segunda-feira, 21 de julho de 2014

A Falácia do Curso Superior no Brasil

Quem acompanha o blog sabe que tenho formação superior porém nunca exerci a profissão por estar sempre envolvido com empreendedorismo e que um dos meus planos para 2014 era arrumar um emprego na minha área de formação por 2 motivos: 1º finalmente trabalhar em algo que gosto e que tenho conhecimento técnico e 2º porque minha profissão é uma das requisitadas pelo governo canadense e ter experiência de trabalho poderia facilitar uma possível imigração para as terras nevadas do norte.

A loja está passando por uma calmaria: faturamento estabilizado, burocracias anuais resolvidas e quadro de funcionários estabilizado, então pensei que agora é o momento certo para colocar esse plano em ação. Antes de sair caçando um emprego (até consegui uma possível vaga com um colega de faculdade) resolvi pesquisar a respeito da validação do diploma no Canadá, afinal de contas não adianta nada ter a experiência se não conseguir me legalizar de maneira que possa exercer a profissão lá. Antes de começar a revirar sites "ponto ca" atrás de respostas eu já tinha uma boa noção da realidade: que muito provavelmente seria mais fácil refazer a faculdade que tentar validar o diploma, porém o buraco é mais em baixo...

Primeiramente fui pesquisar a grade curricular do meu curso nas faculdades canadenses. Isso é algo extremamente complexo de ser feito porque o ensino lá é completamente diferente do nosso no sentido de carga horária e maneira que você deve cumprir as matérias, mas pesquisa daqui, pesquisa de lá, consegui entender como funciona para a minha profissão. Fiquei extremamente assustado ao me dar conta que o mesmo curso que me dá um título de ensino superior aqui não é equivalente nem a um título técnico por lá! Só a carga horária é praticamente 3x maior que a brasileira, isso porque o curso não é generalista como o daqui, se fosse essa carga horária talvez seria umas 5x maior!!! Mais assustado ainda foi me dar conta que lá existem disciplinas que nunca nem ouvi falar ou ao menos foram coisas jogadas durante a minha faculdade. Agora entendo o porque do déficit de profissionais em certas áreas no Canadá: muitos cursos são extremamente complexos, demandam muito tempo para serem concluídos e principalmente, são muito caros! O orçamento para minha faculdade não fica por menos de CAD 60k, demanda os mesmos 4 anos que o curso brasileiro, mas lá é integral e há aulas de sábado. E tem que ser assim!

Fiquei muito chateado e, mais uma vez, me senti enganado pelo Brasil. Aqui na Banânia tudo é uma farsa! Tenho consciência que fiz uma Uniesquina de merda e que um colega que fez uma federal provavelmente é muito melhor preparado, mas fui dar uma olhada na grade das federais e a coisa não muda muito (é melhor, mas nem tanto). Aqui entra mais um absurdo: como que eu, que fiz uma Uniesquina de bosta posso ter o mesmo título do cara que fez uma federal fodona ou uma particular de 5k de mensalidade... Tá tudo errado!!!

Já comentei algumas vezes aqui no blog que ter curso superior não é garantia de sucesso e que muitas vezes chega a ser até burrice gastar dinheiro com isso. O filho de um amigo está todo contente porque passou no vestibular de uma Uni-merda pra Turismo... PQP! Que futuro esse moleque vai ter?! Para ter uma ideia, no Canadá nem existe faculdade de turismo, o que existe é meio que um curso técnico de 18 meses que não tem nada a ver com bacharelado como é aqui. As faculdades particulares brasileiras inventam uns cursos idiotas só para atrair estudante (ou seria cliente?) perdido no que fazer na vida. Do ponto de vista capitalista elas estão certíssimas, mas do ponto de vista ético tenho minhas dúvidas. Se você tiver um bom inglês, faça uma pesquisa similar, se seu título nem existir em outros países é provável que seu curso seja mais um inventado por Uni-merdas brasileiras pra arrancar dinheiro...

