sexta-feira, 24 de abril de 2015

Justificando o Sumiço

Pessoal, peço desculpas pela sumida que dei essa semana, publiquei uma postagem e nem consegui responder os comentários. Peço desculpas de verdade as pessoas que comentaram, gosto de interagir com quem se da ao trabalho de comentar no meu blog e fico chateado por não ter feito isso. Sorry again!

O motivo disso é que estou muito atolado com trabalho nas lojas e também uma parada nova que estou me metendo (detalhes no futuro). Felizmente é tudo coisa boa! Nada como um país em crise e mergulhado no pessimismo, as oportunidades de bons negócios estão borbulhando no mercado. Agora é a hora de ganhar dinheiro! Recomendo a todos que se desliguem dos noticiários, das cagadas do governo, coloquem a faca nos dentes, sejam agressivos e vão pra cima. O dinheiro e as oportunidades estão aí pra quem agarra-los primeiro.

Bom final de semana!

segunda-feira, 20 de abril de 2015

Como a Dieta de Informação Salvou Minha Vida

Durante muito tempo fui uma pessoa preocupada com o que acontece ao meu redor, aprendi com meu pai o hábito de assistir o Jornal Nacional diariamente e ler a Folha de São Paulo aos domingos. Já no começo da minha vida adulta, eu assistia o noticiário e lia o jornal de maneira passiva, quase sem entender o que estava sendo discutido, na minha cabeça eu entenderia tudo aquilo conforme a idade fosse chegando, eu achava que eu era muito novo, portanto não tinha bagagem de vida pra entender o que significava a guerra do Kosovo, o que Bin Laden realmente queria. Então o jeito era assimilar tudo aquilo e esperar que o entendimento viria com o tempo. Nada feito!

Somente a algum tempo atrás, talvez uns 2 ou 3 anos, me dei conta que eu jamais entenderia a página de economia e de política do jornal simplesmente porque aquilo é complicado demais pra uma pessoa leiga entender. Toda aquela informação depende de um conhecimento prévio sobre o assunto que nunca tive e nunca terei. E por que não terei? Porque são informações complicadíssimas, de um nível que somente especialistas realmente saberão do que se trata. A não ser que eu faça uma faculdade de política ou coisa assim, jamais entenderei as linhas da página de política do jornal. O que eu decidi fazer? Simplesmente ignorar tudo aquilo, me dei conta que aquela torrente de informações é irrelevante pra minha vida. Na prática a maioria esmagadora das pessoas que lê jornal ou assiste os noticiários não faz a menor ideia do que toda aquela informação se trata. Aí começa o que costumo chamar de "conhecimento picado", o cara entende uma frase aqui, outra ali e acha que manja do assunto. Sai vomitando suas "verdades" por aí, contaminando a sociedade com mentiras e trazendo ainda mais problemas sociais. Eu não quero ser estúpido assim!

Me diga uma coisa: Por que caralhos eu preciso saber do que se trata o ISIS? Por que caralhos eu preciso entender como é composto o preço do dolar? Até porque nesse caso o que acontece é o que chamo de "teoria do ovo". Pode ver: médicos, nutricionistas e demais profissionais da saúde nunca entraram num consenso a respeito do ovo. Ovo faz bem? Pode ser que sim. Ovo faz mal? Claro que faz! Ninguém se entende! A mesma coisa acontece com o dólar. Dólar vai cair? Sim porque o carro amarelo que dobrou a esquina do palhaço anão parou no muro. Dólar vai subir? Provavelmente porque o computador azul quebrou a vaca na internet sim. C'mon man, tentar descobrir essas coisas é perda de tempo! Porra, eu que tenho planos de imigração não dou a mínima pra isso porque caralhos você que nem tem uma viagem pro exterior programada vai esquentar com o preço do dólar? Faça preço médio e pronto! É o que faço, compro todo mês independente da cotação.

Agora vem a parte mais ignorável do noticiário: a violência. Fato: o Brasil é um país de merda, super violento, trocentos crimes acontecem todos os dias, todo mundo conhece alguém que já foi assaltado, devemos todos os dias e momentos nos resguardar de maneira a evitar a violência que nos cerca. Ponto final! Isso é tudo o que você precisa saber sobre a violência. Acompanhar o programa do Datena de maneira alguma te fará mais seguro nem diminuirá o número de crimes. Então pelamordedeus por que você vai assistir essa bagaça? Não faz sentido! Você só vai ficar mais triste com a merda de lugar que vivemos e pior, poderá se dessensibilizar a respeito da violência, achar que tiroteios são normais, por exemplo. Faço um desafio pra você: duvido que você encontre no meu blog um relato sobre violência. Tipo um caso de assalto ou coisa assim que eu tenha contado nos mínimos detalhes. Você não vai achar! Eu jamais espalho histórias de violência e acho que você deveria fazer o mesmo. Soube de algum caso bizarro de violência? Faça-o morrer na sua cabeça, não passe a diante. Faça isso pela sua saúde e pela sociedade. Infelizmente já passei por casos de violência, menos que a média das pessoas que conheço e acho que não espalhar nem comentar histórias de violência me protege. Superstição? Com certeza! Proteção divina? Pode ser... O fato é que tem dado certo, então continuarei assim. Aliás, foi um caso de violência próximo que me fez despertar pra sair da corrida dos ratos, abandonar as dívidas, cuidar da saúde e ser uma pessoa melhor. No fundo eu deveria até agradecer por isso.

