andado com receio até de pedir um sanduíche no Mc Donalds porque eles conseguem sempre fazer errado... Sem mais delongas, vamos a alguns exemplos:

Problema: aumento da velocidade da internet da loja
Detalhes: solicitei aumento da velocidade da internet a quase 90 dias, a Net já cobrou 2 contas com o aumento mas a velocidade continua a mesma e pior, agora estou tendo quedas constantes de sinal, coisa que não acontecia antes do pedido de aumento da velocidade.
Incompetência: mil operadores de telemarketing incapazes de resolver um simples aumento de velocidade de internet.
Prejuízo: R$ 160 (por enquanto)

Problema: geladeira quebrada
Detalhes: chamei um técnico que me cobrou R$ 400 para arrumar, como uma nova custa mais de R$ 1000 achei que valia a pena o conserto. 35 dias depois a geladeira pifou novamente, o técnico sumiu. Outras empresas se recusaram a consertar o modelo da minha geladeira.
Incompetência: técnico bandido, ladrão e sem vergonha que presta um serviço de merda e depois desaparece.
Prejuízo: R$ 400 (tive que comprar uma geladeira nova)

Problema: cartão de crédito novo
Detalhes: recebi uma correspondência da American Express me oferecendo um upgrade para um cartão fodão com benefício de anuidade grátis pra toda a vida. Entrei em contato e fiz a solicitação, recebi o cartão e na primeira fatura um valor de anuidade de R$ 200 (1ª parcela). Liguei furioso e prometeram me estornar.
Incompetência: não cumpriram a promoção que eles mesmo informaram, se eu não prestasse atenção, acabaria pagando a anuidade sem perceber.
Prejuízo: R$ 200 (espero ser reembolsado)

Problema: entupimento de esgoto na loja
Detalhes: após ser surpreendido por uma explosão fecal na loja e ter que fecha-la durante meio dia só para limpar, contratei uma desentupidora que literalmente cagou ainda mais fazendo uma bagunça impressionante. 2 dias depois voltou a entupir.
Incompetência: contratação de uma empresa sem o mínimo de compromisso com o cliente, que deixou o local incrivelmente sujo e bagunçado e que não resolveu o problema.
Prejuízo: R$ 600 (eu mesmo resolvi com algumas ferramentas e conhecimento de pedreiro que adquiri aos 8 anos de idade trabalhando com meu avô, precisei fazer um desvio que deu super certo, além de ganhar uma moral com os funcionários que ficaram impressionados por eu meter a mão na merda, literalmente)

Problema: pintura do apartamento onde morava
Detalhes: antes de entregar o apartamento para a imobiliária eu precisava pinta-lo, eu mesmo poderia fazer, mas estava na correria da mudança então contratei um pintor que foi 2 dias e sumiu, contratei um segundo que surpreendi cheirando cocaína na sala do apê.
Incompetência: "profissionais" sem o mínimo de profissionalismo que só sabem reclamar mas não são capazes de trabalhar de maneira correta.
Prejuízo: R$ 100 (só isso porque não dou dinheiro adiantado, esse é o prejuízo de material desperdiçado, Bia e eu resolvemos a pintura em 1 final de semana)

Problema: raiz de um dente inflamado
Detalhes: uma obturação quebrou, fui na dentista que somente reparou o dente, 3 dias depois amanheci com a cara no Quico de tão inchado. Fui em outro dentista que radiografou (o que primeira não fez) e constatou que era preciso tratar o canal.
Incompetência: a dentista além de deixar de ganhar num tratamento de canal perdeu um paciente porque foi relaxada em fazer o diagnóstico de qualquer jeito.
Prejuízo: R$ 200 (valor da primeira obturação)

Problema: funilaria mal feita
Detalhes: Bia deu uma ralada na lateral do carro, podia ter deixado do jeito que estava mas mandei consertar. Maldita hora! O funileiro conseguiu foder com a lateral, ficou mais torto e com diferença de cor. Paguei um segundo, de uma oficina TOP para arrumar (me dava nervoso de ver aquela porra torta e de cor diferente).
Incompetência: mais uma vez pessoas que se dizem profissionais mas só fazem merda
Prejuízo: R$ 700 (valor total, Bia pagou)

Vejam só, quase R$ 2.500 enfiados no ralo por incompetências de terceiros, sem contar a raiva. É impressionante a total falta de vontade das pessoas!!! Isso são só alguns exemplos, tenho outros que não posso contar por serem muito específicos, isso também sem contar a completa falta de educação das pessoas em seus locais de trabalho, a ausência de cordialidade, de bom humor... Ah! Sobre o Mc Donalds, qual a parte de "sem picles, por favor" é difícil de entender? Meu Deus, onde iremos parar?

sábado, 16 de agosto de 2014

Loja Nova?