A grande falácia do curso superior no Brasil é você acreditar que, por ser bacharel em alguma coisa, é um profissional qualificado e preparado. Você pode até ser no meio dos seus, mas se olhar lá fora, você será somente um cara com um cursinho meia boca desqualificado para trabalhar em outro lugar que não seja seu país. Aí vem o discurso governamental que o número de pessoas com nível superior está aumentando e blá, blá, blá... mas isso está aumentando graças a cursos idiotas, de faculdades caça-níquel, com professores desmotivados. Na boa, vamos jogar limpo aqui: podemos resumir os cursos realmente úteis em: algumas engenharias, medicina e uma ou outra da área da saúde. De resto, são cursinhos que servem para encher salas de aulas, esvaziar bolsos, incentivar a indústria idiota de formaturas e que jamais trarão ganhos financeiros significativos ao formando.

O que vou fazer? Ainda não sei, mas talvez aceite a proposta do meu colega (tenho que esperar um pouco para isso se consolidar) por gostar da profissão e querer ter essa experiência pra minha vida, mas isso não será muito útil pensando no plano canadense. Quanto aos planos imigratórios, tudo está confuso na minha cabeça, mil ideias passam pela mente todos os dias, mas nenhuma delas é robusta o suficiente para por em prática... Complicado...

sexta-feira, 11 de julho de 2014

Pergunta rápida...

Quantos de vocês nunca sofreram violência direta ou nunca tiveram um parente ou amigo direto que sofreram algum tipo de violência como um assalto ou mesmo um furto?

Por que dessa pergunta? Essa semana fiquei sabendo de 3 casos de violência com amigos e familiares. Comentei isso com minha professora de inglês, uma americana moradora do Oregon, que ficou bestificada e por alguns momentos pensou que eu estava fazendo uma brincadeira porque segundo ela falei com tanta naturalidade que não transmiti confiança. Então ela disse que não conhece nenhum caso de violência direta com familiares e amigos, e que os casos de violência mais próximos aconteceram com amigos de amigos ou amigos de parentes, ou seja, ela não conhece pessoas que tenham sofrido assalto, furto ou outro tipo de merda do gênero.

Parei pra pensar e me dei conta que tenho cerca de 30 casos diretos para relatar e que a minha naturalidade perante o crime é algo assustador, isso não está certo, não pode de maneira alguma acontecer. Quando um amigo é assaltado, perguntamos logo se fizeram alguma coisa com ele, quando dizem que não, veem as respostas clássicas: "graças a Deus", "dos males o menor", "vão-se os anéis, ficam os dedos", etc. Parem pra pensar: a gente simplesmente aceita o fato do crime como algo normal e ainda agradece por não ter acontecido nada com a pessoa, o que é totalmente compreensível, mas nenhum pouco justo!!!! Tá tudo errado...


terça-feira, 1 de julho de 2014

Atualização - Carteira - Junho/2014

Junho foi o mês que mudou o Brasil! Acabaram todos os escândalos de corrupção, a presidenta tornou-se a salvadora da pátria e tudo está lindo na terra da banana. Não ouço pessoas reclamando de absolutamente nada, finalmente atingimos a perfeição! Os hospitais funcionam, as escolas estão ótimas, a segurança então... nem se fala! Após mais de 500 anos o Brasil tinge a perfeição!!! Teria isso alguma coisa a ver com a copa do mundo? Não, acho que não, afinal não podemos misturar futebol (o santo Graal do brasileiro) com política.

Agora falando sério, percebi um fenômeno curioso em junho: as poucas pessoas mais esclarecidas com as quais tenho contato simplesmente esqueceram seus discursos moralistas e vestiram a camisa verde e amarela. Pararam as inteligentes discussões sobre política, situação do país e só sabem falar da bunda do Neymar (ou Kaká, sei lá...). É triste ver que o futebol, um esporte (dos mais sem graça, diga-se de passagem) possa ter uma influência tão grande na vida das pessoas. Claro que você não vai concordar comigo, afinal faço parte do grupo de 10 pessoas no Brasil que não gosta de futebol, rsrs! É amigos, cada vez tenho mais motivos pra me sentir na terra errada...