Facebook! Ah, o Facebook... Essa rede social fantástica que está 24h por dia conosco, em nossos smartphones... Ela sabe tudo o que acontece conosco, onde vamos, o que pensamos e se já não bastasse tudo isso, ela é a maior disseminadora de informações erradas ou irrelevantes da atualidade. O Face tem ferramentas bacanas, como os grupos, onde pode haver troca de informação de maneira bem interessante, mas tirando isso o resto é totalmente irrelevante. Ah, o Face conecta amigos. Fala a verdade, da lista de amigos do Face quantos realmente são seus amigos? Quantos você ama? Garanto que poucos e que esses poucos estão em contato de outra maneira com vocês além do Face. Espalhar informações de onde você vai, onde você frequenta e como você gasta dinheiro não me parece uma ideia muito inteligente. Agora o troféu "merda do Face" é sem dúvida as postagens sobre política. Direita e esquerda travando uma guerra virtual inacreditavelmente sangrenta! Post com foto do Bolsonaro, do Willys, dos Castros, do Lula atrás das grades. Por favor me explique: pra que isso tudo? Onde irá chegar? O que melhorará com essas postagens? Porra nenhuma mermão! Cometi facebookicídio a aproximadamente 2 anos, não sinto falta. Ainda tenho algum contato com essa rede social porque uso o Face da Bia pra trocar ideias nas comunidades de meu interesse, mas é só! Ah, que saudades do Orkut, onde você só via o que queria ver e as comunidades eram ótimas....

Futebol... Nem se fala, aliás nem vou falar muito disso porque odeio futebol e tudo relacionado a ele. Não gosto de esportes no geral, acho muita perda de tempo, mas futebol supera tudo! Futebol é um câncer cerebral no Brasil, nêgo sabe dados, escalações, história dos times... Vai pra merda, quanta perda de tempo, quanto espaço no HD cerebral ocupado com informação idiota e que ainda por cima dissemina ódio e violência!

Sou uma pessoa encanada com as coisas, fico muito preocupado com problemas, foco muito em coisas ruins de vez em quando. Tenho tendências depressivas, tenho fases extremamente preguiçosas e pessimistas. Se numa fase dessas eu começar a entupir minha cabeça com informações inúteis, histórias de crimes e briguinha direita x esquerda, é perigoso eu me afundar numa maré de merda e nunca mais sair dela sozinho. Portanto eu pratico a dieta de informação diariamente. Abandonei os noticiários, jornais e portais da internet. Uso Outlook só pra não precisar entrar nos portais. Sai de grupos de putaria do Whatsapp. Não participo de conversas cujo tema seja infrutífero. Prefiro ficar de bobeira, com a boca cheia de dentes esperando a morte chegar que assistir TV aberta e seus programas de merda. Mesmo o conhecimento que eu julgava ter sobre diversos temas hoje em dia eu me considero um analfabeto. Quando comecei o blog, me achava fodão por saber meia dúzia de coisas sobre a bolsa, achava que a sofisticação do assunto viria com o tempo. Engano meu! Eu simplesmente não sei porra nenhuma sobre renda variável e pior, não tenho vontade de aprender. Vejo os posts de gente grande aqui da blogosfera e me sinto um bosta por não entender bulhufas, mas ao mesmo tempo sei que estou no caminho certo porque estou fazendo aquilo que domino, que é o empreendedorismo. Cada um no seu quadrado!

Abaixo um trecho do livro "A dieta da informação" (que não li). Acho muito válido pra refletir...
“A Internet é o maior criador individual de ignorância já inventado pela humanidade, assim como o maior eliminador individual dessa mesma ignorância. É nossa habilidade de filtrar que elimina o primeiro e fortalece o último.” 

quinta-feira, 16 de abril de 2015

"Cerque-se de pessoas melhores do que você" por Guilherme do Valores Reais

Sabe aquilo que eu sempre repito sobre estar cercado de pessoas melhores que você? Que é melhor ser o cretino no meio das pessoas inteligentes que o contrário? Que morar num bairro melhor pode te fazer uma pessoa melhor? Que buscar experiências dos "ricos" pode muito bem te deixar mais rico? Então, é sobre isso que o Guilherme do Valores Reais fala nesse post. O cara matou a pau, descreveu exatamente o que penso sobre o assunto. Muita atenção na parte que ele fala sobre os pessimistas de plantão, aquelas pessoas que só reclamam da vida e colocam a culpa de seus fracassos nos outros.

O contrário também é verdade, quando você se junta com pessoas de objetivos de vida diferentes do seu, acaba por desviar atenção dos seus objetivos. É o que eu disse aqui sobre os amigos socialistas.

Só gostaria de agregar uma coisa: acredito que a "inveja branca", ou seja, aquela vontade de ser como outra pessoa, mas sem maldade, é importantíssima para seu sucesso. Veja meu exemplo aqui. Pra resumir Bia e eu éramos uns jecas antes de começarmos a frequentar baladas legais de SP, após um choque de realidade, sentimos inveja branca daquelas pessoas com físico em dia e bem vestidas, nos mexemos buscando alcançar aquele objetivo. Além de emagrecermos, ganharmos definição muscular, nos vestimos melhor, acabamos conhecendo pessoas interessantes cujas ideias vem nos ajudando a construir uma vida melhor. Adoro ouvir histórias de superação, de gente que saiu da merda e obteve sucesso... Isso me incentiva, me faz bem.

Vejam o artigo do Guilherme aqui: http://www.valoresreais.com/2015/04/06/cerque-se-de-pessoas-melhores-do-que-voce/

domingo, 12 de abril de 2015

Onde é melhor empreender? Periferia ou bairro nobre?

Primeiramente gostaria de deixar claro que sim, eu tenho uma forte tendência de não gostar de coisas relacionadas a favelas, "comunidades" e "coisas de pobre". Podem me chamar de esnobe, de metido do raio que o parta... Sou assim e pronto! Não vejo o menor glamour em ser humilde, passar fome, etc. Então esse post é sim parcial, é uma opinião, e como toda opinião não existe certo ou errado.