Primeiramente gostaria de agradecer a todos que me deram força na minha última postagem, é nessas horas e pelo nível dos comentários que fico contente por continuar com o blog, mesmo que com menos postagens. Durante essa semana refleti muito sobre os comentários, acessei os links que me foram enviados (valeu Estagiário!) e conversei bastante com a Bia sobre nosso futuro.

Bem, uma das coisas que fiz essa semana foi visitar uma loja a venda. Um dos corretores que estão procurando oportunidades me ligou com o "negócio ideal", meio descrente fui olhar. Chegando lá levei um susto, a loja parece saída de um filme dos anos 70 de tão ultrapassada, além disso está com pouco estoque, o dono trabalha com menos funcionários que o necessário, abre tarde e fecha cedo e pude comprovar que o atendimento é um verdadeiro lixo. A região é movimentada, meio sofisticada, com concorrentes de peso e mesmo assim a loja está lá, aberta, funcionado "daquele jeito" a mais de 10 anos. Por quê? Não sei, mas minha aposta é porque a loja é boa, tem potencial e mesmo com tudo para abaixar as portas, continua lá, ao menos pagando as contas... Negócios assim não aparecem todos os dias, porém costumam ser bons.

Apesar dos pesares, as finanças estão aparentemente em dia, sem dívidas com fornecedores ou governamentais, o proprietário está com o saco cheio, por isso deixou a coisa chegar nesse ponto. A loja paga as próprias contas e as contas do proprietário (claro, tudo misturado!), possui uma certa fidelização de clientes mas que, com a falta de opções de mercadorias, estão minguando a cada dia. A sala comercial carece de uma grande reforma de alvenaria para adequação a normas (o cara já levou multas por causa disso e não se mexeu), elétrica, hidráulica (privada nem funciona), etc. Além disso é necessário uma reforma total da área de vendas além de estoque. Resumindo, é quase como partir do zero.

Vejam toda a sofisticação da nova loja
O problema? Como não poderia deixar de ser o grande problema é o preço. O proprietário é maluco, está pedindo simplesmente 3 vezes o que a loja efetivamente vale (sendo otimista). Isso é muito comum, o cara diz que em 1825 quando comprou a loja investiu 10 conto de réis pra comprar uma carroça e um casal de jumento pra fazer entregas e acha que isso tem algum valor hoje. Diz que investiu X reais em lâmpadas e que isso conta no preço; diz que comprou um frigobar para o escritório, uma cafeteira para os funcionários, etc. Esse tipo de "argumento" é muito comum e é algo difícil de tirar da cabeça do dono que entre outras coisas acredita ter uma loja informatizada por ter PCs rodando Windows 3.11 e uma impressora matricial; que fazer rampas de acesso a cadeirantes é frescura e que ar condicionado só serve pra deixar funcionário mais folgado.

Fiquei interessado, muito interessado mesmo. Pelo preço certo, encaro o desafio numa boa, tenho até condições de remanejar funcionários da loja atual porque as duas são próximas e já tenho uns 30% do estoque necessário. Pagando um preço dentro da realidade, tenho condições de fazer tudo o que é necessário a vista, sem contrair 1 real de dívida. Esse seria o cenário perfeito, poderia ficar alguns dias com a loja fechada sem esquentar a cabeça porque não teria dívidas para pagar. A loja tem potencial, tem tudo pra ter o dobro do faturamento da loja atual!

Aguardem cenas dos próximos capítulos...

sexta-feira, 8 de agosto de 2014

Sobre Rotina, Tédio e Marasmo

Minha rotina em agosto de 2007:
  • Acordar as 6h
  • Abrir a loja as 7h
  • Almoço as 12h
  • Chegar na faculdade as 17h
  • Estudar até a aula começar
  • Assistir as aulas
  • Chegar em casa as 0h
  • Ir para a cama a 1h
  • Dívidas no auge, algumas centenas de milhares de reais
Minha rotina em agosto de 2014:
  •  Acordar qualquer hora entre 7 e 13h
  • Verificar como as coisas estão na loja via remota entre 7 e 23h
  • Almoçar qualquer hora entre 11 e 17h
  • Estudar inglês e praticar atividades físicas entre 7 e 2h
  • Ir ou não para a loja
  • Ler um livro, assistir TV a qualquer hora
  • Dívidas: nenhuma, pelo contrário, 1/4 de milhão investidos + apartamento, carro e loja pagos
Em 2007 eu dizia que minha rotina era um saco, cansativa e que meu sonho era não ter hora para acordar, hoje atingi esse objetivo. Estou feliz? Não, at all!!! Os soldados da IF podem me tacar pedra a vontade, o fato que essa semi-aposentadoria que estou vivendo é um saco! Claro que minha rotina de 2007 também era um saco, aliás, muito pior que a minha rotina de hoje, sem dúvidas; mas não ter uma rotina definida não é algo tão legal quanto parece num primeiro momento.