Bom, falando do que interessa (se é que alguém está interessado nisso), junho foi um mês atípico na loja, já estava esperando uma queda de 40% que por algum motivo não se concretizou, o faturamento caiu menos de 10%. Aqui, mais uma vez, temos um exemplo do quão bom é ser pessimista, me preparei para o pior e fiquei contente com o resultado que obtive. Por outro lado, também espero um julho abaixo da média devido a mudança das férias escolares, vamos ver...

Os investimentos continuam no piloto automático. Estou procurando um novo negócio pra investir, mas está muito difícil encontrar, talvez só no ano que vem.

Continuo com o jejum de internet e sem vontade de escrever para o blog. Cada dia mais o blog está tomando um rumo diferente, estou desviando o caminho da independência financeira para trilhar um novo caminho que ainda não sei qual será. Meus posts estão cada vez mais perdendo a relevância assim como o gasto de tempo com a blogosfera. Peço desculpas para os 2 ou 3 caras que acompanham meus posts me incentivando, o blog continuará no ar, mas as novas postagens não tem data pra sair. Também não sei quando pararei de divulgar o patrimônio, mas isso de fato acontecerá em breve. Como diria o maluco, prefiro ser essa metamorfose ambulante do que ter aquela velha opinião formada sobre tudo, não entendo como pessoas conseguem passar anos e anos fazendo a mesma coisa, com os mesmos planos... Quem sabe um dia eu goste de futebol...

Resumo da carteira em 29/06/2014: ERRATA: VALOR DA CARTEIRA: R$ 236.154,79

sábado, 14 de junho de 2014

Jejum de Internet

Sumi, mas estou vivo! Decidi fazer jejum de internet, fiquei uma semana somente acessando e-mails, nada de blogs, nada de Youtube, nada de pesquisas na Wikipedia, nada... Decidi fazer essa experiência por achar que estava perdendo tempo demais com internet e que grande parte do "conhecimento" que adquiro na rede é totalmente desnecessário para meu dia-a-dia. Estava certo!

Desde que deletei meu Facebook ano passado tenho notado que coisas que julgamos totalmente necessárias nem sempre são assim. Nesse um ano sem Facebook percebi que continuo tendo contato com os mesmos amigos de sempre, que não tenho o menor interesse se Fulano está tomando Skol ou Budweiser, se fulana "partiu academia" ou se os Beagles foram ou não jogados na rua. O conteúdo de Facebook é totalmente desnecessário e digo mais, só serve para piorar a vida de uma pessoa porque você recebe um enxurrada de informação desencontrada, opiniões violentamente parciais, enfim, toda sorte de coisas que não agrega em nada. De vez em quando dou uma pescoçada quando a Bia está fuçando no seu (não consegui convence-la de abandonar Face/Insta/Twitter) e só vejo desgraça, denúncias redundantes de corrupção, fotos de gatos em situações engraçadas, etc. Não consigo ver valor nisso tudo.

Nessa última semana sem internet me dei conta que aquela curiosidade urgente como saber a divisão geográfica das Ilhas Virgens, nada mais é que curiosidade, não preciso ficar ansioso pra descobrir. Nos anos 90 esse tipo de curiosidade passava batido e se realmente persistisse eu teria que buscar na Barsa da escola ou escrever para a Superinteressante e rezar para ser respondido. Assistir aos vídeos dos Youtubers que moram nos EUA é divertido, mas me faz ficar com ainda mais raiva do Brasil, como não conseguirei fugir desse país tão cedo, preciso manter minha indignação dentro de limites que me permitam continuar vivendo aqui de maneira salubre. Não acompanhei meus feeds de notícias e isso não fez a menor diferença na minha vida.