Durante minha adolescência trabalhei para um senhor português dono de uma pequena rede de lojas, costumo dizer que ele foi meu "pai rico", com ele aprendi muito do que sei hoje sobre empreendedorismo e principalmente sobre a vida. Ele tinha lojas espalhadas por todos os cantos da cidade, desde bairros nobres até quebradas, dentro da favela mesmo. Durante algum tempo fui seu "pau pra toda obra", era sempre eu que cobria todo e qualquer buraco em sua equipe de funcionários. Um cara da loja dos Jardins faltou? Manda o Corey! O gerente da loja de Parelheiros está doente? Manda o Corey! Sou muito grato a essa época porque além de aprender todas as nuances do trabalho, conheci lugares e pessoas muito diferentes. Nessa época rodei a cidade, lidei com todo tipo de cliente e passei por todo tipo de situação que você imaginar, com isso adquiri uma experiência precoce que me ajudou a trilhar meu próprio caminho no empreendedorismo.

Empresa na favela? Não obrigado, não é pra mim, mas
pode ser pra você...
O Portuga sempre me disse que suas lojas começaram no que hoje são os bairros nobres, mas que a 40 anos atrás eram apenas bairros em crescimento, "vila-sem-reboque" como ele se referia. No começo eram bairros simples, veja que ele foi pra Moema quando ainda se chamava Indianópolis, as ruas eram de terra e DC-3 eram comuns em Congonhas. Com o tempo a população evoluiu e as lojas também. Conforme os negócios iam crescendo ele ia expandindo as lojas para bairros também em crescimento, assim sucessivamente... Portuga sempre disse que o melhor lugar pra ganhar dinheiro é em bairro pobre, de operários, em crescimento... Ele ainda é da época do fiado, pessoas tinham fichas nos comércios, compravam a crédito e acertavam a conta religiosamente no dia do pagamento.

Tempo desses fui visitar meu ex-patrão, ainda firme e forte trabalhando em uma de suas lojas nos bairros "nobres", papo vai, papo vem ele me confessa que fechou 3 lojas na zola leste por causa da bandidagem; Segundo ele "Corey, antigamente bairro pobre era bairro de gente direita, a gente tinha problema com bate-carteira, molecada torta que roubava uns trocados usando caco de vidro como arma mas era coisa insignificante. Hoje eu tenho que pagar 200 merréis por semana pra bandido não me assaltar na maioria das lojas da periferia, se não pago pra bandido tenho que pagar pra milícia de policial... tá certo esse negócio não, eticamente tá tudo errado... e outra, o pessoal da periferia compra no concorrente por causa de 10 centavos, eles não estão errados, mas isso atrapalha muito os negócios, diminui a margem de lucro e isso não quer dizer que o volume de vendas aumenta... tenho que lidar com uma molecada que só quer bagunça, crime todo dia na frente das lojas... barulho, música alta... as lojas são as menos rentáveis mesmo tendo o custo menor, aluguel barato... por isso estou fechando ou vendendo essas lojas, quero focar nessas das regiões melhores... meus filhos não tem paciência pra cruzar a cidade, ficar horas no carro pra administrar as lojas mais distantes..."

Concordo com o Portuga! Na época que trabalhava pra ele e tinha que ir nas lojas afastadas aprendi que é totalmente diferente trabalhar no Capão Redondo que no Campo Belo. Na periferia o giro de pessoas é muito maior, é normal ver as lojas lotadas, mas no fim das contas boa parte dessas pessoas estão apenas pesquisando preço e quando compram o ticket médio e rentabilidade são bem menores quando comparado com a região mais rica. Na periferia você monta uma loja com investimento bem menor, tem custo operacional menor porque os aluguéis são baixos e os funcionários normalmente não precisam de condução; mas por outro lado ganha menos também. Claro que não dá pra generalizar, cada ramo é um ramo, mas no fim das contas a relação custo X rentabilidade líquida acaba empatando. Na periferia você tende a ter uma venda bruta maior, mas com rentabilidade menor. Isso quer dizer que você atende mais gente, lida com mais dinheiro pra no fim das contas
Por outro lado, trabalhar na Oscar Freire não deve ser
uma coisa lá muito legal...
ganhar o mesmo que no bairro rico.

Como o Portuga disse, o grande problema de ter um negócio na periferia nos dias de hoje é a bandidagem. Coisas como pagar propina pra traficante em troca de não ter a loja assaltada 3 vezes por semana é realidade pra 99% dos comerciantes. Outra coisa muito comum é você ter que financiar família de bandido quando este está preso ou fugindo: você paga comida, água, luz, remédios pra esposa/filhos do manda chuva da quebrada. Os capangas costumam passar recolhendo "contribuições" pra sustentar a fulaninha... Experimente não pagar... Outra coisa comum são problemas com funcionários que quase sempre são da própria quebrada, contaminados com a putaria generalizada... Enfim, na minha opinião mesmo se for pra ganhar mais dinheiro, o conflito ético/moral de ter um negócio na quebrada não me deixa ter uma loja nesses lugares.

Veja o exemplo das minhas lojas. Elas estão localizadas em bairros classe média, nada sofisticados mas também não são favelizados, estão em bairros antigos mas em crescimento populacional devido aumento do número de prédios. Grande parte da minha clientela da loja antiga, por exemplo, é fiel, mesmo eu não tendo o melhor preço do pedaço. Eles valorizam o atendimento, qualidade do ambiente de atendimento mais que o preço baixo. Meu preço é competitivo, mas não o melhor da vila. Por outro lado tenho um concorrente porra-louca, cujo lema é vender barato. A loja dele está sempre cheia, mas o público é diferente, percebo que são os novos moradores do bairro. Cada um ganha de uma maneira diferente e há cliente pra ambos.