Fazem aproximadamente 1 ano e meio que estou nessa rotina, no começo tudo era muito legal, afinal eu tinha uma pilha de livros esperando leitura, 8 quilos de gordura esperando serem queimados e uma lista enorme de palavras em inglês esperando serem aprendidas, mas o tempo passou, a banha se foi, os livros foram lidos, o inglês melhora a cada dia, já assisti todos os filmes que tinha vontade (não foram muitos, não gosto muito de filmes, prefiro documentários), séries também... E agora? O que fazer? Tem horas que me bate um tédio desgraçado, uma vontade de fazer absolutamente nada, uma tristeza... tenho medo de entrar (ou já estar) num processo depressivo...

Sou jovem, me considero um cara interessado em aprender coisas e com uma boa carga de conhecimento em várias áreas (muita cultura inútil também, admito). Tenho a forte sensação que estou perdendo tempo precioso. Se em 2007 eu não tinha tempo para fazer as coisas que tinha vontade, em 2014 não tenho vontade de fazer coisas com o tempo que tenho. Como tudo na vida, acredito que a saída para isso é o equilíbrio, nem 8 nem 80, nem ser workaholic nem vagabundo. Por isso tenho nos últimos tempos tentado arrumar alguma coisa para me fazer ter uma rotina novamente e sair dessa onda de marasmo, acontece que não está fácil decidir o que fazer.

Minha cabeça é sempre um turbilhão de ideias, sabe aquela história que diz que cabeça vazia é a oficina do capeta? O contrário também é verdade, minha cabeça tá sempre ocupada com planos e mais planos que nunca são colocados em prática, acabo sempre como o cara que tem 3048457834784 canais de TV a cabo e assiste Globo. Muita opção e muito tempo disponível nem sempre é sinônimo de coisa boa.

Recentemente conversei via Skype com um amigo que está na China. O cara tirou um sabático, botou uma mochila nas costas e caiu no mundo. Ele disse que, claro, viajar é sempre bom, legal e se aprende muita coisa nova, mas que de uns meses pra cá (já faz quase 1 ano que ele começou esse mochilão) está sentindo falta de uma rotina e saudades do trabalho. Então acredito que esse sentimento não é exclusividade minha.

Bia tem uma rotina pré definida, tem hora pra entrar e sair do trabalho, hora para as aulas de dança que ela faz, hora para passear com cachorro... Mesmo não sendo a pessoa mais organizada do mundo, ela lida muito bem com isso, agora imagina eu que tenho quase uma síndrome de Sheldon Cooper, sou chato, metódico e adoro padronizações... Tenho algumas alternativas para mudar esse quadro de marasmo que tenho enfrentado e juro que estou tentando por em prática:

1- Comprar uma nova empresa: é uma coisa que gosto de fazer apesar dos problemas, ocuparia meu tempo e me traria um bom retorno financeiro. Quando comprei a loja atual a ideia era mante-la por 2 anos e vender, esse prazo já passou e continuo com a loja simplesmente porque a administração remota tem dado certo até agora, está cômodo, é quase uma renda passiva devido a pouquíssima carga de trabalho que tenho, porém não me sinto 100% seguro com esse modelo. Estou tentando comprar outra loja onde eu possa além de ganhar um dinheiro, me formatar para a aplicação do visto L1 americano. A ideia é casar a compra dessa nova loja com a venda da atual (tenho compradores da noite para o dia), acontece que está bem complicado achar algo que sirva aos meus propósitos.

2- Arrumar um emprego: O Pobretão pira! Se dentro de 60 dias eu não comprar uma outra loja, vou aceitar a proposta de emprego na minha área oferecida por um antigo colega de faculdade. Está decidido! Nesse caso aborto o plano do visto L1, trabalho 1 ano nesse emprego para ganhar experiência e ver "qualéquié" e começo a me formatar para o visto F1 (estudo), nesse caso o caminho migratório (imigratório?, emigratório?) seria: 1 ou 2 anos de estudo de inglês nos EUA + college no Canadá.