Também não acompanhei a blogosfera, confesso que essa foi uma das partes mais difíceis, mas resisti. O contato com o pessoal daqui é muito legal, mas consegui ficar distante. Fiquei muito chateado ao voltar hoje e saber da notícia do alagamento da loja do BBB. Infelizmente esse é um dos vários desafios que um empreendedor tem que enfrentar, portanto pense 10x antes de criticar e invejar seu patrão por ele ter um Audi, só ele sabe o que teve que passar para andar com um carro bom ou folgar numa quinta feira.

Durante esse período de jejum de internet consegui ler um livro completo (hábito que eu tinha abandonado esse ano por achar que não tinha tempo) e estudei o dobro de inglês. Sai aqui no bairro, a pé, para andar sem destino (coisa que adoro fazer), encontrei uma padaria ótima com preços decentes, conheci um pessoal que pratica crossfit na praça (sim, eu sei, essa é a nova modinha da classe-média-alta, mas e daí, é legal pra caramba!), conversei em inglês com gringos perdidos, andei de bicicleta pela cidade enquanto a Galinha Pintadinha Claudia Leite cantava na abertura da copa, doei sangue, fui trabalhar de bicicleta duas vezes, passeei muito com o cachorro... Enfim, descobri que existe vida fora da tela de um laptop!!!

Não vou fazer isso pra sempre, foi uma experiência, mas com certeza investirei melhor meu tempo daqui pra frente. Não sei quando voltarei a postar aqui no blog porque estou sem ideias, aceito sugestões para posts, ok? Recomendo que todos passem por essa experiência de vez em quando, vale muito a pena!

segunda-feira, 2 de junho de 2014

Aprendendo com a Southwest Airlines

A Southwest airlines é uma das principais companhias aéreas dos Estados Unidos, foi possivelmente a empresa que espalhou o conceito de low-cost que hoje tanto falamos, em mais de 40 anos de operações eles revolucionaram muitos aspectos não só no mercado aeronáutico.

Lição nº1-  Inovação: Fundada nos anos 70, a Southwest inicialmente servia cidades no Texas, a revolução começou por aí, como as cidades eram relativamente próximas, as pessoas que precisavam se deslocar entre elas normalmente utilizavam carros ou trens, no começo da companhia, muitos voos saiam com poucos passageiros. A empresa conseguiu convencer os passageiros a utilizar seus serviços através de tarifas bem baixas em troco de um serviço simples, foi o começo da simplificação do transporte aéreo que até então era cheio de frescuras (vamos ser francos, aviões são máquinas fantásticas, mas não passam de um meio de transporte rápido porém desconfortável). Não sou praticante da inovação nos meus negócios, mas como veremos a seguir, a Southwest inovou mas também adotou outras práticas bem peculiares.

Lição nº2 -  Copie sem medo: A empresa não se fez de rogada no começo de suas atividades ao copiar descaradamente procedimentos utilizados em outra companhia, a PSA, como oferecer tarifas baixas, manuais de treinamento de tripulação, etc. Acredito que toda receita de sucesso deve ser copiada, se possível melhorada ou diferenciada e pronto, um modelo de negócio pode ser implementado, na minha opinião a inovação é para poucos e agindo racionalmente, é besteira tentar reinventar a roda, vejam o caso da Apple, tem produtos "revolucionários" mas sem inventar nenhum!

Lição nº3 -  Não entre em guerra de preço: Certa vez uma companhia concorrente decidiu oferecer vôos em determinado trecho por 13 dólares, a Southwest cobrava 26, logo os clientes começaram a sumir, o que fizeram? Diminuir as tarifas significaria entrar em guerra de preços e possivelmente quebraria a empresa no médio prazo, ao invés disso, passaram a oferecer garrafas de bebida como brinde aos passageiros que comprassem o bilhete pelo preço cheio. Cada garrafa custava menos que o valor da diferença da passagem e rapidamente os passageiros migraram novamente para a Southwest, a medida ainda serviu como marketing.