Agora veja minha loja nova. Estava totalmente ultrapassada e quebrada, após uma reforma hard-core ela ficou bonita, moderna e agradável. As vendas decolaram. Gastei dinheiro, mas esse investimento pode ser recuperado facilmente na hora de vender a loja. Coisa que não costuma acontecer na periferia. Lojas de periferia são difíceis de vender porque possuem baixo valor agregado e normalmente são distantes de onde os empreendedores moram. Tenho um colega que acaba de comprar sua terceira loja, num bairro, como diria um amigo, chiquetésimo. Pagou caro, reformou e está indo bem, bom faturamento... Já tem gente de olho em comprar a loja! Ele estima que conseguirá ganhar ao menos 50k somente em cima da reforma.

Cada um deve achar o que é melhor pra sua realidade. Eu por exemplo, quero lojas vendáveis, não ficarei pro resto da vida com a mesma loja, quero que ela seja lucrativa enquanto eu estiver com ela, mas quero conseguir vende-la rapidamente e com lucro quando chegar a hora. Não suporto lidar com gente xucra, bandidagem e pessoas mal educadas e barraqueiras, logo não posso nem considerar a hipótese de ter uma loja na quebrada, mas também não tenho saco pra aguentar nêgo metido a besta como existem nos bairros ultra tops de São Paulo. Por outro lado uma pessoa com pouco capital, muita vontade de dar certo e que não ligue pra essas questões morais pode dar muito certo na periferia, onde tudo é mais barato e mais fácil de girar. Cada um no seu quadrado.

domingo, 5 de abril de 2015

Até Quando a Frugalidade Vale a Pena?

O começo da minha educação financeira foi através dos livros do Cerbasi, de lá foi um pulo pra achar mais material na internet e dentro esse material a tecla da frugalidade é batida até a exaustão. Eu mesmo me considero uma pessoa frugal, mas estou sempre me perguntando: qual o limite pra frugalidade? Até quando ela vale a pena?

Ele é definitivamente o cara! Mas definitivamente
não quero a vida dele!
Vejam o exemplo do Mr Money Mustache, o cara se aposentou com 30 anos, hoje está com 39, mais rico do que nunca. Toda sua vida foi baseada na frugalidade, por viver como um universitário (dividindo casas, andando de bicicleta, cozinhando macarrão com atum) mesmo tendo um emprego de engenheiro, o resumo é que ele conseguiu levantar um patrimônio incrível em pouco tempo. Admiro pracaraleo esse cara, porém, a vida dele não é pra mim. Jamais deixaria de tomar banho ou lavar roupas pra salvar alguns trocados. Não moro (ainda) nos EUA onde é possível comprar uma casa top com pouco dinheiro, onde existe segurança e as casas não tem muros mesmo nos bairros mais pobres, onde as ruas são bike friendly (se você acha que as famigeradas ciclofaixas do Haddad são bike friendly, meu amigo, você não deve saber nem quantas rodas uma bicicleta tem, sem contar o relevo de São Paulo que também não ajuda), onde o sistema tributário embora complexo é justo, onde tudo é extremamente mais barato e com melhor qualidade que aqui, onde os serviços públicos funcionam... Enfim, eu não moro no Colorado, eu moro em São Paulo, uma cidade fantástica porém repleta de problemas que custam dinheiro, muito dinheiro pra serem resolvidos.

Desigualdade? Sim! Mas nem por isso eu quero
morar do lado esquerdo...
Eu poderia morar no meu apartamento, quitado, de tamanho suficiente e totalmente funcional a um custo baixíssimo (impostos e condomínio), mas ele está localizado na periferia, longe das minhas empresas e principalmente num lugar com a população digamos (pra ser politicamente correto, eca), pouco amigável. Desculpe, não consigo morar perto de gente barraqueira, barulhenta, criminosa, sem noção entre outros adjetivos. Se você consegue tolerar isso em prol de economizar uma grana, ótimo! Fico muito feliz por você, eu gostaria de ter tal qualidade, mas não tenho. Cresci numa região que foi apodrecendo aos poucos, quando eu era criança o lugar era pobre porém amigável, vizinhança simples porém gente boa. Hoje nem meu pai quer passar perto de lá, ano passado ele se mudou após mais de 30 anos, não aguentou a bagunça. Então, pra fugir disso e tentar ter uma vida mais segura e calma, pago aluguel caro num micro-apê localizado num bairro mais nobre, moro num típico apartamento de executivo classe média-alta de São Paulo, com decoração clean porém moderna, futilidades, frescuras, porém seguro e confortável. Aqui não tem gritaria de morador, nunca vi um carro de polícia nas áreas internas nem pinos de cocaína e cachimbo de crack. Frugalidade fail em prol do meu conforto e paz de espírito.

Carro, o eterno sugador de recursos. Um passivão de metal. Como eu gostaria de não precisar ter carro (até falei sobre isso no começo do blog), mas infelizmente ele é um mal necessário. Tenho na minha cabeça que carro deve ser seguro, confortável de maneira a minimizar os problemas do trânsito diário e principalmente robusto econômico. Sou defensor do carro zero, acho que a melhor opção é comprar um carro bom zero, dentro das suas necessidades e casar com ele durante ao menos 10 anos. Porém eu mesmo não faço isso porque tenho uma outra regra em relação a carro: não pago mais de 45k num carro (era 30k, mas tive que subir). Como não abro mão de itens de segurança e conforto como air bag, abs, ar condicionado e câmbio automático; sou obrigado a comprar carros usados. Mais uma vez a frugalidade vai pro ralo, não dá pra andar de QQ!!! Não acho possível ter uma vida decente dentro de um carro sem ar condicionado e direção hidráulica em pleno janeiro as 15h na Paulista. Também não acho legal pegar uma estrada com um carro sem ABS e Air Bag. Frugalidade fail again!