3- Chutar a porra toda pra cima e me mandar para os EUA: se eu não conseguir comprar outra loja e se detestar voltar a ser CLT esse é o plano C, o botão vermelho. Vendo a loja, arranco a Bia do emprego (ela gosta do emprego mas ao mesmo tempo não suporta mais o Brasil, tá pior que eu), faço as malas, boto o cachorro numa caixa de transporte e me mando para os EUA estudar inglês ainda esse ano! Uma vez lá vejo o que faço... Não gosto de fazer as coisas na loucura, mas as vezes sinto falta da adrenalina de arriscar mais mesmo sabendo que posso quebrar a cara. Trabalhar no pesado nos EUA seria no mínimo uma ótima experiência de vida. Se der errado por algum motivo, coloco o rabo entre as pernas, volto pro Brasil, arrumo um emprego e pronto! Essa é a ideia mais simples de se pôr em prática e a que a Bia mais tem vontade de fazer, ao contrário de mim ela gosta de fazer coisas sem muito planejamento, pra ver no que vai dar. Sinto inveja dessa qualidade.

Meu estilo de vida minimalista, frugal e childfree me dá uma grande liberdade de arriscar a fazer coisas novas, de ter mais facilidade para pagar o preço de uma decisão errada. A estabilidade financeira, a renda passiva considerável, a ausência de dívidas atrelado com uma vida barata me traz tranquilidade de saber que não vou passar sufoco em mudar minha vida radicalmente. Mesmo assim, com a faca e queijo nas mãos eu sou cagão e fico parado. Puta que pariu, preciso meter mais as caras, arriscar mais, usar o tempo, a saúde e a pouca idade ao meu favor!!! Juro que vou tentar tirar essas palavras da tela do computador e coloca-las em prática!




sexta-feira, 1 de agosto de 2014

Atualização - Carteira - Julho/2014

Uma nuvem densa e negra está pairando sobre os céus do nosso Brasilsilsil... Não sei explicar, mas ando sentindo uma onda de negativismo e de coisas ruins... Pior que não vejo isso como exagero, teremos eleições, Argentina dando calote... Ando assustado!

Sabe aquela queda de faturamento não concretizada em junho? Então, ela veio agora! Tomei um chute no saco que não estava previsto, ouve uma queda acentuada nas vendas da loja, bem acima do esperado. O que me consola é saber que o mesmo aconteceu para meus vizinhos comerciantes e meus colegas de setor. Coisas de comércio... Já faz tempo que não arranco os cabelos (se bem que não os tenho) por causa disso, não adianta nada, só me estresso e perco saúde. Não tenho dívidas, prestações para pagar ou coisas do gênero. Se o faturamento cai, compro menos, os funcionários ganham menos então a coisa se ajeita sem muito trabalho.

Investimentos no piloto automático, nada de surgir um bom negócio para investir, enquanto isso fico com um bom montante parado na poupança. Fui visitar dois negócios a venda junto com um corretor, um era totalmente irrecuperável, o outro muito caro e não se encaixava bem no que preciso. Confesso que fiquei tentado por esse segundo, mas não estou a fim de fazer loucuras. Esse novo negócio muito provavelmente será meu trampolim para os Estados Unidos através do visto L1, portanto tem que ser algo que me enquadre dentro disso, mesmo se for menos lucrativo. Continuo procurando...

Tenho uma proposta de emprego para atuar na minha área de formação, embora não vá me servir para o propósito original (facilitar a emigração ao Canadá), estou tentado a aceitar por ter vontade de fazer algo diferente, ter uma experiência profissional diferente... Porém se eu aceitar, terei menos tempo para a loja e a possível compra de outro negócio. Complicado...

Estamos adorando o novo apartamento, o nível da vizinhança é outra coisa. Na maioria são casais sem filhos (não existem crianças nesse bairro, thanks God!), executivos engravatados que só ficam aqui durante a semana (um deles mora no Rio!) e muitos aposentados que deixaram seus mega-apês ou McHouses após o casamento dos filhos. Tenho conversado muito com os velhinhos e aprendido muito com eles, são tantas histórias...

Resumo da carteira em 31/07/2014:

segunda-feira, 21 de julho de 2014

A Falácia do Curso Superior no Brasil

Quem acompanha o blog sabe que tenho formação superior porém nunca exerci a profissão por estar sempre envolvido com empreendedorismo e que um dos meus planos para 2014 era arrumar um emprego na minha área de formação por 2 motivos: 1º finalmente trabalhar em algo que gosto e que tenho conhecimento técnico e 2º porque minha profissão é uma das requisitadas pelo governo canadense e ter experiência de trabalho poderia facilitar uma possível imigração para as terras nevadas do norte.