Lição nº4 -  Saiba virar uma situação ruim a seu favor: A Southwest mudou seu slogan e uma pequena empresa aérea a processou por usar um slogan similar ao seu, ao invés de brigarem na justiça os presidentes das duas empresas decidiram disputar o controle do slogan numa competição de braço de ferro, sim, isso mesmo que você leu! O perdedor permitiria que o ganhador usasse o slogan e ainda doaria uma quantia a instituições de caridade. O presidente da Southwest perdeu, doou o dinheiro para caridade e o presidente da outra empresa permitiu que ambos usassem o slogan. Mais dinheiro foi levantado para a caridade ao vender ingressos para a bizarra competição. Inteligência! Todos ganharam publicidade e ainda ajudaram quem precisava. Outra vez, logo no começo das atividades, foram obrigados a vender um de seus aviões para quitar dívidas, com um avião a menos, precisavam decolar mais rapidamente, inventaram procedimentos mais rápidos que diminuíram o tempo de espera do avião no finger de 40 para 10 minutos, padrão que até hoje é utilizado pela maioria das empresas.

Lição nº5 -  Economize muito dinheiro com padronização: A Southwest usa somente um tipo de avião, o Fusca dos céus, o Boeing 737, são aliás a maior operadora desse avião no mundo. Foram os primeiros a padronizar frota, com isso racionalizaram o treinamento dos pilotos, mecânicos, estoque de peças, ferramentas, kits de manutenção, etc. Essa ideia é válida para tudo na vida, sempre que você consegue padronizar alguma coisa, com certeza terá um ganho financeiro. Quer um exemplo idiota porém eficaz: uso somente um tipo de meias, as brancas compradas em pacotes no Wal Mart, quando uma fura, jogo-a fora mas conservo o outro pé, quando fura outra, junto as duas remanescentes e um novo par de meias ressurge das cinzas. Imagine o mesmo efeito com peças caríssimas de aviões...

Lição nº6 -  Não exagere na manutenção preventiva: Esse tópico pode ser um pouco temerário, mas na prática dá certo. A Southwest tem fama de usar seus aviões além do limite da vida útil, já foi inclusive multada por isso, ao mesmo tempo nunca teve um acidente fatal (houveram 2 mortes envolvidas com eles, mas nenhuma fruto de acidente) em mais de 40 anos de atividade, sendo que fazem mais de 3400 voos por dia e cada um de seus 600 Boeing 737 fazem em média 6 voos diários. Acredito que embora a obsolescência programada seja algo bem real, há casos que sempre dá pra esticar o uso de determinado produto. Aprendi ainda adolescente com um velho amigo taxista que sempre dá pra atrasar a troca do óleo do carro em 20% de quilômetros, desde meu primeiro carro faço isso, além de trocar o filtro de óleo somente em trocas de óleo alternadas, nunca tive problemas de motor! O mesmo serve para outras peças como fluido de freios e de radiador, já usei um carro tirado zero por 60.000km somente trocando óleo, fazendo alinhamento, balanceamento e rodízio (para conservar os pneus). Sei que isso é errado, portanto, não tente fazer isso em casa, ok crianças?!

Lição nº7 -  Cada centavo conta muito: A Southwest não serve refeições, somente snacks e bebidas não alcoólicas como água e refrigerantes, isso é compreensível já que a maioria dos seus voos são curtos e todos são domésticos (iniciarão voos para o Caribe e América do Sul em breve). Certa vez o diretor de marketing propôs trocar os saquinhos de amendoim (até então o único snack servido) por barras de chocolate Snickers, o presidente retrucou dizendo que o chocolate custaria 0,38 a mais que o amendoim, disse o número de passageiros servidos e mandou o marketeiro fazer as contas. No fim, o Snickers não foi aceito mas cada passageiro poderia pegar 2 saquinhos de amendoim. Sinceramente não sou defensor da economia a nível de centavos, estou numa fase onde valorizo mais qualidade que preço, mas é fato que para uma companhia que briga por preço, contar os centavos é muito importante. Por outro lado, combato com todas as forças o desperdício.