Produtos de qualidade. Entre dois produtos de marcas, preços e qualidades diferentes eu sempre tenho a tendência de comprar o mais caro desde que a qualidade compense. Um exemplo tosco: café. Só compro café Pilão porque embora mais caro que a maioria, tem qualidade melhor. Por outro lado minha frugalidade não me deixa comprar cafés gourmet que na prática não possuem uma qualidade superior que justifique o preço. O mesmo pra vinhos, gosto dos sul-americanos de entrada, os chilenos na faixa de 20 conto costumam ser ótimos. Não pago mais de 25 numa garrafa de vinho, mas também não deixo de tomar vinho pra economizar. Não deixo de tomar meu bourbom, cerveja pouco mais cara como Heineken e Stela Artois, fumar um charuto bom (não compro mais cubanos, só nacionais ou de outros países do caribe, boicote a tudo da ilha do Fidel!!!). Compro carnes de primeira, as de segunda são boas, mas costumam render menos, então acho que não compensa. O mesmo pra frutas e legumes, prefiro lugares mais limpos e com produtos melhores, mesmo que isso signifique pagar mais caro. Gasolina só em posto conhecido (nesse caso economizo porque abasteço nos postos de supermercados). O que quero dizer nesse parágrafo é que não sou frugal a ponto de deixar de consumir produtos que gosto em prol de economizar dinheiro, também não diminuo a qualidade pra salvar alguns trocados.

Não fico miguelando gasolina, se está calor ligo o ar, dane-se que o carro vai consumir mais (carros com motores acima de 1.8 nem sentem essa diferença), o mesmo em casa, o ar ficou ligado janeiro inteiro, a conta de luz foi 200 pilas. Dane-se, paguei com gosto, cada real me deixou menos suado e mais confortável, fez minhas transas com a esposa mais intensas, rsrs! Vou nos restaurantes que gosto, independente do preço, porém não consigo entender como alguém possa gastar mais de 150, 180 conto numa refeição pra casal. Não acho que exista o que justifique esse preço, não acredito que exista comida tão especial e gostosa que possa ser tão cara. Também não como fora todo dia, levo marmita pra loja, nada a ver com economia e sim com a qualidade do alimento. Já fui no Fogo de Chão, é excelente, mas troco sem o menor problema por outra churrascaria perto de uma das lojas que é menos da metade do preço. Quando viajo como sempre a mesma coisa, por exemplo frango grelhado ou seu equivalente regional (todo mundo come frango), como nos fast foods da vida sem o menor pudor, não tenho o menor interesse em conhecer a cozinha regional, isso não me atrai! Economizo comendo fast food? Sim, mas não faço isso pela economia, faço porque coloco segurança de comer o que conheço na frente de "descobrir novos sabores", sou chato pra caramba pra comer, não gosto de um monte de coisas, logo prefiro não arriscar. Mais uma vez: não é o dinheiro, é a qualidade do produto e a qualidade de vida que ele proporciona, a frugalidade deve ser natural, não forçada.

May I have a number 1, no onions, no pickles, a regular Pepper
and an apple pie... Yes, large, please. To go. Get the change!
Vejam o Buffett, muitos aqui já leram sua biografia (eu inclusive, e recomendo) e sabem que ele é um cara extremamente frugal. Sua comida preferida é hamburger com Pepsi, usa ternos comprados na JC Penney e troca seu Cadillac a cada 10 anos (lembre-se que um Cadillac nos EUA custa 30 salários mínimos, algo como um QQ aqui no Brasil), detesta reuniões cheias de formalidades, etc. Porém ele não é nem um pouco frugal no que diz respeito a amizades, seus amigos são presidentes de empresas, Bill Gates é seu parceiro de filantropia, ele conversa com caras muito fodas todos os dias. A frugalidade do Buffett é na minha opinião a frugalidade certa: ele não come Mc Donalds pra economizar, ele come porque gosta, ou seja, é algo natural, não é porque ele é podre de rico que será obrigado a comer somente caviar. Não sou rico, mas tenho condições de pagar por uma moradia num lugar agradável, então por que não fazer isso? Por outro lado detesto juntar tralha em casa, eu poderia ter um monte de tranqueiras que a maioria das pessoas da minha idade e condições financeiras tem: adega climatizada, maquininhas de cozinha diversas, TV 50", mas não tenho! Não tenho nada disso porque não são importantes pra mim. Prefiro ter uma TV 14" de tubo e morar no 25º andar de um prédio numa região nobre que ter uma super-mega-ultra-foda TV 3D super full HD e morar no meu apê lá na quebrada...

Tenho um cliente que também é comerciante. É um cara simplão de tudo, migrante, chegou em São Paulo fudido e fez um pequeno império, mora numa casinha simples com a esposa (os filhos já casaram), usa roupas também simples, celular de flip de 5 anos atrás, barba por fazer... É aquele cara que se você vê na rua não dá nada, jamais vai imaginar que é dono de mais de 10 imóveis de aluguel. Não é mão de vaca, está sempre viajando dentro do país, ajuda a molecada da vila patrocinando o time de futebol, formou todos os filhos "dotô", mas é uma pessoa simples. Agora uma coisa que ele não é nada simples é com carro: troca de carro a cada 6 meses, sempre está com o lançamento mais quente do mercado. Aí você vai dizer: ahh, ele torra dinheiro trocando de carro a cada 6 meses, perde uma fortuna todo ano só com esse capricho... Verdade! Porém é o que ele gosta, ele perde dinheiro com carro, mas deixa de perder com outras: seus filhos estão todos estabilizados (não sustenta ninguém), sua casa é pequena e simples, não torra grana no shopping comprando roupas, jóias pra "véia" e gadgets... A frugalidade dele é algo natural!