A loja está passando por uma calmaria: faturamento estabilizado, burocracias anuais resolvidas e quadro de funcionários estabilizado, então pensei que agora é o momento certo para colocar esse plano em ação. Antes de sair caçando um emprego (até consegui uma possível vaga com um colega de faculdade) resolvi pesquisar a respeito da validação do diploma no Canadá, afinal de contas não adianta nada ter a experiência se não conseguir me legalizar de maneira que possa exercer a profissão lá. Antes de começar a revirar sites "ponto ca" atrás de respostas eu já tinha uma boa noção da realidade: que muito provavelmente seria mais fácil refazer a faculdade que tentar validar o diploma, porém o buraco é mais em baixo...

Primeiramente fui pesquisar a grade curricular do meu curso nas faculdades canadenses. Isso é algo extremamente complexo de ser feito porque o ensino lá é completamente diferente do nosso no sentido de carga horária e maneira que você deve cumprir as matérias, mas pesquisa daqui, pesquisa de lá, consegui entender como funciona para a minha profissão. Fiquei extremamente assustado ao me dar conta que o mesmo curso que me dá um título de ensino superior aqui não é equivalente nem a um título técnico por lá! Só a carga horária é praticamente 3x maior que a brasileira, isso porque o curso não é generalista como o daqui, se fosse essa carga horária talvez seria umas 5x maior!!! Mais assustado ainda foi me dar conta que lá existem disciplinas que nunca nem ouvi falar ou ao menos foram coisas jogadas durante a minha faculdade. Agora entendo o porque do déficit de profissionais em certas áreas no Canadá: muitos cursos são extremamente complexos, demandam muito tempo para serem concluídos e principalmente, são muito caros! O orçamento para minha faculdade não fica por menos de CAD 60k, demanda os mesmos 4 anos que o curso brasileiro, mas lá é integral e há aulas de sábado. E tem que ser assim!

Fiquei muito chateado e, mais uma vez, me senti enganado pelo Brasil. Aqui na Banânia tudo é uma farsa! Tenho consciência que fiz uma Uniesquina de merda e que um colega que fez uma federal provavelmente é muito melhor preparado, mas fui dar uma olhada na grade das federais e a coisa não muda muito (é melhor, mas nem tanto). Aqui entra mais um absurdo: como que eu, que fiz uma Uniesquina de bosta posso ter o mesmo título do cara que fez uma federal fodona ou uma particular de 5k de mensalidade... Tá tudo errado!!!

Já comentei algumas vezes aqui no blog que ter curso superior não é garantia de sucesso e que muitas vezes chega a ser até burrice gastar dinheiro com isso. O filho de um amigo está todo contente porque passou no vestibular de uma Uni-merda pra Turismo... PQP! Que futuro esse moleque vai ter?! Para ter uma ideia, no Canadá nem existe faculdade de turismo, o que existe é meio que um curso técnico de 18 meses que não tem nada a ver com bacharelado como é aqui. As faculdades particulares brasileiras inventam uns cursos idiotas só para atrair estudante (ou seria cliente?) perdido no que fazer na vida. Do ponto de vista capitalista elas estão certíssimas, mas do ponto de vista ético tenho minhas dúvidas. Se você tiver um bom inglês, faça uma pesquisa similar, se seu título nem existir em outros países é provável que seu curso seja mais um inventado por Uni-merdas brasileiras pra arrancar dinheiro...

A grande falácia do curso superior no Brasil é você acreditar que, por ser bacharel em alguma coisa, é um profissional qualificado e preparado. Você pode até ser no meio dos seus, mas se olhar lá fora, você será somente um cara com um cursinho meia boca desqualificado para trabalhar em outro lugar que não seja seu país. Aí vem o discurso governamental que o número de pessoas com nível superior está aumentando e blá, blá, blá... mas isso está aumentando graças a cursos idiotas, de faculdades caça-níquel, com professores desmotivados. Na boa, vamos jogar limpo aqui: podemos resumir os cursos realmente úteis em: algumas engenharias, medicina e uma ou outra da área da saúde. De resto, são cursinhos que servem para encher salas de aulas, esvaziar bolsos, incentivar a indústria idiota de formaturas e que jamais trarão ganhos financeiros significativos ao formando.

O que vou fazer? Ainda não sei, mas talvez aceite a proposta do meu colega (tenho que esperar um pouco para isso se consolidar) por gostar da profissão e querer ter essa experiência pra minha vida, mas isso não será muito útil pensando no plano canadense. Quanto aos planos imigratórios, tudo está confuso na minha cabeça, mil ideias passam pela mente todos os dias, mas nenhuma delas é robusta o suficiente para por em prática... Complicado...
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