Lição nº8 -  O cliente sempre tem razão... só que não!!! A Southwest não puxa saco de cliente, ao contrário das outras companhias aéreas que nos anos 80 só faltavam oferecer sexo oral a seus clientes, eles nunca deram muita bola pra reclamações de passageiros, acreditam que são como o Mc Donalds, que não possui a melhor comida, mas quem vai até lá e se propõe a pagar aquele preço baixo, sabe o tipo de hamburger que receberá em troca, portanto não tem muito direito de exigência. Concordo totalmente, o que mais vejo são clientes querendo levar vantagem em cima de empresa, basta entrar no ReclameAqui e ver o nível de reclamações, já vi caso de um cidadão reclamando por não conseguir entrar num bar que já havia encerrado o expediente, vá pra merda!

Lição nº9 -  Valorização de funcionário é uma das chaves do sucesso: A Southwest já foi eleita várias vezes como a melhor empresa aérea para se trabalhar, possuem uma das menores rotatividades do setor, seus funcionários não são sindicalizados (possuem associação própria que os defende) e muitos possuem décadas de empresa, além disso são lembrados pela simpatia, alegria e por terem certa liberdade em suas funções. É normal ver comissários dando instruções de segurança em forma de rap, outros perguntado antes do embarque se os passageiros se alimentaram (fazendo piadas deles mesmos que não servem comida a bordo), outros organizam competições de karaoke durante os voos, pilotos fazem mágicas pra entreter os passageiros dentre outras bizarrices. No 9/11 um piloto pagou com seu próprio cartão de crédito as passagens de trens de alguns de seus passageiros que estavam loucos para reencontrar suas famílias mas não tinham dinheiro. É mais importante dar ouvidos aos funcionários que aos clientes e manter um ambiente agradável de trabalho é obrigatório para a saúde de qualquer empresa.

Lição nº10 -  Agressividade faz parte do capitalismo: Muitas técnicas capitalistas podem sofrer contestações éticas, porém fazem parte do jogo. Quando seu maior mercado ainda era o Texas, a Southwest usou de técnicas de lobby político para repelir a construção de um trem de alta velocidade que ligaria as cidades por ela servidas. A ferrovia não saiu do papel. Foram os primeiros a utilizar edge nas negociações de combustíveis, pegaram tanto o jeito da coisa que começaram a especular o que rendeu alguns processos na justiça. Tenho sérios problemas com esse tipo de técnica, sou careta demais para implementar coisas que corriqueiramente meus concorrentes fazem ou outros comerciantes fazem, esse é um dos motivos que me chateiam na vida de empreendedor. De maneira alguma critico que faz esse tipo de coisa, desde que não seja ilegal, acho válido e o jogo capitalista é dos mais espertos, mas infelizmente (ou não) não nasci pra jogar.

Gosto muito de ler sobre empresas de sucesso e tentar entender o porquê que se sobressaem da concorrência e chegam ao topo, podemos tirar muitas lições para nossas vidas pessoais ou profissionais, aprender com o acerto e principalmente o erro dos outros nos faz ganhar tempo e dinheiro.

Para saber mais sobre a Southwest consulte: http://en.wikipedia.org/wiki/Southwest_Airlines  e procure um excelente documentário do Discovery sobre ela (não achei o link).

domingo, 1 de junho de 2014

Atualização - Carteira - Maio/2014

Acredito que o ano acaba de terminar! Daqui pra frente só teremos uma cachoeira de merda caindo em nossas cabeças, salvem-se quem puder! Copa do mundo está aí pra ferrar com a vida dos trabalhadores, daquelas pessoas que querem somente trabalhar e ganhar seu dinheiro, prevejo um péssimo mês para a empresa, já fiz provisões, corte de custos, diminuição de compras, enfim, ativei meu lado preper para encarar o que vem pela frente. Não estou nem falando de eleições porque tenho até medo de pensar no que irá acontecer.