Sei que muitos leitores do blog são adeptos da frugalidade extrema. Sinceramente, eu não os critico, não acho que estão errados, muito pelo contrário. Se isso é sustentável na realidade de vida deles, ótimo, que assim seja, mas esse modelo não serve pra todos, assim como modelos em geral não servem pra todos, cada um deve achar seu caminho. Eu realmente acredito que abrir mão da frugalidade em certas coisas me ajudou a ganhar mais dinheiro. Acredito 100% que somos aquilo que nos rodeia, sempre que dou um passo em direção a algo melhor (que custará dinheiro) como uma moradia melhor, um carro melhor, morar num bairro melhor, isso me abre a cabeça e as vezes me dá oportunidade de crescimento, de conhecer outras pessoas, novas ideias, novos negócios... Vejam essa minha postagem: http://coreyinvestidor.blogspot.com.br/2014/04/um-tranco-pra-sair-da-zona-de-conforto.html, nela explico como frequentar lugares caros, com pessoas sofisticadas mudaram minha vida pra melhor.

 E você, o que pensa a respeito da frugalidade? É adepto da frugalidade extrema? Já mudou de opinião sobre esse tema?

quarta-feira, 1 de abril de 2015

Resumo - Março/2015

Olha, se eu fosse me basear pelo noticiário estaria me suicidando, mas como me baseio por fatos reais, estou extremamente feliz economicamente falando. Março foi um dos melhores meses de todos os tempos nas minhas lojas. Muito trabalho, muitos clientes, crescimento de vendas e da margem de lucro. Estou muito contente por ver minhas lojas andando de vento em popa. Por outro lado continuo tendo problemas com funcionários, o mais complicado foi o afastamento do meu gerente por um motivo totalmente alheio a nossa vontade, se tudo correr bem, esse mês ele estará de volta. Estou pensando numa expansão da loja antiga, parece estar surgindo uma oportunidade de aumento da área de atendimento e estou considerando a hipótese. Também continuo de olho em outras lojas a venda, inclusive visitei 3 durante o mês, mas nenhuma delas estavam dentro dos meus objetivos, uma delas era um excelente negócio pra quem está começando, passei a bola pra um amigo e ainda ganhei uma comissão de 2k, rsrs!

Na vida pessoal as coisas começaram muito bem mas após os problemas na empresa a coisa desandou. Parei com academia (novamente!), diminui o ritmo do inglês, dormi muito mal várias noites (tenho problemas pra desligar a cabeça na hora de dormir) e isso acabou refletindo no meu humor, me deixou pra baixo e um pouco deprimido. Por outro lado o fechamento mensal das lojas me devolveu empolgação, agora estou muito melhor, cansado pra kct, mas com a cabeça legal. É aquela coisa, eu ainda preciso trabalhar meu emocional em relação a problemas inesperados, preciso focar mais na solução e menos no problema em si. As vezes fico pensando: "ah, se isso não tivesse acontecido, tudo poderia ser melhor", "se a situação fosse diferente, bla bla bla", mas no fim das contas não adianta nada ficar assim, o que eu preciso mesmo é focar na resolução do problema e usar aquela frase que eu mesmo sempre repito: "se um problema pode ser resolvido com dinheiro é porque ele não é um problema". Por sorte grande parte das zicas que estão acontecendo podem ser resolvidas com dinheiro!

Tenho um longo caminho a seguir e muito a aprender pra conseguir automatizar de verdade minhas lojas, se é que isso é possível... Esse mês percebi que eu tinha uma falsa sensação de que as coisas andavam bem sem mim, mas isso não é bem assim. Não adianta ter pressa, por mais que eu queira as coisas pra ontem (mal da minha geração), tenho que esperar e entender que muita coisa só vem com o tempo e experiência. Não dá pra acertar tudo de primeira, muito pelo contrário, é necessário errar bastante antes de conseguir fazer as coisas da maneira que queremos. Também não adianta querer resolver várias coisas ao mesmo tempo, multifunção não existe, tenho que fazer uma coisa de cada vez pra conseguir fazer direito. As vezes me pego pensando no quanto aprendi nos últimos 3 anos (tempo de existência do blog) e o quanto minha cabeça mudou. Ainda tenho muito, mas muito mesmo o que aprender e mudar.

Estou pouco me fudendo pro que está acontecendo no país, estou fazendo dieta de informação e isso está me fazendo muitíssimo bem! Quero que meus negócios prosperem e pronto, o resto que se dane! Prenderam alguém da Lava Jato? Ok! Não prenderam? Ok! Minha rua está esburacada? Ok! Asfaltaram? Ok! Vem dando certo, pelo menos esse mês não fiquei me preocupando com as notícias da economia...

Os temas que pretendo abordar durante o mês de abril são:

  • A frugalidade é uma aliada ou uma ameaça a qualidade de vida?
  • Onde é melhor empreender? Periferia ou bairro nobre?
  • Dieta de informação como aliado da saúde mental
  • Por que devemos evitar coisas definitivas?

quinta-feira, 26 de março de 2015

Empresas Nanicas X Grandes; Escala; Matemática para Empresários

Não, as coisas não se acertaram, como disse na última postagem, estou passando por uma fase turbulenta nas lojas graças principalmente a falta de mão de obra qualificada, sem contar é claro com a precariedade da nossa infra estrutura que está me deixando louco: é atraso de entrega de mercadoria, é buraco que estoura roda do carro, é falta de eletricidade e internet, trânsito cada dia mais insano... Mesmo assim decidi dedicar um tempo ao blog (mentira, estou com insônia, então decidi escrever um pouco) e tentar completar minhas promessas de postagens do mês.

Hoje vou falar sobre empreendedorismo, mais precisamente sobre uma coisa que ouço e leio pouco por aí que é como a escala de um negócio pode afetar de maneira positiva ou negativa o desempenho de uma empresa. Nem sempre aquela empresa linda, luxuosa, com acabamento de primeira dentro de um shopping center é lucrativa e tem um dono rico; da mesma maneira que aquele boteco sujão da periferia que vende Itaipava, 51 e tem uma mesa de sinuca carcomida na entrada é sinônimo de dono pobre. Vejam os exemplos a seguir.


O dono desse boteco aí deve ser um quebrado,
andar de 147... Será?
Maria é cabeleireira a 10 anos, após trabalhar durante anos em salões de bairros nobres de São Paulo como Higienópolis, Moema e Jardins percebeu que muitas clientes simplesmente não conseguiam chegar ao salão simplesmente porque o trânsito não deixava, outras evitavam sair de casa por medo da violência e também visitavam cada vez menos o salão. Então Maria decidiu juntar uns trocados, comprou equipamentos profissionais, cosméticos de qualidade, colocou tudo no porta-malas do seu Ford Ka 1999 e atende clientes a domicílio. Investimento: R$ 3.000,00; faturamento bruto mensal R$ 8.000,00, lucro líquido R$ 6.000,00. Dois anos depois Maria e sua família mudaram para um apartamento melhor e o Ka 99 foi trocado por uma Meriva 2007, seu filho estuda em colégio particular e eles estão planejando a primeira viagem internacional da família.

Nossa, que loja linda, é a cara da riqueza, o dono
deve estar nadando na grana... Claro... Claro...
Jorge é metalúrgico, após um programa de demissão voluntária se desligou da montadora onde trabalhou durante mais de 20 anos, pegou uma bolada de indenização e decidiu que era a hora de ter seu próprio negócio. Encontrou uma franquia internacional de restaurantes iniciando a expansão no Brasil, após participar de uma reunião com o franqueador master, ficou apaixonado pelo modelo de negócio e pelos números da planilha do Ipad do franqueador. Jorge viu que não teria a grana toda para o investimento, cerca de R$ 700.000,00 então chamou mais dois ex-colegas de empresa para entrarem de sócio com ele no restaurante. Jorge e seus amigos montaram uma linda operação num shopping center do ABC paulista, com cerca de 40 funcionários, aluguel na casa dos R$ 15.000,00 mensais mais taxa de royalties e fundo de propaganda. Não tinha o que dar errado, afinal o restaurante do trio chegava a faturar R$ 70.000,00 num único dia, porém... deu errado! Um ano depois de aberto Jorge percebeu no escritório climatizado cheio de monitores de segurança de seu lindo restaurante que sua operação girava muito dinheiro, mas não sobrava nada no fim do mês, e pior, alguns meses havia deficit, o que os obrigou a recorrer a empréstimos bancários, abundantes pra quem tem uma empresa como essa. Dois anos depois de aberto Jorge e seus amigos fecharam o restaurante, saíram com uma mão na frente, outra atrás e uma dívida de 6 dígitos.

Dois pés atrás com uma instituição que tenta ensinar
prática através de material didático padronizado, como
se empreendedorismo fosse tudo a mesma coisa.
Os dois exemplos acima são reais, preservei os nomes, mas conheço pessoalmente ambos os casos. Claro que são dois negócios e realidades completamente diferentes, mas dá pra aprender muita coisa com isso. A primeira coisa que aprendemos é NUNCA SUBESTIME UM NEGÓCIO POR SEU TAMANHO. Maria tem uma empresa praticamente invisível, mas tem meses que fatura líquido acima de 10k, poucos dão valor, aposto que muitos devem desdenhar do trabalho dela, achar que ela é mais uma amadora que trabalha de porta em porta implorando serviço... Ledo engano... Maria deve estar fazendo por volta de 100k líquido por ano! Quantos empregados de baixa escolaridade você conhece que fazem isso? E quantas empresas? Óbvio que a empresa de Maria está mais pra autônomo que pra empresa, até porque tudo gira em função dela, não é possível expandir nem replicar a ideia de maneira realmente eficaz, se por algum motivo ela não trabalhar ficará sem renda, etc. Isso é o que os empreendedores de Sebrae falarão, que isso não é empresa e mi mi mi, mas a verdade nua e crua é que ela ganha dinheiro e o fato de ter cabeça e saber como lidar com o dinheiro está deixando-a literalmente rica! Mais rica que muito administrador, bacharel de direito, tecnólogo de empreendedorismo, pseudo especialista, etc. Assim como o negócio de Maria existem  vários outros que fazem muito dinheiro e ninguém dar valor: empresa de banho, tosa, passear com cachorro; oficina mecânica; empresa de marmitex (ou quentinha para os cariocas); empresa de limpeza pós obra e limpeza doméstica em geral, etc. São empresas vistas no meio do empreendedorismo com desdém pelos empresários fodões que possuem empresas lindas, bem instaladas, com ar condicionado, estacionamento pra clientes, 50 funcionários,  múltiplas operações. Porém quase sempre esses empreendedores nanicos não possuem dívidas porque não tiveram acesso a crédito no começo, no máximo pegaram um empréstimo familiar. Aprenderam como trabalhar na prática e 100% das vezes o conhecimento empírico é 100% mais importante que o teórico.

A segunda coisa que aprendemos com esses exemplos é: NÃO ENTRE NUM NEGÓCIO QUE VOCÊ NÃO CONHECE. Jorge jamais pisara do lado de dentro do balcão de um restaurante antes de investir quase 1kk em sua franquia, foi obrigado a aprender como administrar o negócio na marra, porém ao contrário dos negócios nanicos, os grandes são muito mais complexos e aqui que entra o lance da escala que pouca gente pensa. Administrar um bar é fácil, administrar 10 bares é muito mais difícil, e não é 10 vezes mais difícil, é 20 ou 30 vezes pior porque além dos problemas que o bar único tem ele terá problemas novos que surgem justamente devido a escala. Uma analogia cretina: um avião feito com uma folha de sulfite voa perfeitamente, experimente dobrar uma folha de papel pardo no formato de avião. Ele voará igual ao pequeno? Não, definitivamente, não. Isso porque a escala influencia no desempenho. O mesmo acontece com as empresas.