Tenho pensado muito sobre a viabilidade da independência financeira no Brasil, infelizmente estou acreditando que isso é utópico demais para os simples mortais, como nós, que trabalham, aportam, buscam as melhores opções de investimentos... Infelizmente acredito que por mais direitinho que façamos a lição de casa, temos pouquíssimo controle sobre nossa vida financeira, estamos enfiados num país onde o governo funciona como Midas ao contrário, onde põe a mão, vira merda e grande parcela da população quer cada vez mais intervenção do estado... Novamente digo que não vejo perspectiva de mudança, logo meu plano de sair do país está cada vez mais presente nos meus pensamentos.

Maio foi um mês mediano na loja, previa um faturamento melhor que infelizmente não se concretizou entre outras coisas pela mudança de tempo no fim do mês (é meus amigos, até o clima influencia a vida de uma pequena empresa e tem gente que pensa que é fácil...). Por outro lado, Bia recebeu um gordo bônus da empresa por ter mudado de filial, essa grana está provisionada a parte em nossa poupança de emigração (ou seria Imigração? Migração?). Na vida pessoal o mês foi mais intenso, como sabem, mudei de apartamento e estou muito contente com essa mudança, acredito que precisamos de pequenas coisas para nos incentivar no dia-a-dia e essa mudança nos fez muito bem. Continuo sem tesão algum para estudar investimentos e acredito que esse quadro só irá piorar, está tudo no piloto automático.

Resumo da carteira em 30/05/2014:




terça-feira, 27 de maio de 2014

Os Melhores Perfis de Funcionários

Numa postagem recente, falei sobre os piores perfis de funcionários, aqueles que provavelmente serão eliminados antes mesmo de uma entrevista de emprego, hoje falarei do oposto, ou seja, os melhores funcionários para uma pequena empresa.

1- Homem na faixa de 18 a 35 anos: no extremo oposto das mulheres dessa faixa etária estão os homens, enquanto as moças de 18 a 35 anos estão na lista negra principalmente pela grande chance de engravidar, os rapazes estão entre os melhores funcionários que podemos ter numa pequena empresa e um dos motivos é justamente a gravidez. Deve ser instintivo, homens cujas parceiras estão grávidas tendem a trabalhar melhor, rendem mais e normalmente estão mais contentes, mas mesmo se esse não for o caso, homens dessa idade costumam trabalhar melhor por outros motivos. Os mais jovens normalmente possuem o grande desejo de comprar um carro ou uma moto (se bem que isso tem diminuído de uns tempos para cá) e conquistar a liberdade de ir e vir e o bônus de facilitar a lida com as mulheres. Se não querem ter o carro provavelmente são nerds e nerds possuem outras necessidades financeiras como vídeo games, figuras de heróis e eletrônicos. Os mais velhos estão pensando em casar, logo precisam de dinheiro para dar de entrada num apartamento e fazer a festa, se não são comprometidos precisam de dinheiro para gastar nos puteiros e em baladas, em todos os casos, trocar de carro frequentemente é algo natural, ou seja, homens jovens possuem muitos incentivos para trabalhar e ganhar dinheiro.

A lida profissional com homens dessa faixa etária costuma ser muito boa, o maior problema envolve justamente mulheres, como disse no outro post, misturar homens e mulheres de mesma faixa etária é pedir para ter problemas. Nesse caso prefiro excluir a mulher da relação porque como vemos, homens costumam ser melhores profissionais dentro dessa faixa etária.