A terceira lição é JAMAIS CONFIE EM NÚMEROS NUMA PLANILHA, Jorge deixou-se seduzir pelo canto da sereia do excel. Um cara engravatado, preparado pra vender um produto (no caso a franquia) com números tentadores na frente de uma pessoa inexperiente no mundo dos negócios é a chave do fracasso. Como diria meu pai: o papel (ou o computador) aceita tudo. É preciso mais que números pra se comprar uma empresa, é preciso sensibilidade, dar uma de Sherlock e enxergar aquilo que ninguém vê, são nos pequenos detalhes que você percebe se um negócio é bom ou não. Aí você me pergunta: Corey, eu não tenho experiência, eu nunca comprei um negócio, como saber se eu conseguirei ver esses detalhes? Simples: ou você tem alguém de absoluta confiança e experiente do seu lado pra minimizar o risco (porque nada garante que o cara estará certo) ou simplesmente arrisque, mas se for pra arriscar, pelamordedeus não arrisque sua indenização de 20 anos de trabalho num negócio. Comece pequeno, vá aos poucos e outra coisa: ADQUIRA EXPERIÊNCIA. Se for necessário arrume um emprego numa empresa do ramo que você quer comprar, foda-se que você vai ganhar salário mínimo e seus amigos te verão num uniforme, o que você quer é experiência. Eu sou capaz de realizar 100% das funções das minhas lojas, se qualquer funcionário faltar, eu posso cobri-lo com competência. Nunca, mas nunca mesmo, compre uma empresa que você não sabe trabalhar em ao menos 90% das funções. Buffett faz isso porque ele tem dinheiro e conhece gente competente em todos os setores dispostas a trabalhar pra ele, mas você não é o Buffett!

Você não é o Buffett e vamos combinar: você, eu e a maioria das pessoas somos, na melhor das hipóteses, apenas medianos em tudo, não somos especiais, não somos melhores que o outro. Quero dizer que não somos super em nada, somos uns bostas então vamos nos conter em nossa bostaria e não tentar dar o passo maior que a perna. A chance de um de nós ficar trilhardário por inventar o novo Facebook é ínfima, então vamos deixar a ficha cair, acordar pra real, e lutar com aquilo que temos. Se você tem 50k pra comprar uma empresa, compre ou monte uma de 30k; se você tem 500k e nenhuma experiência, gaste os mesmos 30k, adquira confiança e depois parta pra algo maior. Dinheiro não aceita desaforo.

Como eu gostaria de viver no mundo da PEGN,
onde todos os empresários são sorridentes, usam
camisas Dudalina em seus escritórios bem
decorados com um quadro do Romero Brito...
A quarta lição é FRANQUIA NÃO É GARANTIA DE SUCESSO, muito pelo contrário, pode ser o melhor caminho para o fracasso porque normalmente os franqueados tem na cabeça a ideia que franquia é inquebrável porque leu na PEGN que X% das franquias sobrevivem ao primeiro ano enquanto 1/2X% das empresas independentes chegam lá. Fodam-se os números, eles são irrelevantes. O empreendedorismo é muito mais feeling, experiência e principalmente sorte que qualquer outra coisa. Veja meu exemplo: economia em recessão e minha loja antiga partindo pra um crescimento de 15% em 2015. Por quê? Sinceramente não faço ideia! Poderia ser ao contrário, eu poderia ter uma franquia cujo franqueador me demonstrasse por A+B que meu crescimento seria de 10% enquanto na prática poderia estar acontecendo o contrário.

A maior lição de todas é: EMPREENDEDORISMO É COMPRAR POR 5 E VENDER POR 10. Ou seja, inventem a teoria que for, mas no fim das contas é tudo uma questão de matemática simples, sua empresa pode ser resumida numa simples conta de subtração: RECEITAS MENOS DESPESAS. Se o resultado for positivo você está bem, se for negativo, tá fudido. Dane-se o tamanho do número do resultado. 1 real positivo = empesa boa; 1 real negativo =  empresa de merda.

Nêgo fica viajando com contas malucas, empresas que você investe X, alavanca Y, faz Z pra depois de 5 anos ter um retorno espetacular. Isso pode funcionar pra empresas gigantes, de capital aberto, com pesquisadores, contadores, advogados, economistas formando a equipe administrativa. Pra você que tem um boteco o que importa é lucrar no primeiro mês pós compra, afinal você tem que por gasolina no carro e comida na mesa. Pra esmagadora maioria dos mortais empreendedores é preciso ter lucro mensal, de maneira consistente, desde o primeiro mês. Os mortais não estão no mercado se arriscando, passando sufoco com funcionários, ineficiências brasileiras, bandidagem e demais zicas a troco de nada, nós estamos atrás de dinheiro. No fim, grana é o que importa, independente do tamanho da sua operação.

Aqui entra outra coisa que sempre bato na tecla: ramo bom é aquele que sempre deu dinheiro: bar, restaurante, açougue, farmácia, quitanda, posto de gasolina... Essa história de paleta mexicana, frozen iogurte, app pra celular é coisa pra quem tem saco de ficar se renovando o tempo todo. Dá dinheiro, claro que dá, as vezes muito dinheiro, mas não é sustentável. Se você quer ter empresa de maneira séria, tirar seu sustento dela, ela deve ser o mais robusta possível, dar lucro consistente, ser de um ramo "a prova de crises" e principalmente: você tem que ganhar no mínimo o dobro que ganharia caso fosse empregado. É por essas e outras que acho extremamente difícil encontrar uma empresa boa pra comprar, eu diria que 95% das lojas de varejo anunciadas em sites são péssimos negócios.

Acabei desviando um pouco do assunto, mas acho que deu pra captar a essência. O tamanho da empresa não importa, o investimento também, o que importa é o lucro líquido que ela pode dar. Parece uma ideia ridiculamente simples, mas poucos seguem isso e por isso muitos quebram a cara.
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