2- Idosos: sou suspeito para falar porque adoro conviver com idosos, tem muita gente que não gosta e não as critico, não é exatamente fácil conviver com pessoas mais velhas cheias de vícios, costumes e métodos, mas pra mim compensa muito. O que essas pessoas tem para nos ensinar, o conhecimento de vida que oferecem de maneira gratuita são inestimáveis, claro que é preciso ter a cabeça aberta pra aprender, mas como gosto de ouvir histórias de vida, adoro conversar com idosos. Profissionalmente falando temos alguns perfis de idosos que são ótimos funcionários. O primeiro é aquele idoso que tem uma vida estabilizada mas está com o saco cheio de ficar de pijama dentro de casa e decide descolar um emprego, costumam trabalhar de ótimo humor, mas podem se desligar da empresa a qualquer momento. Outro perfil é daquele que precisa trabalhar para complementar a renda, perde-se um pouco no humor mas ganha-se no rendimento e na permanência na empresa, afinal, precisam de dinheiro.

No geral, idosos são pontuais, metódicos e se relacionam bem com clientes, dificilmente faltam, por incrível que pareça não costumam meter atestado e são comprometidos com a empresa. A maioria só rende legal quando trabalham pela manhã já que é uma coisa natural a eles dormir cedo e acordar cedo, é preciso observar as condições de trabalho que devem favorecer o desempenho de suas funções. Nos EUA é comum ver velhinhos de mais de 80 anos trabalhando como repositores em cima de escadas nos supermercados, isso é visto com naturalidade pelos americanos, aqui no Brasil se você colocar um idoso em cima de uma escada é capaz de chamarem a polícia, portanto é preciso ter cautela com isso, mesmo que o funcionário não tenha problemas com funções mais braçais. O maior problema que tenho com idosos é relacionado a tecnologia, um idoso demora muito pra aprender usar sistemas de gerenciamento e lidar com equipamento tecnológico, mas quando a pessoa quer aprender, ela consegue.

3- Deficientes físicos: infelizmente não tenho condições de empregar deficientes físicos, o tipo da minha empresa não comporta, porém tenho um colega cujo quadro de funcionários é formado em sua maioria por deficientes, já deu até entrevista sobre isso. Segundo ele por existir grande preconceito com deficientes, eles costumam se dedicar mais ao aprendizado de uma profissão e se grudam mais quando conseguem um emprego por saber que não é fácil arrumar outro. Alguns cuidados são necessários como adaptação de estações de trabalho, banheiros e acesso, mas com certeza o investimento acaba valendo a pena por diminuir a rotatividade e retenção de funcionários mais capacitados e dedicados. Além disso existem maneiras de abater impostos por esse tipo de contratação, acho que é um jogo de ganha-ganha pra todo mundo.

 4- Homossexuais, negros e "outras minorias": como disse no outro post, ainda existe sim muito preconceito com alguns perfis de funcionários, discordo da maioria deles mas alguns até consigo entender. Particularmente não tenho problema algum em contratar pessoas "diferentes" porque sinceramente não acredito que existam diferenças e que preconceito é algo que muitas vezes parte justamente da parte que se sente rejeitada. Já tive funcionário homossexual e não entendo como a vida privada dele poderia interferir no trabalho, ele se desligou da empresa mas até hoje somos amigos. Aqui nesses grupos normalmente não vemos diferença de comportamento profissional, mas quando isso acontece costuma ser de maneira positiva. 

O que eu faço: depois de anos contratando e demitindo, comecei a perceber que como tudo na vida, devemos pensar fora da caixa e que geralmente fazer as coisas de maneira diferente que a maioria costuma ser um bom negócio. Fui um dos primeiros do meu ramo a contratar idosos, hoje colegas fazem o mesmo. Tenho uma "fauna" bem diversificada de funcionários, tem dado certo, a rotatividade é bem baixa o que ajuda em tudo, principalmente nos custos e na confiança que você ganha em determinada pessoa.

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